As redes sociais amplificaram um debate que se resolve com alguns minutos de análise lógica da realidade

Vez ou outra eu me deparo com discussões acaloradas, seja nas redes sociais ou em comentários de matérias jornalísticas, entre pessoas defendendo o modelo econômico capitalista e outras defendendo o modelo socialista.

É bastante surreal que este tipo de discussão ainda aconteça após tudo que o mundo passou no século XX. Não bastasse a miséria que a busca pelo ideal socialista disseminou, houve ainda todo o rastro de morte que ocorreu simultaneamente.

Impressionante como muitos não possuem o mínimo de conhecimento histórico e não tenham noção alguma do que seja liberdade. Talvez acreditem no conto de fadas da “justiça social”, um mundo onde todos somos iguais financeiramente, os bens de consumo e serviços caem do céu, são divididos igualmente e o desejo das pessoas se realiza num passe de mágica.

Só que a realidade é muito diferente disso e é sobre ela que irei falar agora.

Definições

Primeiro é preciso deixar claro como irei definir cada corrente de pensamento.

Capitalismo é quando as pessoas são donas da terra, do capital, do comércio e da indústria. Os recursos econômicos são alocados pela iniciativa privada e de acordo com as leis de mercado. As pessoas podem ter um emprego ou abrir o seu próprio negócio. As decisões econômicas são tomadas de maneira individual.

Socialismo é quando as empresas são possuídas pelo governo e as políticas econômicas também são definidas por ele. Existe então um planejamento central, onde os políticos e burocratas decidem onde investir, o que produzir, o que construir, etc. Tudo pertence ao estado e não existe propriedade privada.

SocialismoTrazendo essas definições para o mundo de hoje, vemos facilmente que no Brasil temos uma mistura de ambos. Se por um lado você pode trabalhar onde quiser ou abrir sua empresa, por outro temos o estado controlando a economia por regulamentações e possuindo empresas. Não só as estatais tradicionais que conhecemos, como Petrobras e Correios, mas também toda a rede de educação, saúde, etc. São mais de 100 estatais hoje em nosso país. E pra quem acha que temos propriedade privada, experimente ficar sem pagar o IPVA do “seu” carro e o IPTU da “sua” casa pra ver o que acontece. Existe ainda o fantasma da Função social da propriedade que está no artigo 5º da Constituição Federal. Em termos de liberdade econômica, estamos muito mais próximos de um país socialista do que capitalista.

Dentro deste contexto, podemos dizer que  o defensor do capitalismo busca reduzir o papel do estado e deixar que o mercado formado por produtores e consumidores interajam de maneira livre. Já o defensor do socialismo prefere que haja um controle da economia e da sociedade pelo estado, pois acredita que o mercado é ineficiente e injusto.

Justiça Social

Poucos termos são tão detestáveis e tão repetidos por defensores do socialismo como a famigerada “justiça social”.

Segundo o conceito de justiça social, desenvolvimento não pode se resumir ao crescimento econômico, já que envolve também a justiça distributiva (que diz que cada cidadão deve receber o que lhe é devido), as liberdades políticas e os direitos civis, as oportunidades sociais, a transparência na esfera pública e privada e a proteção social. Não faz sentido falar de desenvolvimento sem incluir o acesso irrestrito à educação, à saúde, ao crédito, aos bens públicos, à posse da terra, à titularidade de imóveis e a tudo o que é indispensável a uma vida de boa qualidade em uma sociedade democrática moderna.

Sabe de onde eu tirei o trecho acima? Do próprio site do governo federal do Brasil:

Entendeu quando eu falei sobre o mundo mágico que essas pessoas sonham, inclusive muitas dentro do próprio governo? Como calcular quanto é devido a cada cidadão? É devido por quem? Por mim? Por você? Por qual motivo? Aposto que a parte do burocrata que escreveu isso é bem generosa. É possível um acesso irrestrito a educação, saúde, crédito, etc, etc para todos? Esses serviços serão fornecidos por alguém ou cairão do céu? Quem irá pagar por toda a estrutura de educação, saúde, bens, imóveis? Eu? Você? Ou o professor será escravizado e o aparelho de raio X será trazido pelo gênio da lâmpada?

Frederic Bastiat

Claro que ninguém gosta de ver as pessoas sofrerem, mas o estado jamais será a entidade responsável por promover bons serviços a preços módicos para quem quer que seja. A realidade nos mostra justamente o contrário. O custo-benefício dos serviços estatais é o pior possível para quem paga a conta, ou seja, nós. Somos esfolados por impostos e recebemos os piores serviços possíveis.

Não há como algo funcionar bem se ele não depende da qualidade desses serviços, se não depende da satisfação dos consumidores e que eles voltem a comprar. Se o McDonald’s existe é porque as pessoas gostam dos produtos e vão voluntariamente comprar sanduíches, sobremesas e cafés. O dinheiro que abastece os sistemas estatais de saúde e educação não vem de quem consome os serviços. Vem dos impostos tomados de todos os cidadãos, sejam eles usuários ou não. Qual o compromisso em atender bem?

Seja pela incompetência administrativa, seja por não seguir as leis de mercado ou pela corrupção disseminada, qualquer pessoa mentalmente capaz sabe que não se deve esperar nada do governo, muito menos corrigir as imperfeições da sociedade.

Você pode estar se perguntando: Mas se não for o governo, quem irá atender os mais pobres?

Ok, já respondo. Antes disso, alguns fatos precisam ser mostrados.

O mundo é injusto

Aceite, o mundo é injusto. Enquanto o príncipe George e a princesa Charlotte jamais vão precisar fazer bico para pagar as parcelas da geladeira financiada em 12 vezes, você pode estar enfrentando alguma dificuldade para pagar suas contas. Mas veja pelo lado bom. Você também não está convivendo com a fome e a seca que aflige as tribos do interior do Sudão, ao mesmo tempo em que é perseguido por milícias e corre o risco de atravessar algum campo minado.

É impossível controlar onde as pessoas nascem, assim como é impossível controlar o padrão de vida de cada canto do planeta. Se um país possui uma sociedade miserável, o problema deve estar dentro dessa própria sociedade e não em um nerd do outro lado do mundo que ficou rico desenvolvendo aplicativo para celular.

pobrezaÉ isso é algo que muita gente gosta de dizer. Que a culpa é dos ricos gananciosos. Eles não tomaram esses bens das outras pessoas à força. Eles ficaram ricos (guardadas as devidas exceções obviamente) ao vender um bem, produto ou serviço aos outros e foram extremamente competentes nisso. São pessoas que serviram aos seus semelhantes. Acha mesmo que a família Walton não merece os U$ 150 bilhões que possuem? Pois saiba que o ganho da sociedade americana com a existência do Wal-Mart é da ordem de U$ 5 trilhões. U$ 5 trilhões para U$ 150 bilhões. Parece-me justo.

Ao mesmo, haverá gente que será inteligente, outros que serão preguiçosos, alguns mais estudiosos, outros com maior dificuldade de relacionamento. Haverá pessoas com alta capacidade de liderança e administração e gente que queira apenas ficar o dia inteiro tomando cerveja. Os seres humanos são bastante diferentes, incluindo os gêmeos univitelínicos.

Não há como fazer as pessoas serem iguais ou terem o mesmo salário. Não é como numa linha de produção, onde se deseja ter um resultado padrão sempre. Cada pessoa possui desejos, motivações e estão dispostas a fazer coisas diferentes. A única coisa que deve ser buscada é a defesa da liberdade para que cada um explore sua própria capacidade e possa se desenvolver.

Desigualdade social, de renda ou de patrimônio nunca foi, não é e jamais será um problema. Não se pode basear a própria felicidade naquilo que os outros possuem. E quer saber de uma coisa? Os pobres de hoje nas sociedades civilizadas e livres têm muito mais conforto que muitos ricos do passado. Luís XIV não tinha ar condicionado, geladeira, carro ou computador. Também não foi vacinado e nem tinha acesso aos métodos terapêuticos e diagnósticos disponíveis com facilidade hoje.

O capitalismo aliado ao desenvolvimento tecnológico é capaz de transformar artigos supérfluos e de luxo em algo corriqueiro e presente na vida de todos. Pensou nos smartphones, não é? Pois saiba que garfo e faca já foram considerados itens restritos à mais alta aristocracia.

Diferenças sempre irão existir, mas dentro de um sistema capitalista de livre mercado, aqueles que têm menos estarão diversos níveis acima daqueles considerados ricos em sociedades não-livres.

Não existe essa coisa de coletivo

Sejamos honestos. As causas de sucesso ou fracasso são individuais. Exceto por casos extremos, como Cuba e Coréia do Norte, onde a sociedade não é livre. É você quem estudou, quem passou no vestibular, quem se formou e quem conseguiu o emprego, etc.

liberdadeA responsabilidade é individual. Cada um um trilha um caminho diferente na vida, mesmo que tenham partido do mesmo ponto. Os irmãos do Bill Gates ou do Zeca Pagodinho não alcançaram a fama e o sucesso deles, mesmo tendo nascido na mesma família. Ao mesmo tempo, os colegas de escola do Fernandinho Beira-Mar não se tornaram traficantes, apesar de terem estudado exatamente na mesma sala.
Não há como pensar no coletivo, sem que isso signifique pensar em cada pessoa individualmente. E como já falei, as pessoas tem desejos e necessidades diferentes. Nada mais justo do que cada uma delas perseguir seus próprios interesses, sem agredir as outras pessoas. E o sistema capitalista é aquele em que é preciso efetivamente servir o próximo para ter sucesso e alcançar seus objetivos.

Quer pensar no coletivo? Então, seja útil. Tente ser o melhor na sua profissão. É disso que a sociedade precisa. Pessoas e empresas fornecendo bens e serviços necessários para os outros. Olhe a sua volta. Tudo foi produzido por alguém que trabalhou. Os problemas da sociedade são resolvidos de maneira local, na interação entre milhões de pessoas e não da varinha mágica de nenhum político.

O papel do estado

Se o estado não deve assumir qualquer tipo de protagonismo na esfera econômica e social, qual deve ser a função dele?

A meu ver, deveria focar apenas em manter a ordem, preservar a segurança e garantir a liberdade da população. Não há a mínima necessidade de se manter uma estrutura complexa, inchada e ineficiente, em diversos setores e esferas, cujo custo é sufocante para os pagadores de impostos e os resultados são de medíocre pra pior.

Já sabemos o resultado quando o estado se mete a empreendedor, não é mesmo? Os desvios bilionários e o enriquecimento da elite político-econômica brasileiro vem sendo desvendada pouco a pouco pela Operação Lava-Jato. Entretanto, todos as bases que levaram ao número infindável de crimes cometidos continuam presentes. Nada de concreto foi realizado com o intuito de enxugar o tamanho do verdadeiro destruidor de riquezas do país.

O papel da livre iniciativa

Obviamente se ao estado não cabe tocar empresas, seja nas áreas de saúde, educação e todas as demais, alguém precisa assumir esse papel. E ninguém melhor que a própria inciativa privada.

Veja como é um círculo virtuoso. Sem esse estado gigantesco que temos hoje, é possível reduzir a carga tributária de maneira contundente e trazer os bens e serviços a preços bastante competitivos. Alia-se a isso a abertura do mercado para empresas e empreendedores internacionais e temos uma enxurrada de investimentos no país. Mercado de educação para uma população  semi-analfabeta como a nossa, é tudo que um empreendedor deseja. Com isso vem empregos e todo o progresso que o cerca.

capitalismoTudo seria potencializado ainda mais com a redução dos encargos trabalhistas e a extinção dos sindicados. Emprego é uma relação direta entre empregador e empregado. É fato que há muita gente precisando de emprego. É fato também que no ambiente de livre mercado, baixa regulamentação e baixa tributação se gera muito mais empregos.
Todos os fatores extras envolvidos na relação empregado-empregador geram tensão e prejudicam ambas as ambas as partes. Se por um lado o empregador tem que cumprir uma série de burocracias e ainda corre risco de processos, do lado do empregado, isso tudo se reflete em menores salários, pois parte da remuneração acaba sendo desviada para o próprio governo. Não tenha dúvida de que as “conquistas trabalhistas” beneficiam apenas o governo e os sindicatos. Se eu quiser receber abaixo do salário mínimo é problema meu. Se eu quiser trabalhar 12 horas é problema meu. Não há porque existirem leis que impeçam as pessoas de trabalhar do jeito que elas quiserem.

O que garante o emprego não são as leis trabalhistas. É por um lado o trabalhador ser competente e gerar valor e pelo outro haver a abertura de empresas que gerem empregos pra toda essa gente. E quanto mais livre for o mercado, mais as pessoas se sentirão estimuladas a empreender.

Assim, tirando o sanguessuga do estado dessa equação, o giro financeiro acontece dentro da própria população produtiva, elevando o poder de compra e aumentando a produção e os investimentos. Soma-se a isso a livre concorrência derrubando preços e teremos uma população capaz de pagar por si mesma os bens e serviços de que necessitem.

É fácil perceber como o sistema capitalista é capaz de atender as pessoas de todas as classes sociais. Da mesma forma que produz carros populares como o Tata Nano (vendido na Índia a cerca de R$ 5 mil), também produz carros exclusivos como o Lamborghini Veneno (R$ 15 milhões). O livre mercado também vende iPhone 7 (cujo preço deve ultrapassar R$ 5 mil no Brasil), assim como o Alcatel One Touch, que custa a bagatela de R$ 5 no Reino Unido.

Por que seria diferente com a educação e saúde?

A caridade

Se mesmo com toda a liberdade econômica e livre mercado, ainda houver onde ajudar não tenha dúvida de que o capitalismo é capaz de cumprir esse papel de maneira muito mais eficiente que o estado.

Se os Estados Unidos são o país com o maior número de bilionários do mundo, é também aquele onde a caridade está mais presente. Fica em segundo, atrás de Mianmar, sociedade com alta presença da filosofia budista, em termos relativos no World Giving Index, mas em termos absolutos, ninguém doa mais dinheiro que os norte-americanos.

caridadeOs Estados Unidos também encabeçam a lista de adoções internacionais, quando uma família adota uma criança estrangeira. Por ano são mais de 6.500 crianças adotadas. Mais que todo o resto do mundo somado. Sabe o custo de uma adoção internacional nos Estados Unidos?  Em torno de U$ 35 mil. Não é nada barato. Saiba também que muitas das crianças vêm de orfanatos russos, onde crianças com deficiências físicas são abandonas pela família. Veja com seus próprios olhos o que pode acontecer com uma criança dessa num país como os EUA.

Não há como questionar a diferença moral que existe em doar dinheiro próprio para causas que julgar necessárias com o uso que o estado faz do dinheiro dos pagadores de impostos. No primeiro caso, além do dinheiro ser próprio e não ser tirado de ninguém, ele é melhor aplicado, pois ninguém quer doar dinheiro para ser desviado e mal utilizado. No caso do estado e suas políticas sociais, além de promover o fracasso e condicionar aqueles que recebem a se manterem numa situação desfavorável, todos nós sabemos a quantidade de fraudes que acontecem.  Só no Bolsa Família, aparece uma por semana. É dinheiro tomado à força do cidadão comum que vai pro bolso de quem nada produz.

Conclusão

Portanto, se quisermos ter uma sociedade livre e próspera, é preciso abraçar o capitalismo de livre mercado. É com liberdade econômica que a sociedade se desenvolve e todos os cidadãos em maior ou menor escala são beneficiados.

Aliás nem todos. O capitalismo é um sistema que exclui o preguiçoso, o incompetente, o vagabundo, enfim, todos aqueles que querem ser sustentados pelos outros. No capitalismo é preciso trabalhar e ganhar o pão de cada dia gerando valor ao próximo.

É difícil pensar que no Brasil, um país onde o carrapato é maior que o cachorro, ainda existem pessoas que desejam um sistema socialista. Se hoje os políticos não têm o menor escrúpulo em viver às custas do trabalho da sociedade, o que acontecerá então quanto tiverem o controle total sobre ela?