Como investir para renda no exterior – Parte 2

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Veja agora 4 investimentos alternativos que podem lhe conferir uma renda extra em moeda forte

Agora que você já leu sobre as maneiras mais comuns de conseguir renda no exterior, falarei sobre alguns outros investimentos menos conhecidos, mas que também visam o recebimento periódico de dividendos em moeda forte.

São investimentos que não existem no Brasil, sendo necessário abrir uma conta no exterior, caso você queira investir em algum deles. Esses investimentos são:

  • Master Limited Partnerships
  • Royalty Trusts
  • Business Development Companies
  • Closed-Ended Funds

Cada um possui características peculiares e algumas diferenças que você irá aprender agora.

Master Limited Partnerships (MLPs)

Nos últimos anos, muitas empresas americanas do setor de oleodutos, gasodutos e de tanques de armazenamento perceberam a perenidade, estabilidade e baixo crescimento do setor e se transformaram em MLPs. Há muitas diferenças entre esse modelo e uma companhia tradicional com ações negociadas em Bolsa.

Nesse modelo, o investidor não compra ações comuns, mais sim units da empresa. Há duas classes de proprietários ou partners numa MLP. Os general partners são aqueles envolvidos no dia-dia da empresa, ou seja, na administração do negócio. Os limited partners são os demais investidores que não participam das operações e que compram as units na Bolsa.

PetróleoSão empresas com uma receita relativamente constante vinda das taxas cobradas pelo uso dos dutos e armazéns definidas em contratos de longo prazo. Desta forma, costumam distribuir dividendos consistentes em termos históricos. Existe também uma vantagem tributária no modelo de MLP. A empresa não é taxada a nível corporativo, mas apenas quando houver distribuição de dividendos. Ou seja, é como se ela cobrasse um aluguel dos dutos e o distribuísse praticamente em sua totalidade.

Obviamente estas empresas estão expostas aos riscos inerentes do setor do petróleo, que atualmente passa por um momento de forte baixa. Pra você ter uma idéia, o índice Alerian MLP caiu 40% em 2015 e muitas empresas reduziram a distribuição de dividendos. Neste ano, houve uma certa recuperação com alta em torno de 16%.

As MLPs costumam apresentar um dividend yield interessante, entre 2 e 17% ao ano atualmente. É um valor que deve melhorar, caso o preço do petróleo se recupere. Entretanto, permanecem uma aposta de risco na atual conjuntura, pois a situação financeira das empresas petrolíferas em geral não é nada boa.

Yields Médios MLPs

Comparação dos dividendos médios entre diversas classes de ativos. AMZ representa o índice Alerian das MLPs.

Royalty Trusts

Assim como as MLPs, os Royalty Trusts geralmente investem no setor de energia. Por outro lado, não possuem a renda mais constante das Partnerships. Eles dependem tanto do valor, como da produção das commodities, seja carvão, petróleo ou gás natural, principalmente. Estão, portanto, mais suscetíveis a essas variações de preços de mercado.

Os Royalty Trusts não possuem funcionários e nem operação própria. São apenas entidades financeiras administradas pelos bancos e que são negociadas em Bolsa. O Trust em si é dono de uma área específica, onde uma outra empresa explora o solo e paga royalties para o Trust pela quantidade de matéria-prima extraída. Simples assim.

Pense pelo lado de uma mineradora, por exemplo. Ao invés de ser dona da jazida de ferro, ela vende a região para o Trust, investe em máquinas e equipamentos, aumenta a produção e paga royalties do que produzir para o Trust. Não fica com aquele enorme valor imobilizado. É bom para ambas as partes.

Mina de carvãoAssim como as MLPs e REITs, os Trusts não são tributados a nível corporativo, apenas quando da distribuição de dividendos. São chamados portanto de entidades de investimento pass-through. Ao evitar essa dupla taxação e por não ter muitos custos fixos, os dividendos dos Trusts costumam ser enormes, podendo atualmente chegar até 12% ao ano. Isso também se deve ao fato do Trust, por definição, ser obrigado a repassar todo o fluxo de caixa para os acionistas. Não existe a possibilidade dele usar a receita para outra finalidade.

Algumas desvantagens que esse tipo de investimento possui são primeiramente dependência total do mercado de commodities, em particular daqueles produzidos nas áreas do Trust. Uma queda abrupta do valor da commodity pode reduzir o dividendo de maneira brutal de um ano para outro, tornando a projeção de dividendos bastante incerta. Também depende das reservas de minério sob posse. Como sabemos, o minério é finito e a cada dia a quantidade vai diminuindo em determinada jazida ou campo de exploração. Se acabar o minério ou o petróleo na área do Trust, não haverá mais royalties a receber.

Pra finalizar, outro dado importante é que alguns Trusts possuem prazo de validade (term) e outros são de prazo indefinido (perpetual), ou seja, até a depleção total das reservas. Portanto, importante avaliar em detalhes as regras de um Trust antes de investir. Um dividendo tão alto assim não cai do céu de graça.

Business Development Companies (BDCs)

As BDCs são um tipo de investimento que existe há mais de 30 anos nos EUA e provavelmente poucas pessoas no Brasil já ouviram falar delas. Por isso que eu digo que os investimentos no Brasil vivem ainda na idade da pedra.

Bom, a BDC é uma organização que investe e ajuda pequenas e médias empresas a se desenvolver nos estágios iniciais de seus negócios. Algumas são bastante parecidas com os Closed-Ended Funds que você irá ler a seguir.

Existe um outro tipo de empresa que também contribui para o desenvolvimento de pequenas empresas, chamada de Venture Capital. Mas qual a diferença entre elas? A diferença é que a BDC pode ser negociada em bolsa, permitindo que pequenos investidores comprem suas ações. As empresas de Venture Capital só estão acessíveis para investidores qualificados e instituições financeiras e requerem maior capacidade de aporte inicial.
As BDCs suprem capital permanente para diversas empresas e permitem que o público em geral participe do financiamento dessas startups.  Esse aporte de capital é feito com o uso de diversos instrumentos como aquisição de ações, fornecimento de empréstimos e instrumentos híbridos.

Investimento em startupsAs BDCs estão bastante envolvidas com as empresas investidas e fornecem além do auxílio financeiro, ajuda administrativa e de negócios. Em geral, as empresas investidas são privadas e estão passando por dificuldades financeiras. É nessa compra de ativos depreciados seguida pela recuperação das companhias que as BDCs podem conseguir ganhos extraordinários para os acionistas. Por outro lado, não deixa de ser um investimento de risco.

A vantagem do investimento é justamente proporcionar acesso do pequeno investidor a ativos de empresas privadas. O fato de serem obrigadas a distribuir pelo menos 90% dos lucros aos acionistas contribui para um dividend yield bastante acima da média. Para você ter uma idéia, no momento, há muitas BDCs americanas pagando entre 10 e 20% de dividendos ao ano.

Um dividendo desses, como já falei, tem seus riscos. Ele depende da capacidade administrativa, do controle de custos e do sucesso das operações que a BDC desenvolve com as empresas investidas. Se as startups investidas não deslancharem é dinheiro perdido. Não deixa de ser um investimento de maior risco.

Closed-Ended Funds (CEFs)

Os CEFs ou Fundos Fechados nada mais são do que um fundo de investimento, onde o administrador faz uma oferta pública inicial (IPO), capta o dinheiro dos acionistas uma única vez e administra os investimentos. Ao contrário dos fundos comuns abertos, não há mais aplicação ou resgate do capital a partir do IPO. As cotas do fundo passam a ser negociadas em Bolsa. Lembra muito um ETF.

Cada cota de um CEF representa um percentual de uma grande quantidade de títulos que o administrador comprou com o dinheiro dos acionistas iniciais. O preço dela varia tanto pelas forças de compra e venda do mercado, como pelo valor dos ativos investidos pelo fundo. Isso significa que um fundo pode negociar acima ou abaixo do valor líquido dos ativos (NAV ou net asset value). Em geral, eles negociam com desconto em relação ao NAV.

São fundos voltados a renda e que investem principalmente em bonds e ações preferenciais. Também costumar usar da alavancavagem para produzir dividendos acima do mercado. Por exemplo, podem emitir dívida a 4% e comprar dívidas mais arriscadas a 7 ou 8%. Outra forma de alavancar muito usada pelos CEFs é a venda coberta de opções.

Renda no exteriorDesta forma, é importante observar o nível de endividamento do fundo, bem como as taxas administrativas, que podem comprometer os rendimentos. Além disso, ao contrário das ações que constantemente aumentam os dividendos, não é comum para um CEF aumentar a distribuição ao longo do tempo.

É importante lembrar que há CEFs perpétuos e outros com prazo definido. Os perpétuos são os mais comuns. Outra característica que ajuda a classificar os CEFs são justamente os ativos em que eles investem:

  • Ações diversificadas: investem em ações comuns e preferenciais com foco em dividendos e venda coberta de opções
  • Ações Internacionais: investem em ações ou ativos de renda fixa em diversos países do mundo.
  • US Bonds: investem em títulos do governo americano (treasuries), de agências governamentais e bonds detentores do grau de investimento
  • Bonds Municipais: são títulos emitidos por estados ou cidades, isentos de impostos federais
  • Setor e especialidade: investem em ações de empresas de determinado setor, como bancos, recursos naturais e saúde. Também podem se especializar em ações preferenciais ou títulos conversíveis (convertible bonds)

Pra finalizar, saiba que existem mais de 500 CEFs disponíveis para investimento apenas nos EUA. Muitos pagam dividendos acima dos 10% ao ano, enquanto alguns chegam a pagar acima de 20%. Num mundo onde há mais de U$ 10 trilhões de títulos pagando juros negativos, soa como um verdadeiro oásis. Entretanto, é preciso estar atento aos riscos e estudar a fundo o CEF que queira investir para não acabar se expondo a riscos desnecessários.

Conclusão

Todos os investimentos listados aqui têm o potencial de melhor a renda do seu portfolio. Também contribuem para a diversificação, já que possuem baixa correlação com as outras classes de investimento, como ações e bonds.

São classes de ativos que devem ser estudadas mais a fundo para que você saiba exatamente onde está colocando o seu dinheiro. Como eu sempre falo, é importante avaliar seus investimentos como um todo e usar os ativos de risco de maneira prudente para não ser surpreendido em momentos negativos do mercado.

Durante a semana, enviarei para os assinantes material selecionado e mais aprofundado em PDF sobre todos os investimentos tratados aqui.

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Você pode pular para a parte 3 clicando aqui.

By | 2017-08-10T14:42:28+00:00 16 de outubro de 2016|Diversificação, Investimentos|16 Comments

16 Comments

  1. Fábio 17/10/2016 at 04:28 - Reply

    Ótimo conteúdo, II.

  2. Rodolfo 17/10/2016 at 07:36 - Reply

    II,

    Caramba .. não fazia a menor ideia que existia essas coisas rs … muito bacana .. sempre aprendo por aqui ..

    Abs,

  3. Mauricio 17/10/2016 at 07:55 - Reply

    Mais uma vez vc se superou , parabéns pela explicação .

  4. Hélio 17/10/2016 at 10:39 - Reply

    Extraordinário! Sou estudante de Direito e gosto muito da área do Direito Comercial. Confesso que nunca havia ouvido falar nessas formas de organização de empresas. Muito Bom!

  5. Bruno 17/10/2016 at 11:00 - Reply

    Fantástico! Parabens

    • Bruno 17/10/2016 at 11:05 - Reply

      Amigo seria possível nos itens que mencionam “listagem em bolsa”, informar os códigos para busca no HB das corretoras americanas? ja tenho investimentos lá fora a mais de 6 meses graças ao seu site. Muito obrigado.

    • Investidor Internacional
      Investidor Internacional 17/10/2016 at 11:29 - Reply

      Obrigado, Bruno!

  6. Tha 17/10/2016 at 16:33 - Reply

    Oi, II!

    Parabéns! Achei esse artigo muito válido.
    Uma sugestão: se possível, poderia incluir na próxima parte, de ações, ETFs focados em dividendos?
    Qual seria a diferença essencial entre esses ETFs e os CEFs?

    Abraços!

    • Investidor Internacional
      Investidor Internacional 17/10/2016 at 21:25 - Reply

      Olá Tha,

      Sim, vou falar de ETFs.

      O ETF em geral segue um índice, o CEF tem uma gestão mais livre de acordo com o gestor.

      Abçs!

      • Tha 18/10/2016 at 10:45 - Reply

        Obrigada! Ansiosa aguardando!

  7. Mamon Hater 22/10/2016 at 17:08 - Reply

    II,

    A UE tem alguma proteção para investidores quanto à fraudes ou a quebra de corretoras e bancos? Estou tentado a operar pela degiro.ie. Talvez seja a única corretora que concorra em preço com a IB, com a vantagem de estar sediada fora dos EUA, e de não exigir o famigerado depósito inicial de 10.000 dólares.

    A quantas anda a solução de baixo custo para abertura de empresa off-shore que você ia anunciar com parceiros? Tem como nos dizer pelo menos as informações mais importantes (onde e com quem abrir), de forma que consigamos obter o restante por nossa própria pesquisa? Tenho receio de iniciar meus investimentos lá fora com uma conta de pessoa física e incorrer em pesados custos para trasnferir o patrimônio para a empresa.

    Mamon hater

    • Investidor Internacional
      Investidor Internacional 23/10/2016 at 13:04 - Reply

      Olá Mamon,

      Eu vejo essas proteções em relação aos depósitos mais relacionados ao país do que com a UE. Essa corretora irlandesa é nova e eu não conhecia. Tentarei encontrar mais informações sobre ela.

      Sim, já estou fazendo um piloto com alguns leitores. Eu aguardaria a resolução disso por dois motivos. Os custos serão bem pequenos comparados com os demais provedores desse serviço e o dólar deve cair ainda mais.

      Abçs!

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