As 3 coisas mais importantes que você aprendeu ou deve aprender aqui

Eis que o número de artigos no site atingiu o número 100. Não fiz post comemorativo de 1 ano, nem de 2 anos de site, mas para o artigo de número 100, resolvi fazer algo especial.

O site foi criado em maio de 2014 e o primeiro artigo só foi publicado mesmo no dia 2 de novembro daquele mesmo ano. Em junho de 2016, foi feita a ampliação de conteúdo e atualização visual nos moldes como é hoje.

Quanta coisa aconteceu nesse período! Tivemos a reeleição e o impeachment de Dilma Rousseff e toda a montanha-russa político-econômica que acompanhou este processo. Foram 2 anos e meio bem intensos.

E todos os fatos que marcaram esse período apenas colaboraram para enfatizar os ensinamentos que tentei divulgar em todos os artigos. As premissas e o conhecimento que serviram de base para tudo que já foi escrito aqui permanecem mais do que nunca válidos.

Desta forma e também pelo fato de que a cada dia muitos leitores novos têm aparecido, resolvi compilar os 3 princípios básicos que norteiam o investimento no exterior. Serve também para o leitor mais antigo reforçar o conhecimento e se lembrar de exatamente o por que de manter seus investimentos fora do Brasil.

O mais interessante disso tudo é que os investimentos em si não são a parte mais importante, mas sim uma consequência de quando se adquire uma visão mais ampla e se estabelece um objetivo maior de proteção patrimonial e independência financeira.

E pra finalizar essa introdução, saiba que é possível fazer tudo o que você verá a seguir do conforto do seu lar. Não, não é preciso ir até os Estados Unidos ou à Suíça para abrir uma conta. Tudo pode ser feito pela internet e pelo correio.

1 – Diversificação do risco político

O motivo número 1 de você manter parte do seu patrimônio em outro país é diversificar o risco político.

Mas o que isso significa?

Brasilia

As pessoas mais perigosas do Brasil ficam aqui e não nos presídios

O valor de praticamente tudo que você tem no Brasil depende muito da qualidade do nosso país. Essa qualidade é baseada na estabilidade política, no desenvolvimento econômico e social, no cumprimento das leis, na expressão da liberdade, na manutenção da ordem e todos os demais aspectos que envolvem o funcionamento da sociedade.

Avaliando todo o histórico do Brasil, particularmente o período republicano, você perceberá que o Brasil sempre pendeu pro lado ruim em todas essas características. Passamos por período de ditaduras, crises políticas e econômicas, períodos inflacionários, mudanças de moedas e confiscos, altos índices de violência, instabilidade jurídica, etc.

Esses fatores levam à insegurança e à falta de perspectiva clara quanto ao futuro. Não se consegue planejar ou prever efetivamente como será o país daqui a alguns anos. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Já na Suíça, Cingapura, Hong Kong, Luxemburgo, Austrália, Dinamarca ou Inglaterra, não há muitas dúvidas quanto ao futuro. Não são países livres de crises, mas por outro lado os governos deverão permanecer estáveis, os níveis de corrupção provavelmente continuarão baixos, as leis continuarão sendo cumpridas, a propriedade privada será respeitada e a liberdade de trabalhar e empreender continuarão favorecendo a geração de riqueza.

Tudo isso para dizer de forma simples: Países desenvolvidos valem mais.

Mantendo patrimônio fora do país, você está ajudando a salvar pelo menos uma vida, a sua.

Vimos com nossos próprios olhos o que uma crise causada pelo governo pode fazer. Inflação, desemprego, queda da renda, etc. Não foi a primeira e não será a última. O Brasil sempre estará exposto a esse tipo de problema. Não é um lugar em que podemos confiar.

Ter nascido e estar morando em um país, seja ele qual for, não é em si um motivo para você ter todo o seu patrimônio nele. Pense bem. Anos e anos de trabalho duro e patrimônio acumulado, seja em investimentos, imóveis ou empresas e em questão de meses, você pode perder parte ou até a totalidade dele, dependendo do tamanho da crise. E isso já aconteceu aqui e em diversos outros países. Cuba, Venezuela, Zimbábue, Rússia, Chipre são os que me vêm à mente. E toda essa história de reforma (necessária) da previdência só mostra que não se deve deixar o seu futuro depender do governo.

O seu patrimônio, principalmente aquele que estiver em conta corrente, poupança, previdência, FGTS, sempre estará a uma assinatura de ser perdido.

O risco político está relacionado não só à segurança do cumprimento das leis e manutenção da propriedade privada, como também à qualidade na gestão do dinheiro público. O endividamento dos países é cada dia maior. Os Estados Unidos, por exemplo, já acumula mais de 20 trilhões de dólares de dívida. Diversificar no exterior significa também procurar países que sejam credores líquidos e não devedores. Sabemos que um governo em dívida, seja ele qual for, pode tirar do bolso dos próprios cidadãos os recursos necessários para cumprir com as suas obrigações financeiras.

Um governo grande o bastante para lhe dar tudo o que você quiser também é grande o bastante para tomar tudo o que você tiver.

2 – Diversificação entre moedas e metais preciosos

O segundo ponto, que é consequência inevitável do primeiro, é a diversificação entre moedas.

Em um mundo de moeda sem lastro, o seu valor está intimamente ligado à qualidade do país emissor. Assim, quando melhor for a economia do país, quanto menor for a inflação, quanto mais dinheiro aquele país atrair, mais a sua moeda irá valer.

Então não só você abre uma conta um país mais estável, como a Suíça ou Hong Kong, você também compra a moeda corrente deles, no caso o Franco Suíço e o Dólar de Hong Kong. São moedas de baixa inflação e que retém o poder de compra por mais tempo.

Suíça

O Franco Suíço é historicamente a moeda mais forte do mundo

Veja o caso da Suíça, por exemplo. Possui empresas de primeira linha exportando bens de alto valor agregado, como relógios, jóias, medicamentos, químicos, alimentos industrializados, etc. Também possui dezenas de bancos que recebem dinheiro do mundo inteiro para serem investidos. Soma-se a isso a infinidade de empresas suíças espalhadas pelo mundo enviando recursos de volta à matriz. Estabilidade político-econômica aliada a uma entrada grande de recursos têm mantido o Franco Suíço como a moeda mais estável e valiosa do mundo.

Isso não seria necessário dentro do sistema de Bretton Woods. Este acordo, assinado ao fim da Segunda Guerra, definiu o valor das relações cambiais entre as moedas dos países desenvolvidos e o Dólar Americano e deste com o ouro. Desta forma, o valor das trocas monetárias era fixo e não haviam variações cambiais.

Foi um sistema que perdurou até 1971, quando ficou claro que os Estados Unidos estavam inflando a sua moeda sem possuir o respectivo lastro em ouro. A cada 35 dólares emitidos deveria haver uma onça (31,4 gramas) de ouro armazenada pelo Tesouro Americano. Como o volume de dólar criado foi maior que a quantidade de ouro e não haveria a possibilidade de resgatar o ouro nesses valores, o governo Nixon decidiu cancelar unilateralmente o acordo. Desde então o valor do ouro disparou e hoje cada onça vale em torno de 1200 dólares.

Assim, o ouro é um metal usado também como proteção contra o processo inflacionário criado pelos governos emissores de moeda. Foi por exemplo, um dos melhores investimentos em 1999, 2002 e 2015, anos de desvalorização do Real. Sugiro que leia a página de metais preciosos para um estudo mais aprofundado sobre ouro, prata, entre outros metais.

3 – Acesso a investimentos internacionais

Após ter uma conta em moeda forte fora do Brasil é que você estará apto a investir em praticamente qualquer lugar do mundo. Com apenas uma conta é possível não só ter diversas moedas, mas também acesso ao mercado de Bolsa de Valores e demais investimentos em países de todos os continentes.

Cingapura

Cingapura é um dos países onde o capitalismo mais floresce

Ações, títulos de renda fixa, commodities, REITs são apenas alguns dos investimentos disponíveis para você ao se tornar um investidor global.

Já mostrei como é possível investir em empresas do porte da Microsoft, Berkshire Hathaway, Moët Hennessy Louis Vuitton e L’Oréal. E muitas outras empresas ainda estão por vir. Também mostrei em 4 artigos como é possível viver de renda em moeda forte no exterior e como é possível montar uma carteira diversificada de ativos em todo o mundo. O investimento em renda fixa também ganhou artigos especiais. Um sobre estratégia com Bonds e outro mostrando como é possível investir em dólar no Brasil dos juros altos.

É uma infinidade de opções que tenho mostrado e que continuarei mostrando para dar lhe uma idéia do tamanho do mercado internacional. Mais de 93% do mercado mundial de ações, por exemplo, se encontra na América do Norte, Europa e Ásia. E você, por que você está de fora dessa?

Conclusão

Investir no exterior é muito mais do que lucrar com investimento em multinacionais espetaculares de nível mundial ou empresas que desenvolvem as novas tecnologias que todos iremos usar. É inicialmente uma forma de proteger o seu patrimônio de toda a incerteza e insegurança que nos rodeiam no Brasil, um país que você pode amar, mas é melhor não confiar.