Desigualdade social não é nada do que dizem por aí

Se tem uma coisa que os socialistas de plantão (mesmo aqueles que não sabem que são) gostam de propagar aos sete ventos como se fosse o grande problema da humanidade hoje, esta coisa é a desigualdade social. Ou num termo mais direto desigualdade de renda. Afinal de contas, dentro da problemática esquerdista, tudo se resume a dinheiro, a quanto cada um ganha.

Provavelmente você já deve ter ouvido uma porção de pessoas, incluindo “especialistas”, autoridades, artistas, professores, políticos colocarem na mesa que é um problema muito sério haver pessoas com bilhões de dólares de patrimônio enquanto outras se encontram na miséria.

Obviamente, que existirem lugares onde pessoas vivam em condições degradantes é um grande problema.  Daí a achar que isso tem alguma relação com os muito ricos ou pior, achar que foram os ricos que espoliaram os pobres tem uma grande diferença.

Vou explicar o por quê.

Um pouco de história

Se você olhar alguns séculos para trás, verá que o padrão de vida das pessoas era muito mais próximo da miséria do que num padrão, digamos, digno aos olhos de hoje. Claro que não me refiro aos reis e nobreza que viveram no passado e que são os únicos lembrados nas aulas de história. Falo do cidadão comum, que passou os últimos séculos e por que não milênios, literalmente trabalhando para comer e não morrer de frio.

Antes da revolução industrial, as pessoas passavam a maior parte do tempo produzindo alimento. Roupas eram passadas de pai pra filho. Talheres e banheiro dentro de casa eram artigos de luxo. Já imaginou o resultado disso na qualidade de vida das pessoas em uma época em que não havia antibióticos?

A industrialização

Graças a industrialização e à divisão do trabalho, permitiu-se que muitas pessoas obtivessem renda e os produtos advindos daí se tornaram cada vez mais acessíveis a essas mesmas pessoas que trabalhavam.

E foi a industrialização, aliada ao livre mercado, a responsável pelo gráfico mais famoso do mundo, mostrado abaixo e baseado num trabalho de Angus Maddison:

Gráfico da Riqueza

Criação de riqueza na história da humanidade

Ele mostra que praticamente toda a riqueza produzida na história da humanidade foi criada nos últimos 2 séculos. E qual a consequência disso? Ora, se antes o ser humano vivia apenas para sobreviver, depois passou a ter mais tempo para outras atividades e desenvolver outros pensamentos, a se preocupar com outras coisas. Isso acelerou o desenvolvimento humano em diversos campos.

Os criadores

Mas toda essa riqueza não caiu do céu, ela se deveu ao trabalho e dedicação de milhares de pessoas que investiram, criaram e  produziram bens e serviços que atenderam a necessidade de outras milhares ou até milhões de pessoas.

Pegue o exemplo dos grande industriais americanos. Homens como Carnegie, Rockefeller, Ford, Vanderbilt e J.P. Morgan, mostrados na série The Man Who Built America, foram pessoas que não se contentavam com aquilo que já estava pronto, deram a vida, investiram, trabalharam e assumiram riscos para criar negócios em diversos ramos como o ferroviário, o siderúrgico e o de petróleo.

Imagine o benefício que toda a sociedade americana recebeu com os produtos decorrentes desse trabalho: aço, combustível, transporte e tudo mais produzido na cadeia industrial e comercial agregada em volta dessas empresas.

Quer um exemplo claro de como a sociedade se beneficiou desses milionários e bilionários?

Ford Modelo TNa virada do século XIX pro XX, o meio de transporte mais comum em Nova Iorque eram os cavalos e as charretes. Um problema grave da cidade era o que fazer com a enorme quantidade de fezes nas ruas que espalhavam um cheiro insuportável na cidade.

Com a massificação da produção de automóveis graças principalmente a Henry Ford, os carros puderam ser adquiridos pela população em geral e substituíram rapidamente os cavalos. Se algum dos ambientalistas de hoje, seguidores de Al Gore, estivesse presente naquela época, estaria fazendo gráficos assustadores mostrando que a quantidade de fezes cobrindo as ruas de Nova Iorque em 2017 seria suficiente para cobrir um prédio de 15 andares!

Felizmente nada disso aconteceu e os cavalos de Nova Iorque são apenas usados para levar turistas a passeio no Central Park.

A família Walton

Se você não sabe, a família Walton é composta pelos filhos, noras e genros ainda vivos dos fundadores do Wal-Mart. É uma das famílias mais ricas do mundo e alvo constante dos justiceiros sociais.

O patrimônio dos membros gira hoje em torno de U$ 150 bilhões. E como eles chegaram lá? Roubando dos pobres? Explorando os trabalhadores? Não.

Veja, o Wal-Mart revolucionou em diversos pontos toda a cadeia de armazenamento, logística e vendas em uma rede de varejo. A produtividade conseguida por esses processos permitiu ao Wal-Mart oferecer preços muito mais baixos pelos produtos. Com isso, os clientes do Wal-Mart conseguiram economizar muito.  Consumer surplus é a diferença entre o que você está disposto a pagar e o preço desse produto à venda no Wal-Mart.

Vamos supor que eu queira comprar um determinado modelo de churrasqueira e esteja disposto a gastar U$ 600,00. Aí chego no Wal-Mart (dos Estados Unidos) e o preço lá é de U$ 460,00. Esses U$ 140,00 é o consumer surplus. Alguns estudos indicam que se você somar toda a economia que os consumidores americanos têm ao comprar lá, esse valor atinge a marca de U$ 250 bilhões por ano!!

Não parece justo agora eles terem uma fortuna de U$ 150 bilhões por fazerem os demais americanos economizaram U$ 250 bilhões por ano?

O mundo ao seu redor

Agora, olhe a sua volta! Você seria capaz de criar tudo isso sozinho? Seu computador, celular, tablet, televisão, carro, remédios, roupas, o refrigerante que está na geladeira, etc. Todos eles provavelmente foram criados por empresas de pessoas que ficaram muito, mas muito ricas!!!

E elas não saquearam ninguém. Apenas criaram produtos que atendem as necessidades de milhões ou até bilhões de pessoas. Ficaram ricas voluntariamente por escolha dos consumidores, que acharam aqueles produtos úteis e os compraram por vontade própria.

Não é só esse benefício que os desiguais criadores de riqueza trazem para a sociedade. Existe ainda um outro efeito que eles produzem nas outras pessoas.

Bill GatesSe você pensou inveja, sugiro que deixe a alma latina de lado. Antes da onda esquerdista americana (sim, essa praga existe por lá), os muito ricos eram tidos como exemplos a serem seguidos pelos demais.

Pros americanos, ver um empresário, self-made man, como Bill Gates sendo o homem mais rico do mundo traz muito mais bem-estar do que se fosse algum sheik que teve a sorte de nascer numa terra que jorra petróleo.

Já imaginou quantas pessoas neste momento estão passando noites em claro, trabalhando incansavelmente para ser o próximo Bill Gates, ou Mark Zuckerberg, ou Jeff Bezos, ou algum da lista dos maiores empresários de sucesso.

Quantos investidores leram e estudaram tudo sobre a vida, as técnicas e tudo mais a respeito de Warren Buffett de modo a usar esse conhecimento em sua própria gestão de investimentos?

Quantos jogadores de basquete se espelharam em Michael Jordan para tentar ser um atleta melhor? Kobe Bryant foi um que analisou cada passo, salto, arremesso de Jordan e chegou lá. Também se tornou um “desigual”.

E se não fossem esses ícones, pessoas que realmente excederam, saíram do lugar comum e se destacaram, quem seriam os modelos a serem seguidos?

Você pode até criar modelos ou valores a serem seguidos, mas nada como um exemplo real e vivo daquilo que você gostaria de ser. Aposto que na sua área tem alguém que é destaque, que é admirado e que fez mais. Uma pessoa de quem os outros querem aprender e seguir os passos.

Não existe uma torta

Uma das maneiras mais desonestas dos que criticam a desigualdade é imaginar a existência de uma torta gigante onde esteja toda a riqueza do mundo e mostrar que o 1% mais rico detém metade da torta e os outros 99% detém a outra metade.

Primeiro, como já mostrado no gráfico do começo do artigo, a riqueza é dinâmica. Não é estática. Ela é criada e pode ser destruída. Segundo, riqueza não é um jogo de soma zero. A família Walton ficou rica fazendo as demais famílias economizarem e não as assaltando.

Terceiro que não existe riqueza da sociedade. A riqueza é criada de maneira individual, por pessoas que trabalharam, criaram, produziram. Assim, se a riqueza é detida individualmente, criada diferentemente por cada um de nós, não existe o que dividir entre todos. Cada um tem o seu pote e faz dele o que bem entender. Inclusive dividir, se quiser.

Inclusive é isso o que os milionários americanos fazem mais que em qualquer outro lugar do mundo. Doar. A quantidade de fundações e obras de caridade mantidas por empresas e empresários americanos é algo extraordinário. Da herança de mais de 2 bilhões de dólares que a herdeira do McDonald’s deixou para caridade até o modelo 1-1-1 da Salesforce, os exemplos são incontáveis.

“Nós celebramos a disparidade de renda e aplaudimos as margens crescentes entre o 20% mais baixo da sociedade americana e o os 20% de cima por que isso é a evidência do que tem feito a América um grande país. É pela chance de se conseguir uma grande renda… de fazer algo para si mesmo; de começar um negócio e se tornar um milionário legalmente e dependente de si mesmo é o separa os EUA da maioria das nações do planeta. Nos sentimos mal pela crescente diferença que separa os ricos dos pobres nos EUA? Claro que não; nós comemoramos, nós já fomos pobres antes e somos razoavelmente ricos agora. Nós fizemos tudo do nosso jeito, pela pura força da vontade, tenacidade, pelo faro pelos negócios e afins.    É por isso que os imigrantes vêm para os EUA, para se juntar aos grandes ganhadores de renda nos níveis mais altos de nossa sociedade e deixar a pobreza para trás. Desigualdade de renda? Nos dê um tempo. Deus abençoe a diferença e aqueles que tiveram sucesso, e vergonha daquela turma do Occupy Wall Street que nos condena pelo sucesso e chafurdam em sua própria incompetência. Disparidade de renda? Dã! O que nós desprezamos é o governo que impõe regras que proiem ou tornam difícil fazer mais dinheiro; empregar ainda mais pessoas; dar ainda maiores somas de dinheiro para a caridade de nossa escolha. É isso que nós desprezamos…oh, próxima pergunta, por favor.” – Dennis Gartman, Economista

Também não podemos nos esquecer que dentro de uma sociedade rica e livre como a americana, as condições de vida dos menos favorecidos tendem a melhorar. Mesmo aqueles que ganham pouco tem um poder de compra muito maior do que o equivalente no Brasil, onde o pobre é roubado regularmente por meio de impostos e as limitações em cima da livre iniciativa deixam tudo ainda mais caro.

E as causas da miséria?

Se você parar para analisar os lugares mais miseráveis e onde se tem a pior qualidade de vida do mundo, verá que o fator principal do atraso, é cultural. Não tem nada a ver com uns nerds que acabaram de ficar bilionários no Vale do Silício.

Acabei esbarrando numa série de editoriais do African Globe, uma organização dedicada a disseminar notícias e troca de informações entre africanos do mundo todo. Essa série é entitulada “12 razões por que os africanos são pobres, miseráveis e merecem pena”.

Entre essas 12 razões estão: pouca proatividade em relação ao trabalho, pouco hábito de leitura, complexo de vitimização, grande tendência ao desperdício, entre outros.

Acho que isso vale para muitas dessas sociedades em qualquer outro continente, que ainda hoje permanecem num modo de vida tribal, vivendo de subsistência, em más condições sanitárias e de saúde. Muitas além de não terem se desenvolvido, ainda hoje sofrem com guerras e disputas que só reforçam a condição de dificuldade de toda a população.

Elas não passaram pelo desenvolvimento que as sociedades európeia, americana e do extremo oriente passaram.

Já parou pra pensar quantas vidas foram poupadas pela simples existência da cesareana?

Conclusão

Quem critica a elite da sociedade, critica o que ela tem de melhor. Critica os verdadeiros criadores de riqueza e de empregos. Critica aqueles que contribuem para que você tenha a qualidade de vida que tem hoje. Todo o conforto que você tem hoje é devido a eles.

Claro que não tapo os olhos para aqueles que conseguem suas fortunas de maneira ilícita. E a cada dia vemos que muitos desses super ricos do Brasil conseguiram sua fortuna através da corrupção e da troca de favores com políticos. Isso é caso de polícia e não de admiração.

Talvez essa diferença entre os exemplos contribua para que a inveja ainda permaneça na mentalidade brasileiro quando tratamos desse assunto.

Espero que este espaço ajude a mudar um pouco isso.

Pra finalizar, fique com esse trecho de Ayn Rand em “A Revolta de Atlas”:

Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.