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Jeff Bezos será o próximo homem mais rico do mundo e quer te levar junto

“Existem muitas maneiras de centralizar um negócio. Você pode centralizar no competidor, você pode focar no produto, você pode focar na tecnologia, você pode focar no modelo de negócio, e muito mais. Mas na minha opinião, focar de maneira obsessiva no consumidor é de longe o que mais preserva a vitalidade da empresa.

Por quê? Há muitas  vantagens em centralizar os negócios no consumidor, mas aqui vai uma grande: os consumidores estão sempre linda e magnificamente insatisfeitos, mesmo quando dizem estarem felizes e a empresa é ótima. Mesmo que eles não saibam, eles querem algo melhor, e o seu desejo em satisfazer os consumidores é que o fará inovar em favor deles.”

Esta fala não é do presidente dos Correios, como você pode ter pensado, mas sim do fundador e presidente da Amazon, Jeff Bezos, em sua carta anual aos acionistas da empresa em 2016.

Só que essa obsessão do atual segundo homem mais rico do mundo pelo consumidor não é de agora. Ela começou 22 anos atrás.

História

A Amazon foi fundada por Bezos em 1995 na cidade de Seattle. Ele deixou o cargo de vice-presidente em uma grande firma de Wall Street e ao ver o crescimento exponencial da internet à época, resolveu recomeçar no ramo do varejo.

Bezos inicialmente definiu os tipos de produtos que mais facilmente poderiam ser vendidos pela internet como sendo CDs, computadores, software, livros e vídeos.

Pouco tempo depois, a companhia debutou no mundo online com um ampla gama de produtos nestes segmentos.  Não demorou muito para que se tornasse um sucesso em todo o planeta.

E foi logo em 1997 que a empresa se tornou pública, com ações lançadas na Nasdaq. Neste mesmo ano, a companhia conseguiu seu milionésimo cliente, atingiu todos os 50 estados americanos e outros 160 países.

A Amazon já nessa época não só vendia diretamente os produtos para os consumidores, mas também permitia que muitos vendedores e grandes redes usassem sua plataforma. Também permitia que outros sites, chamados de associados, vendessem os produtos da Amazon.

Toda a estratégia de crescimento permitiu que a empresa alcançasse lucro apenas em 2001. Um lucro modesto de U$ 5 milhões, mas que ocorreu justamente no ano de implosão da bolha ponto com.

Com o tempo, a empresa foi ampliando seu portfolio de produtos e adquirindo outras empresas, mas foi em 2007, com o lançamento do primeiro Kindle que a empresa decolou no ramo do livro eletrônico.

De lá pra cá, muitas versões do Kindle foram lançadas e o número de livros eletrônicos vendidos superou o de livros físicos já em 2011.

A empresa também entrou no ramo da computação em nuvem e em outros serviços de tecnologia relacionados. Atualmente a Amazon Web Services é o maior serviço deste tipo em todo o planeta.

O último grande movimento se deu agora na última sexta-feira, dia 16 de junho, com a compra da rede de supermercados Whole Foods Market por 13,7 bilhões. É uma rede de enorme sucesso por focar em produtos naturais e orgânicos. É a Amazon fazendo o caminho inverso das demais empresas, indo do virtual para o real.

Vamos aos números

Os resultados da empresa relativos ao primeiro trimestre de 2017 foram divulgados no dia 28 de abril.
Primeiramente, o fluxo de caixa livre vem se mantendo no campo positivo, tendo alcançado a casa dos 10,2 bilhões nos últimos 12 meses, com uma alta de 53% na comparação ano a ano.

As vendas líquidas somaram U$ 35,7 bilhões, alta de 23% ano a ano. Já nos últimos 12 meses, o número chega a estrondosos U$ 142,5 bilhões, alta de 26% ano a ano. O mercado norte-americano corresponde a 59% das vendas, os demais países todos somados a 32% e a Amazon Web Services é responsável por 9% do total.

O lucro operacional foi de U$ 1 bilhão, queda de 6% ano a ano. Já em relação aos últimos 12 meses, o lucro operacional atingiu U$ 4,1 bilhões, com alta de 35% ano a ano.

O lucro líquido no trimestre foi de U$ 724 milhões (+41% ano a ano) e nos últimos 12 meses atingiu U$ 2,5 bilhões (+121% ano a ano).

Esta é a evolução do preço da ação da Amazon desde 1997 em escala logarítmica:

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Evolução do preço da ação da Amazon

Agora veja a evolução da receita também em escala logarítmica:

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Evolução da receita da Amazon

E este é o gráfico de lucro da empresa em escala linear:

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Evolução do lucro da Amazon

E os principais dados atuais da companhia de acordo com o Yahoo! Finance:

Valor de MercadoU$ 472,1 bilhões
Preço/Lucro (últimos 12 meses)186
Preço/Lucro (estimado para 2017)87
Preço/Crescimento dos Lucros5,2
Preço/Valor Patrimonial21,7
Margem Líquida1,8%
Margem Operacional2,9%
Retorno sobre Ativos (ROA)3,6%
Retorno sobre Patrimônio (ROE)14,2%
Receita TotalU$ 142,5 bilhões
EBTIDAU$ 12,2 bilhões
Lucro Líquido U$ 2,5 bilhões
Lucro por AçãoU$ 5,3
Fluxo de Caixa LivreU$ 10,2 bilhões

Críticas

Existem muitas críticas em relação a Amazon. A primeira é aquela que culpa a empresa pelo fechamento de outras companhias tradicionais, sendo que ela mesma não gera empregos equivalentes a seu tamanho. Muito da operação da Amazon é feita por robôs.

Mesmo isso não sendo tão verdade assim, pois a empresa emprega mais de 341 mil funcionários, imagine quantas publicações e demais produtos encontraram na Amazon uma forma de serem vendidos para o mundo inteiro. Muitos autores que talvez não teriam oportunidades no meio editorial tradicional têm na Amazon um parceiro forte e de alcance global.

A outra crítica vem de acionistas e analistas. A empresa possui lucros pequenos para o tamanho das vendas e não distribui dividendos. O próprio Bezos já disse que o dinheiro gerado é e será usado na expansão da empresa e ao manter uma posição tão dominante e uma margem tão pequena, a companhia afugenta possíveis novos competidores. Além disso, cria um ambiente que garante a expansão de sua fatia de mercado com o passar do tempo.

Conclusão

A Amazon é uma empresa que apesar do tamanho está sempre inovando. O que começou com a venda de 5 tipos de produtos em 1995, hoje se tornou uma empresa com um portfolio de mais de 12 milhões de produtos. E quando se soma todos os produtos dos associados que usam seu marketplace, essa variedade cresce para 353 milhões de produtos!

Não bastasse isso, a Amazon tem estendido seus tentáculos para diversas áreas como a computação em nuvem e estúdio de cinema, além de ter subsidiárias em diversos negócios. Muito em breve provavelmente teremos drones da Amazon entregando suas encomendas na porta de casa, bem longe do risco Correios.

Se você acha que não existe para onde crescer, saiba que hoje a Amazon é dona de 43% das vendas de varejo online nos EUA, mas num contexto mundial, a empresa é responsável por apenas 6,4% do varejo. E se existe essa tendência irreversível de migração do varejo tradicional para o online, ninguém está mais bem posicionado que a Amazon, uma empresa obcecada pelo consumidor (e por que não dizer também pelos acionistas?).

By | 2017-09-11T00:30:42+00:00 18 de junho de 2017|Ações|12 Comments

12 Comments

  1. Francis 18/06/2017 at 23:35 - Reply

    A dúvida aqui é o que acontece após a “era Bezos”?

  2. Musk 19/06/2017 at 10:45 - Reply

    “E se existe essa tendência Irreversível**** de migração do varejo”

    Também comprou o jornal WP a uns tempos atrás., uma operação tão irrelevante em valores financeiros para ela que de fato nem mereceu ser citada, mas que poderia ter sido comentada nos “tentáculos” de áreas de atuação.

    Parabéns pelo post.

  3. BPM 20/06/2017 at 04:37 - Reply

    Grande II,

    Realmente a Amazon vem se destacando faz tempo mas não podemos pensar somente em flores né?

    Ter dinheiro demais as vezes pode ser ruim pois pode comprar alguma empresa que no futuro não traga tantos lucros, claro eu há uma equipe que analisa tudo isso mas há a chance de acontecer.

    Considerando P/L e VP, Graham deve tá se revirando no túmulo kkkkkk

    Sigo acompanhando ela, semana passada deu uma queda boa e até seria uma entrada mas ainda tô olhando outras um pouco mais “descontadas”

    Abraço!

    • Investidor Internacional
      Investidor Internacional 20/06/2017 at 06:46 - Reply

      Olá BPM,

      Ações de crescimento devem ser analisadas de forma diferente. O Buffett mesmo se arrepende de ter subestimado o Bezos.

      O resultado da Amazon está aí. Acredito que ela tenha potencial para ser maior que a Apple.

      Abçs!

  4. Rodolfo Oshiro 22/06/2017 at 11:20 - Reply

    II,

    Sobre Bezos não sei .. mas tu ta xique pra caramba .. parabens pela sua participação na inversa… E o que começou com uma brincadeira de blogs de muitos de nós .. alguns realmente virando profissionais de mercado ..

    Abs,

  5. JH 13/07/2017 at 11:30 - Reply

    Olá!
    Teria o balanço patrimonial dos últimos 10 anos, ou pelo menos dos últimos 5 anos para analisar a evolução dos Fundamentos da AMAZON?
    Grato,
    JH.

  6. Renan 20/08/2017 at 18:49 - Reply

    Gostaria de abrir uma conta no exterior qual melhor banco e caminho …

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