Como a alocação de ativos pode beneficiar seus investimentos

A Alocação de ativos nada mais é do que a forma como você divide seu patrimônio entre as diversas classes de investimentos. Por trás dessa definição simples, estão conceitos importantes que lhe ajudarão a gerenciar melhor suas aplicações financeiras.

É a decisão mais importante que você deve tomar antes de iniciar seus investimentos. É a partir dela que você, em momento posterior, escolherá os ativos que preencherão seu portfolio.

Estudos têm mostrado que o principal fator determinante de retorno de uma carteira de investimento é a alocação de ativos. É mais importante que a seleção individual de ações (stock picking) e que a tentar acertar os topos e fundos do mercado (market-timing).

Alguns pontos são importantes em se tratando de alocação de ativos:

Primeiro Ponto

Ao ter uma estratégia de alocação de ativos, muito do fator emocional na hora de realizar compras e vendas no mercado financeiro é afastado, pois as operações não terão que ser pensadas por você na hora de realizá-las, mas sim de acordo com a alocação pré-definida.

Segundo Ponto

Você não precisa ficar tomando decisões a todo momento, apenas nas datas definidas para o rebalanceamento da carteira. Além de desenvolver a disciplina, torna a estratégia de investimento mais passiva.

alocação de ativos

Terceiro ponto

Permite que se diversifique em várias classes de ativos. É possível montar a alocação com os diversos ativos de renda fixa, ações, títulos ou fundos cambiais, fundos imobiliários, etc.

Quarto ponto

Com a diversificação em ativos diferentes, você coloca investimentos não correlacionados na mesma carteira. Por exemplo, o balanço entre ações e dólar por exemplo. Em épocas de crise com queda do preço das ações, é comum o dólar subir. Portanto, o dólar funciona como mecanismo de compensação (hedge) para a desvalorização da Bolsa e ajuda na redução da volatilidade da carteira.

Quinto ponto

Está relacionado ao que foi dito no ponto anterior. O risco de um conjunto de ativos é menor que o risco de cada ativo individualmente. Quanto mais ativos você adicionar, menor será o risco da carteira como um todo. Claro que há um certo limite de redução de risco e ainda há fatores externos que podem afetar seus investimentos e que não é possível controlar.

Conclusão

Montar uma carteira diversificada e com alocações definidas pode ser bastante benéfico pra você. Vai lhe trazer uma visão global dos seus investimentos e facilitar a organização e acompanhamento da variação de preço dos ativos. É o norte que todo investidor deve ter antes de sair investindo aleatoriamente, seja por achismo ou seguindo dicas.

Nos capítulos seguintes você verá algumas formas de montar a sua alocação na prática.

Uma maneira simples de montar e rebalancear a carteira (com exemplos)

O objetivo dessa alocação é criar uma mistura ideal de ativos que promoverão um balanço de risco-retorno para um horizonte de longo prazo.

É a forma mais comum de alocação de ativos, onde o porcentual de cada ativo é definido e o rebalanceamento pode ser efetuado a cada 6 meses, 1 ano ou o período que você desejar.

Dois critérios principais são usados para se definir uma alocação estratégica: a idade do investidor e sua disposição a enfrentar riscos.

Idade

Em geral, um investidor de idade mais avançada deve optar por ativos de curto prazo e geradores de renda. Entende-se que nessa fase, com um patrimônio já acumulado, você já não tenha tanta disposição ao trabalho e esteja na fase de desaceleração da renda proveniente do emprego. Neste caso uma alocação predominante em ativos de renda fixa, com títulos de curto e médio prazos, e alguma exposição a fundos imobiliários e ações large-caps e pagadoras de dividendos poderia se encaixar bem.

Já os investidores mais jovens que miram um período de tempo maior, podem se beneficiar ao investir em ações de empresa de crescimento ou de valor subavaliadas, além de títulos de renda fixa mais longos. Títulos atrelados a inflação são importantes como forma de manter o poder de compra no longo prazo. Importante lembrar que, ao contrário do que é normalmente ensinado, um investidor jovem não deve se arriscar muito. Perder parte ou todo o capital em investimentos arriscados nessa fase limita e atrasa a progressão dos juros compostos. Lembre-se das duas primeiras regras de Warren Buffett: Regra número 1: nunca perca dinheiro. Regra número 2: não esqueça a regra número 1.

Riscos

Alocação de Ativos

Caso você seja conservador e não queira enfrentar grandes riscos, deve optar por uma alocação principalmente em ativos de renda fixa de curto e médio prazo (ou duração), além de escolher ativos com menor grau de risco, aqueles detentores do chamado grau de investimento. A alocação em ações deve ser pequena e focada em empresas grandes e estabelecidas. O uso de fundos multimercado também pode agregar na composição da carteira, mas devem ser escolhidos com critério.

Caso você tenha um perfil mais agressivo, poderá alocar uma parte maior em ações. Importante escolher aquelas com maior diferencial competitivo e que se mostrem prontas para os desafios futuros. Poderá escolher ainda títulos de bancos menores e outros não detentores do grau de investimento, que são mais arriscados, mas pagam as maiores taxas de juros.

Como funciona

Na alocação estratégica, você define o percentual de cada classe de ativo e faz o rebalanceamento da carteira de tempos em tempos, comprando aquilo que está abaixo da alocação definida e vendendo aquilo que está acima.

Isso é particularmente importante, porque desta forma você coloca em prática o mantra mais discutido dos investimentos que é comprar na baixa e vender na alta. Algo tão simples na teoria e tão difícil na prática. Ao rebalancear a carteira você está vendendo o ativo que mais valorizou e comprando aquele que mais desvalorizou.

Quem seguiu esses princípios nos últimos anos basicamente trocou parte dos investimentos em ações e fundos imobiliários por dólar e ouro por volta de 2013-2014 e em 2016 fez o inverso, pegando uma recuperação bastante forte dos ativos mais desvalorizados à época.

Abaixo um exemplo de alocação estratégica para um investidor de perfil de risco moderado:

alocação de ativos

A carteira de Renda Fixa estaria dividida assim:

alocação de ativos

A alocação no setor imobiliário estaria investida assim:

alocação de ativos

A alocação em ações estaria disposta da seguinte maneira:

alocação de ativos

A alocação em fundos multimercados estaria definida da seguinte forma:

alocação de ativos

A alocação de ouro estaria 100% no contrato OZ1D da BM&F Bovespa e a alocação em Dólar estaria 50% em fundo cambial e 50% em dinheiro vivo.

Quando for época de rebalancear a carteira, basta analisar e ver qual dos ativos está abaixo da porcentagem pretendida e aplicar dinheiro novo. Se for necessário, venda o ativo que se destacou na medida que ele volte ao percentual definido.

É uma estratégia simples e eficiente, cujo maior trabalho é definir as alocações e escolher os ativos. Os rebalanceamentos são feitos no piloto automático, lembrando que se você escolhe as ações em carteira, deve avaliar seus resultados no mínimo anualmente. Caso a empresa não mais satisfaça seus critérios de lucratividade, ou apresentou prejuízo, por exemplo, vale a pena avaliar a sua venda e também se não há outra empresa com melhores perspectivas para substituir.

Um modelo para quem tem maior conhecimento (com exemplo)

Esse tipo de alocação é aquele na qual você traça uma projeção do que poderá acontecer no futuro da economia e tenta se posicionar de forma a ter uma maior parcela do patrimônio nos ativos que se beneficiarão, caso esse cenário se concretize.

Vamos supor que você tenha previsto a desvalorização do Real e aumento da inflação em 2015. Neste caso, você deveria se posicionar mais fortemente em Dólar e Ouro, além de comprar títulos de renda fixa atrelados a inflação. Sua exposição em ações seria pequena e voltada para empresas exportadoras.

Cenários

Caso você perceba que a inflação irá ceder e os juros cairão, uma alocação predominante em títulos de renda fixa prefixadas seria interessante. Em caso de queda do dólar e fortalecimento do mercado interno, a opção no campo das ações seria por empresas relacionadas ao varejo e consumo interno no Brasil.

Desta forma, você acaba investindo mais fortemente em ativos que terão performance acima do mercado e evitará aqueles que poderão ser prejudicados. É o tipo de estratégia para quem tem um bom conhecimento de macro e micro-economia.

Veja um exemplo de alocação tática para cenário de desvalorização cambial e inflação:

alocação de ativos

A porção em Renda Fixa poderia ser definida assim:

alocação de ativos

A parte alocada em Ações poderia estar distribuída assim:

Alocação de Ativos
A alocação em Multimercado poderia ter os seguintes fundos:

alocação de ativos

A porção imobiliária teria a seguinte configuração:

alocação de ativos

A alocação de ouro está 100% no contrato OZ1D da BM&F Bovespa e a alocação em Dólar está 50% em fundo cambial e 50% em dinheiro vivo.

Desta forma, você se posiciona para o cenário mais provável dentro da sua análise. Também deve haver uma periodicidade em que a estratégia é reavaliada. Se a inflação ceder, pode ser hora de reduzir a alocação em títulos atrelados a ela. Se o mercado interno mostrar crescimento, pode ser hora de aumentar a exposição de ações.

Enfim, a análise pessoal e periódica é que irá determinar a alocação de ativos. Requer um conhecimento mais avançado para verificar quais os ativos possuem maior potencial de valorização no futuro e deve ser reservada para investidores mais experientes.