Como investir em ações no exterior: o guia absoluto

Bill Gates, Carlos Slim, Warren Buffett, Amancio Ortega, Larry Ellison, Christy Walton, Jim Walton e Liliane Bettencourt têm algo em comum. Estão na lista das 10 pessoas mais ricas do mundo. Não é só isso. Todos construíram sua fortuna pelo crescimento de uma única empresa. Respectivamente Microsoft, América Móvil, Berkshire Hathaway, Inditex, Oracle, Wal-Mart e L’Oreal.

E se você pudesse também ser dono de alguma dessas grandes companhias, com múltiplos produtos, presença em diversos países do mundo, composta por grandes executivos, cujos lucros e patrimônio têm aumentado ano após ano por décadas?

E se, além disso, simplesmente você não precisasse aparecer na empresa para trabalhar, participar de reuniões, viagens de negócios, ter estresse com funcionários, demissões, fraudes, etc? Se sua única preocupação fosse acompanhar os resultados e recolher os lucros distribuídos periodicamente?

Parece um sonho, não é mesmo?

Pois isso é perfeitamente possível. Todas essas companhias são de capital aberto e portanto negociadas em Bolsas de Valores ao redor do mundo. Ao investir em ações dessas empresas você se torna sócio dos maiores bilionários do planeta.

Nesse artigo você vai aprender como o investimento em ações começou, como ele funciona, como escolher as melhores ações, os riscos envolvidos e saber quais são os maiores mercados acionários  do mundo. É o conhecimento essencial para quem deseja lucrar com que o capitalismo tem de melhor nos países mais desenvolvidos do mundo.

História e tipos de ações

O investimento em ações é algo que segue a humanidade há séculos. A primeira empresa que emitiu ações foi a Companhia das Índias Orientais, em 1602, na Holanda. Os investidores não só podiam comprar ações da companhia, como também negociar as ações entre si. Com o tempo, outras empresas aderiram a essa idéia e os primeiros corretores começaram a aparecer.

Mas por que as empresas emitem ações?

O principal motivo é financiar a expansão dos negócios. Os fundadores e investidores iniciais vendem parte de suas ações ao público para financiar seus projetos. Atualmente, os maiores bancos do mundo é que coordenam o lançamento das ações de uma empresa no mercado, o chamado IPO (Initial Public Offering) ou Oferta Pública Inicial.

Este lançamento é chamado “mercado primário” e as ações que passam a ser negociadas pelo público em geral é o que chamamos de free-float e são negociadas entre os investidos em bolsa no “mercado secundário”.

Quando o investidor compra ações (shares, stocks ou equities em inglês), ele compra “parte” da empresa e passa a ter direito aos lucros e dividendos que ela produz e distribui. O investidor se torna assim um acionista da empresa (shareholder).

O mercado de ações são os mecanismos e convenções que existem para a emissão, investimento e negociação de instrumentos de mercado (ações) que representam capital permanente ou semi-permanente dos emissores (companhias).

Cada companhia possui um número total de ações (shares outstanding) e este número pode aumentar ou diminuir. Ele aumenta quando a companhia emite novas ações (secondary offering) e diminui quando ela recompra suas próprias ações no mercado (buyback).  Ao recomprar as ações no mercado, a tendência é o valor de cada uma aumentar, pois passam a representar um “pedaço” maior da empresa.

Investir no exterior - Ações da Apple

Variação no número de ações da Apple ao longo do tempo.

Existem dois tipos de ações que são negociadas no mercado. As ações comuns (common) e as preferenciais (preferred). As ações comuns são aqueles típicas, que representam a fração de uma companhia, o seu capital permanente. O investidor das ações comuns, no Brasil também chamadas de ordinárias, busca ganhar na valorização delas e no recebimento de dividendos. Entretanto, algumas empresas não distribuem dividendos, ou seja, o lucro é reinvestido no próprio negócio e não passado para os acionistas. Neste caso, o investidor ganharia somente na valorização das ações.

Já as ações preferenciais sempre distribuem dividendos para os acionistas. O nome preferencial vem do fato de receberem os dividendos antes dos detentores de ações comuns. As ações preferenciais podem ser resgatáveis (redeemable), quando têm prazo de vencimento ou não-resgatáveis (non-redeemable), quando não têm. Os dividendos recebidos pelas ações preferenciais geralmente correspondem a uma taxa de juros fixa. Por ter características de ações comuns e de Bonds, são chamadas também de “instrumentos híbridos”.

CaracterísticaAções ComunsAções PreferenciaisBonds
Representa posse da companhiaSimSimNão
Pagamento fixo periódicoNãoSimSim
Pagamento de dividendosSimSimNão
Direito de voto nas AssembléiasSimNãoNão
Data de vencimento fixaNãoSimSim ou Não
Pode forçar a liquidaçãoNãoNãoSim
Opção de conversibilidadeNão SimSim

Tipos básicos de empresas para investir

Quando se multiplica o número de ações comuns pelo preço de cada uma temos o valor de mercado da companhia (market capitalization). Esse valor de mercado é o que define uma empresa como gigante (mega-cap), grande (large-cap), média (mid-cap), pequena (small-cap), micro (micro-cap) e nano (nano-cap). No caso da Apple, por exemplo, que é composta no momento da composição deste artigo por 5,477 bilhões de ações, ao valor aproximado de U$ 100,00 cada,  o valor da empresa totaliza cerca de U$ 547,7 bilhões!

Investir no ExteriorNos Estados Unidos, as empresas gigantes são aquelas que valem acima de U$ 200 bilhões. As grandes empresas valem mais de U$ 10 bilhões. As médias valem mais de U$ 2 bilhões, as pequenas mais de U$ 300 milhões. As micro valem acima de U$ 50 milhões e as nanos são todas abaixo de U$ 50 milhões. É amigo, empresa de U$ 40 milhões é uma nano empresa pros padrões internacionais! Em geral, as gigantes e grandes empresas, por serem bem estabelecidas em seus mercados, possuem maior estabilidade de lucros, o que consequentemente reflete em maior estabilidade de preços. Já as empresas menores possuem tanto os lucros, quanto os preços mais instáveis, pois estão amadurecendo. Pelo motivo de estarem buscando crescer no mercado são as empresas que possuem teoricamente maior potencial de crescimento.

É importante saber ainda que há 2 maneiras principais de se ganhar dinheiro com ações. Uma é atuar como investidor, que avalia uma empresa como bem gerida, lucrativa e com boas perspectivas futuras e quer participar dessa evolução e consequentemente ver suas ações valorizarem neste período, que pode demorar anos ou décadas. A outra é atuar como especulador, aquele que compra e vende ações baseado na variação de preços, tentando obviamente vender num preço mais alto do que comprou. O especulador pode manter ações em posse desde poucos segundos até alguns meses. Nada impede as pessoas de atuarem das duas formas, usando parte do dinheiro para manter uma carteira de ações de longo prazo e outra parte para realizar operações de curto prazo.

Eventos Corporativos (corporate actions)

Você vai aprender agora alguns eventos que envolvem as ações de uma companhia. Em geral são precedidas de uma aviso da própria empresa aberto ao mercado dizendo o que acontecerá.

Desdobramento (split) é quando a ação é dividida em várias, de acordo com uma certa razão. Pode ser 2 pra 1, 3 pra 1, etc. Em junho de 2014 por exemplo, as ações da Apple sofreram desdobramento de 7 pra 1. O detentor de 1 ação depois do evento passou a possuir 7. Obviamente para manter o preço da companhia igual, o valor de cada ação também foi dividido por 7. O desdobramento permite que os pequenos investidores também possam comprar ações da companhia. Se antes dele, o preço da ação da Apple girava acima de U$ 600,00, depois passou a ser negociada abaixo de U$ 100,00.

Agrupamento (reverse split) é o oposto do desdobramento. É quando 2 ou 3 ações se tornam 1. Desta forma, o preço da ação é multiplicado pelo fator de agrupamento e a empresa passa a ser composta de um menor número de ações.

Dividendos (dividends) é quando a empresa distribui dinheiro ou ações aos acionistas. Em geral, as empresas americandas possuem um calendário regular de distribuição. Podendo ser mensal, trimestral, semestral ou anual. Existem também pagamentos únicos extraordinários. Quando uma empresa distribui dividendos significa que ela tem dinheiro em caixa e se encontra com as contas em ordem. Por outro lado, quando a empresa suprime ou reduz dividendos pode indicar que a sua estabilidade financeira está em risco. Receber dividendos está entre os principais motivos de se investir em ações.

Investir em ações no exteriorHá 4 datas relacionadas aos dividendos. A data de anúncio (declaration date) é quando a empresa comunica que irá distribui-los, mencionando o valor e quando o pagamento será efetuado. Data de gravação (record date) é o dia que a empresa identifica os acionistas que receberão os dividendos. A data ex-dividendo (ex-dividend date) é o dia em que as ações passam a ser negociadas sem o direito aos dividendos. Neste dia, o valor do dividendo é descontado do valor da ação. Para ter direito ao recebimento, o investidor deve estar de posse das ações na passagem do dia anterior para o dia ex-dividendo . Finalmente, existe a data de pagamento (payment date), que é quando efetivamente o dinheiro cai na conta do acionista.

Algumas empresas também disponibilizam um programa de reinvestimento dos dividendos (dividend reinvestment program). É oferecida a opção para o acionista escolher entre receber os dividendos em dinheiro ou em novas ações. Obviamente, o valor do dividendo deve ser maior que o valor de uma ação para que ele possa receber. Algumas corretoras trabalham com ações fracionárias neste caso, mas não é comum. Há um prazo em que o investidor deve fazer essa opção após a empresa declarar o pagamento.

Subscrição (rights offering) é quando se oferece aos atuais acionistas de uma empresa o direito de adquirir novas ações, em geral a preço abaixo do mercado. Você recebe esses direitos em quantidade proporcional ao número de ações que possui. Esse direito possui data de encerramento para serem utilizados (expiration date) e o investidor deve comunicar antes se deseja ou não usá-los para adquirir mais ações.

Outro evento corporativo importante é quando acontecem fusões e aquisições de companhias abertas (mergers & aquisitions). Nessa situação os antigos acionistas acabam recebendo ações da nova companhia em troca das ações da companhia anterior. O número de ações varia de acordo com as regras do processo de fusão e aquisição.

Todos esses eventos são comunicados e podem ser vistos dentro próprio home-broker, no site da empresa ou no site da Bolsa à medida que eles forem acontecendo com as ações.

Como escolher ações

Análise fundamentalista

É o tipo de análise que avalia os aspectos financeiros das empresas, incluindo receitas, lucros e dívidas, bem como do setor em que estão inseridas. Busca escolher as melhores empresas nos melhores setores e que possam ter maiores lucros no futuro.

Vamos falar de duas abordagens para escolher ações. São elas:

  • Top-Down
  • Bottom-Up

A base desses dois tipos de estratégia é o fato do preço das ações serem influenciadas tanto por fatores internos da companhia (evolução dos lucros, do patrimônio, dívidas, receitas financeiras), quanto por fatores externos (recessão ou crescimento do país ou relacionados ao crescimento ou crise no setor).

A abordagem Top-Down começa em definir quais setores irão performar melhor no futuro. Uma vez determinados os setores mais fortes, você filtra as ações desse setor e procura escolher as com melhores perspectivas. Os principais setores das ações internacionais são Energia (energy), Financeiro (financials), Materiais Básicos (basic materials), Industrial (industrials), Saúde (healthcare), Serviços de Consumo (consumer services), Telecomunicações (telecommunications), Utilidade Pública (utilities), Bens de Consumo (consumer goods) e Tecnologia (technology).

Enquanto a estratégia Top-Down procura inicialmente os melhores fundamentos em um setor, a estratégia Bottom-Up os procura nas ações individualmente. Você neste caso procura as características e diferenciais competitivos de um negócio, avalia quanto seria o valor da empresa e compara com o que está sendo negociado no mercado. Alguns dos indicadores usados para avaliar se uma companhia está bem ou mal precificada são o Preço/Lucro (price-to-earnings ratio), o Preço/Valor Patrimonial (price-to-book ratio), os Dividendos (dividend yield) e o Crescimento dos Dividendos (Dividend Growth). A avaliação da empresa, incluindo balanço, lucro, fluxo de caixa, projetos e investimentos, bem como dos indicadores falados acima forma a estrutura da Análise Fundamentalista.

Há 2 formas básicas para se avaliar qualquer empresa. A primeira é a Análise de Balanço (Balance Sheet) e a segunda é o Estudo do Fluxo de Caixa (Income Statement)

Investir em ações no exteriorA Análise de Balanço em resumo é um registro de tudo que a empresa possui, é devido ou deve.  É composto por três partes distintas: Ativo (Assets), Passivo (Liabilities) e Patrimônio Líquido (Shareholder’s Equity).

De um lado do balanço estão os ativos, que incluem tudo que a empresa possui, contas bancárias, investimentos, imóveis, terrenos, equipamentos, automóveis, estoques, patentes, marcas, etc. Os ativos que podem ser convertidos em dinheiro em menos de um ano são chamados de Ativo Circulante (Current Assets). Aqueles que levam mais tempo para serem vendidos e convertidos em dinheiro são chamados de Ativo Realizável de Longo Prazo (Noncurrent Assets). Do outro lado ficam os passivos, que incluem as obrigações e dívidas, tanto de curto, quanto de longo prazo da empresa. A diferença entre o que a empresa possui e o que ela deve é o Patrimônio Líquido. Em suma, é o que sobra para os acionistas se tudo da empresa for vendido a valor contábil e toda a dívida paga.

Já o Estudo do Fluxo de Caixa mostra os valores que entram, a receita (revenue), e saem, os gastos (costs) da empresa. O que sobra quando se subtrai as despesas da receita é o chamado bottom line, que é lucro se positivo ou prejuízo se negativo. Este lucro da companhia pode ser dividido pelo número de ações que ela possui, chamado de lucro por ação (Earnings per share). Em geral, o estudo do fluxo de caixa começa mostrando tudo aquilo que a empresa ganhou de dinheiro com a venda de seus produtos ou serviços. Conforme você avança nele começam a aparecer as despesas que foram necessárias para conseguir aquela receita, incluindo gastos operacionais, custos de vendas, impostos, então você vai subtraindo. O que sobrar na última linha ao final disso tudo é o bottom line.

Uma ferramenta muito utilizada pelos investidores internacionais é a filtragem de ações (stock screener). Com ela é possível que você acesse um banco com todos os dados das ações disponíveis no mercado. Você pode escolher as ações de acordo com suas características, incluindo capitalização de mercado, indicadores de Preço/Lucro, dividendos, crescimento de lucros e receita, margem operacional, EBITDA, entre outros. Assim, você pode filtrar empresas num universo de milhares usando os seus próprios critérios.

Análise Técnica

Agora vamos aprender sobre a análise técnica e como você pode aplicá-la em seus investimentos internacionais.

Se a análise fundamentalista, em especial a análise Bottom-Up, diz ao investidor qual ação comprar, a análise técnica pode dizer quando comprar. Quem usa a análise técnica segue mais os gráficos das ações do que o valor da empresa em si. Assim procuram tirar as informações diretamente da variação de preço da ação. Estas informações sobre o comportamento dos preços é de maior valor para o analista técnico do que os lucros da empresa. É a partir delas que ele avalia tendências e padrões que podem ser utilizados para orientar seus investimentos.

Antes de aprender sobre a análise técnica em si, é preciso saber o básico da leitura de um gráfico. Abaixo você tem o gráfico da variação de preço das ações da Coca-Cola:

Investir em ações

Marcado em vermelho, você encontra o cabeçalho do gráfico, indicando qual ação ele representa (KO=Coca-Cola Company), a periodicidade dos preços (daily=diária), o tipo de gráfico (candlestick) e as outras ferramentas que podem ser usadas. Em laranja, na vertical, a escala de preços da ação em Dólar dos EUA. A caixa marcada em verde mostra as barras correspondendo ao volume de ações negociadas naquele determinado período. A região marcada em azul representa a escala de tempo.

Podemos dizer que a análise técnica basicamente possui 3 premissas:

  1. O preço desconta tudo
  2. O preço se move em tendências
  3. Os padrões de preço tendem a se repetir

Mas o que é preço?

O preço se define no andamento do pregão da Bolsa de Valores. Uma barra de preço é formada e seu  corpo é a distância entre o menor e maior preço negociado no período. Há outras duas marcações indicando também os preços de abertura e fechamento da ação.

Investir em ações no exterior

Exemplo de barras e candlesticks

Tendência

Tendência é a direção seguida pelo preço da ação na Bolsa. Quando a variação de preços está dentro de duas retas paralelas inclinadas para cima, temos uma tendência de alta (Uptrend). Quando as retas apontam para abaixo temos uma tendência de baixa (Downtrend). Quando estão paralelas, temos uma tendência de lado (Sideway).

Uma tendência de alta por definição é formada por fundos ascendentes e uma tendência de baixa por topos descendentes.

Investir no exterior

Fundos e Topos

O movimento dos preços num gráfico de ações forma diversos picos e vales. Os vales ocorrem quando um preço está em queda e reverte essa direção para alta. É chamado de fundo. Os picos acontecem quando os preços que estavam em alta começam a cair. É o chamado topo.

Suporte é quando vários vales ocorrem próximo ao mesmo valor. Quanto mais vezes os preços chegarem nesse nível e subirem, mais forte é este suporte. De maneira inversa, quando mais vezes os preços chegarem em determinado nível e caírem, mais forte é a resistência.

Investir no exterior

Volume também é um fator importante na Análise Técnica. É soma de valor de todas as negociações envolvendo o ativo. Quando uma situação de alta, por exemplo, acontece com aumento de volume mostra uma convicção maior para o lado altista. O mesmo vale para um aumento de volume no momento de queda.

As médias móveis (moving averages) também são indicadores populares dentro da Análise Técnica. São usadas para indicar a tendência geral da ação. A média móvel é a média dos preços de fechamento de uma ação em determinado tempo. Se esse tempo for os últimos 200 dias chama-se média móvel de 200 dias. Quanto menor for esse tempo, mais próximo do preço atual da ação a média móvel vai estar, atuando assim como indicador de tendência de mais curto prazo. Se você tiver por exemplo as médias móveis de 20, 50 e 200 dias em direção ascendente é um forte indicador de uma tendência de alta para  curto, médio e longo prazo.

Portanto, enquanto  a Análise Fundamentalista foca nos negócios, lucros e valor de uma empresa, a Análise Técnica avalia o comportamento e a variação de preço da ação e procura seguir as tendências. Cabe a você conhecer e saber usar essas ferramentas para elaborar suas próprias estratégias de investimento.

Riscos do mercado de ações

Você também deve estar ciente dos riscos que envolvem o investimento em ações. Risco é a possibilidade de perda ou prejuízo. Também pode ser medido pela volatilidade (volatility), que é a variação tanto positiva quanto negativa do preço das ações. Quanto maior a volatilidade, maior a diferença entre os preços que a ação é negociada. Nesse caso, tanto o potencial de ganhos, quanto de perdas são maiores. O risco pode ser minimizado pela diversificação em ações de empresas e setores diferentes.

Vamos falar agora dos principais tipos de risco envolvidos:

Risco de mercado

É o tipo de risco mais amplo e que envolve as ações como um todo e está relacionado à condição geral da economia do país ou mesmo do mundo. Essa alteração nas condições econômicas pode levar os preços dos ativos para baixo como um todo, mesmo que as condições individuais de cada um não tenham sido afetadas. Foi o que aconteceu em 2008, quando o quebra de instituições financeiras nos EUA provocou um forte movimento de vendas de ações mundo afora.

investir em ações nos estados unidosRisco de quebra da empresa

O risco de falência é outro que deve ser avaliado pelo investidor antes de comprar qualquer ação. Por isso é importante a análise fundamentalista para verificar se a empresa possui uma gestão eficiente, se lucra e se as dívidas estão controladas.

Risco da inflação

Como investir em ações não possui garantia de rentabilidade, é necessário acompanhar seus investimentos e verificar se a sua estratégia está conseguindo obter rentabilidade real, ou seja, acima da inflação. Mesmo que nos países desenvolvidos, a inflação seja baixa, quando ela acontece por um longo período de tempo, pode gerar perda importante do poder aquisitivo. Por outro lado, este risco por lá é bem menor que o presente no Brasil.

Manejo de risco

Dentro dos investimentos em ações, existem algumas medidas que podem ser tomadas pelo investidor para minimizar os riscos. A primeira é a diversificação entre diversas ações, de diferentes setores, com tamanhos variados, em diversos países. O tipo de ação também é importante, já que as ações preferenciais por exemplo são menos voláteis que a ações comuns. Obviamente possuem características próprias como já falado anteriormente.

O foco no longo prazo ajuda o investidor a suportar crises passageiras e a tendência é de que as melhores empresas evoluam conforme a civilização e a tecnologia avancem. Outro fator importante é que você deve procurar informações confiáveis sobre o mercado, a economia em geral e as empresas em que investe. Pode ser pelo noticiário, por analistas profissionais ou pelas divulgações das próprias companhias.

Bolsas Internacionais

O mercado internacional de ações é fascinante. É possível investir em milhares de empresas mundo afora, desde companhias centenárias com a americana Coca-Cola ou a suíça Novartis até as mais recentes e inovadoras companhias de internet como o Netflix e o Facebook.

Ao contrário do investimento em ações no Brasil, onde as oportunidades são limitadas. Estamos sujeitos ainda à péssima administração pública e aos incontáveis e bilionários escândalos de corrupção, que interferem negativamente na economia. Por outro lado, o investimento no exterior oferece um leque enorme de opções em países verdadeiramente civilizados, podendo lhe satisfazer tanto se você for um investidor mais conservador, quanto mais agressivo.

O mercado de ações nos Estados Unidos, por exemplo, é disparadamente o maior do mundo, tanto em termos de volume financeiro, quanto pelo tamanho das empresas. Para se ter uma idéia, o valor de mercado das empresas americanas listadas em bolsa de valores é em torno de U$ 25 trilhões. Se consideradas separadamente, a NYSE e a Nasdaq seriam maiores que qualquer outra bolsa no mundo. É o mercado em que há mais opções para investir, com títulos e ações de todas as áreas possíveis. Há empresas dos mais variados setores, todos com grande importância e representatividade, com destaque para as companhias de tecnologia, do setor financeiro, da saúde e de energia. Companhias mundialmente conhecidas como Apple, Microsoft, Exxon Mobil, General Electric, Google, Pfizer, Disney, etc possuem ações negociadas nas bolsas americanas.

investir em ações na bolsa de nova iorqueLogo atrás do mercado americano vem o japonês, o segundo maior do mundo. Na bolsa de Tóquio negociam ações de empresas do porte da Toyota, Takeda, Sony, Canon, Honda, Mitsubishi Financial Group, etc. Veja só os setores representados pelas empresas presentes no índice Nikkei 225, um dos principais do mercado local: Farmacêutico, Maquinaria Elétrica, Automóveis e Auto-peças, Instrumentos de Precisão, Comunicações, Bancos, Seguradoras, Seguros, Serviços financeiros diversos, Pesca, Alimentação, Varejo, Serviços, Mineração, Papel e Celulose, Petróleo, Vidros e Cerâmicas, Metais não ferrosos, Roupas, Químico, Borracha, Aço, Companhias de comércio, Construção civil, Construção de navios, Maquinaria pesada, Transporte, Imóveis, Ferrovias e ônibus, Transporte marítimo, Transporte terrestre, Transporte aéreo, Armazenagem, Energia Elétrica e Gás. Ufa! Acho que quem investe neste índice está bem diversificado, não é mesmo?

O terceiro maior mercado é o do Reino Unido, onde a Bolsa de Londres é o pregão oficial e nela são negociadas ações das maiores empresas britânicas, como HSBC, British American Tobacco, British Petroleum, GlaxoSmithKline, Shell, Vodafone, AstraZeneca, Diageo, Lloyds Banking Group, etc. A Bolsa de Londres também é a que possui as ações com a maior liquidez em toda a Europa.

Em cada mercado, as ações são negociadas em código (ticker), cada um representando a ação de uma determinada empresa. Esse código pode ser uma sigla, um número ou uma combinação de ambos. As ações da Apple, negociadas na Nasdaq, possuem o ticker AAPL e as ações da Exxon Mobil, negociadas na bolsa de Nova Iorque (NYSE) possuem o ticker XOM. Já na bolsa de Hong Kong, os tickers são números, como por exemplo as ações da China Mobile, negociadas sob o código 0941. Em Cingapura, é uma combinação de letras e números que determina o ticker das empresas. Um exemplo são as ações da Singapore Telecommunications, negociadas como Z74.

Não é só isso, as corretoras internacionais podem fornecer acesso a muitas outras bolsas de valores pelo mundo, incluindo o surpreendente mercado do sudeste asiático, os mercados indiano, australiano, canadense, etc. Tudo isso é possível com apenas uma conta. Dentro dessa conta, em geral, existem diversas sub-contas onde é possível manter diversos tipos de moedas correspondentes a cada país ou investimento. É bastante simples abrir uma conta no exterior e começar a investir ações. Basta tomar uma atitude, sair da inércia e dar o primeiro passo rumo aos investimentos em moeda forte.

Bibliografia:

Saxo Trading Academy

Investopedia

The Street

Market Watch

Securities and Exchange Comission

Nasdaq

London Stock Exchange

Jeremy Siegel: Stocks For The Long Run

American Association of Individual Investors