Investimentos alternativos no exterior: dos Hedge Funds às obras de arte

Investimentos alternativos são aqueles que fogem das classes mais comuns (em geral, ações, renda fixa e REITs) e cada um possui uma particularidade própria. Devido à sua natureza diferenciada e complexa, em geral, são investimentos adotados por instituições financeiras e indivíduos de grande patrimônio.

Nesse artigo você irá desscobrir quais são os investimentos alternativos, as características e peculiaridades de cada um, bem como as formas de investir.

Dentre os investimentos alternativos podemos destacar:

  • Hedge Funds
  • Private Equity
  • Venture Capital/Start-ups
  • Pedras Preciosas
  • Peer-to-peer lending
  • Arte
  • Vinho
  • Carros

A vantagem dos investimentos alternativos é que eles não possuem muita correlação com os investimentos tradicionais. Por esse motivo, muitas instituições começaram a alocar uma pequena parcela do seu portfolio neles.

Carteira de dividendos

São opções que requerem comumente um aporte inicial alto e alguns, como os Hedge Funds, possuem taxas um pouco mais elevadas que os fundos de investimento tradicionais.

Também são investimentos conhecidos por terem liquidez reduzida, horizonte longo de investimento e muitas vezes não é possível calcular com exatidão o valor de mercado daquilo em que se investiu.

Por mais diferente que sejam, alguns tipos de investimento alternativo estão também disponíveis para o investidor médio, conforme você verá a seguir.

Hedge Funds: um mundo de estratégias para seus investimentos

É nesta categoria que entram gente do calibre de George Soros e Ray Dalio, dois dos maiores gestores do mundo.

São fundos de investimentos que usam estratégias e metodologias mais complexas que os fundos tradicionais em busca de resultados mais expressivos, acima do mercado. Seus objetivos principais mais comumente são reduzir a volatilidade e risco, preservar o principal e entregar resultados positivos em todas as condições de mercado.

Cada fundo possui características próprias, que vão desde o uso de derivativos, alavancagem, arbitragem, operações em diversos mercados, etc. São menos regulados que os fundos mútuos, o que dá maior liberdade para o gestor implantar sua estratégia.

Hedge FundsSão administrados de forma a aproveitar as oportunidades que o mercado apresenta, mesmo durante as quedas. São em geral limitados a um grupo restrito de investidores, com alto investimento mínimo inicial e com liquidez restrita (em geral há carência mínima de 1 ano para resgate, com este podendo ser pedido em janelas específicas de tempo).

São fundos que costumam cobrar uma taxa de administração (em geral 2%) e uma taxa de performance (em geral 20% acima do que exceder o benchmark).

Os resultados vão depender dos acertos e erros das estratégias que os gestores aplicarem. Dessa forma, é importante avaliar a consistência com que o fundo entrega resultados acima do mercado. É algo importante para você, como investidor de longo prazo.

As estratégias mais comuns usadas pelos gestores de Hedge Funds são:

Mercado Neutro (Market Neutral): é uma estratégia de visa operar vendido (short) em algum ativo tido como sobreavaliado e comprado (long) em um ativo subavaliado, com posições de tamanhos semelhantes, de maneira a não estar posicionado para os momentos do mercado como um todo, mas sim apenas na diferença de comportamento entre os ativos.

Arbitragem em Renda Fixa (Fixed Income Arbitrage): é uma estratégia que visa identificar bonds sobre e subavaliados baseado nas expectativas ou de mudança no rating do emissor ou na curva de juros futuros.

Hedge de Ações (Equity Hedge):  também conhecido como long/short, procura operar comprado e vendido em diversos ativos, mas com posições de tamanhos diferentes de forma a se posicionar para a alta ou para a baixa de acordo com a análise dos gestores.

Arbitragem de Fusões (Merger Arbitrage): visa lucrar com a diferença entre o preço de mercado de uma ação e o valor pago por uma proposta de aquisição dessa empresa. Em geral, a empresa compradora paga um prêmio sobre o valor de mercado de uma companhia-alvo. É também utilizada para avaliar possibilidades de lucro em fusões e divisões de empresas.

Macroeconomia Global (Global Macro): tem como objetivo se posicionar de acordo com os movimentos do mercado como um todo, seja operando moedas, contratos futuros, opções, juros, assim como no mercado de ações e bonds. Um exemplo desse tipo de fundo é o Quantum Fund, de George Soros, que não aceita novos investidores e atualmente só administra a fortuna de sua família.

Crescimento Agressivo (Agressive Growth): investe em ações de companhias em franco crescimento de receitas ou lucros. Muitas são small ou microcaps, com altos índices de Preço/Lucro e que não distribuem dividendos. Podem se especializar em subsetores como TI ou biotecnologia. Costumam ser mais voláteis e apresentar alto potencial de lucro.

Renda (Income): procura investir com foco em renda, ao invés de simplesmente no ganho de capital. Adquire principalmente bonds e excepcionalmente ações de empresas pagadoras de dividendos.

Como se pode ver nem todos os Hedge Funds são iguais. O grau de risco e volatilidade esperados variam enormemente de acordo com o tipo de abordagem adotada. Por isso é importante você saber como o fundo funciona antes de investir.

Hedge FundsEsses fundos costumam ser especializados em algum tipo de estratégia de acordo com a preferência ou expertise do gestor ou equipe de gestão.

Muitos fundos limitam o tamanho do patrimônio, porque muitas estratégias podem perder eficiência se o gestor tiver uma quantidade de dinheiro muito grande para investir.

A crença popular de que são fundos altamente alavancados e arriscados não condiz muito com a realidade do mercado. Apenas uma parcela menor que 5% dos fundos usam algum tipo de alavancagem. A imensa maioria usa mesmo derivativos com a função tradicional de hedge.

Enfim, são fundos que podem ajudar a reduzir o perfil de risco de sua carteira de investimento, já que muitos não estão sujeitos ao risco de mercado e podem lucrar inclusive com o mercado em baixa.

Para ter acesso a eles é necessário uma conta no exterior. Cada banco estrangeiro disponibiliza uma plataforma de fundos próprios e de terceiros nos quais você também pode investir.

Private Equity: investimento de longo prazo com alto potencial de retorno

São fundos de gestão ativa, que adquirem participação em pequenas empresas de capital fechado, com o objetivo de proporcionar a elas crescimento, seja por injeção financeira, seja pelo apoio em termos gerenciais e administrativos.

Geralmente possuem um período de vida definido, caracterizado inicialmente como período de investimento e posteriormente como período de desinvestimento, que consiste na venda da empresa ou abertura de capital em bolsa. Nessa última fase é que o dinheiro e o lucro retornam aos investidores.

Há diversas empresas de Private Equity no mundo, cada uma com uma estratégia diferente, seja pelo tipo de empresa a ser investida, seja pela região geográfica que o fundo cobre. É possível investir desde empresas de infra-estrutura na África e Ásia, como em empresas de tecnologia norte-americanas.

Em geral, os valores de investimento mínimo são altos e a liquidez é bastante restrita, quando não inexistente. Muitos fundos estimam retorno do investimento apenas depois de 10 anos. São um modelo bastante interessante para investidores de longo prazo e fundos de grandes universidades, chamados Endowments, que possuem altas somas nesta modalidade.

Mesmo com baixas nos períodos de crise e recessão, os índices que seguem os investimentos em Private Equity têm performado melhor que o mercado de ações nos últimos 5 e 20 anos.

Venture Capital & Angel Investment: alto risco e chance de retornos excepcionais

É bastante parecido com o Private Equity, só que com empresas ainda em fase inicial de criação, as chamadas Start-ups. Companhias que podem ser compostas por poucas pessoas, ou mesmo por um único produto, que ainda nem foi lançado.

O investimento na fase inicial dessas empresas é fundamental para colocar em prática seus planos de negócios, pois por não terem muito patrimônio e nem histórico de lucratividade, elas têm acesso restrito às vias de financiamento tradicionais, como os empréstimos bancários.

Venture CapitalOs riscos de investir em Start-ups são maiores, assim como os possíveis retornos. Da mesma forma que a empresa pode quebrar, ela pode se tornar um sucesso e multiplicar o investimento em milhares de vezes. Muitos investidores conseguiram retornos extraordinários bancando empresas como o Google, Facebook e Twitter em seus primórdios.

Em geral, essas empresas oferecem rodadas de investimento baseadas em certo valuation da companhia. Assim, elas vendem uma parcela das ações em troca do dinheiro do investidor. Esse dinheiro então será usado para financiar as diversas etapas do crescimento da companhia.

Nem preciso dizer que um investimento assim não tem prazo, garantias e nem retornos estimados. Tudo dependerá da capacidade da empresa crescer com o dinheiro captado e, quem sabe um dia, abrir o capital na Bolsa ou ser adquirida por outra empresa maior. E mesmo que a empresa abra capital na Bolsa, ainda existe um período de lock-up, geralmente de 180 dias, onde os investidores pré-IPO, não podem vender suas ações.

Existem 3 tipos principais de investimento em Start-ups, o investimento-anjo, os fundos de Venture Capital e o crowdfunding.

O típico investidor-anjo é um empresário ou investidor de sucesso, bem conectado, que acredita em idéias simples que possam causar impacto no mercado. É dele toda a responsabilidade de avaliar os fundadores, o projeto e o produto da companhia, antes de investir. Também é dele a responsabilidade por acompanhar o andamento dos negócios. Por outro lado, ele não faz muita questão de se envolver diretamente no andamento da empresa ou de participar de todas as decisões. Usa seu conhecimento e contatos para orientar e contribuir com a companhia, mas o dia-dia continua sendo tocado pelos fundadores.

Já os fundos de Venture Capital são aqueles que captam uma larga quantia de dinheiro, seja de investidores institucionais ou de pessoas físicas de alto patrimônio para investir em empresas iniciais. Este fundos realizam um amplo trabalho de due-diligence, ou seja, avaliam o projeto, os produtos, os contratos e toda a parte burocrática de forma a evitar fraudes e obter o máximo de governança.  Eles também têm acesso a executivos experientes que possam ser colocados na empresa para contribuição in loco, seja em cargos de gerência/diretoria ou nos conselhos.

Entretanto, esses fundos exigem altas quantias de depósito inicial, em geral acima de U$ 1 milhão. Há algumas exceções, que pedem a partir de U$ 250 mil. Existe ainda um prazo, que pode passar de 10 anos, em que não pode ser feito qualquer tipo de resgate. São fundos ainda bastante restritos e não disponíveis para todos.

O nível de compromisso que um fundo de Venture Capital exige de uma Start-up é grande, já que o dinheiro investido é de terceiros e em geral são quantias na casa dos milhões. O investidor-anjo, por outro lado, investe dinheiro próprio que pode inclusive ser pequeno para esses padrões, como U$ 50 mil. Por entender a natureza experimental de muitas empresas e produtos, o nível de comprometimento entre ele e a empresa investida é menor.

Nos Estados Unidos, até pouco tempo atrás, o investimento em Start-ups estava disponível apenas para investidores qualificados (renda >U$200k/ano ou U$1 milhão de patrimônio). Hoje, com o surgimento de alguns fundos e plataformas de crowdfunding online, investidores médios também podem aderir.

Venture CapitalUm exemplo é a Microventures, que permite a você se cadastrar no site e ter acesso às rodadas de investimento em Start-ups. Este site já participou, por exemplo, de investimentos no Twitter e Yelp. É a forma mais fácil e barata do investidor médio adentrar nesse mercado.

Existem ainda algumas outras empresas que adotam o modelo de crowdfunding, são elas a Fundable, a StartupValley, a Seedrs, a CircleUp e a EquiyNet, onde é possível investir em negócios que variam desde lâmpadas inteligentes até alimentos orgânicos desidratados ou computação em nuvem.

Importante também diferenciar as empresas citadas acima, conhecidas também como equity-crowdfunding, onde você recebe ações ou partes do negócio, do outro modelo de crowdfunding, o reward-crowdfunding, disponível em sites como o Kickstarter ou IndieGogo, onde você cede dinheiro e recebe uma recompensa que pode ser um brinde, um produto, uma amostra, ou mesmo um agradecimento. É uma modalidade de investimento com um retorno não necessariamente financeiro.

Portanto, o investimento em Start-ups é algo que deve ser muito bem analisado e as regras entendidas. A escolha da plataforma mais adequada de investimento, bem como a avaliação da empresa e seus produtos são fundamentais para ter sucesso.

Peer-to-peer Lending: como ganhar com juros mais atrativos

Peer-to-peer lending, ou empréstimo de indivíduo-para-indivíduo, é uma nova maneira de conectar pessoas interessadas em receber empréstimos e investidores interessados em emprestar esse dinheiro recebendo juros.

A ideia do negócio, que existe há 10 anos e é pouco divulgada no Brasil, é realizar o que é o funcionamento básico de um banco, mas não sendo um. As empresas que conectam os dois lados, quem empresta e quem pega emprestado, são mais enxutas, sem os grandes custos de uma estrutura bancária completa. Isso reduz os juros para quem recebe o empréstimo e melhora os juros recebidos por quem empresta.

Os juros cobrados de quem pega emprestado irão depender da qualidade de crédito da pessoa. Todo o histórico bancário é analisado e um perfil de crédito é definido para se determinar as taxas. Outro fator determinante é o prazo e a quantidade de dinheiro envolvido.

Em geral, as pessoas que tomam dinheiro emprestado o usam para quitar outras dívidas, festas de casamento, reforma ou construção de imóveis, compras de veículo, etc.

Além de ser possível emprestar dinheiro para outras pessoas por esse modelo, também é possível emprestar para pequenos negócios, que podem usar o dinheiro para capital de giro, marketing, compra de estoque, expansão, etc.

É uma indústria que vem crescendo tremendamente e que apesar de pequena se mostra como um importante competidor do sistema bancário tradicional. Utiliza-se de uma plataforma totalmente online, que conecta os dois lados da equação de maneira mais direta. Essa modernidade e agilidade tem atraído um número grande de pessoas, já que a forma bancária convencional é mais burocrática e demorada.

Peer-to-peer LendingIsto não quer dizer que as empresas donas dessas plataformas deixem de fazer o trabalho nos bastidores, que seria a avaliação completa dos tomadores, bem como os procedimentos para minimizar e lidar com os calotes.

Os sites disponíveis para esse tipo de investimento possuem a mesma característica principal, com a diferença que alguns focam mais em empréstimos pessoais ou para estudantes e outros tem mais interesse em empresas.

Caso queira saber mais sobre elas, visite os respectivos sites. As mais conhecidas são Prosper, Upstart, Funding Circle, Peerform, Sofi, Zopa e RateSeller.

Em geral a vantagem desse investmento é conseguir juros maiores que nos investimentos bancários mais comuns como term deposits, certificates of deposits e savings accounts. Enquanto uma savings account paga em média abaixo de 1% ao ano atualmente, o empréstimo peer-to-peer pode pagar acima de 5%. Por outro lado, é importante avaliar o risco de crédito dos tomadores e as medidas que o site toma para minimizar perdas. Em todo esse período que o modelo tem funcionado nos Estados Unidos e Europa, o nível de inadimplência tem se mostrado baixo, mas nunca é demais tomar precauções.

Diamantes: investimento que nunca sai de moda

O investimento em diamantes e outras pedras preciosas, incluindo safiras, esmeraldas, assim como o ouro e a prata, tem como base principal o valor intrínseco. São pedras e metais de características raras e especiais que os tornam valiosos. O diamantes em especial também são vistos como símbolos de bom gosto, amor e pureza.

A negociação de diamantes é um investimento de baixa liquidez e que precisa de alguns requisitos básicos para ser lucrativo, seja o acesso ao mercado ou o auxílio de profissionais habilitados.

É importantíssimo comprar pelo menor preço possível. Alguns especialistas afirmam que o lucro está na compra e não na venda. Quanto menos intermediários houverem entre você e quem extraiu a pedra, maior a chance de comprar por um bom preço. A preferência deve ser por vendedores primários, aqueles que retiram a pedra diretamente das minas. Se você comprar no varejo a preços elevados, dificilmente conseguirá ter lucro numa revenda futura.

Ao contrário do ouro e prata que são padronizados em peso e pureza, cada pedra preciosa é única e deve ser avaliada individualmente. Por isso é importante uma ajuda profissional, tanto para caracterizar e avaliar a pedra, quanto para evitar fraudes. Uma pedra é avaliada de acordo com 4 características principais, chamadas de “Quatro C’s”:

Quilate (carat): é a unidade de massa da pedra. 1 quilate = 0,2 gramas

Lapidação (cut): é o corte da lapidação, redonda ou reta.

Pureza (clarity):é a pureza interna da pedra, sua transparência.

Cor (color): é a cor da pedra, indo desde transparente até preta. As mais valiosas são as mais transparentes.

Essa avaliação, quanto feita por empresas independentes, que emitem um certificado próprio, é que irá determinar o valor da pedra ou diamante.

O segredo do investimento em pedras preciosas então está em comprar pelo melhor preço possível diretamente da mineração, adicionar valor com um ótimo serviço de recorte e polimento e vender a preço próximo do varejo, seja através de joalheria ou leilão. Em geral, aguarda-se um período de pelo menos 5 anos entre o início e o fim do processo para otimizar a rentabilidade.

DiamantesAtenção especial deve ser dada ao valor das pedras. Quarenta pedras de U$250,00 têm mais liquidez que uma de U$10.000,00. Claro que se você tiver acesso a um público de maior poder aquisitivo, a revenda de pedras de valores elevados pode ser facilitada.

Outro fato que ajuda na futura revenda das pedras é optar por aquelas de maior liquidez, ou seja, nada de diamantes de cores espetaculares valendo dezenas de milhares de dólares, mas aqueles transparentes, arredondados e de 0,5 a 1,5 quilates, que são negociados diariamente nos mercados desenvolvidos. Optar por padrões de forma e tamanho já estabelecidos não só ajuda na liquidez, mas também na determinação do preço. Importante lembrar que o preço da pedra cresce exponencialmente conforme aumenta os quilates. Uma pedra de 2 quilates vale 4 vezes mais que a pedra de 1 quilate, se mantidas as demais características.

Uma peculiaridade pouco lembrada, em particular dos diamantes, é a sua capacidade de manter valores altos em um pequeno espaço. É possível transportar centenas de milhares de dólares em um pequeno moedeiro, sem que ninguém perceba. Isso é importante para quem deseja, por exemplo, sair de países em guerra ou em colapso econômico ou para quem queira se proteger de perseguições políticas e religiosas.

O preço obviamente é definido por oferta e demanda e nos últimos anos um fator que tem elevado a procura por diamantes foi a introdução na cultura chinesa dos anéis de noivado. Comuns no mundo ocidental, não eram costume chinês até pouco tempo. E a julgar pela elevada proporção entre homem e mulher na China, bem como a elevação da riqueza no país, os diamantes têm cada vez mais se tornado objeto de desejo das chinesas.

Em termos de oferta, os maiores produtores são Rússia, Botswana, Congo, Austrália e Canadá, sendo que a Rússia é responsável por quase 30% da produção mundial. A produção anual destes países, exceto o Canadá, tem diminuído gradativamente nos últimos anos.

Portanto, o investimento em diamantes e pedras preciosas é um mercado bastante específico e com características próprias. É preciso um bom conhecimento, bem como ter acesso aos participantes deste mercado de modo a investir de maneira lucrativa.

Obras de arte: o investimento mais valioso do mundo

O investimento em obras de arte ao contrário do que muita gente pensa não está restrito aos quadros multimilionários de Cézanne e Picasso ou às esculturas de Giacometti e Modigliani. Muitas pessoas de menor poder aquisitivo também podem investir neste mercado.

Arte é um investimento sem correlação com qualquer outro investimento tradicional e que tem se comportado bem mesmo durante crises. Por ter valor intrínseco é algo que perdura mesmo com colapsos financeiros ou problemas monetários.

A arte de primeira linha tem seus booms relacionados com o surgimento de novos multimilionários e bilionários no mundo. Foi assim no final da década de 80 com os japoneses e mais recentemente com os chineses e a realeza árabe.

Obviamente, como todos os investimentos alternativos vistos aqui, faz-se necessário um conhecimento particularizado sobre o tema. A consultoria feita por uma pessoa ou empresa especializadas é essencial se você quiser investir nesse mercado com seriedade. A Artvest, por exemplo, é uma consultoria americana especializada que ajuda seus clientes a montarem uma carteira de investimentos com obras de arte.

Quadro de Paul CezanneSe você deseja investir por conta própria, deve aprender sobre as diversas escolas, meios e estilos e obviamente sobre os artistas. Claro que investir em arte de primeira linha feita por artistas consagrados é para poucos, mas existem diversos artistas desconhecidos que podem cair na graça do público e suas peças serem valorizadas no futuro. É neles que estão as possibilidades de grandes lucros para os investidores menores.

Após os quadros, as esculturas são os itens mais procurados. Para quem deseja investir algo em torno de U$500 ou $1.000, as fotografias e litografias são os itens em geral mais acessíveis. A litografia é uma técnica de gravura sobre pedra calcárea que replica com precisão um original de artista consagrado. Uma litografia de Salvador Dali, por exemplo pode ser encontrada com preços variando entre U$800 e U$1.200.

Não basta conhecimento para escolher e comprar, é preciso também saber cuidar e preservar. Uma peça danificada perde muito do valor. Assim, cuidado e manutenção são fundamentais.

Existem diversos sites que promovem compras e vendas online de produtos de arte como o Invaluable, a Artsy e a Artnet, além obviamente das casas de leilão famosas, como a Christie’s e a Sotheby’s.

Uma das vantagens de se investir em arte é que mesmo com uma liquidez bastante restrita, é o tipo do produto que você pode usar e apreciar enquanto é dono. Claro que neste caso é importante adquirir o que você goste e ache bonito.

Concluindo, investir em arte é algo que pode ser prazeroso visualmente e que pode dar bons retornos financeiros. Entretanto, é preciso estar atento a todas as nuances envolvidas nesse mercado. Conhecimento específico, ajuda profissional e saber negociar são importantíssimos para quem quer usar obras de arte como investimento.

Vinhos: a nova estrela no mundo dos investimentos

Vinhos finos é mais uma categoria de investimento que tem crescido enormemente nos últimos anos. Marcas renomadas como Romanee-Conti e regiões consagradas como Bordeux e Borgonha na França e Montalcino na Itália despontam como as blue-chips no mercado de vinhos atualmente.

Para você se tornar um bom investidor em vinhos é preciso estar antenado com as novas safras e avaliações de vinhos do mundo todo. A chance de uma safra específica ser fora de série e cair no gosto dos apreciadores é o gatilho para sua valorização. A última estrela em ascenção é a safra 2010 do Brunello de Montalcino, que está no topo entre os melhores vinhos já produzidos na Toscana. Muitos produtores alcançaram notas altíssimas na avaliação de diversos especialistas e suas garrafas estão sendo bastante disputadas.

A Itália ultimamente tem estado em evidência, não só pelos Brunellos, mas também pelos Supertoscanos e Barolos. Alguns pequenos produtores podem chegar a produzir apenas 200 ou 300 garrafas por safra. É aí que entra outro fator importante na valorização dos vinhos, a raridade.

Quanto maior a demanda por um vinho raro, melhor para o investidor. E quanto mais o tempo passa, mais raro certos vinhos vão se tornando. Primeiro, obviamente, porque a imensa maioria de quem compra, o faz para beber. Segundo, porque quanto mais antigo é um produto, mais raro ele se torna e cada safra só ocorre uma vez e com número limitado de garrafas. Sem contar o fato de que muitos vinhos tem suas características de sabor aprimoradas com o passar dos anos.

Romanee ContiAlém de focar nas regiões mais populares e que tem maior demanda no mercado secundário, você também deve ter uma visão de médio e longo prazo (acima de 5 anos pelo menos). É o tempo necessário para um vinho ou safra serem reconhecidos, procurados e valorizados.

Outro ponto que deve ser analisado é a pontuação dos vinhos segundo o crítico mais influente do mundo, Robert Parker. Um vinho com pontuação acima de 95 (o máximo é 100) é preferível em relação aos de pontuações menores. A chance dele se tornar um clássico é maior.

Também é importante propiciar um armazenamento adequado para a conservação do vinho. É comum os investidores usarem galpões profissionais específicos com controle de temperatura e umidade para preservar as melhores características do produto. Seriam como lugares para manter seu vinho sob custódia. Um exemplo deles é o London City Bond.

Uma dica também é comprar o melhor que o seu dinheiro puder pagar, lembrando que um vinho de primeira linha pode custar mais de R$ 60 mil. É mais valioso ter poucos vinhos top-de-linha a diversos vinhos medianos. Deve-se ter em mente que é um investimento sem liquidez e que apenas se investe aquilo que não irá fazer falta na sua vida.

Atualmente, com o advento da tecnologia é possível ainda acompanhar um portfolio de vinhos online pelo Cultwine e pesquisar os preços e negociações realizadas no mercado pela Cellar Watch.

Portanto, é um investimento com características especiais que pode lhe render tanto rendimentos financeiros, quanto proporcionar momentos mais felizes, caso você decida usar o saca-rolhas.

Carros: classe e estilo que o tempo não apaga

Carros clássicos passaram de artigos colecionáveis para ativos de valor. Não existe uma definição clara para o que é um carro clássico. Em geral, é aquele que atrai a atenção pela beleza ou pela engenharia empregada ou ainda é valorizado por ser muito raro ou ter se tornado um ícone.

Como um quadro ou escultura, o carro também pode ser apreciado e ao contrário do vinho, você pode curtir e ele não acabar. É, digamos assim, o investimento alternativo com o maior grau de utilidade.

Os modelos mais consagrados são os Porsches e Ferraris das décadas de 50 e 60, mas outros modelos como Jaguar e os Aston Martin usados por James Bond também despontam como preferidos do público. Modelos mais recentes como a Ferrari Daytona da virada da década de 60 pra 70 e a Ferrari Testarossa da década de 80, usada no seriado Miami Vice, também são modelos muito procurados nesse mercado e têm se valorizado fortmente nos últimos anos.

Ferrari DaytonaSe você tiver entre 35 e 45 anos, deve estar se perguntando: E o Delorean DMC-12 do filme “De Volta Para o Futuro”? Sim, é um carro que pode ser considerado um clássico e tem sim uma certa procura. Entretanto, não é um carro que possua outras qualidades além do design e das portas em “asa de gaivota”. Ao contrário dos demais esportivos, incluindo aí os Alfa-Romeo clássicos mais acessíveis, o Delorean não é um carro que passa muita emoção ao volante.

Para o público de menor poder aquisitivo, que não pode pagar cerca de U$ 900 mil numa Ferrari Daytona como a da foto, existem diversas outras opções como o Fiat 500 original, na casa de U$12.000. Por outro lado, não há muitos motivos para se investir em carros de baixo valor, pois os custos de manutenção certamente irão devorar parte do retorno.

Os riscos são diversos. Documentação, manutenção, reparos, falta de peças de reposição, etc. Antes de comprar para investimento, faz-se necessário ainda avaliar os custos com a documentação, transporte e principalmente a restauração do veículo.

É um mercado diferente e de difícil previsão. Há diversos fatores envolvidos nas oscilações de preço dos modelos. É preciso saber a hora certa de entrar e de sair, verificar quando o mercado está sobreavaliado e subavaliado. Além disso, a escolha dos modelos também é fundamental pra se conseguir bons lucros neste investimento. E como você já sabe não há prazo e nem metas de retorno nesse tipo de investimento.

Uma coisa é certa. Moedas vão e moedas vem. Bancos quebram. Títulos sofrem calotes e viram pó. Enquanto isso, um carro clássico bem cuidado sempre estará a sua disposição para dar uma volta.

Conclusão

Os investimentos alternativos têm se mostrado uma excelente forma de diversificação nos últimos anos. Para se ter uma idéia o índice que mede o desempenho dos chamados ativos de luxo (Knight Frank Luxury Investment Index) subiu 7% em 2015 e nesse meio os carros clássicos foram os que mais valorizaram, com alta de 17% no ano. Nos útimos 10 anos (2006-2015), o índice subiu 200%, com os carros ficando em primeiro lugar ( +490%), os vinhos em segundo (+241%), moedas antigas em terceiro (+232%) e a arte em quarto (+239%).

Independente de você querer investir em diamantes, carros ou arte, a primeira atitute a se tomar é adquirir conhecimento. Além de aprender a analisar itens de alta qualidade, você deverá ainda saber identificar fraudes para evitar maiores transtornos.

Como em todos os tipos de investimento, você precisa também avaliar seus objetivos e tolerância ao risco para encontrar aquele que seja mais adequado para investir.

Bibliografia:

The Street

Investopedia

International Gem Society

Rapaport Diamond Report

Fortune

Business Insider

The Guardian

Knight Frank

Howstuffworks

WineInvestment

Financial Times

Forbes