Como investir em ETF no exterior: o guia absurdamente detalhado

Os ETFs são uma revolução no mercado mundial de investimentos. Ao contrário do Brasil, onde os ETFs são bastante limitados, no exterior eles são uma ferramenta importante e podem facilitar (e muito) a montagem da sua carteira. Neste texto você vai aprender o que são ETFs, como eles funcionam, suas características, tipos, riscos e tudo o que precisa saber para aproveitar umas das maiores invenções dentro do mercado financeiro.

História

Em seus  25 anos de história, o ETF se tornou um dos negócios de maior crescimento dentro da área de investimentos em todo mundo. É um tipo de fundo que promove liquidez a praticamente todos os tipos de ativos negociáveis, tanto para grandes como para pequenos investidores e permite que qualquer pessoa monte um portfolio de nível profissional.

Tudo começou em 1990 no Canadá e em 1993 nos EUA, quando os primeiros ETFs foram lançados. No Canadá o pioneiro foi o Toronto Index Participation Shares, que acabou sendo fechado depois, e nos EUA com o famoso fundo S&P 500 SPDR, que hoje é o maior ETF do mundo.

Atualmente, os ETFs correspondem a quase 1/3  de todo volume das bolsas americanas e no total somam mais de U$ 2 trilhões em ativos nos EUA e U$500 bilhões no resto do mundo. Esse crescimento atesta a importância desse investimento tanto para investidores comuns como para os grandes bancos e fundos.

É hora de você saber o porque dos ETFs terem conquistado tamanho sucesso e como também poderá aproveitá-los.

Mas o que é um ETF?

ETF ou Exchange Traded Fund, como o próprio nome diz, é um fundo negociado em bolsa de valores e que pode ser constituído por ações, REITs, títulos de renda fixa, commodities, opções, contratos de swap diversos, moedas, etc. Entretanto, ao contrário dos fundos tradicionais (Mutual Funds) em que o investidor aplica e resgata dinheiro do fundo, no ETF você compra e vende as cotas de outro investidor em ambiente de bolsa. Há diversas implicações em relação a isso.

Primeiramente, os fundos de investimento tradicionais não possuem um patrimônio fixo, pois os clientes podem colocar ou retirar valores quando desejarem, de acordo com as regras do fundo. Isso quer dizer que o gestor precisa ter dinheiro em caixa para atender às solicitações de saque. Se as solicitações de saque forem muito grandes e concentradas, é possível que o gestor tenha que vender ativos para atender os pedidos. Já um ETF, com raras exceções, não sofre desse problema, já que a cota apenas muda de dono e os valores e ativos que o fundo possui não precisam ser negociados, preservando o patrimônio.

Outra questão importante é a facilidade de acesso. Nos fundos de investimento há valores mínimos para aplicação inicial, em geral, na casa dos milhares de dólares. Nos ETFs, o mínimo é 1 ETF, cujo preço é negociado desde abaixo de 10 dólares a até 150 dólares em geral. E essa facilidade não é só em relação ao valor mínimo para investir. Ela também abre a possibilidade das pessoas investirem em ativos poucos líquidos ou que estão em outros países, já que há ETFs que possuem ativos bastante incomuns, como títulos de dívida da Polônia ou ações de empresas da Tailândia, que são de difícil acesso para o investidor comum. Como já falado na parte de Renda Fixa, há títulos de dívida (Bonds) que podem custar até 200 mil dólares cada. Se este título estiver dentro do ETF, é possível tê-lo por algumas dezenas de dólares.

ETFDentro desse mesmo raciocício, podemos dizer que os ETFs proporcionam maior diversificação para o investidor a um custo menor. Ao invés de pagar 50 corretagens para comprar 50 ações diferentes, paga-se apenas uma para ter o ETF correspondente a essas ações. Há ainda ETFs bem mais diversificados que podem possuir até 7.000 ações ou títulos, o que seria impossível para o pequeno investidor.

Em geral, um ETF não tenta bater os índices de mercado através da gestão ativa de portfolio, mas sim seguir determinado índice. Por isso costuma-se dizer que um ETF é tão bom quanto o seu índice. Essa padronização na composição da carteira ajuda a reduzir os custos de administração, já que não é preciso pagar gestores para escolher os investimentos. Automaticamente, o ETF faz as compras e vendas de ativos de forma a rebalancear sua carteira e seguir a atualização do índice correspondente. Isso torna o ETF mais transparente, pois já se sabe a princípio quais ações ou bonds o ETF possui e deve comprar, bastando olhar o índice. Além disso, os próprios administradores dos ETFs divulgam diariamente em seus sites a sua composição, facilitando a avaliação por parte do investidor.

Essa facilidade de avaliar ETFs inclusive ajuda o investidor a economizar tempo, pois ele não precisa ficar avaliando ação por ação, bond por bond, nem negociar esses ativos. O próprio ETF faz esse trabalho por ele, bastando apenas escolher o ETF que siga o índice mais adequado ao seu perfil.

Outra diferença importante é que no fundo tradicional a cota é resgatada de acordo com o seu valor líquido, enquanto que nos ETFs o valor da cota pode estar acima (negociada a prêmio) ou abaixo (negociada a deconto) do seu valor líquido (Net Asset Value). Entretanto, nos ETFs mais líquidos essa diferença é insignificante.

A questão tributária também é importante. O investidor que opta por ETFs tende a ser menos ativo no gerenciamento da carteira do que aquele que possui ações individuais. Este último, quando decide fazer o rebalanceamento da carteira, acaba sendo obrigado a pagar imposto sobre os ganhos de capital. No caso do ETF, os rebalanceamentos são realizados dentro do próprio ETF e o investidor não precisa se preocupar com pagamento de impostos. Portanto, também possui uma vantagem tributária.

Processo de criação e resgate de ETFs

Existe um processo único dentro do funcionamento dos ETFs que torna esse tipo de fundo ainda mais eficiente. É o processo dinâmico de criação e resgate de cotas.

Como funciona?

Você já viu que quando um investidor compra ou vende uma cota de ETF para outro, a empresa que administra o ETF não se envolve nesse processo. As cotas apenas mudam de dono durante o pregão da Bolsa. Se o administrador não vê a cor do dinheiro nesse processo, como surgem as primeiras cotas?

Nesse mercado existem os “Participantes Autorizados” (PAs). São grandes corretoras e negociantes autorizados a criar e a se desfazer das cotas de ETFs. Eles criam e resgatam as cotas ao realizar transações com o administrador do ETF.

Diariamente, o administrador do ETF publica uma lista chamada “Cesta de Criação” (Creation Basket), com a discriminação de todos os ativos que compõe o ETF e suas respectivas participações. No caso do já falado ETF S&P 500 SPDR, ele quer as ações que compõem o índice S&P 500 em suas exatas proporções. Essa cesta também ajuda a calcular o valor líquido dos ativos (NAV) do ETF com base no preço de cada ativo.

Para criar as cotas do ETF, um PA compra ou tira do seu portfólio uma composição de ações ou títulos que representem a “Cesta de Criação” do ETF que ele deseja e entrega para o administrador dele. Em troca, o PA recebe cotas do ETF. Essas transações são realizadas em bloco envolvendo pelo menos 50.000 cotas do ETF.

Maiores ETFs

Lista dos maiores ETFs negociados nos EUA.

O processo contrário também é possível. O PA entrega cotas do ETF para o administrador e recebe as ações correspondentes. A cesta de ações que o PA recebe em troca das cotas do ETF é chama de “Cesta de resgate” (Redemption Basket).

Todas essas negociações entre PAs e administradores de ETFs envolvendo as Cestas de Criação e Resgate são realizadas ao final do dia, mas os PAs podem cotar os spreads de compra e venda e fazer trades durante o dia, já que eles sabem a composição da Cesta de Resgate que será necessária no final do dia. Esse processo de buscar distorções entre os preços dos ETFs e dos ativos que os compõem é vital para manter esses preços próximos um do outro.

A arbitragem nesse caso funciona assim: Se o valor da cesta de ativos estiver abaixo do valor do ETF durante o pregão, os APs começam a vender cotas do ETF e a se posicionar na cesta de ações, pois sabem que mais tarde poderão fazer a operação inversa e ganhar essa diferença. Quando o valor do ETF está mais baixo, eles fazem a operação inversa. Isso traz o valor da cota do ETF mais perto do valor da cesta de ativos até a diferença não ser o suficiente para o PA ganhar com a arbitragem. É um processo que reduz os spreads de compra e venda, promove liquidez e traz o preço do ETF para perto do valor “justo”.

Agora veja que interessante. Um ETF de sucesso é aquele que tem muita procura e portanto os compradores tendem a fazer sua cota ficar geralmente acima do valor da cesta de ativos. Essa distorção faz com que os APs comprem a cesta de ações e depois transformam em ETFs. Essas cotas vendidas no mercado, não só geram lucro para o PA, mas também aumentam o número de cotas do ETF no mercado. Alguma dúvida se o S&P 500 SPDR com seus U$ 170 bilhões de valor total e o Powershares QQQ com U$ 38 bilhões (dados do início de 2016) são ETFs de sucesso?

Mudança de paradigma

É possível dizer que os ETFs mudaram a forma de investir. Graças aos baixos custos, maior transparência, facilidade de diversificação, eficiência tributária e liquidez, têm atraído cada vez mais investidores.

Também facilitaram o acesso a novos mercados, bem como os processos de alocação de ativos e as estratégias setorais e temáticas, dentre os quais podemos destacar o foco nos dividendos (Dividend), em valor (Value) e no crescimento (Growth).

ETFDesta forma, os ETFs provocaram uma mudança na forma de ver os investimentos. Se antes o investidor precisava pesquisar e selecionar cada ação ou título, agora o foco é mais no aspecto macroeconômico, com avaliação sobre países ou setores industriais, ou seja, na análise do tipo Top-Down de que falamos na seção de ações. O investidor agora pensa se deve investir no setor de Tecnologia ou de Energia e não mais se deve comprar Microsoft ou Exxon Mobil. Pensa também em qual mercado investir, se Índia, República Tcheca ou África do Sul.

Perceba o quanto é mais simples por exemplo, mudar a estratégia em virtude de eventos negativos. O investidor que estivesse comprado em ETF de ações do Brasil, por exemplo, e vislumbrasse os problemas econômicos que estamos enfrentando, poderia simplesmente ter vendido tudo como uma única ordem. Já aquele que tivesse uma carteira com diversas ações, teria que realizar diversas vendas, aumentando os custos.

Outro exemplo é o investidor que procura ações pagadoras de dividendos. Ao invés de avaliar empresa por empresa para saber se os dividendos dela são sustentáveis, ele pode facilmente comprar um ETF que já fez toda essa análise por ele. Existem diversos, cada um com a sua metodologia. É extremamente mais simples escolher entre 3 ou 4 ETFs do que entre 4.000 empresas.

Em suma, os ETFs ampliaram de maneira brutal o acesso a múltiplas opções de investimento, reduziram os custos e facilitaram as decisões de investimento.

Entendendo os riscos

Ao mesmo tempo em que os ETFs são ótimas ferramentas que promovem acesso a praticamente todas as classes de ativo disponíveis no mercado, bem como a estratégias avançadas de investimento, eles podem expor o investidor mais desatento a produtos com os quais ele tem pouca familiaridade. Esse baixo conhecimento sobre como certos ETFs operam e investem pode ser bastante prejudicial.

Isso principalmente se reflete nos fundos que operam invertido (Short) ou alavancados (Leveraged). No caso dos ETFs alavancados, além da alta volatilidade, são fundos programados para refletir a multiplicidade do índice (2x, 3x, etc) no período de um dia. Se mantido em carteira por mais tempo, os custos tendem a reduzir muito a rentabilidade e ele perde completamente a relação com o índice de referência.

Da mesma forma, o investidor que investe em ETFs de commodities esperando que ele flutue exatamente com os preços dos ativos, precisa saber todos os mecanismos que envolvem a operação com derivativos futuros, os processos de rolagem dos contratos e todos os custos envolvidos nesse processo. Diante disso, é difícil um ETF de petróleo, por exemplo, seguir exatamente o preço do barril ao longo dos anos.

Existe ainda um risco estrutural, mais especificamente com um tipo específico de ETF, chamado ETN (Exchange Traded Notes). Esse tipo de fundo carrega em sua composição títulos de crédito não-subordinados e não-segurados, tornando-o vulnerável ao risco de crédito/calote por parte da contraparte, ou seja, do emissor. É um tipo de ativo que deve ser monitorizado de perto e os emissores dos títulos que o lastreiam devem ser analisados. Todo cuidado é pouco quando se trata de evitar um calote futuro.

ETFAlguns ETFs fazem uso de derivativos para acessar certos mercados e neste caso chamamos o fundo de “replicativo”. Ele replica a variação de um índice, mas não possui os ativos em carteira. Neste último caso, os ETFs são conhecidos como fundos “físicos”. É comum serem criados fundos replicativos para investir em mercados mais inacessíveis, como a China continental. Nesse caso, existe uma contraparte que estabelece um padrão de troca com o ETF e recebe uma comissão por isso. É um fator de risco a mais nesses fundos, pois dependem que essa contraparte cumpra com o acordo. Se por qualquer motivo a contraparte falhar, pode colocar em risco o próprio fundo.

Há ainda o risco de fechamento do ETF. Isso acontece quando o emissor e administrador decidem que este ETF não faz mais sentido. Não significa perda para os investidores necessariamente, os ativos são vendidos e o dinheiro devolvido. Pode haver um custo adicional com o pagamento de impostos neste caso. Há algumas causas para isso acontecer: mudanças regulatórias, competição (levando a perda do interesse dos investidores em determinado fundo) e mudanças na empresa emissora do ETF (fusão e aquisição por exemplo).

Uma outra característica que deve ser acompanhada pelo investidor é o erro no acompanhamento (Tracking Error). Por mais que as taxas dos ETFs costumem ser baixas e todo o rebalanceamento e negociação da carteira seja feita de forma automática, os custos existem e podem alterar a rentabilidade do ETF em relação ao índice de referência. Obviamente depende de uma série de fatores, como taxa de administração, volatilidade do mercado, spreads de compra e venda, etc. A eficácia de um ETF depende da capacidade do gestor de mantê-lo com a rentabilidade mais próxima possível do índice. Por isso é importante ver na página do ETF qual o Tracking Error. Quanto menor, melhor.

Por todos esses motivos, o investidor deve ficar atento às características de um ETF e estar ciente de seus ativos e sua forma de funcionamento para não ser surpreendido por variações inesperadas.

Tipos de ETFs

É possível investir não só em praticamente todos os tipos de ativos através de ETFs, mas também operar de maneira alavancada (quando as variações do índice em questão são multiplicadas por 2 ou 3 vezes) e de forma vendida (onde ganha-se com a desvalorização do índice associado), ampliando a gama de estratégias que o investidor pode adotar.

É importante conhecer cada tipo de ETF disponível para ver qual se encaixa melhor dentro do contexto da sua carteira de investimentos. Mesmo os maiores e mais líquidos ETFs podem ser más escolhas se não forem adequados ao seu perfil e às suas necessidades.

ETFs de Ações

Mais de 25% dos ETFs nos Estados Unidos são baseados em ações. Vão desde ETFs que seguem índices amplos com ações do mundo inteiro para aqueles que investem em setores específicos da economia.
Dois pontos fundamentais devem ser vistos quando se trata de um ETF de ações:

  • Como o ETF seleciona as ações
  • Como o ETF distribui essas ações na carteira

Formas de seleção:

*Pela capitalização de mercado

Uma forma de escolha de ações é pelo valor de mercado das companhias. Em geral, são divididas entre Small, Mid e Large-Caps, respectivamente pequenas, médias e grandes empresas.

Exemplo: iShares Core S&P 500 ETF (IVV) – Administrado pela Blackrock e negociado na NYSE-Arca. É outro ETF que segue o famoso índice S&P 500, composto pelas ações das 500 maiores companhias americanas, distribuídas por 25 setores.

*Pelo estilo: Crescimento ou Valor

As ações de Crescimento são aquelas de empresas que estão em fase de aumento de receita e buscando ganhar posição no mercado. Negociam a altos índices fundamentalistas, como P/L e P/VP e embutem uma forte expectativa futura. Já as ações de Valor são aquelas que seguem os princípios de Benjamin Graham, indicando companhias subavaliadas, com baixos índices de P/L, P/VP e PEG.

ETFExemplo: iShares MSCI USA Value Factor ETF (VLUE) – Administrado pela Blackrock e negociado na NYSE-Arca. É um fundo que segue o índice MSCI USA Enhanced Value e busca ações de média e alta capitalização que apresentem valuation mais atrativo.

A tabela ao lado se tornou bastante popular nos EUA. Ela combina os fatores de tamanho e estilo, onde é possível colocar uma empresa de acordo com essas características, bem como saber a composição do ETF de acordo com a distribuição delas dentro da tabela. No eixo horizontal, as empresas são divididas entre valor, misto e crescimento. No eixo vertical, são divididas entre pequenas, médias e grandes. Você pode saber mais sobre como ela é montada direto da fonte, a Morningstar.

*Por setor

Uma outra forma de selecionar empresas é pelo setor. Ao contrário do Brasil que possui número limitado de setores na Bolsa, no resto do mundo você tem acesso a obviamente todos os setores que existem. A classificação pode se aprofundar em setor, grupos de indústria, indústria e subindústria. Dentre os setores mais conhecidos estão: Consumo cíclico, Consumo não-cíclico, Energia, Financeiro, Serviços, Saúde, Industrial, Material, Imóveis, Tecnologia e Utilidade pública

Exemplo: Powershares QQQ (QQQ) – Administrado pela Invesco Powershares e negociado na Nasdaq. É um ETF de ações que segue o índice Nasdaq-100 de empresas do setor de tecnologia.

*Pelo Desenvolvimento

Essa divisão se faz em ETFs que investem em ações de diversos países. O ETF faz a escolha entre países desenvolvidos (Developed), emergentes (Emerging) e fronteiriços (Frontier)

Exemplo: Vanguard FTSE Emerging Markets (VWO) – Administrado pela Vanguard e negociado na NYSE-Arca. É um ETF composto por quase mil ações de empresas de países emergentes, como China, Taiwan, Índia, Brasil, África do Sul, México, Malásia, Rússia, etc.

*Por continentes

Obviamente a seleção se dá dentro do continente, podendo ser América do Norte, Europa, Ásia, Oceania, África, etc. Há alguns ETFs que fazem uma pequena variação nesse critério, como aqueles voltados para a América Latina, que vai desde o México até o Chile, e os da região do Pacífico, que vão desde a Coréia do Sul até a Nova Zelândia.

Exemplo: SPDR MSCI Europe UCITS ETF (ERO) – Administrado pela SPDR (State Street Global Advisors) e negociado na NYSE-Euronext. Segue o índice MSCI Europe de ações listadas no continente europeu.

*Por países

Aqui a divisão é mais estreita, com o ETF pegando um conjunto de ações representativo de um país. Aí você tem opções para todos os gostos, desde o Japão, Taiwan, Filipinas, Arábia Saudita, até Canadá, Áustria, Suécia, Alemanha, etc.

Exemplo: Vanguard FTSE Japan Index ETF (3126) – Administrado pela Vanguard e negociado na Bolsa de Hong Kong. É um ETF que segue o índice FTSE Japan de ações representativas do mercado japonês.

Formas de distribuição

*Por capitalização de mercado

É o tipo de distribuição mais comum. Nele, as maiores empresas possuem maior participação e as menores empresas possuem menos espaço. Em geral, você soma todos os valores das empresas no índice. Se todas as empresas valem 1.000 por exemplo e a companhia X vale 10, ela terá participação de 1% no índice. Isso faz com que esse tipo de seleção priorize as maiores empresas.

Exemplo: iShares Core SPI  (CHSPI) – Administrado pela Blackrock e negociado na Bolsa da Suíça. Seleciona ações representativas de todas as empresas domiciliadas na Suíça e dá peso maior para as maiores empresas, como Nestle, Novartis e Roche.

ETF*Com pesos iguais

Esse tipo de seleção pega um índice comum, mas dá pesos iguais dentro da carteira para todas as ações. Com isso não há privilégios e as empresas menores passam a ter a mesma importância das maiores.

Exemplo: Guggenheim S&P 500 Equal Weight ETF – Administrado pela Guggenheim e negociado na NYSE-Arca. Segue o índice S&P 500, mas distribui igualmente as ações na carteira, 0,2% para cada.

*Por fórmulas próprias

Aqui entram os sistemas avançados desenvolvidos pela indústria. Há inúmeras metodologias criadas com o intuito de selecionar ações de modo a superar a performance do mercado. São conhecidas de forma geral como Smart Beta. Os fatores usados para dar mais peso para algumas ações em detrimento de outras são em geral: dividendos, qualidade (usando-se análise fundamentalista), momentum (utilizando análise técnica),  baixa volatilidade, etc. O ponto negativo é que esses sistemas vem a um custo maior em relação aos sistemas tradicionais.

Exemplo: PowerShares FTSE RAFI US 1000 Portfolio (PRF) – Administrado pela Invesco e negociado na NYSE-Arca. Seleciona as 1.000 maiores empresas dos EUA baseadas em 4 critérios fundamentalistas, valor patrimonial, fluxo de caixa, vendas e dividendos e dá peso maior para aquelas ações com as melhores pontuações.

ETFs de Renda Fixa

Permite que o pequeno investidor tenha acesso ao mercado de Bonds a um custo menor. Como Bonds em geral podem ser ativos bem mais caros, com liquidez menor e são negociados fora do mercado de Bolsa, o uso de ETFs torna o investimento bem mais prático.

Existem alguns critérios fundamentais em que os ETFs se baseiam para montar uma carteira de títulos de renda fixa:

Mercado amplo

Aqui o critério é balancear os títulos de acordo com sua participação no mercado como um todo. Entram títulos de todos os tipos, com preferência para aqueles de maior volume e liquidez.

Exemplo: Schwab U.S. Aggregate Bond ETF (SCHZ) – Administrado pela Schwab e negociado na NYSE-Arca. Segue o índice mais tradicional de Bonds nos Estados Unidos, o Barclays US Aggregate Bond Index. Nesse índice entram uma gama muito variada de títulos, incluindo treasuries, títulos hipotecários, títulos longos e curtos, títulos corporativos, municipais, estaduais, etc.

Qualidade de crédito

Aqui a seleção se dá de acordo com o risco de crédito do emissor da dívida. Em geral, divide-se entre Grau de investimento (Investment Grade) e Grau Especulativo (High Yield).

Exemplo: iShares iBoxx $ Investment Grade Corporate Bond ETF (LQD) – Administrado pela Blackrock e negociado na NYSE-Arca. O ETF investe apenas em títulos de dívida de empresas que apresentam o grau de investimento.

Duration and Maturity

Aqui o foco é selecionar títulos de acordo com a sua duração e prazo de vencimento. Os títulos de vencimento mais curto são menos voláteis e mais seguros que os de vencimento longo, mantidas as demais características.

Exemplo: iShares Core 1-5 Year USD Bond ETF (ISTB) – Administrado pela Blackrock e negociado na NYSE-Arca. O ETF investe em títulos de dívida de duração curta, entre 1 e 5 anos.

ETFMoeda e País

Aqui a seleção se dá entre países emissores e a moeda na qual a dívida foi emitida. Deve-se considerar o risco do país emissor e o risco da moeda. É em geral menos arriscado, por exemplo, um título emitido em moeda forte (Dólar ou Euro) por um país emergente do que um título emitido na moeda local (Baht tailandês ou Rand sul-africano).

BMO Long Federal Bond Index ETF (ZFL) – Administrado pela BMO e negociado na bolsa de Toronto. Segue o índice FTSE TMX Canada Long Term Federal Bond. Investe em títulos emitidos pelo governo do Canadá, em dólar canadense e com prazos maiores que 10 anos.

Fundos ativos

Nos fundos ativos, existe um gestor que é responsável pela seleção, distribuição e negociação dos títulos da carteira. Sua rentabilidade depende da competência do gestor em encontrar o melhor mix dentro das regras do ETF.

Exemplo: PIMCO Enhanced Short Maturity Active ETF (MINT) – Administrado pela PIMCO e negociado na NYSE. É um fundo de renda fixa com gestão ativa, que visa otimizar a renda e o retorno total com títulos de vencimento curto (<1 ano).

#Aviso Importante#

É fundamental para o investidor entender a diferença entre Bonds e ETFs de Bonds. Como os Bonds numa carteira de ETF raramente chegam ao vencimento, o valor da carteira e da cota do ETF variam de acordo com o mercado. Esse é o principal problema dos ETFs de renda fixa. Você não tem aquela garantia de receber o seu dinheiro de volta no vencimento do título. Ao contrário da compra individual de Bonds em que, salvo calote, o emissor promete lhe devolver 100% do valor do título na data de vencimento. Suponha que você compre um Bond da empresa Y que vence daqui 3 anos. Se a sua intenção for ficar recebendo os cupons e aguardar os 3 anos para receber o dinheiro de volta, não faz diferença o valor com que este título esteja negociando no mercado, pois você sabe exatamente quando irá receber no dia do vencimento. No ETF, isso não acontece. Há exceções, que são os ETFs com data-alvo, em geral, um determinado ano no futuro.

Exemplo: Guggenheim BulletShares 2020 Corporate Bond ETF (BSCK) – Administrado pela Guggenheim e negociado na NYSE-Arca. Possui títulos corporativos com grau de investimento e vencimento no ano de 2020. Todos os Bonds serão mantido até a data de vencimento e conforme eles vencerem no decorrer do ano, serão transformados em cash ou títulos de curtíssimo prazo.  O fundo será dissolvido em 31 de dezembro de 2020 e o dinheiro devolvido aos cotistas.

ETFs de Commodities

Commodities é um outro mercado que se tornou mais facilmente acessível com o uso de ETFs. Antes desse advento, era um investimento complexo e disponível apenas para um grupo restrito de agentes e instituições.

Importante destacar que alguns fundos possuem efetivamente a commodity em estoque, como por exemplo alguns fundos de ouro, que mantêm as barras como lastro para as cotas. Entretanto, há fundos que usam derivativos, como contratos futuros para tentar seguir a variação de preço da commodity em questão. É o que já chamamos de fundo “replicativo”.

Exemplo: United States Oil Fund (USO) – Administrado pela US Commodity Funds e negociado na NYSE-Arca. É um fundo que segue os movimentos do preço do petróleo leve nos EUA através do uso de contratos futuros e de swap.

ETFs de Moedas

Em geral são fundos que procuram ganhar a diferença na relação entre duas ou mais moedas. Por exemplo, os ETFs emitidos nos EUA para moedas como Dólar Australiano, Real, Euro, Franco Suíço, Libra Esterlina, etc, ganham conforme cada uma dessas moedas valoriza-se em relação ao Dólar Americano.

Exemplo: PowerShares DB US Dollar Index Bullish Fund (UUP) – Administrado pela Invesco e negociado na NYSE-Arca. É um fundo de moedas que ganha na valorização do dólar frente a uma cesta contendo as seis outras principais moedas do mundo, o euro, o iene, o franco suiço, a libra, o dólar canadense e a coroa sueca. Para tanto, o fundo faz uso de derivativos cambiais no mercado futuro.

ETF

ETFs Alternativos

São fundos que usam técnicas das mais variadas. Alguns tentam seguir princípios usados em Hedge Funds, outros seguem tendências na análise gráfica, enquanto existem aqueles que ganham com a volatilidade ou que usam a estratégia long/short.

Exemplo: IQ Hedge Multi-Strategy Tracker ETF (QAI) – Administrado pela IndexIQ e negociado na NYSE-Arca. É um fundo que usa diversas estratégicas comuns aos Hedge Funds, como long/short, global macro, market-neutral, event-driven, arbitragem, etc.

ETFs Alavancados

São ETFs que buscam multiplicar a variação de algum índice, em geral de 2 a 3 vezes a variação diária do mesmo. São bastante arriscados e voláteis. Podem ser usados de maneira prudente e no curto prazo.

Exemplo: ProShares Ultra Dow30 (DDM) – Administrado pela Proshares e negociado na NYSE-Arca. É um fundo que busca seguir de forma diária a variação do índice Dow Jones multiplicada por 2.

ETFs Inversos

São ETFs que operam “vendidos”, ganhando com a desvalorização do índice ou ativo alvo.

Exemplo: ETFS Short Crude Oil ETF (SOIL) – Administrado pela ETFS e negociado na Bolsa de Londres. É um fundo que opera “vendido” em petróleo, ou seja, ganha com a queda do preço do barril.

ETFs Multi-Ativos

É um tipo de ETF que busca um objetivo específico através de investimento em inúmeras classes de ativos. Se o objetivo for renda, ele pode mesclar bonds com ações pagadoras de dividendos e REITs.

Exemplo: Guggenheim Multi-Asset Income ETF (CVY) – Administrado pela Guggenheim e negociado na NYSE-Arca. Segue o índice Zacks Multi-Asset Income. É um ETF voltado para renda, podendo investir em diversos setores, como ações, ADRs, REITs, Master Limited Partnerships, fundos fechados, Canadian royalty trusts e ações preferenciais.

ETFs de ETFs

Como o próprio nome diz, são ETFs que proporcionam uma alocação diversificada em ETFs de classes diferentes, proporcionando um portfolio praticamente pronto para o investidor mais “preguiçoso”.

Exemplo: SPDR Global Allocation ETF-Administrado pela State Street Global Advisors e negociado na NYSE-Arca. O fundo investe em diversos outros ETFs da empresa com diversificação em renda fixa, imóveis, ações, etc do mundo todo.

ETFs com Hedge Cambial

São ETFs de diversos tipos que em geral investem em um determinado país fora de onde é negociado e faz uso de derivativos cambiais para proteger o ETF da desvalorização cambial do país em questão.

Exemplo: WisdomTree Japan Hedged Equity Fund (DXJ) – Administrado pela WisdomTree e negociado na NYSE-Arca. É um fundo que visa seguir a variação do índice WisdomTree’s Japan Dividend, ao mesmo tempo em que faz hedge contra o iene em relação ao dólar americano, ou seja, protege o investidor da desvalorização da moeda japonesa.

Conclusão

A indústria de ETF é um mercado em constante crescimento e evolução e não há nada indicando que isso possa regredir. Os ETFs possuem características que facilitam os investimentos, tanto por parte das instituições financeiras, quanto pelos pequenos investidores. Unem sistemas avançados de seleção de ativos com custos mais baixos.

A grande vantagem na minha opinião é a economia de tempo que eles proporcionam. Por que perder horas e mais horas analisando, selecionando e acompanhando periodicamente as empresas, quando existem sistemas prontos, testados e baratos que fazem isso automaticamente pra você?

Não quer dizer que o método tradicional de escolha individual de ações esteja morto. Ambos podem conviver em harmonia na mesma carteira, com os ETFs ocupando algum espaço não acessível pelas vias tradicionais ou mesmo ocupando o papel principal.

As oportunidades de investimento brotam no mundo inteiro. Com a diversificação internacional propiciada por uma conta no exterior, associada ao uso de ETFs, você será capaz de montar uma carteira de investimentos balanceada com tudo aquilo que julgar interessante e adequado a você.

 

Bibliografia:

CFA Institute Research Foundation

iShares

Investopedia

Vanguard Group

ETF Database