Renda Fixa: tudo o que você precisa saber em 14 capítulos

Poupança, Títulos do Tesouro e CDBs são algumas das opções mais tradicionais de investimento em nosso país. Compõem uma família de investimentos conhecida como Renda Fixa. É a base que sustenta uma carteira de investimentos no Brasil e agora você irá aprender mais sobre essa modalidade financeira.

Definição e opções

O que significa a expressão Renda Fixa quando se trata de investimentos? Esse é o nome que se dá ao investimento em que já se calcula o retorno financeiro no momento da aplicação. Dois fatores principais definem esse retorno, os juros e o tempo em que o capital permanecerá investido. Pelo histórico de economia turbulenta e altas taxas de juros, a Renda Fixa é sem dúvida um dos melhores investimentos no Brasil, aliando menor risco e alto retorno.

A classificação dos títulos de Renda Fixa se divide de maneira simplista entre público e privado e entre prefixado, pós-fixado e indexados à inflação.

Os títulos prefixados, como o próprio nome indica, apresentam o índice de retorno do capital já no momento da aplicação, ou seja, você já sabe de início quanto obterá de retorno após o período de investimento. Por exemplo, uma aplicação de R$10.000,00 em CDB prefixado com juros de 15% ao ano e com prazo de um ano, pagará ao final do período R$11.500,00 brutos (desconta-se ainda nesse caso o imposto de renda).

PoupançaJá os títulos pós-fixados apresentam rentabilidade definida apenas no momento do vencimento, mas eles geralmente estão vinculados a algum indexador, que definirá o valor de retorno. Portanto, estão sujeitos a oscilações de acordo com a variação do indexador base, como, por exemplo, a taxa do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O CDI é o principal indexador da renda fixa pós-fixada no Brasil. Em geral, a taxa fica levemente abaixo da taxa Selic, aquela que é a taxa básica de juros no Brasil definida pelo Banco Central. Comumente, os títulos tem a remuneração definida em porcentagem do CDI, em geral variando entre 80 e 120%. Há casos em que o título paga a variação do CDI +x%. É uma maneira diferente de definir a rentabilidade.

Já os títulos indexados à inflação possuem componentes pré e pós-fixados que definem sua remuneração. O componente pós-fixado, no caso o índice de inflação (IGP-M ou IPCA) somado a um componente prefixado, como 1%, 3% ou 7%. Assim, o título, por exemplo, pode render IGP-M + 7%, conforme a decisão do emissor. O valor exato do rendimento só será conhecido no vencimento, pois a inflação varia de mês pra mês.

Em se tratando de impostos, os títulos sofrem tributação de acordo com o período em que ficam aplicados, conforme com a tabela abaixo:

Prazo de aplicaçãoAlíquota de IR
Menor que 6 meses22,5%
Entre 6 e 12 meses20,0%
Entre 12 e 24 meses17,5%
Acima de 24 meses15,0%

Se a aplicação for resgatada antes de 1 mês do dinheiro aplicado, há incidência adicional e regressiva de IOF, variando entre 96% para 1 dia e 3% para 29 dias. Portanto, ao investir em títulos de renda fixa, evite resgatar o dinheiro antes de 1 mês após o investimento.

Há uma gama bastante variada de títulos de Renda Fixa disponíveis para você investir. Alguns dos quais você talvez nunca tenha ouvido falar e que vão bem além da conhecida e pouco rentável poupança. Por isso, vamos tratar de várias delas. Assim, quem sabe você não se interessa por alguma dessas opções, aproveita os altos juros do Brasil e dá os primeiros passos para montar a sua carteira de investimentos em âmbito nacional?

Caderneta de poupança: saiba tudo sobre esse popular investimento

Cofrinho, latinha, porquinho, dinheiro debaixo do colchão. Muitos desses instrumentos foram e são vistos como sinônimo de poupar e de fazer uma reserva financeira para o futuro. Dentro desse raciocínio, a caderneta de poupança é hoje a aplicação financeira mais conhecida do brasileiro que decide poupar. Como é bastante acessível, tornou-se muito popular. Conheça um pouco mais sobre ela.

Como funciona

A Caderneta de Poupança é o tipo de investimento considerado tradicional e simples. Ela permite que os investidores apliquem seus recursos sem correr grandes riscos, embora eles existam.

PoupançaTradicionalmente, o rendimento da poupança sempre foi determinado pela variação da TR (Taxa Referencial) mais juros de 0,5% ao mês. Entretanto, as regras sofreram alteração em 04 de maio de 2012. Assim os depósitos realizados a partir dessa data possuem rendimento vinculado à meta da taxa Selic determinada pelo Banco Central do Brasil. Se a meta para a taxa básica de juros da economia for superior a 8,5%, vale a regra antiga. Por outro lado, se a taxa Selic for igual ou menor que 8,5%, os juros da caderneta de poupança são reduzidos para 70% da Selic mais a TR.

Abrir uma caderneta de poupança não costuma ser complicado. Basta ter uma conta em qualquer banco comercial e solicitar a aplicação ao gerente ou fazer você mesmo pelo internet banking.

Vantagens e desvantagens

Entre as principais vantagens apontadas para a caderneta de poupança estão a liquidez, pois é possível resgatar valores a qualquer momento, a segurança e baixo risco (está dentro da cobertura de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Crédito em caso de falência da instituição bancária) e a ausência de tributos, como IR (Imposto de Renda) e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Já algumas das desvantagens são a baixa rentabilidade, que por diversas ocasiões tem sido abaixo da inflação, e o fato da rentabilidade ser contabilizada a cada trinta dias. Portanto, o investidor deve ficar atento para não fazer uma retirada às vésperas de gerar remuneração. Em alguns bancos, a poupança é chamada de “multidata”, pois cada aplicação é contada à parte e remunerada na mesma data do mês em que foi depositada.

Conclusão

Em suma, é um investimento de baixo risco e baixo retorno. Pode ser usada para aplicações de curto prazo, um ou dois meses, para se acumular capital que permita atingir o mínimo necessário para investir em aplicações mais rentáveis. Também é válida para uma pequena reserva de emergência, já que a liquidez é diária. Deixar o dinheiro aplicada por 6 ou 12 meses na poupança é literalmente perder dinheiro, já que o rendimento costuma ser menor que a inflação.

Títulos Públicos (Tesouro Direto): saiba tudo sobre eles

Praticamente inacessíveis ao grande público cerca de 15 anos atrás, uma das modalidades de investimento que vem ganhando adeptos nos últimos anos no Brasil são os títulos públicos, mais conhecidos como Títulos do Tesouro. A popularização se deu com a criação do Tesouro Direto, em parceria com a BM&F Bovespa, no ano de 2002, possibilitando às pessoas físicas adquirirem os títulos diretamente do Tesouro Nacional pela internet. Antes dele, as pessoas tinham acesso a esses títulos apenas se aplicassem em fundos de investimento dos bancos.

Os Títulos Públicos são emitidos pelo Governo Federal com o objetivo de captar recursos para o financiamento da dívida pública e das atividades governamentais. Há uma grande variedade de papéis, cada um com características próprias em termos de prazos (vencimentos) e rentabilidade.

Você tem acesso ao serviço do Tesouro Direto através do próprio site, do site da corretora (apenas se ela for agente integrado) em que é cliente ou pelo banco. De qualquer forma, ao se registrar no sistema do Tesouro, o investidor deve definir qual instituição financeira deverá ficar com a custódia (cuidar) de seus títulos. Uma boa pesquisa é fundamental, pois as taxas variam de instituição para instituição. Em geral, as corretoras de valores cobram menos que os bancos de varejo. Na página do Tesouro Direto tem uma lista com todas as instituições financeiras habilitadas a operar e suas respectivas taxas. Além dela, uma outra taxa de 0,3% ao ano é cobrada de todos os investidores pela BM&F Bovespa.

Vantagens

Algumas das vantagens dos títulos do Tesouro são:

  • segurança, em termos de Brasil, pois são 100% garantidos pelo Tesouro Nacional
  • boa rentabilidade, pois são títulos com taxas bastante atrativas e baixos custos, mesmo para o pequeno investidor e não incidem os impostos semestrais (come-cotas) dos fundos de investimento
  • liquidez, pois podem ser comprados e vendidos em todos os dias úteis e o dinheiro da venda, no caso, fica disponível no dia seguinte à operação
  • acessibilidade, pois você pode começar a investir valores a partir de R$30,00
  • facilidade, pois é tudo feito pela internet em poucos passos.
  • flexibilidade, pois há títulos com taxas de rentabilidade e prazos variados, além de se poder escolher receber juros periódicos ou apenas no vencimento.

Desvantagens

Alguns dos pontos negativos:

  • dependendo da instituição de custódia, as taxas podem comprometer a rentabilidade
  • você precisa confiar que o governo irá pagar os juros prometidos. O histórico de calotes passados do Brasil nos faz ficar atentos e as contas públicas atualmente têm operado em déficit brutal.
  • se você precisar resgatar antes do vencimento algum título com componente prefixado, a rentabilidade pode ser negativa.

Conheça as opções de títulos

Os títulos disponíveis atualmente são:

  • Tesouro Prefixado (LTN): a rentabilidade neste caso é definida no momento da compra (ex. 13%).
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais (NTN-F): a rentabilidade é definida no momento da compra e com pagamento de juros semestrais.
  • Tesouro Selic (LFT): a rentabilidade pós-fixada é vinculada à variação da taxa de juros Selic.
  • Tesouro IPCA (NTN-B Principal): a rentabilidade é vinculada à variação da inflação mediada pelo IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra (ex. IPCA +6%).
  • Tesouro IPCA com juros semestrais (NTN-B): a rentabilidade é vinculada à variação da inflação mediada pelo IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra e com pagamento de juros semestrais.

Na página do Tesouro Direto, você tem ainda uma calculadora que lhe permite estimar a rentabilidade dos títulos.

Conclusão

Como você pode perceber, não faltam alternativas para você que quer experimentar mais uma opção de investimento. O Tesouro Direto é o passo seguinte para quem está acostumado apenas com a poupança e o CDB. O Tesouro Selic, único título 100% pós-fixado, é também o único que nunca renderá negativo e portanto é o mais seguro dentro do ambiente de juros altos do país. Cabe a você escolher os títulos mais adequados ao seu perfil e aos seus objetivos e montar uma carteira com uma combinação deles.

CDB (Certificado de Depósito Bancário): saiba mais sobre essa aplicação

Depois da poupança, talvez seja o investimento mais popular no país. O CDB, Certificado de Depósito Bancário, é um dos instrumentos financeiros mais tradicionais do mercado brasileiro e o título de Renda Fixa mais adquirido pelo investidor pessoa física. O papel é também uma importante fonte de captação de recursos para as instituições financeiras. Basicamente, a função de um banco é pegar dinheiro emprestado de alguns clientes e emprestar para outros a juros maiores, ficando com a diferença.

Mas o que são os CDBs?

O CDB é um título privado, emitido exclusivamente pelos bancos para captação de valores. Em outras palavras, é um empréstimo que o banco faz de seus clientes e, como em qualquer empréstimo, inclui-se uma taxa de juros na devolução da aplicação. Assim, ao comprar um CDB, você se torna credor do banco.

O investidor receberá juros no dia do vencimento do título, que podem ser pré ou pós-fixados e são definidos no momento da aplicação, assim como o prazo pelo qual o dinheiro ficará aplicado, variando de maneira geral entre 1 e 5 anos.

PoupançaO valor dos juros depende de vários fatores, principalmente da lei da oferta e da procura. Se o banco estiver precisando captar dinheiro rapidamente, provavelmente aceitará pagar uma taxa de juros maior. Caso contrário, é provável que a taxa seja menor. Outro fator é que os bancos menores costumam pagar juros maiores que os grandes bancos de varejo. São emissores com maior risco de crédito, que devem ser avaliados cuidadosamente. No final das contas, a remuneração do CDB é sempre resultado da negociação entre você e o banco. Quanto mais você barganhar, quanto maior for sua aplicação e maior o tempo de investimento, maiores as chances de você receber uma remuneração mais interessante.

CDB pré ou pós-fixado?

O CDB prefixado apresenta a rentabilidade final definida no momento da aplicação, enquanto o pós-fixado depende de um índice (o mais utilizado é a Taxa do CDI), que oscila ao longo do tempo. Para decidir entre um ou outro, vale observar os humores da economia nacional. Se houver uma tendência de queda de juros, os prefixados são mais interessantes, já que no final sua taxa por ser fixa não cai junto com o CDI. Se ao contrário, houver uma tendência de alta de juros na economia, os pós são mais interessantes, já que acompanharão este aumento.

Vantagens e desvantagens

Os CDBs contam com boas vantagens para os investidores, entre elas:

  • A possibilidade de contratação do ativo com liquidez diária
  • Segurança, pois é garantido até R$ 250 mil (valores atuais para pessoa física) em caso de quebra bancária através do Fundo Garantidor de Crédito
  • Isenções: os CDBs são isentos de taxas de corretagem e custódia
  • Cobrança do IR: essa cobrança só ocorre no momento do resgate de modo decrescente e de acordo com o tempo de aplicação, conforme a tabela vista antes.

A principal desvantagem do CDB está na possível falta de solidez da instituição financeira que o emite, pois acima do valor garantido pelo FGC o cliente não será ressarcido em eventual falência do banco.

Conclusão

Como se pôde perceber, os CDBs são bastante atraentes como aplicação no universo da renda fixa brasileira. É um componente importante dentro de uma carteira de investimentos no Brasil.

LCI (Letra de Crédito Imobiliário): renda fixa com isenção de imposto

Outra modalidade que vem ganhando espaço entre os investidores de renda fixa, a exemplo dos Títulos do Tesouro, e que tem aos poucos se tornado mais acessível a um grande público é a Letra de Crédito Imobiliário. É um investimento que você precisa conhecer.

Mas o que vem a ser esse tipo de aplicação?

A Letra de Crédito Imobiliário é um título emitido por instituições financeiras – como bancos comerciais, por exemplo – lastreado em empréstimos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária de bens imóveis. É, portanto, fonte de recursos para o setor imobiliário e está vinculada à carteira de crédito imobiliário da instituição financeira emissora.

É um tipo de aplicação que pode render por meio de taxas pré ou pós-fixadas ou atreladas a índices de inflação, como IPCA ou IGP-M.

Vantagens

A LCI é um dos instrumentos de renda fixa que têm tido bastante crescimento, por conta da isenção de Imposto de Renda. Além disso, é uma aplicação em geral de baixo risco e elegível à cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Desvantagens

A principal desvantagem desse tipo de investimento é sua falta de liquidez. O prazo mínimo de vencimento e de resgate é de 90 dias. Em geral, as LCIs são oferecidas com prazo de 1 a 3 anos, não sendo possível resgatar antes do prazo.

Uma desvantagem é o valor mínimo inicial para investir, que costuma ser a partir de R$ 30 mil, mas há bancos que oferecem o investimento a partir de R$ 1 mil. É preciso pesquisar. Outro fator importante é que a segurança da LCI depende da solidez da instituição financeira.

Conclusão

Enfim, a LCI é mais uma interessante opção de renda fixa para você avaliar. Como conta com boas vantagens, principalmente a isenção de IR, pode ser uma excelente opção dentro de um portfolio de investimentos.

Da mesma forma que o CDB, se você procura um rendimento maior, deve procurar as instituições financeiras e bancos menores. Entretanto, não esqueça de avaliar a qualidade de crédito do emissor, pois se ele quebrar, você pode perder todo seu investimento.

Letra Hipotecária – mais um tipo de aplicação isenta de imposto

A Letras Hipotecárias são títulos de dívida atrelados a créditos imobiliários garantidos por hipotecas. Elas são emitidas por instituições financeiras que buscam recursos para as linhas de crédito imobiliário, incluindo a Caixa Econômica Federal, bancos, associações de poupança e empréstimo, sociedades de crédito imobiliário e companhias hipotecárias.

Esse é um investimento cujo risco depende da solidez da instituição emissora. A Caixa Econômica Federal é a grande emissora desse tipo de título, já que é uma das instituições mais envolvidas com crédito imobiliário no país. Entretanto há outros bancos, grandes e pequenos, que também emitem esse papel.

PoupançaO rendimento das letras está atrelado a um indexador, geralmente com base na TR, acrescida de juros e determinada no momento da aplicação, mas também pode ser atrelada a índices de preço, como IPCA e IGP-M.

Vantagens e desvantagens

A maior vantagem desse título é a isenção de imposto de renda, da mesma forma que as LCIs e, assim como elas, também conta com a garantia de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por investidor.

A desvantagem desse tipo de aplicação está na questão do prazo de investimento, que deve ser de no mínimo 6 meses e no máximo 24 meses e não oferece liquidez durante a vigência do período.

Conclusão

As Letras Hipotecárias são mais uma opção de investimento dentro da gama de títulos de renda fixa associados a empréstimos imobiliários. A isenção de IR é um atrativo a mais para você investir nelas.

LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): opção de investimento isenta de imposto

A LCA é um tipo de título emitido por instituições financeiras, que podem ser privadas ou públicas, e que têm como lastro o setor de agronegócio do país, incluindo produtores rurais, cooperativas ou empresas relacionadas.

Como funciona?

A instituição bancária emite títulos que você adquire e assim se torna credor do banco. O banco então utiliza esses recursos para investir no agronegócio brasileiro. A LCA possui bastante semelhança com a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), por exemplo, pode ser pré ou pós-fixada e conta com a atraente vantagem de ser isenta do Imposto de Renda. Assim como a LCI também conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil, o que lhe garante a segurança de preservar o investimento em caso de quebra da instituição.

Pontos a observar

As grandes desvantagens desse tipo de aplicação ficam por conta do valor do aporte, que costuma ser alto, em geral R$ 30 mil e o fato de que não possui liquidez antes do vencimento, pois o prazo mínimo de investimento é de 90 dias. A partir daí, algumas instituições como o Banco do Brasil oferecem liquidez diária, mas é exceção. No geral, deve-se aguardar a data de vencimento.

Conclusão

É um tipo de investimento que está relacionado com o ponto mais forte da economia brasileira, que é o agronegócio. Entretanto, mesmo este setor está sujeito a crises. No caso das LCAs, o risco é o da instituição financeira emissora e não de quem receberá os recursos na outra ponta. Portanto deve-se avaliar a solidez da instituição e procurar a rentabilidade e prazo que mais lhe agradem.

LF (Letra Financeira): mais uma forma de diversificação

As Letras Financeiras são mais uma opção de investimento em Renda Fixa disponível no país. Emitidas por instituições financeiras para captação de recursos e com o objetivo de alongar e equilibrar a dívida dos bancos, passaram a se tornar mais atraentes para os investidores graças a mudanças ocorridas em suas características. Confira as novas vantagens desse tipo de aplicação:

Mudanças positivas

As Letras Financeiras contam com uma boa rentabilidade, pois a partir de 2010 os bancos deixaram de ter que recolher os 32% de depósito compulsório sobre essas aplicações, como nos CDBs. Com a queda dessa obrigatoriedade os bancos ganharam maior fôlego para melhorar a remuneração desses títulos, o que obviamente é um estímulo para sua emissão.

Boa rentabilidade

Por outro lado, as Letras não contam com aspectos positivos de outros títulos, como o fato de não serem tão acessíveis como muitos gostariam. Muito disso se deve ao fato de que o aporte mínimo inicial é bem alto, R$ 300 mil, o que definitivamente tira essa possibilidade do horizonte do pequeno investidor. Além disso, o prazo mínimo de aplicação é de 24 meses (sem possibilidade de resgate total ou parcial antes do prazo), o que significa falta de liquidez. Outro ponto negativo é que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Apesar de todos esses aspectos, vale lembrar que as Letras Financeiras são uma opção interessante para quem conta com um razoável capital e não tem necessidade imediata de utilizá-lo, já que apresentam uma rentabilidade acima das demais opções do segmento. Se esse for o seu perfil, vale a pena avaliar.

LC (Letra de Câmbio): uma opção atraente de retorno

Muito conhecida em décadas passadas, a Letra de Câmbio tem voltado a figurar no mercado financeiro como uma opção atraente de investimento. Como diversas outras aplicações, ela é utilizada como forma de captação de recursos no mercado, que serão utilizados principalmente para empréstimos aos clientes da instituição financeira.

A grande diferença das Letras de Câmbio para outros títulos é que são emitidas apenas pelas Financeiras, que são sociedades de crédito, investimento e financiamento. Hoje em dia, assim como diversos títulos, essa aplicação conta com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de R$ 250 mil.

Por outro lado, por ser emitida por empresas de pequeno porte, a Letra de Câmbio costuma oferecer retorno mais atraente, em geral mais alto que os CDBs, com o objetivo de captar mais recursos. A rentabilidade pode ser pré ou pós-fixada. Entretanto, não costumam contar com liquidez diária, sendo necessário aguardar o vencimento. Há alguns bancos que oferecem a opção de liquidez diária, mas a rentabilidade será menor. A aplicação mínima pode ser um pequeno obstáculo, já que é de R$ 10 mil.

Conclusão

A grande atenção que se deve ter é com a solidez da instituição emissora do papel, já que esse título costuma ser emitido por empresas de menor porte, mais vulneráveis às oscilações da economia. A garantia do FGC tornou a aplicação mais segura.

Enfim, essa é uma opção que costuma ter boa rentabilidade e que se tomados os devidos cuidados, pode ser melhorar o retorno de sua carteira de investimentos.

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários): retorno atraente com isenção de imposto

Os CRIs são títulos de crédito lastreados por transações imobiliárias e emitidos apenas por securitizadoras e estão entre as mais atraentes possibilidades de investimento em renda fixa. É outro tipo de investimento que tem caído no gosto dos investidores e crescido exponencialmente na última década. Veja suas principais características:

O investimento

A aplicação em CRI pode ser bastante lucrativa, já que costumam oferecer uma rentabilidade diferenciada e ainda contam com isenção de Imposto de Renda para pessoa física. Suas taxas podem ser prefixadas, flutuantes (DI, Selic), associadas a TR, TJLP ou índice de preços e costumam de maneira geral pagar acima do CDI. Além disso, podem pagar juros mensais, semestrais ou anuais de acordo com as características do título, o que ajuda aqueles que desejam receber uma renda periódica.

PoupançaPor outro lado, é um tipo de investimento que exige cuidados. Como sua remuneração é originária do pagamento de créditos imobiliários, ele pode perder rentabilidade se essas dívidas não forem pagas. Por exemplo, suponha que uma grande parcela de compradores de imóveis não tenha condições de honrar o pagamento dos seus contrato. Essa inadimplência vai afetar a rentabilidade dos CRIs. Se isso acontecer, a instituição financeira responsável pelo CRI terá que executar as garantias (que estão presentes neste investimento). Em último caso, até a tomada do imóvel para posterior venda é possível, visando não haver prejuízo para investidores.

Os CRIs podem estar lastreados por créditos imobiliários voltados tanto para as pessoas físicas, quanto para empresas. No caso dos imóveis residenciais o risco é distribuído entre vários devedores e no caso do corporativo, é necessário saber o risco de crédito do devedor.

Os CRIs lastreados em créditos residenciais possuem algumas características internas importantes:

  • Valor total da carteira.
  • Saldo devedor médio dos contratos.
  • Valor de avaliação médio dos imóveis.
  • Prazo médio e máximo dos contratos.
  • LTV (Loan to Value) ponderado, que significa quanto do valor do imóvel foi comprado usando o financiamento, medido em porcentagem. Quanto menor, melhor.
  • Duração (Duration), que é o prazo médio de pagamento de cada parcela do crédito imobiliário ponderado pelo valor presente de tais parcelas, medido em meses.
  • Quantidade de contratos.

Outra característica importante a ser avaliada é a questão da subordinação. Algumas emissões de CRI contam com duas classes de títulos, uma sênior e uma júnior. A sênior paga uma remuneração menor e a júnior uma remuneração maior. Essa remuneração maior vem às custas de um risco também maior. Nesse caso, o risco é que a remuneração dos títulos sêniores é paga primeiro, ou seja, em caso de inadimplência ou problemas no fluxo de pagamento, quem sofre primeiro são as cotas júniores. É comum as instituições financeiras venderem apenas as cotas sêniores a mercado e manterem as cotas júniores para si, o que é um fator de proteção a mais para o investidor comum.

Limitações

É um título que possui valores mínimos iniciais altos. Em geral o título custa no mínimo R$ 300 mil na data da emisão, estando disponível apenas para o chamado “investidor qualificado”, o que acaba por si só restringindo o perfil dos investidores. Há exceções, com CRIs sendo lançados a por exemplo R$50 ou 100 mil. Outra desvantagem é que o título costuma ser de longuíssimo prazo, acima de 10, 20 ou 30 anos dependendo dos prazos dos financiamentos imobiliários que compõem sua carteira. Apesar disso, mesmo com liquidez reduzida,  é um título que pode ser vendido no mercado secundário.

Conclusão

O CRI é uma aplicação atraente financeiramente e que você deve estudar com cuidado, pois as características e os riscos devem ser entendidos. Para aqueles que possuem o perfil exigido é um investimento que pode trazer grande retorno no futuro.

Debêntures – uma rentabilidade extra na Renda Fixa

Aplicação de Renda Fixa e fonte de captação de recursos que financiam projetos de empresas, como capital de giro ou novas instalações, as debêntures são títulos emitidos por sociedade por ações, que podem ser de capital aberto ou fechado. No caso de oferta pública, no entanto, elas só podem ser emitidas por sociedades de capital aberto inscritas na CVM (Comissão de Valores Imobiliários).

No Brasil, os maiores compradores de debêntures são os chamados investidores institucionais, que são os grandes bancos e fundos de pensão, além dos investidores estrangeiros. Com a popularização recente, os investidores “pessoa física” também estão entrando mais nesse mercado.

Características

Quem compra uma debênture se torna debenturista. Torna-se assim um credor da companhia e passará a ser remunerado com juros dentro das condições que constam no prospecto de distribuição (material que apresenta todas as informações sobre a debênture, como prazo de vencimento, valor nominal, tipo de cálculo de juros, indexador etc.). Os indexadores mais comuns são o CDI e o IPCA.

Quanto aos tipos de garantias, as debêntures podem ou não possuir. Se possuírem, podem ser:

  • Garantia Real: envolve o comprometimento de bens e direitos que não poderão ser negociados sem a aprovação dos debenturistas.
  • Garantia Flutuante: assegura privilégios sobre ativo da empresa emissora, mas não impede sua negociação.

Em relação ao formato as debêntures podem ser:

  • Nominativas: a empresa emite as debêntures em nome do investidor e faz o registro e controle de transferências em livro próprio.
  • Escriturais: são mantidas em custódia, em nome do investidor, em uma instituição financeira autorizada pela CVM, que se responsabiliza pelo registro e transferências do título.

Quanto ao tipo de crédito no momento do vencimento elas são encontradas em três modalidades:

  • Simples: quando ocorre o resgate em moeda corrente.
  • Permutáveis: quando o investidor aceita receber como retorno do investimento ativos ou ações da empresa.
  • Conversíveis: quando o valor do resgate é transformado em ações, condição previamente definida na escritura de emissão.

Quem pode investir?

A princípio qualquer pessoa pode investir em debêntures. O fator limitante fica por conta do valor de cada debênture, já que é possível encontrar títulos que vão desde R$1.000 a R$ 100 mil.

PoupançaAs vantagens para você ficam por conta principalmente da definição prévia da rentabilidade até vencimento, do fato de que costumam render mais do que outras aplicações, como CDBs, e de contarem com liquidez, mesmo que pequena, já que podem ser negociadas antes do vencimento no mercado de renda fixa da BM&F Bovespa.

Os pontos negativos estão na não cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), ou seja, sem ajuda em caso da empresa não honrar com a dívida, no risco de mercado caso você opte por vender suas debêntures antes do vencimento (como a liquidez é baixa e os spreads são altos, há um grande risco de vender a debênture a valor abaixo do valor dela corrigido pela variação dos juros) e risco de iliquidez (pode acontecer de não haver comprador, caso você precise vender a debênture).

Debêntures incentivadas

Em 2011, uma lei federal visando financiar projetos de infra-estrutura no país, criou uma nova categoria de debêntures, chamadas debêntures incentivadas. A grande vantagem desse investimento é que não há incidência do imposto de renda. Para uma debênture ser enquadrada nesta regra e contar com a isenção ela deve:

  • Remunerar a taxa de juros pré-fixada, indexada a índice de preço ou a TR
  • Não pode ser aplicada taxa pós-fixada total ou parcial
  • Prazo médio superior a 4 anos
  • Proibida recompra pela empresa nos 2 primeiros anos
  • Intervalo de pagamentos periódicos, se presente, de pelo menos 180 dias.
  • Alocação de recursos em projetos de infra-estrutura

Em geral, as debêntures incentivadas vêm sendo lançadas a valores unitários de R$ 1 mil, tornando-as bem acessíveis ao pequeno investidor. Quando do lançamento, as empresas escolhem uma janela de remuneração em geral associada a um prêmio variável sobre as NTN-Bs (Tesouro IPCA). Em seguida passam por um processo de bookbuilding, onde os investidores escolhem quantas debêntures querem e a que valor de bônus sobre os títulos do Tesouro. Calcula-se então a remuneração das debêntures e se você optar por uma remuneração igual ou menor que o definido, você recebe as debêntures. Se você pedir remuneração acima do que foi calculado, não recebe o papel.

Conclusão

Enfim, esse é um investimento para quem quer se arriscar um pouco mais, mas que também promete um bom retorno financeiro. Importante se atentar à qualidade da empresa emissora, bem como investir uma quantia que pode permanecer até o dia do vencimento.

DPGE (Depósito a prazo com garantia especial): uma garantia a mais na Renda Fixa

DPGE é um título de renda fixa, que assim como o CDB, é emitido por instituições financeiras, como bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimento e sociedades de crédito, em geral de pequeno e médio porte. Desta forma, o investidor se torna um credor do banco, com direito a receber o valor corrigido a juros no vencimento.

Rentabilidade

A rentabilidade pode ser pré ou pós-fixada ou vinculada a índice de preços. O mais comum é o título ser atrelado ao CDI.

O prazo para vencimento é de no mínimo 6 meses e de no máximo 3 anos. Não é possível resgatar antes. Você somente deve investir recursos de que não precisará com urgência. O valor mínimo para investir varia de banco para banco e alíquota do IR é a mesma das demais aplicações de renda fixa.

Segurança

A grande vantagem do DPGE é que uma resolução de 2012 colocou este investimento dentro da garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mas com uma valor de cobertura de R$ 20 milhões, ao contrário dos R$ 250 mil das demais aplicações. Com isso, os bancos médios e pequenos adquiriram uma garantia maior para captar recursos junto aos grandes investidores e investidores institucionais.

Conclusão

É uma aplicação bastante interessante para investidores que desejem investir acima do teto de R$ 250 mil do FGC em um único produto, pois conta com a cobertura adicional. Com ele, é possível investir grandes quantias em instituições menores pagando remuneração acima do Tesouro Direto, contanto ainda com o suporte do FGC em caso de problemas com o emissor.

COE (Certificado de operações estruturadas)

Título recém-chegado ao mercado brasileiro e emitido por bancos, o COE (Certificado de Operações Estruturadas) apresenta a oportunidade de você aplicar usando estratégias mais avançadas e de difícil elaboração para o investidor comum. É um produto híbrido, mescla ativos de renda fixa com derivativos de renda variável, simplificando tudo em um único produto, com uma data fixa de vencimento e uma única tributação.

O COE é conhecido como uma versão brasileira das notas estruturadas utilizadas com frequência nos Estados Unidos e Europa e é bastante flexível quanto à composição da carteira e valores para investimento. Em geral, é possível escolher entre duas modalidades de aplicação:

  • Valor nominal protegido: com garantia do valor principal investido.
  • Valor nominal em risco: em que há possibilidade de perda parcial do capital investido.

Suas principais características são possibilidade de proteger o valor investido, indexação aos mais variados ativos (ações nacionais e internacionais, índices de preços, commodities, taxas de câmbio e de juros, dentre outros), tributação única (segue a tabela de Imposto de Renda) e adequação ao perfil de risco do investidor.

Cuidados

Poupança

Ao se investir em COE, você deve estar atento às regras, pois de acordo com a variação de preços dos ativos-alvos é que a rentabilidade ao final do investimento será definida. Também deve conhecer os ativos que o compõem para entender os riscos.

A grande desvantagem é que ele não conta com a segurança do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Sendo assim mesmo que você opte pela modalidade de valor nominal protegido, você pode perder seus recursos caso haja quebra da instituição financeira. Além disso, COE não pode ser resgatado antes da data de vencimento.

Sua emissão é determinada pela equipe análise do banco que avalia os cenários econômicos e os ativos que podem criar um investimento interessante para os clientes. Os COEs são criados com certa frequência por alguns bancos e as fases de captação de recursos são predeterminadas, ou seja, você não pode investir neste produto a qualquer momento, apenas quando o banco estiver captando recursos para um novo lançamento.

Conclusão

A principal atenção que se deve ter com COE é saber exatamente como ele funcionará. As regras e as possibilidades de variação no preço dos ativos é que ditarão a rentabilidade ao final do período. Sem dúvida, é uma aplicação para pessoas físicas ou jurídicas de perfil de moderado a arrojado e que tenham certo conhecimento do mercado financeiro.

FGC (Fundo Garantidor de Crédito): o anjo da guarda do seu investimento

Quando se fala em aplicações financeiras no Brasil, é muito comum surgir menção à sigla FGC, um tipo de seguro para investimentos financeiros no país. Essa sigla é a denominação de uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um sistema de proteção aos investidores contra as instituições financeiras em caso de intervenção, liquidação ou falência das mesmas.

Ela é mantida por seus associados, que são as próprias instituições financeiras. Elas têm a obrigação, de acordo com o Banco Central, de manter uma contribuição que irá dar suporte ao cliente em caso de dificuldades com essas mesmas instituições.

O Fundo foi criado em 1995 por conta de uma preocupação justificável de autoridades e investidores, que viram em vários momentos no país seus recursos perdidos por conta de falência de bancos e financeiras.

Como funciona

Em casos de intervenção ou falência de uma determinada instituição financeira, o Fundo é acionado para realizar o pagamento ao investidor que mantinha conta ou investimentos nela. Hoje em dia o valor da garantia está em no máximo R$ 250 mil por CPF/CPNJ por instituição. Assim, se você possui R$ 500 mil, por exemplo, divididos igualmente em dois bancos diferentes tem direito a receber R$ 500 mil. Se possuir esse valor em apenas um banco, em caso de quebra, receberá apenas R$ 250 mil. Por isso a divisão de investimentos desse porte em mais de um banco é prudente. Há ainda a questão da conta conjunta. Recomenda-se investimentos separados se ultrapassarem R$ 250 mil, pois conta conjunta vale como se fosse um único CPF.

Outro cuidado importante é se a aplicação for feita por meio de corretora, deve-se observar se ela registra as operações em nome do cliente na Cetip (Central de Custódia e Liquidação de Títulos). Caso contrário você pode ter dificuldades para ser reconhecido como investidor e seus valores demorarem mais tempo para serem devolvidos. Aliás, a restituição não acontece imediatamente. Ela pode levar de algumas semanas a vários meses para chegar a você.

Conclusão

Então, se você está buscando segurança, vale verificar se tanto a instituição financeira, quanto a aplicação escolhida é garantida por esse fundo. Como vimos, muitos investimentos são, entre os quais a poupança, CDB, Letras de Crédito Imobiliário, etc.

Investir em algo que conte com a garantia do FGC pode lhe poupar um tremendo prejuízo se algum evento inesperado acontecer.