Notas de Euro

Como a diversificação internacional o protege das variações cambiais

Possuir contas em diversas moedas não é a única maneira de estar diversificado entre elas. Há outras formas.

A primeira é comprar ações de empresas que possuem presença e receitas em diversos países do mundo. O McDonald’s possui mais de 35.000 restaurantes em 119 países. A gigante dos cosméticos L’Oréal está presente em 130 países de 5 continentes. Os produtos da farmacêutica suíça Novartis são comercializados em mais de 140 países. E a Coca-Cola vende suas bebidas em mais de 200 países.

Garrafas de Coca-ColaDesta forma, mesmo que a Coca-Cola declare seus lucros em Dólar e a L’Oréal em Euro, o lucro dessas empresas vem de praticamente todos os cantos do mundo. Não só é relevante em termos de reduzir a sensibilidade para o valor de uma única moeda, como também ajuda a diversificar riscos entres os próprios países. Enquanto um país pode estar em crise, outro pode estar vivendo um bom momento. Por outro lado se uma empresa está presente em apenas um país e ocorre uma desvalorização cambial ou uma estagnação da economia, todo o resultado da empresa pode ser prejudicado.

A outra maneira é através da compra de ETFs, ou Exchange Traded Funds, que são fundos cujas cotas são negociadas em bolsa (e não resgatadas como nos fundos tradicionais), sendo que cada fundo possui uma composição, seja de ações ou títulos de renda fixa, própria. O primeiro e maior exemplo é o Vanguard Total World Stock, ticker VT. É um ETF composto por 6632 ações de empresas do mundo todo, investindo desde em fabricante de aviões americana até em empresa de jogos eletrônicos japonesa. Por mais que o valor líquido da cota seja em dólar, ele reflete a conversão do valor original de cada ação para a moeda americana.

Existem ainda os ETFs setorais, como aqueles que investem apenas em países desenvolvidos, que é o caso do iShares Core MSCI EAFE ETF, ‘ticker’ IEFA, que investe apenas em ações de empresas dos países desenvolvidos, e o iShares Core MSCI Emerging Markets ETF, ‘ticker’ IEMG, que investe apenas em empresas de países emergentes.

Produtos da L'Oreal

São poucos os casos de empresas listadas na Bovespa, cujas receitas venham de diversos países em diversas moedas. Os casos mais emblemáticos são da Embraer (EMBR3), da BR Foods (BRFS3), da JBS (JBSS3) e da Suzano (SUZB5), Fibria (FIBR3), cujas exportações são negociadas em dólar e da Gerdau (GGBR3) que possui fábricas no exterior. Entretanto, nada que chegue perto do alcance do McDonald´s e da Coca-Cola por exemplo.

Em relação aos ETFs de renda fixa, podemos citar o Vanguard Total International Bond Index ETF, ticker BNDX, que investe em títulos de dívida em países fora dos Estados Unidos.

Portanto, para um investidor que possua ativos e receitas em diferentes moedas, as variações cambiais do dia a dia passam a se tornar irrelevantes e aqueles gastos em uma viagem para a Europa ou Estados Unidos poderão ser pagos com os dividendos e juros recebidos nas respectivas moedas, sem necessidade de conversão.

 

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Este post tem 4 comentários

  1. Avatar

    Caro Investidor Internacional. Bom dia! Graças às postagens realizadas em seu blog, acredito ter achado um meio valioso para entendimento de investimentos fora do Brasil. Como o material é extenso, voce permite que os leitores Salvem em Favoritos, os artigos que nos interessem? Lí seu Aviso (ao lado) e vejo que há restrições. Como sou um leitor à moda antiga, gosto de ler folheando os artigos escolhidos. Para uso pessoal e anotações, além de fundamentos, posso tirar cópias? Agradeço sua resposta.

  2. Avatar

    Muito bons mesmo, verdadeiramente esclarecedores seus artigos. Parabéns.

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