Risco Político

Risco Político

Um dos maiores problemas que você e seus investimentos irão enfrentar são os políticos

“Lembre-se, o seu governo considera você uma vaca leiteira. E a história tem-nos mostrado que, se for preciso, eles o transformarão em bife também.” -Doug Casey
Hoje em dia o maior risco que o investidor corre não é o risco de mercado (variação de preço das ações e títulos), mas sim o risco político. Enquanto em muitos países desenvolvidos, particularmente os da Europa Ocidental e os Estados Unidos, o problema está na enorme dívida que esses governos carregam, nos países emergentes, como o Brasil, o risco está na insegurança política e jurídica internas.

De que adianta o investidor fazer o dever de casa, trabalhar, poupar, investir, se num piscar de olhos o governo pode tomar uma medida que pode por tudo a perder?

Já vimos esse filme antes. Muitos se lembram do plano Collor, que em março de 1990, um dia depois da posse, como tentativa de conter a inflação, anunciou o bloqueio de todas as aplicações financeiras acima de 50 mil cruzados novos. Para quem tinha dinheiro aplicado na poupança, o efeito foi cruel, já que os valores excedentes foram congelados por 18 meses e ao final do período receberiam uma remuneração menor. As pessoas não tinham como honrar compromissos financeiros. As empresas não tinham de onde tirar o dinheiro para pagar fornecedores e funcionários. A indignação foi geral. Casos de infarto e suicídio foram registrados. A economia parou.

Mas nem só de confiscos de aplicações financeiras vive um governo endividado e mal gerido. Há diversas outras formas de tirar o dinheiro dos cidadãos.

A forma mais velada é através de inflação, que nada mais é do que o aumento na quantidade de moeda circulante, cuja consequência é a elevação de preços. Para cada nova nota impressa na Casa da Moeda, a nota que fica no seu bolso vale menos.

O governo também pode criar ou aumentar impostos. E não tenha dúvida, ele sempre vai arrumar uma justificativa nobre para essas elevações, seja melhorar o sistema de saúde, corrigir alguma injustiça social ou mesmo para o ‘bem comum’.

Faça os ricos pagaremEle pode também optar por controles de capital. São medidas que visam a limitar a entrada e saída de dinheiro em um país. Alguns tipos de controle incluem limitação das operações de câmbio, imposição de regra para maior permanência de investimentos estrangeiros no país, limitação de quanto um cidadão pode gastar em compras no exterior, etc.

Existe ainda o sempre lembrado “imposto sobre as grandes fortunas”, que consta no atigo 153 da Constituição Federal, mas que nunca foi implementado aqui. Em se tratando de Brasil, onde para uma família estar na classe média, é necessária uma renda per capita entre R$ 291,00 e R$1019,00 por mês (dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República), você pode acabar sendo inserido na categoria grandes fortunas, mesmo que ainda precise fazer hora extra para fechar as contas no final do mês.

Há ainda inúmeros exemplos de outros países que adotaram medidas de controle sobre o dinheiro de seus cidadãos. A Argentina é emblemática nesse sentido. Em 2001, o “corralito” imposto pelo governo bloqueou os depósitos e limitou a retirada de fundos. Foi a gota d´água para os panelaços. Em 2008, houve a nacionalização dos sistemas de previdência privadas. Mais recentemente, em 2013, o governo adotou uma nova medida, começou a taxar em 35% as compras em dólar nos cartões de crédito.

Crise ArgentinaEm Portugal e na Hungria houve a nacionalização dos fundos de pensão em 2010. Na Espanha, agora em 2014, foi adotado um imposto sobre todos os depósitos financeiros.

Mesmo os Estados Unidos não possuem mais os requisitos necessários para se tornar um porto seguro financeiro. Uma dívida atual de 17 trilhões de dólares, histórico de confisco de ouro dos cidadãos na década de 30 e a decisão no governo Nixon de abolir a conversibilidade do dólar em ouro em 1971, os Estados Unidos abriram perigosos precedentes para expropriação da poupança dos cidadãos.

Até os depósitos de estrangeiros não estão seguros. O Chipre, membro da zona do Euro, para resolver a insolvência bancária confiscou parcialmente todos os depósitos bancários, independente da nacionalidade do dono. Isso ocorreu mesmo havendo garantia para depósitos de até 100.000,00.

Voltando ao Brasil de hoje, vemos um país com déficit nas contas e usando de manobras fiscais e mudanças nas leis para maquiar a irresponsabilidade. A economia cresce de maneira pífia e a insegurança é grande, o que inibe os investimentos. A tendência é o déficit se aprofundar. Não é preciso muito esforço para chegar a conclusão de que quem vai pagar a conta é povo, como foi mostrado em todos os casos já mencionados. Já se fala em forte aumento de impostos para 2015.

Crise Financeira no ChipreAo mesmo tempo, podemos observar que o saldo total de contas poupança no Brasil é da ordem de R$ 653,7 bilhões (novembro-2014) e das contas de previdência privada de R$ 406,8 bilhões (agosto-2014). Se as medidas tomadas não forem suficientes, existe mais de 1 trilhão de reais a uma canetada de distância.

A maneira mais eficiente de proteger o seu patrimônio financeiro é mantê-lo bem longe de banqueiros incompetentes e governos endividados e sem escrúpulos. Existem muitos países com baixo endividamento e alta solidez bancária, como a Suíça, Luxemburgo, Liechtenstein, Hong Kong, Cingapura e Austrália, bem como países menores como Ilhas Cayman, Panamá, Belize, Ilhas Virgens Britânicas, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Nevis, Ilha de Man, Ilhas Canal, Ilhas Maurício e Ilhas Seychelles.

A internacionalização de sua conta bancária é a maneira preventiva eficiente para evitar a tragédia que prejudicou milhões de cidadãos, tanto no Brasil, quanto no exterior. É impossível saber quando uma medida governamental poderá subitamente jogar por terra anos e anos de poupança e investimento. Melhor estar anos adiantado do que um dia atrasado.

Mapa do risco político mundial
Mapa do risco político mundial. Clique para ampliar.

 

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Este post tem 20 comentários

  1. Avatar

    Internacional

    Muito interessante esse post. Da medo o vídeo do Collor. Vc cita alguns países como porto seguro para o deposito de dinheiro mas nesses países, a exceção da Suíça, não dá para fazer trade na NYSE, concorda?

    Vc tem conta offShore? Vc diria onde é?

    Alguns citados podem até servir como um destino de transição para a aposentadoria. Please help me

    1. Investidor Internacional

      Existem corretoras em diversos países que te permitem acessar várias bolsas pelo mundo. Depende mais da plataforma que a corretora usa do que do país onde ela esteja.

      Em breve, haverá posts sobre bancos e corretoras estrangeiras.

      Abçs!

  2. Avatar

    Olá, gostei do artigo. Para quem está começando agora são dicas muito importantes. Sucesso!

  3. Avatar

    Olá II,

    Você poderia me explicar a relação entre a abolição da conversibilidade dólar/ouro em 1971 e o perigo de uma expropriação da poupança nos EUA?

    “Mesmo os Estados Unidos não possuem mais os requisitos necessários para se tornar um porto seguro financeiro. Uma dívida atual de 17 trilhões de dólares, histórico de confisco de ouro dos cidadãos na década de 30 e a decisão no governo Nixon de abolir a conversibilidade do dólar em ouro em 1971, os Estados Unidos abriram perigosos precendentes para expropriação da poupança dos cidadãos.”

    1. Investidor Internacional

      Olá,

      Sim, claro. Na década de 30, uma das medidas do governo Roosevelt foi proibir a posse e a comercialização do ouro pelos cidadãos americanos. Lá é muito comum usar o ouro como reserva de valor, além disso na época todo dólar era lastreado em ouro. Não só isso. Também forçou os cidadãos a venderem o ouro ao valor de 20 dólares a onça. Depois que as reservas do governo se encheram, o governo tabelou o preço do ouro em 35 dólares a onça. Concluindo, tomou o ouro dos cidadão em troca de dólar e depois desvalorizou o dólar em 75%.

      Em 1971, o padrão-ouro foi definitivamente abolido. E o que acontece quando uma moeda não tem lastro em nada físico (que são na verdade TODAS as moedas de hoje em dia, com uma parcial exceção ao Franco Suíço)? O governo pode agora imprimir moeda de maneira infinita. E quanto mais dinheiro ele imprimir, menos esse dinheiro irá valer. É o que chamamos de inflação. Uma forma velada de confisco. A cada nota que sai da impressora do banco central e cai no mercado faz a que está no seu bolso valer menos. É o que está acontecendo hoje no Brasil.

      Abçs!

  4. Avatar

    Olá Investidor

    O que vc acha de usar o ouro como reserva de valor em caso de crises?
    Já vi muita gente dizendo que é besteira fazer isso…
    Mas se for uma boa ideia, qual seria a melhor opção, estocar ouro físico em casa ou comprar em papel?

    1. Investidor Internacional

      Olá Arthur,

      Ouro é visto como reserva de valor não só em épocas de crise.

      Serve para nos proteger da inflação e perda de valor das moedas.

      O colapso do Real que estamos assistindo fez o preço do ouro disparar no Brasil.

      No Brasil, é possível comprar um certificado na BMF, código OZ1D. Vale por 250g do metal.

      Como a negociação do metal físico (moedas e barras) aqui é custosa, esse método é o que tem a melhor liquidez e os menores custos.

      Abçs!

  5. Avatar

    Obrigado pela resposta.

    E quanto ao bitcoin?
    Ouço muito um vlogger chamado Dâniel Fraga falar dela. O que acha?

  6. Avatar

    Boa noite II,
    parabéns pelo trabalho. Estou buscando minha internacionalização, mas até então só vinha lendo fontes estrangeiras.
    Muito bom saber que existe pelo menos uma fonte que sabe exatamente como funciona o cenário brasileiro, ficando mais fácil adequar uma estratégia a nossa realidade.
    Continue assim!!

  7. Avatar

    Iniciando minha leitura
    Como conheço sua origem e seu desempenho, posso testemunhar a confiança que tenho nos seus estudos e suas avaliações

  8. Avatar

    Parabéns pelos artigos de alto nível de acurácia, relevância e conhecimento. Estou considerando todas as variáveis para internacionalizar meu portfólio de investimentos e seu site tem sido de valor inestimável para a implementação desta decisão.
    Grande abraço e parabéns, novamente, pelo conteúdo ímpar e de qualidade invejável.

  9. Avatar

    Olà Investidor Internacional,
    Daqui subescrevo apartir de Angola,
    trabalho no sector de Oil and Gas para uma empresa Francesa e estou buscando e trabalhando todos os dias para ter a minha liberdade financeira e estou a me preparar para investir Internacionalmente visto que começei a dar os primeiros passos na obtençao da minha conta bancaria em Portugal e Espanha. Por isso quero aprender mais e mais sobre investimentos internacionais bem como investir na Bolsa de valor. Em Angola nao hà muita diferença com o que acabaste de citar sobre o Brasil apesar de que Angola estar abaixo do Brasil em varios sectores. Porém, o que me interessa mesmo è a internacionalizaçao de Investimentos e a alocaçao do meu patrimonio liquido no exterior. Estou ancioso por saber que posso contar com a ajuda de um site como este.
    BEM HAJA
    CORDIALMENTE,,,,,

    1. Investidor Internacional

      Olá Taison,

      Obrigado pelas palavras.

      Internacionalizar é importante tanto para brasileiros, como angolanos e portugueses.

      Abçs!

  10. Avatar

    Ótima matéria, principalmente para quem está começando, há algum meio de investimento pequeno nesses paraísos.

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