Liberdade Econômica

A liberdade como pilar básico para o desenvolvimento e prosperidade de um país

Há 20 anos, a Fundação Heritage publica seu ranking de liberdade econômica. De lá pra cá muita coisa mudou. Países antes tidos como centros de excelência em liberdade vêm caindo, como é o caso dos Estados Unidos, e outros antes fechados sob a cortina de ferro, como a Estônia, vem mostrando constante evolução. Mas uma coisa é certa: quanto mais um país se abre ao capital, à competição e estimula seus habitantes a produzir e a desenvolver o que eles têm de melhor, mais próspera a nação se torna.

E não se trata apenas de liberdade econômica, mas também de liberdade política, religiosa e pessoal. Nos países em que a população foi exposta a todo esse espectro, a redução da miséria e da fome e a melhora no padrão de vida foram bastante significativas.

O ranking também mostra que o grande motor do desenvolvimento está nas pessoas e nas liberdades individuais em oposição ao cada vez maior intervencionismo estatal. Não existe nenhuma política pública ou ação do governo que tenha tanto impacto positivo para o bem-estar de uma sociedade do que a promoção da liberdade.

A lista dos 10 países mais livres do mundo já nos dá uma amostra do que a liberdade é capaz. Hong Kong, Cingapura, Austrália, Suíça, Nova Zelândia, Canadá, Chile, Ilhas Maurício, Irlanda e Dinamarca. Esses países demonstram imenso compromisso com o respeito às leis, a limitação do governo, o livre mercado, a eficiência regulatória e os direitos de propriedade.

O gráfico abaixo mostra a relação exponencial entre a liberdade econômica e o PIB per capita.

Liberdade Econômica

Há também uma clara relação positiva entre alto índice de liberdade econômica com maior renda da população, melhores condições de alimentação, saúde, educação, segurança e elevada expectativa de vida .

É notável ainda o quanto a liberdade econômica tem desenvolvido o empreendedorismo e a inovação, contribuindo para a geração e distribuição da riqueza entre a população. E isto não guarda relação nenhuma com o tamanho do país ou com a quantidade de recursos naturais que ele possui. De nada adianta uma enorme quantidade de ouro ou petróleo se não há liberdade para as pessoas e empresas explorarem esses recursos.

O gráfico abaixo mostra a relação linear entre a capacidade de inovação e a liberdade econômica.

Liberdade Econômica

Particularmente a região da Ásia-Pacífico tem se destacado nestes últimos anos. Hong Kong e Cingapura têm se consolidado como importantes centros financeiros mundiais, têm aproveitado sua localização geográfica para atuar como centros de ligação no transporte marítimo e têm se aberto a investimentos, aumentando a produtividade e alavancando a economia. Austrália e Nova Zelândia também continuam na dianteira, com um ambiente favorável aos negócios , transparência nas leis e baixíssima corrupção.

Diante de tudo isso, onde o Brasil se encaixa? A resposta não agrada. Na tabela abaixo, pode-se ver onde o nosso país se encontra a nível mundial.

Liberdade Econômica

Em relação aos países das Américas Central e do Sul, nossa avaliação também é vexatória, como pode-se ver em mais detalhes abaixo:

Liberdade Econômica

O Brasil está classificado em 114° lugar no mundo em liberdade econômica, com sua pontuação abaixo da média mundial. A pequena evolução dos últimos 20 anos em relação à liberdade econômica se deve principalmente a uma deterioração em relação ao tamanho do estado, relacionado à carga tributária e gastos governamentais.

Por mais que o Brasil tenha se beneficiado do ‘boom’das ‘commodities’ nos anos 2000, a forte intervenção estatal tem causado uma má alocação do capital, estagnação na infraestrutura e um sensação de insegurança e injustiça. Os inúmeros casos de corrupção, a lentidão e manipulação do judiciário e falta de transparência e eficácia das regulações contribuem para piorar o ambiente interno de negócios.

Mas afinal de contas, como isso pode interferir na vida do investidor brasileiro?

Um ambiente de negócios ruim, a falta de liberdade e as mudanças imprevisíveis nas leis e tributações geram enormes incertezas que atrapalham o planejamento e o lucro de pessoas e empresas.

Só pra citar dois exemplos recentes e que geraram forte repercussão negativa para os investimentos e grandes prejuízos para os investidores estão os casos das empresas de energia e a Petrobras.

Em setembro de 2012, o governo federal lançou a medida provisória 579, cujo objetivo era reduzir o custo da energia elétrica. Mesmo com os impostos contribuindo para inacreditáveis 49% do preço da energia, o governo resolveu que quem deveria arcar com a redução seriam as empresas. Essa abrupta medida gerou fortes incertezas quanto a renovação das concessões das empresas do setor. Em poucos dias, as empresas de energia amargaram perdas superiores a 20% em seu valor de mercado. Nos trimestres seguintes, muitas empresas apresentaram fortes quedas nos lucros e até prejuízos. Por conseguinte, o prejuízo afetou todos os investidores que tinham ações dessas empresas.

Liberdade Econômica

O caso da Petrobras também é bastante emblemático. De grande promessa com a descoberta do pré-sal para grande fiasco com a descoberta do maior caso de corrupção da história. Bilhões de reais mal administrados e desviados da empresa e que poderiam ter sido usados para o seu crescimento ou mesmo distribuídos como dividendos para os milhares de acionistas espalhados pelo Brasil.

Veja a evolução do valor das ações da Petrobras em comparação com as maiores petrolíferas do mundo nos últimos 5 anos:

Liberdade Econômica

A Petrobras é a empresa de pior desempenho. Para o investidor brasileiro que queira investir no setor de petróleo, a Petrobras é praticamente a única opção. Para o investidor internacional, há muito mais diversidade e qualidade disponíveis.

Longe de afirmar que as empresas estrangeiras não estão sujeitas a problemas envolvendo interferência governamental. Elas estão. Mas a probabilidade de uma mudança brusca de regulamentação ou de leis que prejudique o mercado é bem menor em países como a Suíça ou Inglaterra.

Infelizmente para o Brasil, não se vislumbra uma mudança de curso rumo a liberdade econômica. O intervencionismo estatal é cada vez mais presente. Isso prejudica empresas, investidores e trabalhadores de maneira geral. A internacionalização é a opção mais rápida e eficiente para o investidor brasileiro ter acesso a mercados que respeitem a liberdade e seus investimentos.

Fonte: The Heritage Foundation

 

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Este post tem 4 comentários

  1. Avatar

    Feliz 2015, meu caro! Que você continue a nos brindar com ótimas reflexões sobre os investimentos!

    Abç!

  2. Avatar

    Feliz 2018!
    Abraços

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