Lendas sobre investimentos no exterior

Investir no exterior

Não se deixe enganar pela falta de informação dos principais veículos de comunicação em relação aos investimentos no exterior

Quando se discute sobre investimentos no exterior, sempre surgem algumas dúvidas. E, em geral, os poucos artigos disponíveis no Brasil a esse respeito trazem algumas informações enganosas e que apenas reverberam velhas lendas sobre o assunto.

Abaixo, estão relacionadas algumas notícias dos principais portais da internet brasileira, com nossos comentários abaixo, refletindo o que acontece na prática.

Investir no Exterior

Levando-se em conta que caro e barato não são valores absolutos, o que pode ser caro para um, pode ser barato para outro, deve-se fazer uma comparação com os custos para se investir no Brasil. No caso dos investimentos no exterior, ao invés do investidor emitir uma transferência bancária ou TED para a conta da corretora, ele deve fazer uma transferência internacional, conhecida como “wire transfer”. Muitos bancos e empresas de câmbio fazem esse serviço. Alguns cobram e outros não cobram tarifa e há o custo do spread (diferença entre o valor que o banco paga e o valor que ele repassa a moeda estrangeira para você). Não é nada impeditivo. Basta fazer uma pesquisa para avaliar as melhores opções. Existem diversas instituições autorizadas pelo Banco Central a operar no mercado de câmbio. O tempo que leva entre a transferência e o aparecimento do valor em sua conta no exterior é um pouco maior que o de uma transferência dentro do Brasil, mas em geral não passa de 48 horas.

Outro custo que pode surgir é a cobrança por alguns bancos estrangeiros de uma tarifa sempre que entra ou sai dinheiro da conta. Essa taxa pode variar de U$ 10,00 a U$25,00. Em geral, não há cobrança de manutenção de conta e quando existe, ela costuma ser menor que a dos bancos brasileiros.

É possível abrir conta em bancos e corretoras que exigem valores pequenos, em torno de U$500,00 ou menos, ou até colocar o seu dinheiro para ser administrado por um gestor suíço de larga experiência, mas que exige um mínimo de U$2 milhões como aporte inicial. Há opções para todos os bolsos. Os custos das corretoras, principalmente nos EUA, também são bem parecidos ou menores até do que o que se cobra no Brasil. Entretanto, se o objetivo for ter acesso a mais de 15 mercados globais, os custos de transação se elevam um pouco.

Dizer que U$100 mil seria um valor mínimo para valer a pena ter uma conta no exterior não faz o menor sentido. Com U$ 5 mil já é possível ter pelo menos uma carteira com 2 ETFs, sendo um de ações e outro de renda fixa extremamente diversificados. Como exemplo, há o ‘Vanguard Total World Stock ETF’,composto por quase 7 mil ações do mundo todo e o ‘Vanguard Total Bond Market ETF’, composto por mais de 7 mil títulos de renda fixa americanos. E os custos de transação neste caso não passariam de 1% de acordo com o banco ou corretora escolhidos. Se for o caso de valores ainda menores, pode-se apenas abrir uma conta corrente comum simplesmente para ter recursos em moeda forte e fora do país. Além de servir como segurança em caso de crise nacional, pode ser usada para compras no exterior ou pela internet, sem os impostos que incidem nos cartões de crédito internacionais distribuídos no Brasil.

Em casos de bancos que não aceitam abertura de conta a distância, é perfeitamente possível você aproveitar uma viagem internacional, marcar previamente uma consulta na agência e levar os documentos necessários para abri-la.

Investir Fora do Brasil

Neste texto, o especialista afirma que somente investidores com perfil moderado ou agressivo devem investir no exterior. Mas na verdade é justamente o contrário! Faça um exercício, esqueça que é brasileiro e suponha que chegou no planeta Terra agora. Converse com indivíduos nos quatro cantos do mundo, diga que você é extremamente conservador nos seus investimentos e não suportaria perdas e crises e pergunte em qual lugar do mundo você deveria deixar suas aplicações. A resposta mais comum provavelmente será Suíça. Um país com séculos de tradição bancária e com a moeda mais confiável do mundo há mais de 150 anos.

“Quando você está lidando com a Suiça, Sr. Allon, é melhor manter uma coisa na cabeça. Trata-se de um negócio, e é administrada como um negócio. É um negócio que está constantemente em postura defensiva. Tem sido assim por 700 anos.” -Daniel Silva.

Outros países como Cingapura e Hong Kong também possuem um sistema bancário extremamente forte e eficiente. Não é à toa que se tornaram os maiores centros financeiros da Ásia. São os países com a maior liberdade econômica do mundo e seus títulos de dívida estão entre os mais seguros do mundo. Ainda há diversos outros países e territórios independentes com grande tradição de segurança e privacidade bancárias, como Luxemburgo, Liechtenstein, Andorra, Ilha de Man, Gibraltar, Ilhas Cayman e Panamá. E ser conservador é isso, optar pela segurança.

O especialista também brinca “Vou comprar ações da Índia?”. Por que não? Que tal avaliar os números? Abaixo está o gráfico do comportamento dos ETFs que seguem em dólar os índices MSCI Brazil e MSCI Índia nos últimos 3 anos (ano em que o ETF ligado à ìndia foi criado).

etf brasil vs indiaQuantas vezes já ouvimos dizer que as melhores oportunidades do mundo estão no Brasil? Que o Brasil vai crescer e se desenvolver? Que temos maior potencial? Que não há necessidade de investir fora? A verdade é que não sabemos. Pode ser que por algum tempo, como foi entre 2003 e 2008, o Brasil e as empresas se desenvolvam, lucrem bem, tragam ótimos retornos aos investidores e o Real se valorize. Mas pode ser que muitas dessas empresas não sejam sustentáveis no longo prazo , que o intervencionismo estatal crie mais dificuldades para o desenvolvimento e que o Real se desvalorize. É esse tipo de incerteza que o investidor mais conservador deve evitar. É disso que se trata o investimento internacional. Manter o seu patrimônio protegido em moeda forte, em ações de empresas historicamente lucrativas, em países que respeitem a liberdade e o patrimônio pessoais e bem longe da interferência do governo.

Investir no Exterior

Nesta reportagem, começa-se dizendo o óbvio. Que comprar apartamento em Miami não é a melhor estratégia para quem quer investir globalmente. Claro! Comprar apartamento em Miami é para quem quer investir no mercado imobiliário da Flórida ou, de maneira mais geral, para quem quer ter patrimônio imobiliário fora do Brasil, em país de primeiro mundo.

Depois vem de novo o absurdo de dizer que investir no exterior é apenas para quem tem grandes fortunas ou que pretende morar fora. Como já discutido anteriormente, há diversos motivos para investir no exterior e os custos não são nada de outro mundo. Obviamente que quanto maior o patrimônio do investidor, mais opções ele terá e alguns custos fixos serão diluídos.

A história da maior taxa de juros do mundo também é lembrada. Bom, se aqui possui a maior taxa de juros do mundo deve ser porque aqui é mais arriscado investir, correto? Isso se deve a dois fatores principais. O governo brasileiro opera em déficit nominal (gasta mais do que arrecada) e tem alta necessidade de refinanciar essa dívida, ou seja, paga a dívida antiga emitindo dívida nova. Se os juros não forem altos o suficiente no Brasil para atrair investidores que comprem esses títulos, o governo seria obrigado a pagá-los e ele não possui recursos para tal, o que levaria consequentemente ao calote.

Valorização CambialO especialista também alerta para o risco cambial, mas ele só lembra que o Real pode valorizar e não que ele pode desvalorizar. De qualquer forma, se o investidor possui apenas investimentos em Real, ele está extremamente vulnerável, pois a nossa é recente, tem apenas 20 anos, nosso país é instável politicamente e a economia dependente de poucos setores. Só como comparação, a moeda mais antiga do mundo é a Libra Esterlina, com 1200 anos de idade. Um investidor que esteja diversificado nas principais moedas do mundo, ao contrário, está tranquilo. As variações de câmbio não farão diferença alguma, já que ele possui investimentos e renda em todas elas.

Como pode-se notar, ainda há muita desinformação sobre investimentos internacionais Brasil. É contraditório o brasileiro criticar tanto o país e ao mesmo tempo achar que aqui é o melhor lugar do mundo para se investir. Dizer também que os custos dos investimentos no exterior são impeditivos não condiz com a verdade. Existem opções para todos os níveis de patrimônio.

Aplicar no exterior é uma maneira simples e eficiente de diversificar verdadeiramente seus investimentos e pode ser o seu porto seguro em caso de forte crise financeira em nosso país.

 

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Este post tem 9 comentários

  1. Avatar

    Fantástico esse tópico. Sempre digo que a primeira coisa q se deve abrir p investir no exterior é a mente.

  2. Avatar

    Excelente blog, também quero começar a investir no exterior a partir do ano que vem.
    Seguindo.

    Abs.

  3. Avatar

    Tem alguma informação dos custos para envio do Brasil para o exterior, hoje os bancos cobram taxas fixas + variável em relação ao valor da translação, o que torna-se alto para aportes mensais/trimestrais.

  4. Avatar

    E como fica a questão tributária? Tem que pagar imposto de renda no país onde recebe os dividendos?

    1. Investidor Internacional

      Olá Lucas,

      Em geral não. Por isso é importante ter uma conta em país que não tributa não residentes. Claro que o imposto na fonte sobre dividendos continuará sendo descontado.

      Em breve haverá um artigo falando apenas de tributação.

      Abçs!

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