3g capital

Como você poderá investir nas empresas comandadas pelos maiores empresários brasileiros de todos os tempos, com redução do risco-Brasil

Se em artigo anterior, mostrei como é possível ter os melhores gestores do mundo cuidando dos seus investimentos em ações, hoje eu vou falar como é possível investir nos melhores administradores, com a mais eficiente cultura empresarial, tocando negócios não só dominantes, como verdadeiros ícones em seus setores.

Estou falando das empresas estrangeiras que são controladas pelo grupo brasileiro 3G Capital e que estão disponíveis para negociação em bolsa no exterior. O grupo formado por Jorge Paulo Lehmann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, entre outros, representa o que há de mais eficiente hoje em termos de organização empresarial, corte de custos e aumento da lucratividade em grandes empresas.

Este artigo vai mostrar o impacto do modelo 3G nos resultados das empresas adquiridas. E você pode ter muito a ganhar com isso.

Anheuser-Busch Inbev (XAMS:ABI,NYSE:BUD:nyse)

AB InbevDesde a compra da Antarctica pela Brahma em 1999 com a formação da Ambev, o grupo tem crescido seus negócios no ramo de bebidas de maneira assombrosa. Mais tarde, com a fusão entre a cervejaria brasileira e a belga Interbrew em 2004 e a multi-bilionária aquisição da Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, em plena crise de 2008, o grupo passou não só a gerenciar a maior companhia de bebidas, mas também uma das cinco maiores empresas de consumo do mundo.

Ao chegar em St. Louis, sede da empresa americana, a equipe da 3G arregaçou as mangas para renovar a antiga e estagnada companhia. O que não deixa de ser irônico, pois a Anheuser-Busch era vista como modelo para a Brahma nos anos 80 e 90.

O rigor do terno e gravata e as viagens de primeira classe para os executivos deram lugar ao jeans e à frugalidade. A adoção do zero-based budget, planejamento de gastos partindo de zero começou pra valer, todo gasto deveria ser justificado periodicamente. A meritocracia impiedosa com altas recompensas para quem entregasse os melhores resultados e um good bye para quem não entregasse. O objetivo era um só, transformar receita em lucro.

Não levando em conta o período da recessão de 2008-2009 nos EUA (pela enorme distorção em termos de consumo na época) e começando a avaliar a evolução da empresa nos últimos 5 anos e meio (2010 a 2015), é possível identificar os resultados que este modelo produziram .

Se em 2010 apenas 11% das vendas de cerveja se reverteram em lucro para a Anheuser-Busch, atualmente este percentual está em 18%. Nunca antes na história dessa empresa! Desde 1984, por exemplo, houve apenas 3 anos em que esse número foi acima de 13%. Além disso, a receita por ação evoluiu em 25% no período, já os lucros subiram 120% e os dividendos anuais aumentaram incríveis 563%! Isso responde a pergunta: Como transformar empresas estagnadas em máquinas de distribuir dividendos?

AB Inbev Marcas
Algumas das principais marcas vendidades pela AB Inbev

Hoje a Anheuser-Busch Inbev é uma companhia que emprega mais de 155 mil pessoas em 25 países. Com um portfolio de mais de 200 marcas, incluindo 16 que valem cada uma pelo menos U$ 1 bilhão, seus produtos são distribuídos em mais de 100 países.

Ao final de 2014, a empresa teve uma receita anual da ordem de U$ 47,1 bilhões, EBITDA de U$18,5 bilhões e lucro líquido de U$ 9,2 bilhões. Já em relação aos últimos resultados, referentes ao segundo trimestre de 2015, a empresa apresentou os seguintes números, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior:

  • Receita com alta de 4,1%
  • Volume vendido com redução de 2,2%
  • EBITDA com alta de 4,6%
  • Lucro por ação de U$1,21 , ante U$ 1,60 um ano antes (muito relacionado à forte valorização do dólar americano frente às outras moedas e a custos financeiros)

As margens da empresa também continuam saudáveis:

  • Margem Operacional: 31,7%
  • Margem líquida: 21%
  • ROE: 33,5%
  • ROA: 11%
  • ROC: 137,4%

O destaque da empresa continua sendo o crescimento das marcas globais como Corona, Stella Artois e Budweiser (todas disponíveis nos principais supermercados brasileiros), com a última apresentando crescimento de dois dígitos na China. Uma das marcas registradas da Budweiser são os comerciais fora de série, como esse que fez enorme sucesso no Super Bowl deste ano:

Pode não ser a empresa que mais cresce (até pelo tamanho) ou que mais distribui dividendos, mas é uma empresa rigorosa, cujos executivos se dedicarão ao máximo em busca de lucro. Além disso, nunca se sabe quando será a próxima aquisição.

Muitos acreditam que o foco da empresa será em adquirir cervejarias menores ou artesanais (movimento que já começou). Há também a suposição de que possa adquirir a cervejaria número 2 do mundo, a SABMiller, a destilaria inglesa Diageo (fabricante de Johnny Walker) ou o setor de bebidas da Pepsico.

De qualquer forma, é uma empresa que não dorme em serviço e está sempre de radar ligado para identificar novas formas de expandir seus negócios e entregar resultados para os acionistas.

Restaurant Brands International (NYSE:QSR, TSE:QSR)

Restaurant Brands InternationalTudo começou em 2010, com a compra e fechamento de capital do Burger King pela 3G Capital por U$ 3,3 bilhões (U$ 4 bilhões se incluir a dívida), sendo U$1,3 bilhões em dinheiro e o restante financiado. Guarde bem esses números. Um preço caro segundo analistas da época, sendo 9 vezes a geração de caixa da empresa no ano anterior. Além disso, a empresa estava com problemas administrativos, seus restaurantes estavam defasados em relação à concorrência, a lucratividade em baixa e suas ações caíam fortemente.

Uma marca forte como o Burger King, 2ª maior cadeia de fast-food do mundo, e ineficiência operacional. São os 2 fatores principais que pavimentam a área onde a metodologia 3G gosta de aterrissar. A marca está aí, basta corrigir as deficiências e fazê-la lucrar.

Em 2012, a 3G vendeu 30% da companhia para a Pershing Square de Bill Ackman (que você já conhece daquele artigo anterior) e para o também bilionário Nicolas Berggruen por U$ 1,4 bilhão como forma de se colocar de novo no mercado. No meio desse mesmo ano, a companhia voltou a ser listada na bolsa de Nova Iorque.

Pois bem, em agosto de 2014, com os boatos e a posterior conclusão da fusão entre o Burger King e a cadeia de restaurante mais popular do Canadá, Tim Hortons, o valor de mercado da rede americana passou a ser de U$ 10,9 bilhões. Lembra dos número que pedi para guardar? Com um investimento inicial em dinheiro de U$ 1,3 bilhão, os 70% do Burger King que a 3G possuía 4 anos depois passaram a valer U$ 7,6 bilhões! Isso também responde a uma pergunta: Como multiplicar bilhões de dólares em poucos anos?

Produtos Burger King e Tim Hortons
Produtos Burger King e Tim Hortons

 

Você deve estar interessado em saber porque o Burger King comprou uma empresa canadense que valia mais que ele mesmo, numa transação que envolveu inclusive a Berkshire Hathaway de Warren Buffett, que passou a deter U$ 3 bilhões em ações preferenciais, pagando 9% de juros ao ano!Os outros 9 bilhões foram financiados por bancos.

Primeiro, a aquisição fez com que a agora rebatizada Restaurant Brands International, mudasse a sede para o Canadá, onde os impostos corporativos são menores que nos EUA, o que deve economizar milhões nos próximos anos.

Segundo, o modelo de negócio da Tim Horton’s é complementar ao modelo de lanchonete do Burger King. A canadense é especializada em café, donuts e sanduíches mais naturais. Como se fosse uma mistura entre Starbucks, Dunkin’ Donuts e Subway. E a rede americana é popular pelos hambúrgueres.

Tim HortonsTerceiro, as sinergias que decorrem daí, já que a Tim Hortons está majoritariamente no Canadá (80%) e nos EUA (19%), enquanto o Burger King está em mais de 100 países. Não irá demorar muito para termos restaurantes Tim Hortons nas principais cidades brasileiras, aproveitando franqueados interessados e toda a cadeia de distribuição já existente.

Quarto, antes da fusão, o Burger King possuía uma relação dívida líquida/EBITDA de 4,75 vezes, enquanto Tim Horton’s tinha uma relação de 1,75 vezes. Desta forma a fusão das duas empresas reduziu sobremaneira a alavancagem da empresa.

Atualmente, a Restaurant Brands International é a terceira maior rede de restaurantes do mundo, atrás apenas do McDonald’s e da Yum Brands (KFC, Pizza Hut e Taco Bell), com mais de 19 mil restaurantes no mundo e vendas anuais na casa dos U$ 23 bilhões.

Falando um pouco dos resultados divulgados em 27 de julho referentes ao segundo trimestre de 2015 e na comparação com o trimestre equivalente do ano anterior, temos:

  • Crescimento de vendas de 5,5% (TH) e 6,7% (BK).
  • Crescimento líquido de número de restaurantes em 5,2%.
  • Receita com alta de 9%.
  • EBITDA ajustado com alta de 19,1%.
  • Lucro líquido com alta de 27%.
  • Aumento de 20% para os dividendos a serem distribuídos no tereiro trimestre (U$ 0,12 por ação)

Burger KingCom a cotação da ação na casa dos U$ 42-43,00 a empresa tem hoje cerca de U$ 20 bilhões em valor de mercado. Lembra do U$ 1,3 bi que se tornaram U$7,6 bi ? Valem hoje U$ 10,2 bi ! A 3G Capital é dona de 51% da nova empresa. Entendeu agora o poder de multiplicação da riqueza que uma administração séria e competente é capaz de gerar? Se entendeu, explique pros acionistas da Petrobras.

Em relação aos acionistas, o ganho somente pela valorização da ação já de 24% desde que as companhias passaram a ser negociadas como um único código, em dezembro de 2014.

The Kraft-Heinz Company (NASDAQ:KHC)

The Kraft Heinz CompanyNo início de 2013, a 3G Capital se juntou novamente à Berkshire Hathaway para adquirir a icônica fabricante de ketchups HJ Heinz, cuja origem remonta a década de 1860 e cujos produtos se encontram praticamente em todos os lares americanos. Foi o maior negócio no setor de alimentos da história, com um valor total de U$ 23 bilhões.

Um breve parêntese. Também nesse negócio, a Berkshire recebeu U$ 8 bilhões em ações preferenciais pagando 9% de juros ao ano. Esse sim é meu tipo de dividendo! Também explica um pouco de sua filosofia: Investimento maciço nas situações em que identifica alto potencial de retorno com menor risco. No caso, uma empresa de marca forte e com a sempre competente administração da 3G.

Ao desembarcar em Pittsburg, sede da Heinz, a 3G colocou o executivo Bernardo Hees para comandar as mudanças. Um corte de 9% no número de funcionários. Paredes derrubadas na sede para integrar todas as salas de trabalho. Troca de 11 dos 12 principais executivos pela nova geração de dentro da companhia ou vindo de outras companhias da 3G. Fechamento de unidades ineficientes. Venda dos jatos executivos. Troca do Ritz-Carlton por Holiday Inn nas viagens dos funcionários.

Heinz Ketchup
A evolução do ketchup mais famoso do mundo.

 

Com as alterações, o resultados apareceram. Mesmo com a queda de receita de U$11,5 bi para U$ 10,9 bi (comparando os anos de 2013 e 2014), o EBITDA subiu de U$ 2 bi para U$ 2,8 bi e a margem EBITDA subiu de 17% para 26%. Nenhuma das outras grandes empresas do setor alimentício tem uma margem dessas. Em geral estão abaixo de 20%.

Não bastasse isso, em março último, a empresa anunciou a fusão da empresa com a gigante Kraft Foods, criando assim “The Kraft-Heinz Company”, a quinta maior empresa de alimentos do mundo em vendas.

A Kraft, assim como o Burger King, vinha enfrentando fraco crescimento, com quedas seguidas de receita e perda de mercado dos seus produtos. Suas principais marcas, desconhecidas no Brasil, Cheez Whiz, Jell-O, Kool-Aid e Velveeta, por exemplo, são consumidos há gerações nos EUA. Pra se ter uma ideia, a gelatina Jell-O foi criada em 1897!

Kraft Macaroni Cheese
Macaroni & Cheese da Kraft Foods

 

As possíveis sinergias geradas pela fusão são tremendas. A Kraft possui 98% da receita vinda dos EUA, já a Heinz possui uma larga distribuição global. Há um espaço enorme para a distribuição dos produtos Kraft no resto do mundo. Além disso, espera-se que a administração consiga um corte de custos da ordem de U$ 1,5 bilhão anualmente a partir de 2017.

Outro fator importante é a redução da alavancagem da Heinz, já que a Kraft possui um perfil de dívida mais equilibrado. Você também já viu essa história na fusão do Burger King.

Entretanto existe um fator que a 3G deve estar preparada para resolver: A mudança de paladar da população. Hoje há uma imensa propaganda negativa e queda de consumo dos alimentos processados, que é praticamente toda a linha da empresa. A inovação para criar e adequar produtos aos novos consumidores será um enorme desafio.

Marcas Kraft Heinz
Combinação das marcas da Kraft-Heinz.

Ainda é cedo para falar em resultados, mas aí vão alguns números referentes a Kraft no segundo trimestre de 2015 em relação ao mesmo período de 2014:

  • Receita com queda de 4,9%
  • Lucro operacional com alta de 5,6%
  • Lucro por ação com alta de 15%

O fluxo de caixa livre no primeiro semestre de 2015 foi de U$ 802 milhões frente aos U$ 454 milhões obtidos um ano antes.

Em relação a Heinz:

  • Vendas com queda de 4,1%
  • EBITDA ajustado com alta de 6,7%

Esse resultado foi impactado pela valorização do dólar frente às moedas internacionais. Excluindo este efeito, o resultado teria sido +5,9% e +16,3% respectivamente.

Caso se repita o que foi conseguido com as outras fusões, há uma boa perspectiva para os próximos resultados da empresa.

Essa foi apenas uma amostra do que os gestores da 3G Capital são capazes de fazer. Não são os gestores mais brilhantes e mais inovadores. Apenas são tremendamente rigorosos com o que há mais eficiente em termos de administração e gestão de empresas.

A própria filosofia do grupo, que remonta ao antigo Banco Garantia, com foco nos resultados e uma meritocracia sem precedentes, acaba ‘forçando’ a saída dos gestores veteranos para outras empresas, permitindo a ascensão dos novos talentos. Não é possível se acomodar dentro das empresas do grupo, pois as novas gerações chegam dispostas a tudo para alcançar o topo.

E é aí que entra a qualidade de Lehmann para identificar e adquirir companhias de expressão com excelente fluxo de caixa, transferir os melhores administradores saídos de outras companhias e extrair o máximo dessas empresas. Tudo amplamente financiado por um parceiro com dezenas de bilhões de dólares em caixa, a Berkshire Hathaway de Warren Buffett.

E você, quer fazer parte dessa história?

 

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Este post tem 14 comentários

  1. Avatar

    Ótimo artigo Investidor Internacional.

    Realmente as empresas da 3G são muito interessantes.

  2. Avatar

    Excelente artigo.

    A 3G tem ações negociadas em bolsa?
    Atenciosamente,

    Fernando Tonelli

  3. Avatar

    Mais um artigo com excelência! Incrível a capacidade de alguns gestores de verem oportunidades de negócios, onde grande parte, só vê dificuldades. Infelizmente, na minha humilde opinião não adiantaria muito ensinar aos gestores da Petrobras, como se faz, já que são pessoas indicadas e que tem motivos ERRADOS para estar na dianteira da empresa.

    P. S.: Não esqueça do artigo sobre impostos e as LLC. Assim como grande parte dos colegas estou ansioso com respeito a esse assunto.

    Atenciosamente,
    Marcelo Júlio

  4. Avatar

    Nao deixo de ficar impressionado com esses artigos, tenho que comentar todas as vezes!
    A cada dia me impressiono mais com a possibilidade de diversificar no exterior, ainda nao o fiz porque vejo muita “pechincha” no mercado atual, apesar da crise economica, que tenho certeza será passageira como as muitas outras que tivemos.

    1. Investidor Internacional

      Olá André,

      O problema do Brasil são os diversos fatores limitantes que atrasam o desenvolvimento do país, nos deixando com os eternos vôos de galinha.

      Recuperação econômica em países com alto grau de intervenção estatal demoram mais para se recuperar.

      Abçs!

  5. Avatar

    Qual a sigla das ações?

  6. Avatar

    Caro II,

    Esse artigo já tem alguns anos. Amanhã farei minha primeira compra de ações internacionais graças a você.

    Estou de olho na bolha das bolhas, e KHC parece estar com um preço justo. A intenção é montar uma carteira de longo prazo diversificada em empresas globais e não sofrer tanto quando vier um ajuste nos preços. Por outro lado, em algum percentual da carteira não me importarei com preço, buscando somente empresas boas como Netflix.

    Tenho lido opiniões pessimistas sobre Tesla, pelas frustrações na produção e nos resultados financeiros, embora os produtos pareçam fantásticos.

    Abraços,

    Gustavo.

    1. Investidor Internacional

      Olá Gustavo,

      As empresas do grupo 3G estão meio estacionadas já tem algum tempo.

      Por outro lado, estão mais descontadas.

      É preciso analisar uma a uma e ver se tem função dentro de um portfolio.

      Abçs!

      1. Avatar

        Realmente, acabei me tornando sócio da KHC por meio da BRK-B. Se o Warren soube aproveitar a crise de 2008, talvez esteja preparado para o desenrolar da subida de juros americanos.

        Obrigado por tudo.

        Abraços.

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