Vale a pena investir na empresa mais valiosa do planeta?

Já falei aqui anteriormente sobre algumas grandes companhias americanas. Amazon, Microsoft, McDonald’s foram abordadas em artigos específicos e muita gente tem me perguntado quando falarei da Apple. O questionamento procede. A Apple (NAS:AAPL) é uma das empresas mais longevas do ramo de tecnologia e na última década tem sido sinônimo de inovação e crescimento, além de ter se tornado a marca mais valiosa do planeta.

E agora que estamos na véspera do lançamento do novo iPhone, que comemora 10 anos, nada mais justo do que abrir este espaço para a quem pensa em investir na empresa.

Acredito que todo mundo já conheça a história da Apple. Muitos inclusive já leram a biografia do Steve Jobs ou assistiram a filmes mostrando como ele e Steve Wozniak fundaram a empresa na garagem de casa, no dia 1 de abril de 1976.

Assim, resolvi mostrar alguns pontos peculiares e menos conhecidos da empresa, além dos números que interessam a quem deseja investir em suas ações.

O Apple I

O primeiro produto da Apple foi o Apple I, este computador de madeira que você pode ver na foto abaixo. Segundo Steve Wozniak, numa entrevista: “Quando eu construí este Apple I … o primeiro computador a dizer que um computador deveria ser parecido com uma máquina de escrever – ele deveria ter um teclado – e o dispositivo de exibição seria uma TV, não era para mostrar ao mundo que esta era a direção. Era para mostrar às pessoas à minha volta, pra me gabar, para mostrar inteligência, para ser reconhecido por ter desenvolvido um computador barato.”

Apple I

Computador Apple I, o primeiro lançamento da Apple

O que podemos aprender com isto? Primeiro que a empresa e seus fundadores estavam antenados em uma revolução que apenas estava começando, a revolução dos computadores pessoais. E como já falei na série sobre tecnologia, essas mudanças de padrão de consumo e criação de novos produtos de massa são as que mais geram fortunas.

Segundo que este computador é tosco. Todo feito a mão por Wozniak, que não era nenhum Michelangelo. E isso não foi um problema. Existe uma frase famosa do fundador do Linkedin, Reid Hoffman:

“Se você não sentir vergonha da primeira versão do seu produto, você demorou demais para lançá-lo.”

Quem deseja ser inovador, precisa lançar produtos o mais rápido possível, mesmo que não fique perfeito. Isso valeu para o fim da década de 70 e vale muito mais para agora.

Terceiro que Steve Wozniak não estava querendo mudar o mundo quando desenvolveu o Apple I. Apenas estava querendo mostrar do que era capaz. Quantas pessoas vemos hoje querendo mudar o mundo, sem nunca terem criado nada de útil pra alguém?

O Apple II

O Apple II já foi uma tremenda evolução em relação ao primeiro. Foi o primeiro computador que saiu do meio de entusiastas e atingiu o grande público. Era usado como ferramenta tanto em empresas, quanto em escolas, particularmente após o lançamento do Visicalc, primeira planilha eletrônica da história.

Foi o Apple II ainda que determinou o padrão dos computadores dos anos 80 e 90 com tela colorida, slots para a adição de novos componentes, etc.

O interessante do Apple II é que existem vários sendo vendidos no eBay em bom estado e funcionando. Sim, um computador com 40 anos de idade continua funcionando até hoje. É bem mais tempo que alguns iPhones inclusive 🙂

O vídeo abaixo mostra um exemplar em pleno funcionamento. Perceba que o boot é mais rápido que o do Windows.

 

Sucessos e fracassos

Depois do Apple II, a Apple lançou o Lisa, que não fez lá muito sucesso, e o Macintosh, que se tornou o ícone da companhia.

A empresa teve seus altos e baixos e no fim da década de 90, os PCs dominavam a computação pessoal, foi quando a Apple, na virada do milênio, lançou o iPod.

O terceiro produto da linha “i” depois do iMac e do iBook, o iPod deu o pontapé inicial para a empresa entrar e se estabelecer como uma empresa de eletrônicos e não apenas de computadores.

E foram 6 anos entre o lançamento do tocador de mp3 para o smartphone que revolucionou todo o mercado, o iPhone.

iPhone

Se é possível resumir esses 1o anos desde o lançamento do primeiro iPhone em apenas uma imagem, ela está logo abaixo:

Antes e depois do iPhone

Aparelhos celulares pré e pós-iPhone

À esquerda temos os modelos que disputavam o mercado antes do lançamento do iPhone 1 e à direita, os smartphones fabricados após o iPhone. A Apple mais uma vez estabeleceu o padrão da indústria. E de uma indústria que se mostrou ainda maior que a do computador pessoal.

Steve Jobs foi profético durante a apresentação do iPhone:

“De vez em quando, um produto revolucionário aparece e muda tudo!”

Algo que poucos sabem e que foi revelado há algum tempo por um dos engenheiros da Apple é que por trás da apresentação histórica de Steve Jobs no Moscone Convention Center, no dia 9 de janeiro de 2009, estava um produto que não funcionava direito.

O smartphone da Apple, à época com apenas 100 unidades fabricadas, apresentava uma série de problemas. O sinal caía, os aplicativos travavam, ele não conseguia tocar uma música ou um vídeo inteiro e às vezes desligava sozinho. Os engenheiros inclusive tiveram que descobrir uma ordem de abertura dos apps para que o aparelho funcionasse corretamente. Uma troca de ordem e tudo iria por água abaixo. Felizmente, tudo correu bem e os engenheiros respiraram aliviados.

O iPhone quebrou uma série de paradigmas em termos de aparelho móvel. Foi o primeiro a ter tela multi-touch, o primeiro a ter um sistema operacional equivalente ao de um computador, o primeiro a ter um teclado na própria tela, além de uma bateria de longa duração.

A Apple como investimento

Primeiramente vamos aos números atuais da companhia:

Valor de MercadoU$ 819 bilhões
Preço/Lucro (últimos 12 meses)18.0
Preço/Lucro (estimado para 2017)14.6
Preço/Crescimento dos Lucros1.59
Preço/Vendas3.67
Preço/Patrimônio6.19
Margem de Lucro20%
Margem Operacional26%
Retorno sobre Ativos (ROA)11%
Retorno sobre Patrimônio (ROE)36%
Receita TotalU$ 223 bilhões
Receita por AçãoU$ 42,40
EBTIDAU$ 70 bilhões
Lucro por AçãoU$ 8,81
Fluxo de Caixa OperacionalU$ 64 bilhões

Dado o atual valuation do mercado americano, as ações da empresa estão com um preço até atrativo. O índice Preço/Lucro do S&P 500 atualmente é de 24,5 e o da Apple é de 18. Isso para uma empresa que vem aumentando os resultados ano após ano.

Os demais números são bastante saudáveis, sejam as margens, ROA ou ROE. ROE de 36% em um mercado de produtos eletrônicos, onde a média é de 5% é um número fora de série. A Samsung, por exemplo, sua maior competidora, tem um ROE na casa de 22%.

Em termos de evolução dos números, a Apple também impressiona: Nos últimos 5 anos, a receita, assim como o EBITDA, tem aumentado 18,9% ao ano, o lucro operacional tem subido 15,5% ao ano e o lucro por ação tem aumentado 16% em média por ano.

Além disso, desde que começou a pagar dividendos em 2012, a empresa tem aumentado sua distribuição religiosamente a cada 12 meses. E a margem para subir os dividendos é imensa. Nos útimos 12 meses a empresa pagou U$ 12,6 bilhões em dividendos. O que não faz nem cócega numa empresa com um fluxo de caixa de livre de U$ 51,2 bilhões e um caixa de estrondosos U$ 261 bilhões! Só com o caixa, a Apple poderia comprar o Wells Fargo, a Visa, o Wal-Mart ou a Procter & Gamble.

Veja no gráfico abaixo, a evolução da receita da Apple:

Apple Receita

Evolução da receita da Apple

E agora a evolução do lucro por ação:

Apple

Evolução do lucro por ação da Apple

E enfim a evolução do preço da ação:

Apple Ação

Desempenho das ações da Apple

Não sei se você percebeu, mas o iPhone é o ponto que define a maior inclinação da curva para cima.

iPhoneA imagem ao lado ilustra a importância do smartphone dentro da receita da Apple. No último resultado trimestral divulgado no dia 1 de agosto, os 41 milhões de iPhones vendidos computaram por 55% da receita líquida da empresa. A parte de serviços foi responsável por 16%, as vendas de Mac 12% e a de iPad por 11%.

Isto mostra que o grau definidor do resultado da Apple é o iPhone. É nele que a empresa aposta suas fichas. Por mais que ela diversifique e tente buscar receita em outras áreas e com outros aparelhos, o produto que move o resultado e por conseguinte as ações é o iPhone.

E uma boa recepção do mercado aos novos modelos a serem lançados amanhã, dia 12 de setembro, é que poderá fazer a alegria dos investidores.

UPDATE: Havia um número que já havia visto no passado, mas só agora consegui a confirmação de uma fonte confiável e com os números precisos também para o market share das vendas de smartphones para o ano de 2016. E que números são esses? É o seguinte, a Apple terminou o ano de 2016 com uma fatia de mercado de 14,6%, ou seja, de cada 100 celulares vendidos no ano, 14 foram iPhones. Só que com apenas essa fatia do mercado, a Apple abocanhava 79% do lucro operacional do mercado. Ela vende menos celulares que a Samsung, dona de 21,2% da fatia, mas que só leva 15% do lucro. Isso que eu chamo de margem!

Conclusão

A Apple tem se mostrado bastante resiliente nestes últimos 10 anos, que foram marcados pelo seu produto de maior sucesso, o iPhone. Até o momento não há nada que indique que ela será a próxima Nokia ou Blackberry, empresas que perderam o trono e jamais voltaram a se encontrar.

Sua posição de mercado tem se mostrado durável e seu ambiente de produtos interligados tem garantido fortes receitas fora da venda dos smartphones. Além disso, seu portfólio mais enxuto comparado aos demais fabricantes de smartphones ajuda a empresa a manter o foco.

O lançamento do iPhone 8, 8 Plus e X podem dar o estímulo que faltava para a empresa alcançar o inédito valor de mercado de U$ 1 trilhão. E não tenho dúvidas de que eles serão um sucesso.

By | 2017-09-13T18:17:24+00:00 10 de setembro de 2017|Ações, Ativo em destaque|12 Comments

12 Comments

  1. Investidor Inglês 11/09/2017 at 09:35 - Reply

    Belo post II!

    Se tivesse começado na bolsa antes, melhor, começado direito antes rs teria encarteirado essa ação

  2. Marcos 11/09/2017 at 13:02 - Reply

    Boa tarde!
    Muito bom o post.
    Estou querendo ingressar no mundo de ações Investidor Internacional. Você tem postagens deste assunto sobre como começar?

  3. BPM 11/09/2017 at 23:14 - Reply

    II,

    Muito bom o post. Fiquei de comprar Apple quando tava 148$, acabei não comprando e comprei outros ativos que também tiveram suas valorizações então nem posso ficar triste mas de qualquer maneira ela está no meu radar junto com Amazon e Google.

  4. Mape Neto 25/09/2017 at 14:57 - Reply

    Vc tem histórico de DY pago pela Apple?

  5. Wes 29/09/2017 at 20:32 - Reply

    Aqui no Brasil, apesar de termos uma ideia a respeito da “saúde” das empresas quando da escolha de quais ações comprar, parece que nos EUA é muito mais fácil investir e ter quase certeza de ganhos, ou estou enganado? Exemplificando o que eu quero dizer: Amazon, Google, Apple, Tesla. Coca-Cola e empresas do tipo quase que certamente continuarão com o mesmo desempenho (ou melhor) nos próximos 10 ou 20 anos, concorda? Levando-se isso em consideração, a pessoa que tiver, por exemplo, 150 mil dólares para investir entre essas 3 empresas poderá estar relativamente sossegado de acumular um ótimo capital em longo prazo? É isso mesmo ou estou maluco? rs

    • Investidor Internacional
      Investidor Internacional 30/09/2017 at 14:55 - Reply

      Olá Wes,

      A diferença que eu vejo é que essas empresas, com exceção da Tesla, são antigas ou dominam seus mercados no mundo todo.

      As empresas brasileiras, em sua maioria, dependem muito da economia local.

      Abçs!

      • Wes 30/09/2017 at 23:35 - Reply

        Então, por exemplo: se eu tivesse a intenção de investir US$100.000 em ações por 15 anos, seria mais seguro e rentável fazer isso no mercado americano aplicando esse dinheiro nessas empresas antigas e dominantes? Porque, “risco por risco”, seria mais arriscado investir aqui no BR do que nessas empresas consolidadas internacionalmente, concorda?

        A propósito, seria legal se houvesse como ver simulações do tipo: “tal empresa” brasileira em X anos rendeu “tanto” em dividendos para seus acionistas (no caso, por exemplo, a empresa mais valorizada daqui), mas em comparação à Google, Amazon, Coca-Cola, na bolsa americana, aconteceu “tal coisa”..Seria legal se houvesse um lugar para ver esse tipo de comparação, pois aí muitos teriam visualmente a noção de quanto poderiam ganhar se investissem na bolsa internacional.

        Seu site me fez abrir os olhos para outras possibilidades, por isso estou bem curioso, já que quase estava pensando em investir uma boa grana em ações aqui no BR, mas vou esperar um pouco para conhecer mais sobre investimentos internacionais. Continuarei acompanhando as novidades do site.

        Um abraço e sucesso.

        • Investidor Internacional
          Investidor Internacional 01/10/2017 at 10:03 - Reply

          Olá Wes,

          A questão é que no Brasil vivemos com uma constante instabilidade. Alternamos momentos de crescimento com de crises graves e duradouras.

          Investir de maneira internacional lhe permite por exemplo “sair” de um país em crise e ir para um país com perspectivas de crescimento de maneira rápida, algo que não seria possível mantendo seu dinheiro só aqui.

          Além é claro de ter uma gama muito maior de empresas que possuem negócios no mundo inteiro.

          Só que essa questão de colocar 100k em ações americanas num momento em que o mercado lá está em máximas históricas talvez não seria a estratégia mais rentável no momento.

          É preciso ver a estratégia inteira de investimentos para montar uma alocação com melhor risco-retorno.

          Abçs!

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