Varejo

A crise do varejo e a metamorfose do setor de shopping-centers para sobreviver

Quem está mais atento ao noticiário econômico internacional já deve ter visto a forte crise pela qual têm passado as empresas de varejo nos EUA. A última vítima foi a gigante “Toys R Us”, maior rede especializada em brinquedos do país.

Ela se juntou às mais de 300 varejistas que, em 2017, solicitaram o capítulo 11, lei americana que permite às empresas operarem enquanto reestruturam suas dívidas. Nem todas vão à falência em si. Muitas acabam realmente fechando, enquanto outras passam ao controle dos credores, sofrem fusões e podem voltar a funcionar.

Desde pequenas lojas familiares até gigantes como a RadioShack não resistiram aos novos tempos de consumo. Outras grandes do setor também estão sofrendo com piora dos resultados financeiros em 2017 e devem fechar centenas de lojas. Dillard’s, Macy’s, Koh’l, Nordstrom e J.C. Penney, todas com ações negociadas em bolsa, estão em situação crítica.

Dada a magnitude com a qual a situação tem piorado, muitos a chamam de “Banho de Sangue do Varejo” ou “Apocalipse do Varejo”.

Veja no gráfico abaixo, a evolução do SPDR Retail (NYSE:XRT), ETF que contém ações do setor de varejo nos EUA, em comparação com o ETF que segue o índice S&P 500 (NYSE:SPY):

XRT vs SPY
Desempenho do ETF de varejo (em laranja) contra o ETF de S&P 500 (em azul) nos últimos 12 meses

A primeira balançada no setor de varejo americano veio com o Wal-Mart, que mostrou ser possível comprar de tudo no mesmo lugar. A dona de casa, por exemplo, aproveitava seu momento de compras para adquirir outros itens, como decoração ou brinquedos.

O segundo impacto veio com o e-commerce. Ele mostrou que era possível fazer as mesmas compras de forma muito mais eficiente e barata sem sair de casa. Se você tem filho, sabe no que uma criança pode se transformar quando entra numa loja de brinquedos.

Claro que não é possível culpar a crise do setor apenas por fatores extrínsecos. Os administradores dessas companhias são muito bem pagos para entender o mercado e se adaptar às mudanças e às necessidades dos consumidores. Além disso, muitas dessas empresas se alavancaram em dívidas em um momento bastante inapropriado. A falha também é deles.

A visão do consumidor

Este comentário feito em uma reportagem do New York Times transmite o pensamento do consumidor americano:

Visiting a department store used to be an experience. When you go into them now, they are almost empty of staff. There will be one manned register in some obscure corner. You will be asked to show ID if you want to use your credit card. You will be looked at as if you are insane if you want to pay with cash. Either way you will be made to feel you are inconveniencing the lone check-out person.

If you’re in a lower priced store, the air conditioning may not be working. There may be a shoplifter alarm that goes off every time someone enters the store (I’ve experienced both of these delights at different department stores). Why put yourself through this when you can shop online?

Another point that no one seems to consider: The quality of women’s clothing these days is abysmal. Transparent, unlined, synthetic, poorly made. In general department store clothing seems to be better than what you can find in other mall shops, but that’s not saying a lot. I think women are shopping for clothing less because, again, why put yourself through that?

We “consumers” don’t see ourselves as mere objects to be exploited by corporations. Oddly enough, we want value in exchange for our money.

A minha experiência em lojas físicas no Brasil também tem sido bem ruim. Atendentes desmotivados e despreparados. Pouca variedade de produtos. A única coisa que justifica uma ida numa loja física é realmente ver o produto ao vivo para se ter uma idéia do tamanho e qualidade.

Value Trap

Por isso, é muito importante tomar cuidado para não investir numa empresa que subitamente poderá sair do mercado. Se você for um investidor guiado por números e fizer um screening no mercado americano prontamente vai encontrar ações do setor negociadas a um baixo índice Preço/Lucro e com Dividend Yield elevado. É o momento em que você se sentirá o Warren Buffet ao apertar o botão de compra. Só que daqui um ano é bem provável que receberá um press release da empresa solicitanto o capítulo 11.

É importante avaliar o passado de uma empresa em que se queira investir, mas o que vai definir o sucesso do seu investimento será o futuro dessa empresa.

Este é o chamado Value Trap, quando a análise fundamentalista e de valuation mostra que as ações estão “baratas”. Entretanto, elas estão baratas justamente porque as perspectivas futuras não são boas, os resultados devem piorar e o preço das ações cairão ainda mais.

Também não podemos esquecer dos títulos de renda fixa, ou bonds, dessas empresas. No momento em que escrevo este artigo, existem títulos da Sears, por exemplo, pagando 16% em dólar e com vencimento pra daqui um ano. Melhor não se entusiasmar muito, pois a chance de calote é grande.

O efeito cascata

O deterioração do varejo físico acaba tendo uma consequência danosa no setor imobiliário. E quando se trata de investimento imobiliário no exterior, falamos de REITs.

Dentre os REITs voltados para o varejo, temos pesos pesados como Realty Income (NYSE:O), Federal Realty Investment Trust (NYSE:FRT), General Growth Properties (NYSE:GGP), Simon Property Group (NYSE:SPG) e Kimco Realty Corporation (NYSE:KIM).

No portfolio desses REITs podem existir lojas únicas comuns, pequenos malls abertos e shopping-centers. Em geral, existe uma mescla de todos os tipos, mas alguns são mais especializados em um tipo específico.

Os administradores desses REITs devem tomar medidas de forma a minimizar o impacto causado pela crise no setor de varejo. Realty Income por exemplo já possui 20% das propriedades em outros setores, como o de escritórios, industrial e agricultura. Simon Property Group já está incluindo novas atrações em seus malls para atrair o público.

Particularmente, acredito que há setores muito mais promissores dentro do mercado de REITs. Em virtude da digitalização dos negócios, vejo os REITs de Data Centers e Logísticos com olhos melhores. O primeiro por motivos óbvios e o segundo estimulado e necessário para entrega dos produtos vendidos online.

Dentro do varejo tradicional, os supermercados ainda não sofrem tanto com a concorrência online, já que existe toda a questão de conservação dos alimentos e em geral gostamos de escolher frutas e verduras ao vivo. A própria Amazon percebeu isso e acabou comprando a Whole Foods Market.

A gigante do e-commerce agora oferece tanto a solução online (AmazonFresh), onde o produto fresco ou gelado é entregue na sua casa, quanto a solução onde eles separam as compras e você passa lá pra pegar. É o AmazonFresh Pickup, que você pode ver no vídeo abaixo:

Outras empresas que resistem são os outlets e lojas de desconto, como T.J. Maxx (NYSE:TJX) e Dollar General (NYSE:DG). A perda do poder de compra da classe média endividada americana aumenta o fluxo de compradores nas alternativas de apelo popular.

A morte e reinvenção dos shoppings

Corredores de lojas de frente umas para as outras. Lojas de departamento ou supermercados como âncoras em uma ou nas duas pontas do empreendimento. Uma praça de alimentação, com os guichês dos restaurantes de frente para uma coleção organizada de mesas e cadeiras.

Esse é o modelo de shopping que todos nós conhecemos. Ele foi criado, pasme, em 1950, nos próprios Estados Unidos e posteriormente copiado no mundo todo. Hoje, quase 70 anos depois, o modelo dá diversos sinais de esgotamento.

Pra você ter ideia da gravidade do problema, prevê-se que um terço dos shoppings americanos fechará nos próximos anos. Existe até uma série no Youtube chamada Dead Mall Series, onde o autor percorre shoppings abandonados ou dando os últimos suspiros. É bem deprimente:

Então, se as pessoas não estão indo mais a esses shoppings, ou eles fecham ou se procura uma nova utilidade para eles. E esta segunda opção é o que muitos estão escolhendo.

Aproveitando-se da ampla metragem e de um grande estacionamento, transforma-se o que antes era um centro de compras em um centro de convivência, entretenimento e alimentação. Sai a praça de alimentação e entram restaurantes de melhor padrão. Saem as lojas e entram brinquedotecas, aquários, academias, centros educacionais, clínicas médicas, boliches, karaokês, centros esportivos, showroom de marcas e inclusive apartamentos.

varejo
Aquário do Grapevine Mills, da Simon Property Group

Procura-se colocar serviços que ofereçam uma grande experiência e não estão disponíveis online. É o caso das novas redes de restaurantes nos Estados Unidos, como PunchBowlSocial e Spin que englobam alimentação, esporte e diversão.

O shopping center mais movimentado do país, o Mall of America, tem montanhas-russas, roda gigante, um aquário gigantesco com tubarões, restaurantes, hotel, uma capela para celebrar casamentos e também muitas lojas. É o que eu chamo de oferecer experiências aos consumidores.

Essa transformação dos shoppings, que inclusive já começo a perceber no Brasil, lembra muito o caso do Jóquei Clube de São Paulo. Como corrida de cavalos já não é mais um esporte muito procurado, o local se tornou também uma arena de shows e palco de eventos diversos.

Concorrência é boa para o consumidor

Nesse cabo de guerra entre o online e as lojas convencionais, quem ganha é o consumidor. Não faz mais tanto sentido sair de casa, pegar trânsito, pagar estacionamento, ser mal atendido e ainda por cima pagar mais caro por um produto.

Assim como as locadoras de filmes deram lugar a outros negócios, shoppings e outros tipos de lojas terão que se adequar às novas necessidades. Se não há mais necessidade de lojas físicas para vender aparelhos eletrônicos ou eletrodomésticos, sempre haverá espaço para serviços de saúde e educacionais, por exemplo.

No Brasil, acredito que a mudança será mais lenta em relação ao que tem ocorrido nos EUA, mas é inevitável. Aqui existe ainda o benefício do shopping ser considerado um lugar seguro para sair. Algo que não acontece com as lojas de rua.

Enfim, para os investidores, muito cuidado neste momento ao investir no setor de varejo e ficar atento aos movimentos dos gestores de REITs ligados a ele.

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Este post tem 24 comentários

  1. Avatar

    Muito boa matéria

  2. Avatar

    Excelente post II

    Os shoppings na Europa também estão passando por esta mudança de conceito. Ir até um shopping tão somente para comprar produtos não faz mais sentido. O e-commerce oferece em questão de segundos o melhor preço para aquela compra. Então os gestores estão buscando oferecer uma experiência que o e-commerce não consegue realizar. Um exemplo singelo na realidade brasileira são as pistas de patinação no gelo que alguns shoppings oferecem. A Amazon não pode oferecer isto ao consumidor, mas os shoppings podem. Na Espanha tem um shopping que montou um lago dentro da sua própria estrutura. As pessoas podem passear de caiaque, pedalinho, em um ambiente climatizado com uma série de conveniências. É uma experiência muito satisfatória.

    A mudança no conceito dos shoppings está presente, como você muito bem descreveu neste artigo. Gostando ou não, todos varejistas precisam se adaptar a nova realidade. Em minha opinião, os shoppings de grandes redes estão preparados para acompanhar esta mudança. Já os pequenos e médios shoppings bem como os seus lojistas, estes sim, estão sob forte risco. As grandes redes tem dinheiro para buscar uma transição para o e-commerce, oferecendo diferenciais que outros não oferecem. Já estes vão enfrentar mais dificuldades.

  3. Avatar

    Excelente análise! Acredito que outras exceções, nos EUA, pelo menos, são aqueles shoppings em áreas visitadas pelos latino-americanos, tipo o Dolphin Mall e o Aventura, além do Sawgrass, mas esse é outlet. O pessoal ainda tem a tal da “experiência ” que aquela consumidora relatou, pois saem do Brasil, Venezuela, Argentina, etc. e ficam maravilhados com a gama de ofertas e preços

    1. Investidor Internacional

      Olá Tarik,

      É verdade. Shoppings em áreas turísticas com vantagens fiscais para compras ainda são bem movimentados, seja na Flórida, no Panamá ou no Paraguai.

      Também vejo muitos hotéis anexados a shoppings. O benefício mútuo é evidente.

      Abçs!

  4. Avatar

    Excelente II!

    Onde moro os shoppings estão sofrendo como seu texto mostra. E estão se reinventando mesmo. Em um shopping popular perto de onde moro, surge de vez em quando pista de kart, patinação, exposições variadas…

    Já o número de lojas só tende a diminuir…

    Abraços

    1. Investidor Internacional

      Olá Investidor Inglês,

      Hoje em dia, é preciso oferecer muito mais para tirar o consumidor de casa.

      Ainda mais que a cada dia que passa, a vida nas grandes cidades está bem corrida.

      Abçs!

  5. Avatar

    Eu já percebo isso acontecendo em minha cidade onde o shopping que está bem vazio agora aluga para serviços para prefeitura como o Uai (famoso PoupaTempo em SP) e um serviço da prefeitura de casas populares, que atrai pessoas que não tem o perfil do shopping imagino eu.

    Concordo também com o ponto de vista do NY Times. Tenho péssima experiência em lojas de varejo. Inclusive a última foi no Magazine Luiza onde decidi nunca mais comprar em lojas desse tipo. Juntando estacionamento, tempo e o péssimo atendimento, pagaria o frete bem feliz. No entanto as ações do Magazine Luiza subiram 400%.

    1. Investidor Internacional

      Olá Douglas,

      Pois é. Fui na mesma varejista e o vendedor me orientou a entrar no site.

      Loje de eletrônicos só serve como vitrine e loja calçados só serve para experimentar. Irão descobrir isso mais cedo ou mais tarde.

      Abçs!

  6. Avatar

    Quando chego ao shopping que frequento encontro o estacionamento lotado, mas ao caminhas pelas galerias encontro as lojas sempre vazias. O que está dando ibope mesmo é praça de alimentação e cinema. Fora o estacionamento que também gera boa receita. Eu ainda gosto de comprar roupas em lojas físicas como a Rener e Riachuelo (baratinhas), mas o resto não vejo sentido em comprar nos shoppings, se depender de mim vai sobrar só as lojas de departamento, rs

    Abraço!

    1. Investidor Internacional

      Olá Uó,

      Tenho a mesma impressão sua. Estacionamento cheio, mas poucas pessoas efetivamente comprando produtos físicos.

      Roupa é algo que experimentar ajuda.

      Praça de alimentação e cinema é que puxam o fluxo. Daí colocar escolas, faculdades, igrejas, academias e serviços que tragam fluxo de pessoas ser uma boa alternativa para os shoppings.

      Abçs!

  7. Avatar

    Só vou ao shopping para comer ou para ir ao cinema. As roupas são bem caras e agora que eu já sei bem minhas medidas eu compro tudo pela internet, ou mesmo em lojas de rua que uma peça igual ao do shopping fica mais barato. Eletrônicos idem, além de ter poucas opções em lojas físicas. No Brasil creio que ainda irá demorar bastante tempo para os shoppings começarem a sofrer como estão sofrendo nos EUA, porque aqui muita gente não confia em compras online, além de que o povo gosta de passear e shopping tem uma certa facilidade logística e concentra uma grande quantidade de pessoas, restaurantes, lojas, pontos de wifi grátis etc.

    1. Investidor Internacional

      Olá Charles,

      Concordo com você. Ainda há muita resistência com compras online. Acredito que seja muito pela falta de confiança em quem vende. Daqui um mês teremos a “Black Fraude” e o número de reclamações de atraso nas entregas, como sempre, será alto.

      Shopping usado pra passear não se sustenta. Ele precisa que as pessoas gastem.

      Abçs!

  8. Avatar

    impecavel! parabens

  9. Avatar

    Investidor Internacional,

    Gostei do seu post.
    Eu também costumo ir à lojas físicas apenas para ter uma ideia de qualidade e tamanho, mas raramente compro produtos lá, pois geralmente são mais caros do que os encontrados no e-commerce, além de oferecerem menos opções.

    “…muito cuidado neste momento ao investir no setor de varejo”
    Boa observação.

    A sobrevivência dos shoppings realmente está na reinvenção desse modelo que está entrando em decadência.
    No Brasil ainda precisamos considerar o fator segurança e também o mobiliário urbano, pois além de locais de convivência, os shoppings são locais cada vez mais procurados pelas pessoas devido a violência crescente e a falta de eficiência (e vontade) do poder público em tornar os espaços públicos agradáveis e dignos. Há alguns meses escrevi sobre isso no meu blog, postei aqui como link a página para esse post específico.

    Abraços,

    1. Investidor Internacional

      Olá Rosana,

      Além da facilidade do estacionamento, o shopping costuma ser um lugar mais seguro que muitos espaços públicos.

      É mais uma diferença entre o público e o privado. Sou também muito a favor de privatizar as cidades.

      Abçs!

  10. Avatar

    II,

    Ótimo post!

    A melhor maneira de identificar onde investir é sentir o mercado. Faz muito tempo que eu mesmo não compro em lojas em shoppings e muito menos nas lojas nas ruas. Prefiro comprar pela internet porque faço isso no sofá vendo televisão e comendo uma pipoca, sem contar que posso olhar preços em diversas lojas ao mesmo tempo e ainda consigo descontos caso vá comprar algo em um site mas fui direcionado por outro como é o caso do buscapé e zoom.

    No Brasil, como você mesmo citou, isso vai demorar um pouco pois um dos principais motivos de os shoppings ainda respirarem é a insegurança. No RJ se alguém quer comprar algo sem ser pela internet, quase que obrigatoriamente tem que comprar no shopping para mitigar riscos mas de qualquer maneira não é um setor que atrai meus investimentos.

    Na minha opinião as pessoas gostam de coisas bonitas e conforto então quem oferece isso já sai na frente da concorrência. Esses serviços em shoppings atraem muito mais público do que simplesmente ir para fazer compras. Shopping pra mim hoje é somente cinema.

    Abraço!

    1. Investidor Internacional

      Olá BPM,

      Pra certos produtos, a internet é a melhor opção.

      Os shoppings precisam focar mesmo no quesito experiência. Entretanto, ainda vejo bom movimento nos principais shoppings do país. Resta saber até quando.

      Abçs!

  11. Avatar

    Olá Investidor Internacional,

    excelente post que confirma as grandes mudanças que virão no setor: lojas sem grandes estoques, servirão de mostruário e entregas em domicílio.

    Sobre as tendências nos EUA, noticiário internacional, quais suas fontes de informação que vc utiliza?

    Excelente Blog

    Marcelo Kastrup

    1. Investidor Internacional

      Olá Marcelo,

      Obrigado por comentar.

      Quanto às fontes, deixei alguns links no artigo, mas pra esse texto também li algumas matérias do Business Insider, Forbes e mais alguma que não estou lembrando.

      O Peter Schiff também comenta muito sobre isso em seu podcast.

      Abçs!

  12. Avatar

    Parabéns, muito bom como sempre. Porque você não cria um canal no You tube para divulgar o seu trabalho e o liberalismo? Você pode alcançar muitos adolescentes que serão futuros libertários.

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