Nvidia

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A companhia que está revolucionando a tecnologia tem sido uma das melhores ações para investir

É durante a adoção em massa de novas tecnologias que as grandes fortunas são feitas. Foi assim com a adoção dos carros no começo do século XX, com o computador pessoal na década de 80 e com a internet nos anos 2000. A Ford, a Microsoft e o Google foram algumas das empresas pioneiras nessas áreas e que amealharam fortunas graças a esse pioneirismo.

Já estamos em 2018 e a tecnologia continua avançando. A nova revolução se dá pelo nome de inteligência artificial. A cada dia que passa, os sistemas de inteligência artificial  têm se desenvolvido cada vez mais e as aplicações para o nosso dia a dia vão se tornando realidade.

E se existe uma empresa que está na dianteira de toda essa revolução, ela chama-se Nvidia. A empresa que começou como uma fabricante de placas de vídeo para computadores vem transformando seu negócio em algo que vai muito além dos jogos eletrônicos.

Neste artigo, você irá aprender um pouco da história da empresa, o que são os sistemas de redes neurais e aprendizado profundo e como a empresa tem aproveitado suas inovações em tecnologia de ponta para faturar bilhões.

A história da NVIDIA

Em 1993, os três fundadores vislumbraram que a computação passaria por uma mudança e que a onda seguinte de desenvolvimento sairia dos processadores centrais (CPUs) para os processadores gráficos (GPUs).

A companhia lança seu produto de maior sucesso em 1998. A Riva TNT é a primeira placa de vídeo a se espalhar pelo mercado. Já em 1999, é lançada a linha GeForce, com o modelo 256.

A GeForce se consolida como a principal marca de placas de vídeo para PCs e a Nvidia adquire sua principal concorrente, a 3Dfx, no ano de 2000. A empresa também começa a produzir a linha Quadro, voltada para workstations gráficas.

Em 2005, a empresa fecha contrato com a Sony para colocar seu processador no Playstation 3. Três anos depois, é lançado o processador gráfico para smartphones Tegra.

Em 2015, a Nvidia lança o Tegra X1 para sistemas de aprendizado profundo e o Nvidia Drive para operar veículos autônomos. Nos dois anos seguintes, novos sistemas voltados para o aprendizado profundo, inteligência artificial e operação de drones e robôs são lançados, incluindo o sistema DGX-1 e o Drive PX 2.

A diferença entre inteligência artificial, aprendizado por máquinas e aprendizado profundo

Primeiro veja esta imagem retirada do próprio site da Nvidia:nvidia aprendizado profundo Inteligência artificial é uma ideia mais ampla e mais antiga. O conceito mais atual remonta à década de 50, quando foi pensada como forma de replicar o pensamento humano dentro das máquinas. Isso é claramente perceptível quando vemos os seriados e filmes antigos como Perdidos no Espaço e o próprio Guerra nas Estrelas, onde a inteligência artificial está representada por robôs humanóides.

Apesar de ser o conceito mais antigo, esse nível de inteligência artificial está longe de ser realidade. Montar uma máquina que se comporte como um ser humano em todos os sentidos ainda é apenas um sonho. O que temos hoje são máquinas capazes de realizar tarefas bem específicas melhores que os seres humanos.

O que nos leva ao próximo ponto, o aprendizado por máquinas. Ao invés de programar a máquina a fazer certa atividade da mesma forma sempre, ela é programada a usar diversos algoritmos e dados para descobrir a melhor maneira de resolver um problema ou efetuar uma ação.

Já o aprendizado profundo leva tudo a um novo patamar. Uma quantidade massiva de dados é inserida no sistema. Esses dados são fragmentados e classificados. Com base nisso, a máquina calcula um resultado muito mais fidedigno para a tarefa a qual tenha sido designada.

De maneira bastante simplificada, um jogo básico de xadrez no computador sabe não só movimentar as peças, mas também algumas estratégias. No aprendizado profundo, a máquina sabe todas as jogadas dos melhores jogadores de todos os tempos e consegue determinar muito mais qualidade o próximo movimento.

A vantagem das GPUs

Onde a Nvidia entra nessa história? Bom, como eu falei, a empresa é a maior companhia do mundo na fabricação de placas de vídeo.  O coração de uma placa de vídeo é a GPU (Graphic Processing Unit). É nela que está o “segredo”.

Ao contrário das CPUs (o Core i3, i5 ou i7 que provavelmente equipa seu computador), as GPUs conseguem trabalhar em paralelo. Enquanto as tarefas realizadas por uma CPU são feitas de maneira sequencial, uma após a outra, a GPU consegue realizar todas as tarefas ao mesmo tempo. É como se a CPU fizesse uma prova de 10 questões resolvendo uma pergunta de cada vez e a GPU resolvesse as 10 questões ao mesmo tempo.

Para você ter uma ideia, enquanto um Intel Core i7 8700k possui 6 núcleos de processamento, uma GPU Nvidia GTX 1080 possui 2560 núcleos. Obviamente cada núcleo da CPU da Intel é bem mais poderoso do que um núcleo da placa de vídeo. Entretanto, o processamento de vídeo se beneficia mais do trabalho em paralelo dos milhares de núcleos das GPUs que do trabalho sequencial da CPU.

Tudo isso para dizer que o sistema de GPUs e sua alta capacidade de realizar tarefas em paralelo é fundamental para rodar as redes neurais usadas para o aprendizado profundo, que assim como os vídeos se beneficiam deste tipo de processamento. A inteligência artificial seria apenas uma teoria se não houvesse as redes neurais formadas pelo trabalho em conjunto dos núcleos das GPUs e capazes de executar milhões de tarefas simultaneamente.

No vídeo abaixo, você pode ver o que existe por dentro de um sistema voltado para o aprendizado profundo, o DGX-1 da NVIDIA:

O DGX-1, equipado com 8 GPUs Tesla V100 custa cerca de 149 mil dólares e a sua versão reduzida, a DGX Station, com 4 GPUs custa 69 mil dólares.

Aprendizado profundo na prática

Quando você está dirigindo e vê uma placa escrito “PARE”, você pisa no freio e para o carro próximo ao cruzamento. Olha para os dois lados e assim que não vê nenhum outro carro cruzando, acelera e atravessa.

Pode parecer uma tarefa banal para nós, mas colocar isso dentro de um sistema computacional requer um esforço colossal.

Primeiro o carro precisa ver a placa. Entender o que está escrito e reconhecer a orientação para parar. Ativar os freios de modo que o carro pare exatamente antes do cruzamento. O carro precisa verificar todos os objetos em movimento à sua volta. O que é carro, o que são pessoas, animais, árvores, etc. Precisa também calcular a velocidade e distância de todos eles e calcular a área livre à sua frente. Assim que identificar que é seguro atravessar, ele pode acelerar e ir.

E ele precisa fazer tudo isso mesmo se estiver à noite, chovendo, nevando ou com neblina.

Todo esse reconhecimento e processamento que permitem ao carro autônomo dirigir com segurança são feitos pelos sistemas da Nvidia instalados nos carros.

O mais incrível é que não foi preciso fazer programação alguma para que o sistema identifique os obstáculos ou que diferencie a rua da calçada. O sistema “aprendeu” com milhares de horas de análise feitas por câmeras e sensores em carros dirigidos por motoristas profissionais nas mais diversas situações.

Nvidia como investimento

Não adiantaria eu lhe passar os resultados da Nvidia (NASDAQ:NVDA) sem que você entendesse todo o contexto na qual ela está inserida. Com toda essa introdução fica mais fácil entender que a evolução da ação nos últimos anos tenha sido este gráfico (em escala logarítmica) aqui:

nvidia grafico
Evolução da ação da NVIDIA nos últimos 5 anos

Sim, ação saiu da casa dos 12 dólares em 2013 para 240 dólares em 2018, o que levou seu valor de mercado para 147 bilhões de dólares atualmente. Apenas em 2017, a ação subiu 81,3%. Entendeu agora por que uma revolução tecnológica tem a capacidade extraordinária de criar riqueza num curto período de tempo? Agora imagine quando carro autônomo for tão banal quanto os airbags.

Uma ação não valoriza tanto assim sem resultados e nos últimos cinco trimestres a companhia simplesmente bateu a estimativa dos analistas com lucro em média 32% maior do que o esperado.

O ano fiscal da companhia é diferente do calendário comum. Os resultados para o 4º trimestre de 2018 sairão no próximo dia 8 de fevereiro. Então vamos avaliar o que a companhia divulgou até agora em relação aos 9 primeiros meses do ano-calendário de 2018.

A receita bateu recorde e atingiu 2,64 bilhões de dólares no trimestre, alta de 32% em relação ao mesmo período de 2017. O lucro por ação foi de 1,33 dólares, alta de 60% em relação a um ano antes. O dividendo foi elevado em 15% para 15 centavos por ação. Para o ano de 2019, a companhia pretende entregar 1,25 bilhão de dólares em retorno aos acionistas sob a forma de dividendos e recompra de ações.

Os principais segmentos da empresa são:

Placas de vídeo para jogos: é o maior segmento, com 59% de participação na receita e que teve crescimento de 25% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A empresa possui mais de 70% desse mercado no mundo.

Banco de Dados: ainda representa pouco (19% da receita), mas que cresceu 109% em relação ao último ano. É o segmento que apresenta as maiores margens (75% de margem bruta).

Automotivo: representa apenas 5%, mas possui grande potencial. Estima-se que este segmento possa trazer mais de U$ 8 bilhões de receita no ano de 2025.

Na CES 2018 de Las Vegas, a companhia anunciou parceria com a Volkswagen e com a Uber para desenvolver a tecnologia de carro autônomo. Os futuros veículos da montadora alemã poderão ser equipados com sistema de co-piloto inteligente, poderão oferecer reconhecimento facial, controle por voz, controle por gestos e monitoramento de distração do motorista. Tudo fabricado pela Nvidia.

Conclusão

A Nvidia é uma empresa de crescimento e o preço da ação reflete tanto o que ela tem apresentado em termos de resultado como as perspectivas futuras neste novo mercado de inteligência artificial e aprendizado profundo.

Claro que a concorrência tem se mexido e pode ser uma preocupação. A Intel já desenvolve um chip com alto poder de processamento paralelo e a AMD corre por fora, mas seus produtos ainda estão com pelo menos um ano de defasagem.

O fato da Nvidia ter os melhores produtos e ter feito parcerias com gigantes da indústria automobilística e da computação em nuvem a colocam numa posição mais confortável em relação às demais.

O fato é que os sistemas de aprendizado profundo podem ser usados em diversas áreas. Aquela que mais tem adotado esse sistema atualmente é a de saúde, onde tem auxiliado em diagnósticos e análises genéticas. Entretanto, em áreas promissoras como marketing, inteligência de mercado, segurança, finanças, educação, comércio eletrônico ainda há muito o que aplicar.

Enfim, a Nvidia tem se mostrado muito competente em desenvolver soluções para novos e promissores mercados. Possui posição de destaque nessas novas tecnologias e as perspectivas de crescimento futuro ainda são grandes. Se o futuro que ela planeja se concretizar,  poderá facilmente se tornar uma das empresas mais valiosas do mundo, ao lado de gigantes como Microsoft e Alphabet.

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Este post tem 16 comentários

  1. Avatar

    Mais um post de valor.
    Obrigado I.I.

  2. Avatar

    Excelente artigo , ( já é rotina a alta qualidade dos teus artigos).
    Sugestão : um artigo sobre o novo Ouro da Humanidade o Lítio, com a mudança de paradigma que a indústria automobilística está passando, creio que será interessante.
    Quais empresas possuem as maiores reservas de Lítio do mundo?
    Acredito que investir hoje em metais preciosos e consequentemente nas empresas que detém sua extração, será um ótimo investimento , visto que o Dólar não seguirá eternamente com a força que possui atualmente.
    Platina , Prata, Ouro e Lítio, creio que serão otimos investimentos.

  3. Avatar

    Boa noite Investidor International. Parabéns pelo trabalho pioneiro e esclarecedor.
    Gostaria de saber qual a diferença de investir em VOO (ETF da Vanguard) ou investir em CSSPX .
    AMBOS refletem o SP500, mas em termos de custo de manutenção, e quanto à segurança, haveria diferença? E quanto ao ETF da BlackRock, há diferença ? Muito Obrigado pela ajuda.

    1. Investidor Internacional

      Oi Mark,

      Eu respondi seu e-mail.

      Vendo aqui, o CSSPX é sediado na Irlanda e reinveste os divendos, enquando o VOO é sediado nos Estados Unidos e distribui dividendos.

      O primeiro é a iShares e o segundo da Vanguard, empresas das maiores no mercado de ETFs.

      Abçs!

  4. Avatar

    Excelente trabalho. Parabéns!

  5. Avatar

    Que homão da porra.
    Esse cara saca de tudo de investimento.

  6. Avatar

    Parabéns!
    Excelente apresentação, aliás, como todas que você tem feito.

    Gostaria de saber sua opinião, se possível, sobre o grafeno e se existem ETFs que apliquem em empresas que desenvolvam produtos e pesquisas com este tipo de material.

    Muito obrigado por tudo que você nos tem proporcionado em termos de informação e desmistificação sobre aplicações no exterior.

    Abraço

  7. Avatar

    II, ja tenho as minhas NVDIAs desde o ano passado. Excelente!
    abs,

  8. Avatar

    Caro,

    Já tenho uma carteira dividida só em Nvidea e Texas Instruments, o que você acha da Texas instruments?

    1. Investidor Internacional

      Olá João Paulo,

      Texas Instruments é uma empresa muito boa.

      Não estudei ainda a fundo, mas ela possui um histórico muito bom.

      Abçs!

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