Para que serve a educação?

Para que serve a educação

O desperdício de tempo e dinheiro na educação brasileira prejudica todos nós

Estes dias estava escutando um das dezenas que podcasts que escuto semanalmente e o assunto me chamou a atenção. O convidado, Bryan Caplan, autor e professor universitário americano, era autor do livro “O caso contra a educação”.Não se assuste, o nome é este mesmo.

E o que faço quando vejo uma afirmação que vai contra o que eu penso? Desligo? Não, de forma alguma.Vou escutar o que ele tem a dizer e ver se mudo ou ajusto minha opinião. É uma tarefa interessante e rara hoje em dia. Muita gente é a favor ou contra alguma coisa, mas poucos são capazes de escutar e analisar as opiniões contrárias.

A defesa do investimento em educação é praticamente uma unanimidade em qualquer lugar que se discuta. Desde ganhadores do prêmio Nobel, passando por especialistas de diversas instituições e organizações internacionais até as pessoas comuns com quem convivemos diariamente. Em geral, quase todo mundo concorda que se deve investir mais em educação, que se deve valorizar mais os professores, etc.

Não irei entrar inicialmente na relação entre estado e educação. Irei analisar a relação entre o que se aprende na escola e a realidade do nosso país e do mercado de trabalho.

Qual é a importância da educação?

Resolvi perguntar ao Google: “qual a importância da educação?”

Selecionei algumas respostas:

“Perguntar a importância da Educação é como perguntar qual a importância do ar para nós. É pela Educação que aprendemos a nos preparar para vida”, Sandra Unbehaum, socióloga.

“Precisamos ensinar às nossas crianças os valores de paz, tolerância, igualdade e respeito. Elas não devem ter nenhuma dúvida de quão destrutiva é a alternativa a esses valores”, Peter Thomson, diplomata na ONU.

“A educação é o pré-requisito elementar para o desenvolvimento político e econômico, para a democracia e para a igualdade social.” Ute Schaeffer, jornalista alemã.

Como é possível ver, existe uma certa abstração quando se trata deste tema. A impressão que eu tenho lendo estas e outras opiniões semelhantes é a de que a criança entra na escola com 6 ou 7 anos e aos 18 sai como um diplomata pronto a negociar a paz mundial, mas que é incapaz de produzir um parafuso.

Eu já acredito que a coisa é mais simples do que tentam florear. No meu ponto de vista:

O sistema de ensino deve preparar o aluno para o mercado de trabalho

O que é educação?

Há uma variedade de definições em se tratando de educação. Existe aquela educação que eu entendo como sendo sendo função familiar e diz respeito a valores como respeito, honestidade, solidariedade, responsabilidade, etc. Existe a educação como forma de aquisição de conhecimento, que pode ser feita de várias formas: por conta própria, em cursos, com professores particulares, etc. E existe a educação escolar, que chamei de sistema de ensino acima, é esse modelo ‘ obrigatório’, regulamentado, com provas, vestibulares, etc.

Não se pode misturar as coisas, algo que o atual modelo escolar vem fazendo da pior maneira possível. E esse mistura se revela numa das maiores conversas fiadas da história, que é dizer que a escola deve formar cidadãos críticos com o mundo.

Qual o conhecimento de vida que um adolescente tem, por exemplo, para ser crítico em relação a fatos políticos, econômicos e sociais do Brasil e do mundo? Quantos anos esse adolescente trabalhou, quantos chefes ele teve, com quantos funcionários ele teve que lidar, quantas situações de estresse ele teve que resolver, quantos filhos ele teve que criar, quantas contas ele teve que pagar? Adolescente mal arruma a cama, como é que vai ter capacidade crítica em relação a assuntos bem mais complexos e que requerem um nível de conhecimento mais aprofundado?

Esse é o primeiro ponto que quero levantar aqui. Eu pago a escola do meu filho para ele aprender gramática e matemática e não pra ter uma opinião sobre se o impeachment foi golpe (sério, isso é discutido atualmente em sala de aula).

A imagem abaixo é de assustar. Você prefere ver seu filho aprendendo a somar e a multiplicar ou sendo recrutado para passeatas?

Passeata crianças educação

Toda a lavagem cerebral que culmina num evento como este aí de cima está infiltrada em praticamente todas as matérias lecionadas. Como a prova do ENEM está aí pra mostrar, existe toda uma doutrinação comunista infiltrada desde o ensino de história, literatura, até o de matemática.

No Brasil, o sistema educacional está formando pessoas engajadas politicamente (em geral defendendo o lado errado e coletivista da história), mas que são incapazes de interpretar um texto corretamente. Pesquisas recentes mostraram que 80% dos estudantes de ensino superior no Brasil são analfabetos funcionais. Recentemente, inclusive, deparei-me com uma universidade que oferecia um curso de “nivelamento” em matemática e língua portuguesa em sua página do Facebook para os alunos que quisessem (re)aprender as matérias do ensino médio.

As matérias escolares

Quando se vê a evolução daquilo que é ensinado na escola nas últimas décadas, percebe-se que pouco mudou. Algumas matérias foram abolidas, como latim, francês, educação moral e cívica e OSPB (Organização social e política brasileira). Não vejo muita utilidade nessas matérias, mas o curso de economia doméstica que foi ensinado durante algum tempo seria útil hoje em dia.

As matérias tradicionais, que formam o grosso do conteúdo, apenas mudaram de nome. ‘Estudos sociais’ viraram História e Geografia. Ciências virou Química, Biologia e Física. ‘Comunicação e expressão’ se transformou em Língua Portuguesa e Literatura. O mundo é completamente outro, mas o que é ensinado é praticamente a mesma coisa (só que numa qualidade pior).

Agora pare pra pensar na quantidade de conteúdo dessas matérias que foi-lhe ensinado e quanto disso você aplica hoje em sua vida. Acredito que não muito, correto? Lembro perfeitamente de uma aula de matemática no terceiro colegial, onde o professor ensinava matrizes. Alguém perguntou para que servia aquilo e ele simplesmente respondeu que fez a faculdade de matemática inteira e chegou a conclusão de que só servia mesmo para passar no vestibular. Acredito que até deva servir para alguma coisa, mas não tem aplicação para um jovem de 17 ou 18 anos.

Educação - sala de aulaEm resumo, todos os dias milhões de crianças e adolescentes, boa parte desinteressados, ficam 4 horas ou mais dentro de uma sala de aula para aprender algo sem qualquer relação com a realidade. Quanto de poesia um futuro engenheiro florestal deve ser obrigado a ler? Você terá tempo para ler os ‘Sonetos de Bocage’ quando for adulto, tiver interesse e sem ninguém forçá-lo.

Ah, mas então devemos abolir essas matérias? Claro que não. Acredito que haja um excesso de informações em cada uma delas para muito além do necessário. Um mínimo sobre cada uma delas já seria suficiente para despertar curiosidade pela leitura e outros assuntos. Sabe quantas vezes eu usei a fórmula de Bháskara depois que passei no vestibular? ZERO! E olha que eu tenho um monte de planilha de Excel calculando de tudo.

As matérias escolares deveriam ser menos aprofundadas e mais práticas. Ao invés de Biologia, poderíamos ter um curso de Saúde, onde os alunos aprenderiam o funcionamento do corpo humano, as principais doenças e cuidados. A aplicação prática disso é imediata. Cortou o dedo? Sabe o que fazer. O pai tem diabetes? Sabe orientar. A matemática deveria incluir coisas do dia-dia, como economia e finanças. Aprenderiam a calcular troco, juros, rentabilidade, etc.

Existe muita coisa interessante que os jovens deveriam aprender, mas que não é ensinado. Inclusive muita coisa poderia ser ensinada na prática, principalmente quando o foco é preparar a pessoa para o mercado de trabalho.

Como tocar um pequeno negócio? Que seja uma barraca de limonada, um carrinho de sorvete ou de cachorro-quente. Só aí já se aprende: disciplina, organização, limpeza, conservação de alimentos, atendimento, relacionamento com o cliente, matemática financeira, entre outros. E não precisa ser na escola, todo o jovem deveria ser estimulado a trabalhar, mesmo que seja em tempo parcial.

Preparei uma pequena lista de conhecimentos importantes que não se aprendem na escola. Veja se você concorda:

  • Oratória e comunicação
  • Negociação e persuação
  • Marketing
  • Desenvolvimento pessoal
  • Gerenciamento de tempo
  • Gerenciamento de estresse e das emoções
  • Inteligência emocional
  • Trabalho em equipe
  • Liderança
  • Aprender a aprender
  • Elaboração de apresentações
  • Linguagens de programação
  • Administração
  • Leis

Antes da universidade, o ensino deveria focar no básico de cada matéria e fornecer algum conhecimento para a vida, como direito, economia e saúde, alguma formação técnica, como informática e programação, e as diversas habilidades acima.

Da forma como está, é comum você ser atendido em lojas por jovens universitários que não sabem separar para você modelos de tênis do tamanho 42. Claro que apoio as pessoas a trabalharem para pagar uma faculdade, mas se elas chegaram até a faculdade sem ter noções mínimas de organização, como terão as qualificações exigidas em uma profissão de nível superior?

A educação que não tem fim

Quanto mais as pessoas vão tirando diplomas, mais diplomas serão necessários. Hoje em dia não basta ter uma graduação. Para se destacar é preciso ter mestrado, doutorado e pós-doutorado. E juro pra você que existe gente com 2 pós-doutorados. Enfim, pessoas na casa dos 40 anos, que nunca trabalharam, mas que estão cheias de papel pra exibir.

Óbvio que profissões mais técnicas e específicas como engenharia e medicina requerem pessoas altamente especializadas e capacitadas. Por outro lado, existem muitas áreas onde há um excesso de formação para atividades que não necessitam de tudo isso.

A verdade é que a maioria das pessoas não precisa fazer uma faculdade. Está cheio de gente graduada que jamais chegou a exercer a profissão. Ou acha mesmo que o Brasil precisa de tanto advogado assim?

Muitas dessas pessoas se sairiam melhor recebendo ensino técnico que os colocassem mais cedo e preparados no mercado de trabalho. Com o tempo e conforme suas carreiras fossem se desenvolvendo, fariam cursos específicos para adquirir conhecimento e habilidades que fossem realmente usar em suas funções.

Conclusão

Diante de tudo isso, qual a melhor forma de mantermos um sistema de ensino em sintonia com os avanços de tecnologia e da necessidade do mercado de trabalho?

Primeiro é tirar o estado da jogada. É errado você cobrar impostos de toda a população e oferecer um serviço para algumas pessoas. Sem contar a burocracia e a corrupção que desviam uma boa parte deste dinheiro. E não, não adianta mudar a gestão ou sei lá mais o quê. A única solução é acabar com o Ministério da Educação, Secretarias da Educação, etc.

Só com o fim do MEC já não teríamos mais a “Base Nacional Comum Curricular”, que nada mais é do que planificar a educação a nível nacional. Se você puder me explicar porque a educação na zona rural de Santa Catarina deve ser igual a educação no centro de São Paulo, ficaria agradecido. Será que a necessidade dessas duas pessoas não são diferentes e necessitam de conhecimentos diferentes? Será que a primeira não seria mais beneficiada com conhecimentos de agronomia do que com aulas de espanhol?

Outra que quebraria esta ferramenta de doutrinação coletiva. Tudo que é centralizado se torna extremamente perigoso, principalmente quando está nas mãos do governo, nosso maior inimigo. Ou você confia nos políticos brasileiros?

Também não teríamos mais o ENEM, filtro ideológico para as universidades, nem a aberração das cotas e nem essas universidades públicas que se transformaram em centro de formação de militantes comunistas. Antes, você entrava numa Faculdade de Medicina e encontrava alunos estudando anatomia e patologia. Hoje, eles estão lutando contra a homofobia e contra a opressão do patriarcado.

O sistema de ensino deveria ser privado e atuar em um ambiente de livre mercado. Deveria ser aberto a instituições do mundo todo que quisessem se estabelecer aqui. Deveria ter um currículo livre e que pudesse ser montado de acordo com o que a escola julgasse necessário. Também deveria ser pouco tributado (de preferência livre de impostos) para que os preços fossem mais acessíveis. Também deveria ser permitido o home-schooling para que os pais educassem seus filhos conforme modelo próprio. E a privatização das universidades permitiria que cada uma adotasse modelos próprios de seleção que fossem adequado para cada curso.

E se você não concordou com nada disso, também poderia haver escolas gratuitas mantidas por doações. Aposto que você doaria, não é mesmo? Pelo menos não precisaria sustentar todo o estamento burocrático que temos hoje.

Defender o atual modelo de educação é ajudar a condenar não só esta geração como também todas as que estão por vir. O livre mercado tem as melhores soluções para qualquer tipo de serviço que se possa precisar, inclusive no setor de educação.

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Este post tem 33 comentários

  1. Avatar

    II, você já viu os vídeos do Murilo Gun sobre educação? Só por curiosidade acessa keeplearningschool.com. Tem muita coisa em comum com o que você falou no artigo.

    Abraços,

    1. Investidor Internacional

      Olá Emanuel,

      Lembro que vi um vídeo dele em algum outro blog, enquanto escrevia este artigo.

      Mas essa história de que a educação tradicional não é a solução para muitos li a primeira vez lá atrás nos livros do Kyiosaki.

      O podcast com a entrevista do Bryan está no site do Tom Woods.

      Abçs!

  2. Avatar

    Boa noite Investidor Internacional. Suas matérias me ajudam sobremaneira. Parabéns pela profundidade dos artigos!
    Tenho tentado comprar BONDS pela interactive brokers e achei extremamente complexo.
    Você pensa ou tem a intenção de escrever alguns de seus excelentes artigos sobre a compra de Bonds em detalhes?!
    Acho que resolveria o problema de muita gente ( inclusive o meu! Rsrs)
    Parabéns pelo blog!
    Abraço.

    1. Investidor Internacional

      Olá Marculino2,

      Basta você entrar em contato por e-mail com a corretora e pedir para comprar o Bond. O ideal é passar o código ISIN do título e o valor que você quer pagar em cada um. Em geral esse valor é uma porcentagem em que 100% é o valor de face do título.

      Abçs!

  3. Avatar

    Ótimo texto!

    Fui educado num modelo educacional orientado a me preparar ao mercado de trabalho, obviamente que de la pra cá mudou drasticamente as funções, habilidades e competências para ocupar cargos nas condições de mercado atual.

    Achei muito interessante sua lista, acrescentaria Conhecimento Cientifico, assim poderíamos desde cedo aprender a analisar os fatos.

  4. Avatar

    Legal.
    Lembro de ter tido aulas de “técnicas agrícolas” e “técnicas industriais”, em escola pública numa grande capital nos idos de 1994. A tentativa (suposta preparação para o mercado de trabalho) até era louvável, mas o resultado…serviu para decorar madeira com ferro quente…e só…
    Está correto quanto à piora na qualidade…vou dar um exemplo…o que são esses 5 anos ou mais tendo aulas de inglês (na rede pública) e no final disso mal se sabe para que serve o bendito “TO BE”. É a maior enrolação…fingem que ensinam enquanto os alunos fingem que aprendem.

    1. Investidor Internacional

      Olá Leandro,

      O ensino de idioma estrangeiro nas escolas convencionais é uma piada. Na escola pública então…

      Foi bom ter tocado neste assunto. As escolas de idioma e de informática estão aí aos montes justamente porque a escola convencional não supre essa necessidade.

      E falando nisso, tem muito técnico de TI que não sabe pronunciar os nomes em inglês das diversas funções de programação que estão escritas neste idioma.

      Abçs!

  5. Avatar

    Método científico e lógica seria bom tbm.
    Método científico é ensinado em biologia de forma apressada e superficial. Tem que ir mais a fundo, as pessoas deveriam entender melhor o que é associação e causa e efeito.
    Junto disso lógica! De que adianta matrizes se o aluno não entende o básico do “Se A implica B, então não B implica não A”. Impressionante a quantidade de coisas que podem ser resolvidas no mercado de trabalho com isso, mas as pessoas não entendem.

  6. Avatar

    É um artigo que abre espaço para reflexão. Alguns pontos são bastante sensíveis, não concordo em abolir o ensino gratuito, ao menos não para nível básico. O Ensino Superior é discutível, contudo, uma coisa é certa: padronizar a educação, tributar absurdamente e deixar determinadas ideologias afetarem a imparcialidade (claro, não existe essa utopia de algo totalmente imparcial), é algo bastante corrosivo e prejudicial.

    1. Investidor Internacional

      Olá Erom,

      Ótimo ponto. Não falo em abolir ensino gratuito. Falo em abolir ensino estatal. Não são sinônimos.

      Ensino gratuito pode ser mantido por doações de pessoas e empresas.

      Ensino superior funcionaria como nos EUA. Os bons alunos que não têm dinheiro pleiteiam bolsas de estudo. Há muito milionário americano pagando faculdade para gente mais humilde.

      “A college sponsor is a generous benefactor who agrees to fund a significant portion of a student’s education.”

      Já imaginou o tanto de empresa que pagaria faculdade para alunos promissores e de destaque?

      Abçs!

  7. Avatar

    QUE ARTIGO ESPECTACULAR. PARTILHAREI COM CERTEZA

  8. Avatar

    Olá II,

    Parabéns pelo post. Gostei muito. Eu também sou um crítico sobre o ensino atualmente no Brasil.
    Há algum tempo ando pensando em escrever um post abordando sobre a enrolação para fazer um curso universitário. Eu sou da área de TI e tem várias matérias na grade que não vai acrescentar em nada, apenas vai aumentar a quantidade de anos desse curso.
    Talvez escreverei um post abordando isso este mês.

    Abraços.

    1. Investidor Internacional

      Olá Cowboy,

      Não tenho conhecimento profundo de uma faculdade de computação, mas acredito que haja muito curso bom por fora, que seja mais objetivo.

      Escreva sim e me avise se puder.

      Abçs!

  9. Avatar

    Tenho um relato interessante…
    Conheço um centro educacional privado sem fins lucrativos (filantropia). Inicialmente, atendia somente alunos carentes oriundos de uma escola pública oferecendo no contra-turno uma educação de alta qualidade (material, professores, tudo top)

    Esse centro educacional é resultado do sonho de uma pessoa iluminada, Ph.D, professor, escritor, foi secretário de educação estadual, que queria implantar aqui um modelo americano de educação. Deu tanto certo que a escola próxima viu seus índices (IDEB) subirem drasticamente.

    Esse projeto só foi possível graças a recursos arrecadados da sociedade civil (empresários, liberais, etc.). Mas em virtude das recentes crises, o centro passou por dificuldades e, para não fechar, teve que cobrar uma contribuição dos pais. Resultado: 99,99% dos pais estão contribuindo e esperançosos de que a qualidade da educação ali existente seja difundida para as demais!

    1. Investidor Internacional

      Que história interessante, Leandro!

      Ainda tem muita gente com aquela ideia de que as famílias de menor renda não teriam condições de pagar escola para os filhos. Acho um engano. A partir do momento que isso for necessários, eles vão dar um jeito. Inclusive forçaria a ter um melhor planejamento familiar. Hoje todos praticamente tem smartphones, tv a cabo e uma série de outras coisas que não são baratas.

      Obrigado por compartilhar.

      1. Avatar

        Opa, sempre que possível compartilho aqui…
        acho que abusei um pouco do superlativo quando disse 99,99%…mas seguramente está na faixa dos 90%. Algumas famílias queriam contribuir até com mais.
        Enfim, tema para uma longa e boa discussão. Desde que o interlocutor não seja militante esquerdista, pois já parte deum viés marxista que torna improdutivo o debate.

  10. Avatar

    Ótimo artigo…. Sempre achei que educação devia ser livre do estado, acredito que deveria se dar uma quantia para crianças cujos os pais não pudessem bancar a escola, assim em vez de matérias inúteis as pessoas vão aprender o que querem é o que é necessário para se sustentar, dar o dinheiro diretamente evitaria maior desvios, e acredito que a tecnologia seria usada para baratear ainda mais a educação, visto que já temos a Khan Academy.

    1. Investidor Internacional

      Olá Carlos,

      A questão de ajuda financeira para quem precisa não deve vir do estado. Ou se organiza uma entidade civil para estes fins ou o que eu já vi algumas vezes, que é juntar alguns pais de alunos para ajudar um outro aluno de menos recursos a poder estudar na escola particular.

      Aí que entra o senso de comunidade, que seria identificar famílias de trabalhadores, que defendam os mesmos valores e que tenham bom relacionamento e filhos bem educados (pela família), para receber essa ajuda.

      Acredito que deva haver um merecimento para receber este tipo de suporte e que se deve prestar contas do que está sendo feito, que pode ser as notas do aluno. É o que os ganhadores de bolsas de faculdades inglesas e americanas precisam fazer. Primeiro merecer e depois mostrar o que ele está fazendo com o dinheiro.

      O resultado, no meu ponto de vista, seria melhor do que simplesmente entregar “vouchers” para todo mundo, como muitos pregam.

      Abçs!

  11. Avatar

    Texto realmente fantástico…!!!!

    É bem isso mesmo o que acontece hoje em dia..!!!

  12. Avatar

    Olá, Investidor Internacional,

    Gostaria de compartilhar com você um vídeo de uma apresentação do TEDxOslo:

    Where in the world is it easiest to get rich? | Harald Eia | TEDxOslo
    https://www.youtube.com/watch?v=A9UmdY0E8hU

    Em resumo, surpreendentemente, os países escandinavos – denominados “democracias sociais” (vide: https://www.quora.com/Is-Norway-socialist-or-capitalist) – são as que produzem mais pessoas ricas per capita. E o mecanismo que torna isso possível é baseado em:

    1) Alta carga tributária (possibilitando educação livre para a população)
    2) Sindicatos fortes (altos cargos têm salário restrito, pois são mais custosos para as empresas)
    3) Estado de bem estar social generoso (faz os sindicatos concordarem com a redução de salário, pois seus membros têm uma rede de proteção garantida).

    Isso me faz pensar que o problema do Brasil, em termos de riqueza da população, reside na mentalidade/cultura do brasileiro (“jeitinho”, corrupção, síndrome do vira-lata, ódio entre etnias), uma vez que os dados provam que um estado forte, agindo em sincronia com a dinâmica do capitalismo, é quem produz mais riqueza per capita.

    1. Investidor Internacional

      Olá Luciano,

      Obrigado pela dica. Irei assistir sim.

      De antemão, há algumas coisas que não fazem muito sentido.

      Alta carga tributária não tem relação alguma com educação livre para a população. Hong Kong, Cingapura e China têm baixa carga e estão entre os melhores nos rankings de educação.

      Sindicatos fortes são um grande atraso e se você restringe o salário dos executivos, ele vão trabalhar em outro lugar.

      O estado de bem-estar social gera um acomodamento nas pessoas. “Por que se arriscar em grandes empreendimentos e investir se eu posso ficar de boa recebendo dinheiro dos trouxas que trabalham.”

      Será que os nórdicos não estariam ainda melhor se parassem de roubar tanto os cidadãos que trabalham?

      Tributação não leva a nada. A liberdade econômica que leva. O jeitinho brasileiro muitas vezes é pra tentar contornar a própria burocracia asfixiante governamental. As leis brasileiras são tão complexas que torna praticamente impossível seguir todas 100% do tempo. E elas foram feitas exatamente para isso, para o estado ter o controle sobre nós.

      Não vejo ódio entre etnias no Brasil. Somos um país de mestiços. 🙂

      A única coisa que eu espero de um estado agindo em sincronia com o capitalismo é simplesmente que ele não nos atrapalhe.

      Abçs!

    2. Investidor Internacional

      Olá Luciano,

      Acabei de assistir.

      Eu reconheci o apresentador, mas não sabia de onde. Pesquisei e lembrei que foi pelo documentário sobre a ideologia de gênero na Noruega. É bem interessante.

      Ele fala que o primeiro motivo é educação grátis. Percebe a incongruência de haver educação grátis e altos impostos no mesmo lugar?

      Que seja “educação estatal”. É evidente que a educação estatal tem mais qualidade em alguns países do que em outros. Entretanto, não acho que seja correto, por uma questão de princípios. Alguém ser obrigado a pagar o estudo de outra pessoa é errado.

      A questão de dizer que os sindicatos sobem o salário mínimo e força as empresas e o estado a adotarem tecnologia. Primeiro que não são os sindicatos que elevam os salários. É a capacidade e a produtividade do trabalhador. E na Suécia e Noruega, eles são muito competentes e produtivos. Já imaginou o Brasil perder todos os empregos simples como atendentes de caixa ou então que dependesse da honestidade do comprador passar os produtos e pagar o valor? Não acho que daria certo.

      Acredito que para chegar no atual modelo dos países nórdicos, seria preciso ver a história desses países para não creditar todos os louros ao modelo atual. Tem esse artigo que vale a leitura e explica melhor tudo.

      Abçs!

  13. Avatar

    Olá, Investidor Internacional,

    Grato pela resposta!

    O ponto do vídeo é explicar em que lugar do mundo é mais fácil ficar rico. Ocorre que os mais ricos per capita são os escandinavos, que possuem um sistema educacional livre, bancado, em grande parte, pelos impostos que cada cidadão paga. A correlação entre educação e riqueza pode ser verificada na literatura acadêmica.

    Alta carga tributária permite que a educação seja livre para todos (considerando o uso correto do dinheiro público). Como é demonstrado através dos dados disponibilizado no vídeo, um sistema educacional privado e caro, como o norte-americano, produz menos mobilidade social (“rags to riches”) do que nos países escandinavos. Um filho de pai pobre tende mais fortemente a continuar pobre nos EUA do que nos países escandinavos.
    Outra razão citada no vídeo para explicar o maior número de pessoas ricas per capita na escandinávia é que, devido à pressão que os sindicatos fazem por maiores salários mínimos (quase 3 vezes mais do que nos EUA), muitas funções (trabalhos) que podem ser automatizadas, são automatizadas. Então, temos menos pessoas trabalhando – fazendo bom uso da tecnologia – mais dinheiro sobrando para todos.

    Sobre a questão racial, creio que me expressei mal. O preconceito étnico existe (vide: https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/12545/14322), embora não seja tão intenso como nos EUA. O processo que desencadeou esse preconceito (colonização, da maneira como foi feita), ao meu ver, é que tornou nossa sociedade pouco unida, em que muitos cidadãos desconfiam uns dos outros (muitas vezes, com razão). Muitos conflitos, e,consequente pobreza, são verificados em regiões do planeta em que diferentes etnias foram forçadas a conviver entre si (vide a divisão das fronteiras nos países africanos e do oriente médio).
    Você observou que somos um país de mestiços. Sim, e tenho esperanças de que em mais alguns séculos nossa questão étnica esteja resolvida. Nesse sentido, parece que estamos no caminho certo.

    Por fim, sobre por que pagar pela educação das crianças, mesmo que você não tenha filhos, gostaria de compartilhar uma parábola judaica sobre o conceito de Paraíso e Inferno:

    “In hell, everyone is seated before a table filled with delicious food. Every kind of food they could imagine, right before their eyes. But to everyone’s hands are tied long spoons. And try as they might, nobody can feed themselves, because the spoons are too long to bring the food to their mouths. So they make a mess of everything, and spill food all over themselves.
    Truly, a place of desolation, sadness, and want.
    In heaven, everything is exactly the same. However, instead of trying and failing to feed themselves, they use the spoons to feed one another. And everyone has enough to eat.
    When you were a child, people paid for your schooling with their tax dollars (if you went to private school, then some number of your teachers were surely the recipients of public schooling, and the private school, too, almost certainly received grants and funds from the state, paid for by parents who didn’t send their kids there).”
    Isaiah Tanenbaum, Quora.
    https://www.quora.com/Im-sick-of-paying-for-everyone-elses-kids-to-go-to-school-Why-cant-people-without-children-pay-smaller-amounts-of-school-tax-than-people-with-children

    1. Investidor Internacional

      Olá Luciano,

      No Brasil, a educação é livre para todos e o resultado está aí. Não existe uma mágica na qual o imposto alto se transforma em uma escola de altíssimo nível. É possível ter um sistema 100% privatizado e barato, basta abrir o mercado, reduzir os impostos, a burocracia e desregulamentar o ensino. O que torna caro o ensino privado é o próprio estado.

      Financiamento público para estudantes é um tiro no pé, aumenta o preço das mensalidades, enche o bolso dos donos de faculdades e deixa a bomba da dívida pra estudantes e o calote para o estado (leia-se pagadores de impostos). Já é um problema sério nos EUA.

      Ensino público estatal é errado por definição, como já falei. Ter alguns países que conseguem fornecer um serviço de boa qualidade, como Finlândia, Alemanha e Cingapura são exceções.

      Os Estados Unidos é disparadamente o país do mundo que mais recebe imigrantes. São 50 milhões de pessoas nascidas em outros países. Muitas delas chegam lá para trabalhar nesses empregos simples que você parece não gostar. Uma coisa é a tecnologia tornar um serviço desnecessário, como as operadoras de telefone de antigamente que ficavam trocando plug de lugar, outra é tornar o emprego tão caro, que reduz proporcionalmente o custo da tecnologia.

      Os nórdicos têm algumas vantagens. População pequena e homogênea. Tem barreiras naturais para imigração no clima e no idioma. Toda a riqueza acumulada por eles nas últimas décadas permitiu chegarem no nível civilizacional que têm hoje. Não é essa quantidade de impostos que levou a isso. E mesmo com tanto imposto, eles têm muito menos burocracia e apurrinhação por parte de governo que nós, brasileiros.

      Quanto à parábola, eu acho que caridade é algo que deva vir de forma natural. Os EUA tem o maior número de bilionários e o maior número de filantropos do mundo. Muitas universidades americanas recebem fortunas de ex-alunos por livre e espontânea vontade. E como eu falo, quem doa espera e analisa que quem está recebendo faça bom uso. Já quando pagamos impostos…

      Eu entendo onde você quer chegar. Deseja que todos tenham uma boa formação, que sejam qualificados, etc. Todos queremos, mas cometendo injustiças e tomando o dinheiro dos outros para tentar chegar nisso é errado. É como se alguém lhe assaltasse e dissesse que é pra pagar a escola do filho. Você acharia isso correto? Então, o estado ainda é pior do que isso. Os políticos te roubam, vivem uma vida nababesca e do que sobra pagam esses serviços públicos que temos por aí.

      Pra finalizar, uma pergunta sagas do Thomas Sowell para quem é a favor da redistribuição de renda:

      “Quanto da minha renda você merece e por quê?”

      Abçs!

  14. Avatar

    Olá, Investidor Internacional,

    Muito obrigado por compartilhar os links sobre a série de ideologia de gênero e o artigo do Spotniks!

    Grande abraço!

  15. Avatar

    Olá, Investidor Internacional,

    Você cita aqui:
    “Existe aquela educação que eu entendo como sendo sendo função familiar e diz respeito a valores como respeito, honestidade, solidariedade, responsabilidade, etc.”

    mas esses valores são um pouco genéricos, certo? Na prática, a sua “educação como função familiar” poderia envolver outros tipos de valores, como por exemplo:

    – Xenu trouxe os alienígenas para a Terra há bilhões de anos.
    – 72 virgens no céu para aqueles que lutarem a Guerra Santa.
    – “Se um homem se deitar com outro homem como aqueles que se deitam com uma mulher, ambos cometeram um ato detestável, e ambos devem ser executados; seu sangue está sobre eles.”
    – Reptlianos estão seguramente controlando a Casa Branca.
    – A Terra é plana.

    entre outros. Você acredita que é um preço razoável a se pagar?

    Abraços!

    1. Investidor Internacional

      Olá Reptiliano,

      Sim. Veja nos Estados Unidos, onde existem os amish, mórmons e todo tipo de religião.

      Não vejo apedrejamento como punição nos países ocidentais, porque já vai contra um sistema maior de leis.

      Volto nesse assunto quando abordar a história dos Estados Unidos.

      Abçs!

  16. Avatar

    O objetivo principal da educação nas escolas deveria ser a formação de homens e mulheres que são capazes de fazer coisas novas, e não simplesmente de repetir o que outras gerações fizeram; homens e mulheres que são criativos, inventivos e descobridores, que podem ser críticos, verificar, e não aceitar, tudo que lhes é oferecido”.

    -Jean Piaget-

    1. Investidor Internacional

      Olá Nikollas.

      Não sou tão crítico quanto o autor da frase.

      Nós somos o fruto de séculos de civilização. Não seria produtivo jogar o passado no lixo e criar tudo de novo.

      Devemos sim absorver o que de melhor foi criado pela humanidade e aí sim aprimorar ou desenvolver coisas melhores.

      Abçs!

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