10 ações que lucram com guerras

Veja quais empresas fornecem produtos e serviços para as principais forças armadas do mundo

No último dia 7 de abril, o chefe de equipe da Casa Branca foi informado de que dezenas de pessoas haviam sido mortas nos arredores de Damasco. Todas as características indicavam um ataque por armas químicas. Nos dias seguintes, o alto escalão militar americano e o presidente Donald Trump, juntamente com os governos do Reino Unido e França tomaram a decisão de atacar posições do governo sírio.

Ano após ano, governos de diversos países, têm investido cada vez mais em armas e equipamentos necessários para o funcionamento das forças armadas. E enquanto se discute quem tem o maior botão, dezenas de empresas fazem uma fortuna nesse mercado que movimenta mais de 1 trilhão de dólares por ano. Só os Estados Unidos têm gastado em média cerca de 800 bilhões de dólares com o Departamento de Defesa em cada um dos últimos 10 anos.

Assim como eu mostrei no artigo sobre investimento no mercado legal de maconha, o mercado de equipamentos bélicos pode ser algo que não atraia a atenção e a simpatia de todos. Entretanto, guerra é algo que tem seguido a humanidade há milênios e não creio que irá encerrar algum dia.

O objetivo deste artigo é mostrar quais destas empresas possuem ações listadas em bolsa, permitindo a você participar do gigantesco mercado da guerra.

Antes de mostrar as empresas, gostaria de convidá-lo a baixar o Guia da Bolsa de Nova Iorque, já que TODAS as ações estão listadas nesta, que é a maior bolsa de valores do mundo.



The Boeing Company (NYSE:BA)

A Boeing é a maior companhia aeroespacial do mundo e líder na produção de jatos comerciais e sistemas voltados à defesa, segurança e espacial. Fabrica aviões militares e comerciais, satélites, armas, sistemas eletrônicos e de defesa, sistemas de lançamento, de comunicações, logística e treinamento. É composta por mais de 140 mil funcionários em 65 países.

A empresa possui 3 segmentos principais:

Aviação comercial: famosas pelas linhas 737, 747, 767, 777 e 787, que compõem cerca de metade da frota mundial em serviço atualmente.

Defesa, espaço e segurança: fabrica bombardeiros como o B-52, caças como o F15 Eagle e F-18 Super Hornet, aviões-tanque como o KC-46A e aviões de reconhecimento como o P8. Também produz helicópteros como o CH-47 Chinnok e AH-64 Apache, bem como sistemas de lançamentos de mísseis terrestres e mísseis para arsenal dos caças.

Serviços globais: envolve o serviço de suporte e pós-venda para clientes comerciais e militares.

Aqui uma pequena amostra do Apache, o helicóptero militar mais avançado do mundo:

Em 2017, a receita da Boeing foi de 93 bilhões de dólares e o lucro líquido de 8,1 bilhões.  A ação valorizou 274% nos últimos 5 anos.

United Technologies Corporation (NYSE:UTX)

A UTC é um conglomerado industrial americano que pesquisa, desenvolve e fabrica produtos para inúmeras áreas, incluindo motores de avião, sistemas aeroespaciais, elevadores, escadas rolantes, sistemas de construção, refrigeração e produtos industriais.

As subsidiárias mais conhecidas da empresa são Pratt & Whitney, responsável por fabricar turbinas de avião, competindo com outras duas fabricantes, a GE e a Rolls-Royce. Já a Otis fabrica elevadores e a Carrier é responsável por sistemas de ar-condicionado e climatização.

Em 2017, a receita da United Technologies foi de 59 bilhões de dólares e o lucro líquido de 4,5 bilhões.  A ação valorizou 30% nos últimos 5 anos.



Lockheed Martin Corporation (NYSE:LMT)

A Lockheed Martin é uma companhia aeroespacial e de segurança envolvida na pesquisa, desenvolvimento e fabricação de sistemas e serviços avançados.

Possui 4 segmentos principais:

Aeronáutico: é a casa da Skunk Works, time de desenvolvimento avançado, responsável por grandes inovações no sistema aeronáutico militar, como foram os casos do Blackbird e do F-117 Stealth. Também produz aviões, caças e helicópteros voltados a inúmeras funções, incluindo aeronaves não-tripuladas.  Entre os caças mais modernos estão o F-16 Falcon, o F-22 Raptor e o F-35 Lightning II.

Mísseis e controle de fogo:  fabrica sistemas militares de defesa e ataque para os EUA e tropas aliadas. Também fornece produtos e serviços para a indústria de energia.

Guerra - F-35 Lightning II

F-35 Lightning II

Sistemas de missão: inclui sistemas de patrulhamento, defesa e guerra nos setores aéreo, terrestre, naval e subaquático.  Inclui ainda soluções para “combate” no mundo cibernético e eletrônico.

Espaço: a Lockheed é a empresa que mais enviou aparelhos para o espaço, incluindo satélites que orbitam planetas e o robô Curiosity que andou em solo marciano e enviou diversas imagens e vídeos para cá.

Em 2017, a receita da Lockheed foi de 51 bilhões de dólares e o lucro líquido de 2 bilhões.  A ação valorizou 251% nos últimos 5 anos.

Raytheon Company (NYSE:RTN)

A Raytheon fornece equipamentos eletrônicos, sistemas integrados para missões, sensores diversos, sistemas para controle, comunicação e serviços de inteligência, além de uma ampla gama de serviços variados para suporte às tropas.

Possui vários segmentos de atuação, incluindo sistemas de defesa por mísseis, controle de movimentação de tropas por satélite, sensores e monitoramento para detecção do inimigo, cybersegurança, guerra eletrônica, armas de precisão (mísseis guiados), treinamento militar, missão de suporte e inovação em diversas outras áreas.

O sistema Patriot de interceptação de mísseis é usado atualmente por 15 países. É composto por radares e mísseis guiados, capazes de detectar e abater mísseis de forma muito precisa.

Em 2017, a receita da Raytheon foi de 25 bilhões de dólares e o lucro líquido de 2 bilhões.  A ação valorizou 276% nos últimos 5 anos.

General Dynamics Corporation (NYSE:GD)

A GD é uma empresa aeroespacial e de defesa com sede nos Estados Unidos. Seus negócios são divididos em 4 frentes:

Aeroespacial: fabrica os conhecidos jatos executivos Gulfstream e atua como fornecedor de serviços aeronáuticos.

Guerra - General Dynamics Abrams M1A2

Tanque Abrams M1A2

Sistemas de combate: produz os mais reconhecidos e modernos veículos militares terrestres, incluindo blindados, tanques, artilharia e munições.

Sistemas de informação e tecnologia: inclui redes e sistemas de comunicação e controle, sensores de imagem e cyber-produtos.

Sistema marítimo: desenvolve e fabrica navios complexos, incluindo destroyers, submarinos e navios de suporte.

Em 2017, a receita da General Dynamics foi de 30 bilhões de dólares e o lucro líquido de 2,9 bilhões.  A ação valorizou 215% nos últimos 5 anos.

Northrop Grumman Corporation (NYSE:NOC)

É uma companhia de segurança, que atua produzindo sistemas inovadores para governos e clientes comerciais em todo o mundo, oferecendo soluções e tecnologias para aplicações que vão desde o fundo do mar até o espaço, incluindo o cyberespaço.

Atua em 5 áreas principais:

Cyber: produtos e tecnologias para segurança da informação e controle de acesso de pessoas.

Logística: gerencia cadeias de suprimento para missões globais, incluindo serviços de alta tecnologia.

Sistemas autônomos: drones militares e para uso civil. Veja no vídeo abaixo como o drone de observação RQ-4 atua em conjunto com os demais sistemas militares para orientar em ataque:

C4ISR: este sistema é a espinha dorsal de uma operação militar. São 7 ferramentas em uma. Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Observação e Reconhecimento.

Ataque: composto pelos bombardeiros “invisíveis” B-2, B-21 (a belezinha que estampa o artigo) e X47-B. Pra você ter um ideia, cada unidade desses aviões custa entre 500 e 800 milhões de dólares.

Em 2017, a receita da Northrop foi de 25 bilhões de dólares e o lucro líquido de 2 bilhões.  A ação valorizou 390% nos últimos 5 anos.

Huntington Ingalls Industries Inc. (NYSE:HII)

Você já parou para pensar quem fabrica aqueles gigantescos porta-aviões? Pois é, a Huntington é a maior fabricante americana de navios de guerra, produzindo não só os porta-aviões mais famosos e modernos, como também destroyers e submarinos nucleares. Além disso, é fornecedor exclusivo de serviços de reabastecimento para porta-aviões nucleares.

É composta por duas divisões, a Newport News que existe há 132 anos e a Ingalls, que existe há 80.

A maior criação da empresa foi lançada aos mares no dia 17 de novembro de 2013 e atende pelo nome de USS Gerald R. Ford, o primeiro da nova geração de porta-aviões. O segundo será o USS John F. Kennedy, que já está 70% concluído e será lançado em breve. Cada um deles custa cerca de 13 bilhões de dólares. São verdadeiras fortalezas flutuantes.

Em 2017, a receita da Huntington foi de 7 bilhões de dólares e o lucro líquido de 479 milhões.  A ação valorizou 395% nos últimos 5 anos.

Guerra - USS Gerald R Ford

USS Gerald R Ford

Heico Corporation (NYSE:HEI)

Por mais de 60 anos, a Heico tem atuado nas áreas aeroespacial, industrial, de defesa e eletrônica. Atua em dois segmentos principais:

Suporte de voo: desenvolve, fabrica e repara peças que envolvem todos os componentes de uma aeronave, desde sistemas hidráulicos, pneumáticos, eletromecânicos, estruturas, até rodas e freios.

Eletrônico: produz componentes elétricos e eletro-ópticos para sistemas aeroespaciais, de defesa e comunicações.

Em 2017, a receita da Heico foi de 1,5 bilhão de dólares e o lucro líquido de 185 milhões.  A ação valorizou 295% nos últimos 5 anos.

Teledyne Technologies Incorporated (NYSE:TDY)

É até difícil resumir o que esta empresa produz. Em todo o caso, seus equipamentos e produtos estão presentes em setores diversos além de aeroespacial e defesa. Fornece também para automação industrial, controle de qualidade de ar e água, eltrônica, pesquisa oceanográfica, exploração de petróleo em águas profundas, imagem médica e pesquisa farmacêutica.

Na área de defesa e aeroespacial, produz baterias, sistema de controle aéreo, sistemas de microondas, detonadores, microeletrônica, equipamentos de segurança em eletrônica, cabos e conectores de alta-voltagem, sistemas de radio-frequência e comunicações, entre outros.

Em 2017, a receita da Teledyne foi de 2,6 bilhões de dólares e o lucro líquido de 227 milhões.  A ação valorizou 147% nos últimos 5 anos.



Orbital ATK Inc (NYSE:OA)

Formada em 2015 pela fusão da Orbital Sciences Corporation e pelos negócios aeroespacial e de defesa da Alliant Techsystems, a Orbital ATK elabora e contrói sistemas voltados a aviação, defesa e espaço, tanto como fornecedor de produtos prontos, como de peças e sistemas para outros fabricantes.

A empresa possui três áreas principais de negócios:

Sistemas de voo: veículos para lançamento espacial, sistemas de propulsão de foguetes e componentes para estruturas de aviões militares.

Sistemas de defesa: propulsão para mísseis, eletrônica para sistemas de ataque e munição de todos os calibres.

Sistemas de espaço: produz satélites comerciais, veículos espaciais e logística espacial (inclui entrega de suprimentos na Estação Espacial Internacional).

Em 2017, a receita da Orbital foi de 4,7 bilhões de dólares e o lucro líquido de 310 milhões.  A ação valorizou 83% nos últimos 5 anos.

Conclusão

Estes foram apenas alguns exemplos das principais empresas envolvidas no segmento bélico e de defesa. Existem ainda muitas outras. Através delas, é possível entender um pouco da complexidade e dos recursos tecnológicos usados nos combates militares da atualidade.

É uma corrida sem fim para o desenvolvimento de tecnologia e sistemas avançados que propiciem estar sempre à frente da capacidade no inimigo. E são, como eu falei, trilhões de dólares investidos para estar com o que há de mais moderno em equipamento bélico.

Estas grandes empresas e seus acionistas agradecem.




By | 2018-04-15T21:35:02+00:00 15 de Abril de 2018|Ações, Investimentos|4 Comments

4 Comments

  1. 16/04/2018 at 21:10 - Reply

    Post bem oportuno, rs.

    • Investidor Internacional
      Investidor Internacional 16/04/2018 at 21:59 - Reply

      Olá Uó,

      Pois é. Essas empresas faturam um nota.

      As ações estão disparando.

      Pra não ficar muito grande acabei não colocando alguns vídeos das fábricas. É uma tecnologia absurdamente avançada.

      Abçs!

  2. Cristiano 16/04/2018 at 21:54 - Reply

    Muito bom… E pelo visto os americanos usam pouca tecnologia de fora.. mercado meio protegido… produzem lá e boa parte é consumida por eles mesmos..

    Artigo mto bem escrito. Parabéns…

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