Dólar a 10 reais. Você está preparado?

Nota de 1 Dólar

2018 será um ano daqueles no mercado de câmbio

Este ano é ano de eleição e não serão só as mentiras ditas por políticos que bombardearão os brasileiros. Teremos também todas as incertezas que cercam o processo eleitoral brasileiro. Será que um candidato de direita ganhará? Será que será um de esquerda? Será um comprometido com as reformas? Será um comprometido com a corrupção e a impunidade ligadas ao alto escalão e ao foro privilegiado? Na verdade, a resposta desta última é praticamente certa de que será sim.

Toda essa confusão e dúvidas a respeito do futuro do país acaba refletindo na economia e em especial no mercado de câmbio. O dólar, que chegou a recuar para menos de R$ 3,15 no final de janeiro, tem variado nas últimas semanas entre R$3,45 e R$3,50.

Sempre que o câmbio dá essas esticadas com desvalorização do Real, é comum escutar muita reclamação de quem tem viagem marcada ao exterior.

Resolvi escrever este artigo para mais uma vez alertar sobre as variações cambiais abruptas e como você pode se proteger delas.

A variação cambial

Primeiramente, veja abaixo o gráfico da variação do Dólar americano em relação ao Real desde os primórdios do plano Real:

Dólar vs Real

Veja que o Real nasceu valendo mais do que o Dólar em termos nominais. No período pré-eleitoral de 2002, o Dólar chegou a ser multiplicado por 4. Isso em apenas 8 anos. Depois caiu até em torno de R$ 1,55 em 2008 e 2011, tendo a crise econômica de 2008 levado a um pico rápido de valorização até R$ 2,50.

Depois de 2011, o Real só perdeu valor, seguindo para o mesmo destino que as nossas contas públicas, a política e a economia, culminando no pico de 4 reais novamente à época do final do segundo governo Dilma.

Agora acompanhe a variação do Euro no mesmo período:

Euro vs Real

Muito parecido, não acha?

O Euro começa valendo em torno de R$ 1,25, apresenta o pico em 2002, outro em 2008, o de 2015/2016 e este de agora.

E o Franco Suíço contra o Real. Sabe como foi? Veja abaixo:

Franco vs Real

Muito parecido com os de cima, não acha?

Agora o que eu prometo ser o último gráfico. Veja uma comparação do Euro em relação ao Dólar:

Euro vs Dolar

Perceba como a curva é mais plana, com períodos de dólar mais valorizado como em 2001 e 2015-2017 e períodos de Euro mais valorizado, como 2008-2013.

O que eu quero dizer com isso?

A flutuação entre as moedas dos países desenvolvidos costuma ser bem menor do que a do nosso Real em relação a elas.

O nosso câmbio vive períodos extremos. Ficamos ricos em 1994-1996 e voltamos a ficar ricos em 2011. Ficamos pobres em 2002, 2008, 2015-2018. A volatilidade da nossa moeda é muito maior.

O fato também é que o poder de compra de quem detém moedas fortes como o Dólar, Euro e Franco Suíço permanece relativamente constante, enquanto nós alternamos entre períodos de euforia e amargura.

100 DólaresÉ possível colocar uma série de razões para isso. O Brasil é uma economia imatura e instável. Nossas leis são dúbias e estão sujeitas a diversas interpretações, o que prejudica a manutenção de um estado de direito. Também não existe proteção à liberdade individual e à propriedade privada. A elevada burocracia e a corrupção são endêmicas.

Nestes últimos 24 anos, as moedas acima multiplicaram seu valor em média 4 vezes em relação ao Real. Um investimento feito em Real precisou pelo menos quadruplicar para apenas empatar com a perda cambial.

O fator eleições

Eleições são sempre motivo de estresse no Brasil. Não existe uma sensação de continuidade de um governo para o outro. Todos querem ser o marco zero e apagar ou ocultar o que foi feito antes. Se você têm assistido à série Brasil Paralelo, pode perceber a quantidade de golpes, ditaduras e distúrbios que tem acontecido com muita frequência desde a Proclamação da República.

Vemos hoje a quantidade de poder que é colocada nas mãos de um novo presidente. Ele pode nomear um número absurdo de pessoas para ocupar uma também absurda infinidade de cargos, dos mais inúteis para os mais desnecessários. Ele pode impor medidas provisórias e fazer negociatas com o legislativo para aprovar leis que podem ter o poder de destruir negócios, vidas e o bem-estar do brasileiro.

A MP 579 de 2013 gerou bilhões de prejuízo para o setor elétrico. O confisco da poupança em 1992 no governo Collor levou pessoas ao suicídio. São apenas dois exemplos bem conhecidos do estrago que a caneta estatal pode fazer no Brasil.

Conclusão

Imaginar dólar a 10 reais não é um mero exercício. A Argentina que era um país bem mais desenvolvido que o Brasil e possuía economia dolarizada vê agora o dólar americano valer 20 pesos. A Venezuela já tem uma moeda que não vale o papel em que é impresso. O peso uruguaio também tem perdido valor nos últimos anos.

Não é difícil perceber que a tendência de longo prazo é valorização das moedas das economias desenvolvidas em relação aos países em desenvolvimento. Não é difícil supor que o Dólar, o Euro, o Franco Suíço e o Iene devam permanecer com o poder de compra mais protegido no longo prazo. Claro que crises podem ocorrer, mas esses países com maior liberdade econômica também são os mais propensos a sair delas.

É fundamental, questão de “vida ou morte” patrimonial, ter uma conta no exterior com investimentos nas moedas mais estáveis do planeta. É uma proteção simples de colocar em prática e que poderá ser a única saída em caso de crise extrema em nosso país. Os venezuelanos e argentinos também achavam que não ia acontecer com eles. Muitos de nossos vizinhos ficaram sem condição inclusive de fugir do país.

Ter conta em moeda forte fora do Brasil é como um seguro de vida. Entretanto, se for necessário, ela salvará você e a sua família ainda em vida.

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Este post tem 17 comentários

  1. Vou comprar ações de exportadoras (de preferencia sem dividas) esta semana.

    Alguma coisa em criptomoedas também parece ser uma boa ideia…

    Pelo que eu ando acompanhando, vamos quebrar, a dúvida é se vai ser em 2019, 2020, 2022 ou 2025…..

    1. Investidor Internacional

      Olá Francis,

      Desculpe a demora em responder. Estava de férias.

      Alguma proteção contra esse acontecimento é questão de vida ou morte.

      Abçs!

  2. Acredito que a questão de vida ou morte é se mandar do país antes que vire uma Venezuela ou Argentina. No caso da Argentina, de que adiantaria você ter contas e mais contas em dólares no exterior se o governo proibir a posse e transferência de dólares para pessoas físicas como fez a Argentina ?

    Outra coisa, se o dólar valer 10 reais imagina o Euro ? valeria 30 reais ? Aí fica ainda mais difícil emigrar.

    1. Ola Silvio. Esse negocio de proibir ter dolares em casa é pra ingles ver. Em abril estive na Argentina e até os motoristas do Uber guardam suas economias em dolares em casa. Com relação à conta bancária em dolares abre uma conta fora do país (Uruguai ou Paraguai p.e) e não traz mais os dolares de volta. O dia que precisar vai lá buscar.

      1. Nesse caso precisa morar na fronteira pra ter acesso já que não vai conseguir fazer o saque dentro do país e convenhamos que eles chegaram ao ponto de só ter acesso ao dólar paralelo e precisar guardá-lo em baixo do colchão que não rende dividendos é o cúmulo.

        Já estive em Argentina esse ano, câmbio muito favorável para nós que levamos reais que também é uma moeda forte por lá, sem necessidade de conversão e pagamento desse IOF ridículo que uma hora o governo vai equiparar o dólar espécie à taxa do cartão de crédito.

  3. sim e possível num tempo daqui entre 10 a 12 anos a maior possibilidade esta entre 5 a 6 reais ate 2023

  4. Bom dia e mais uma vez parabens pelo post pertinente e até certo ponto preditivo do que poderá ocorrer por estas paragens. O problema II é que dependendo de seu patrimonio financeiro é muito difícil realocar todos seus recursos ou mesmo a maioria dele fora do país. Até porque existem tambem os fatores negativos externos como a quase certa subida dos juros americanos em contrapartida a uma bolsa que sobe há 10 anos por lá. Ai voce se protege do risco cambial mas se mete até os dentes no risco bolsa americana. Ah, tem os reits e bonds mas ai já julgo que o investidor brasileiro teria que ter um certo grau de assessoria pra poder investir seu dinheiro com menos risco (é um mercado que envolve uma certa complexidade e análise mais detalhada). Ou seja, não é tão simples assim. Outra forma de pelo menos mitigar o problema é estar comprado em comodities e/ou ouro e/ou dolar na BMF. Se esse dolar a 10,00 reais se materializar teremos uma contraparte a medio prazo que nos compensaria. Grande abraço e desculpe o texto longo.

    1. Dólar Alto é bom pra quem exporta e traz mais impostos para o governo manter a casta de privilégios dele, não se iludam com dólar alto é bom para o país, bom apenas para uma pequena casta de privilegiados.

      Para todo o resto da população que dependem de bens, serviços e até produtos agrícolas, petróleo importado, é péssimo, dólar alto aliado com essa alta carga tributária sempre vai empobrecer a população.

      Isso é uma bola de neve no longo prazo, já que a violência no país tende a aumentar com a economia quebrada.

    2. Investidor Internacional

      Olá Marcos,

      Nem que for para deixar numa conta corrente ou CD que mal cobre a inflação.

      Ter moeda forte é fundamental.

      Abçs!

  5. O Brasil está jogando com a sorte, se o “caldo engrossar” lá fora nós vamos quebrar. É como se estivéssemos dançando no precipício.

    Mas o pior é que isso é algo generalizado, pois os países desenvolvidos também passam por problemas do tipo (mas claro que em um grau muito menor que o Brasil). É só ver a Europa com o problema das dívidas soberanas que houve em 2011 e continua até hoje, além do próprio EUA.

    E na minha visão tudo isso é resultado da Social-Democracia, que ao mesmo tempo que estimula as pessoas a viverem as custas do Governo também desestimula as atividades produtivas que geram riqueza (via tributação e regulações). Isso aliado ao fim do padrão-ouro foi o contexto perfeito para a potencialização da irresponsabilidade fiscal dos políticos, pois além da Social-Democracia ter alavancado os gastos dos Governos o fim do padrão-ouro facilitou que eles contraíssem dividas impagáveis para financiar esses gastos.

    Na próxima grande crise toda essa ideia da “terceira via” vai ser colocada em xeque e provavelmente nós devemos viver tempos bastante obscuros até a coisa se realinhar.

    1. Investidor Internacional

      Olá Luiz,

      Sim, existem vários desbalanços no mundo, muitos causados pela intervenção do estado, incluindo aquelas que tentam corrigir intervenções passadas.

      Eles políticos não se emendam. Quanto mais mexem, pior fica.

      Abçs!

  6. Bons comentários. Alguns anos atrás, não me sentindo confortável com o ambiente social, politico e judiciário, no Brasil, mudei de mala e cuia para o Japão. Posso dizer que foi uma ótima escolha. Compra-se um apto ou casa usados por preços irrisórios. Nada parecido aos preços praticados no Brasil. Claro, existem locais caríssimos. Como somos modestos, preferimos comprar um imóvel usado, reformar e usar. O patrimônio financeiro, aplicado em moedas fortes, como recomenda o Raphael. O resto é tocar a vida. Abraço a todos e Boa sorte. Vão precisar.

  7. Acho que por aqui estamos no processo de “game over”, o país está destruído economicamente e moralmente (graças aos politicamente correto, inversão de valores e a “bandidolatria” fomentada pela grande mídia, ONGs de DH e instituições aparelhadas).

    Eu tentarei imigrar legalmente para os Estados Unidos, apesar de ter qualificação na área de TI sei que o processo é “missão” quase impossível, infelizmente não tenho fundos suficientes para ir como empreendedor e não tenho passaporte europeu, tentarei como empregado mesmo.

    Mesmo se não conseguir imigrar, eu já fiz a “lição de casa” e já coloquei 60% do meu patrimônio em ativos dolarizados (ETFs e ações).

    Quero agradecer pelas suas dicas e artigos, o seu site e o do Viver de Dividendos são os melhores da blogosfera no assunto investimentos internacionais.

    Não tem preço ter ativos em moeda forte e também para ter um pouco de tranquilidade para navegar nesse mar de tempestade chamado Brasil.

    Hoje em dia, no meu caso pelo menos, o Brasil só serve para Renda Fixa, da B3 (Bovespa) quero distância.

    Infelizmente renda variável no Brasil, principalmente para quem gosta do Buy-and-Hold, tem que ter estômago forte, não temos segurança jurídica, o país odeia empreendedores e vai se saber qual será a próxima empresa envolvida na Lava Jato.

    Para piorar o “centrão” está desesperado por não conseguir emplacar um candidato forte de “centro” (esquerdistas).

    1. Investidor Internacional

      Olá Douglas,

      O quadro do Brasil é esse mesmo e não existe perspectiva de melhorar.

      O que temos são voos de galinha ocasionais.

      Abçs!

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