Ações ou ETFs? Onde investir?

ações ou etfs

Comprar ações ou ETFs para compor uma carteira de investimentos é uma das maiores dúvidas dos investidores

É muito comum surgir essa dúvida na hora de começar a investir, particularmente quando você encontra esse universo gigantesco de opções quando abre uma conta no exterior.

Vou me focar em quem procura investimentos de longo prazo. Quem faz trade de curto prazo usando análise gráfica, consegue operar em qualquer mercado, seja em ações, ETFs, moedas e commodities.

Existem pessoas que são adeptas do stock picking, que é a seleção individual de ações. Neste caso, o investidor deve analisar as empresas, verificar seus balanços, sua evolução, seus dividendos e suas perspectivas futuras. Enfim, ele deve realizar a análise fundamentalista daquela ação antes de investir.

Quem prefere ETF, em geral, procura uma maior diversificação, já que os ETFs possuem uma gama que pode chegar a milhares de ações. Ao invés de comprar uma ação, prefere um pacote de ações. Também é alguém que prefere menor envolvimento com o acompanhamento do portfólio, já que as compras, vendas e rebalanceamentos são feitos dentro do próprio ETF, sem a participação do investidor.

Dito isso, irei falar um pouco sobre cada tipo de investimento e desmistificar alguns conceitos.



Investimento em ações individuais

Ao investir em ações individuais, você estará optando por escolher cada peça dos seus investimentos. Obviamente, você precisará avaliar cada uma das ações antes de comprá-la.

Essa abordagem permite um maior preciosismo e dá mais liberdade para que você personalize sua carteira de ações seguindo seus próprios critérios.

Não necessariamente implica em aumento de risco comparado aos ETFs, pois ao escolher as ações individualmente, você também pode escolher aquelas mais estáveis e que estejam com um preço mais em conta. Ao mesmo tempo, você também poderá selecionar ações que estejam passando por um bom momento e que tenham boas perspectivas de crescimento, ações que ficariam diluídas dentro de um ETF.

A diversificação também é possível escolhendo ações individuais. Você pode mesclar ações de valor, que estejam esquecidas pelo mercado, com empresas de crescimento rápido. Também pode selecionar ações pagadoras de dividendos, que irão gerar uma renda extra. É possível realizar diversas combinações.

Esse modelo serve para não só alcançar maiores retornos futuros, como também para selecionar empresas de menor risco. Tudo depende do seu objetivo.

Obviamente que a chance de você encontrar uma ação que se multiplique por 100 ou 200 vezes – Já vi acontecer – é infinitamente maior aqui do que com ETFs. Particularmente, acredito que só o ETF de biotecnologia tenha chegado em tamanha valorização.

Neste modelo, o tamanho da sua diversificação dependerá do tamanho dos seus investimentos, já que com 100 mil dólares você consegue diversificar muito mais do que com 10 mil.



Investimento em ETFs

A primeira coisa que precisa ficar clara quando se investe em ETFs é que ao contrário do que muitos pensam:

ETF não é investimento passivo

Alguém poderia argumentar: “Poxa, mas eu compro o ETF e ele faz tudo sozinho! Então é um investimento passivo sim.”

Em primeiro lugar, você precisa definir qual ETF comprar. Isso por si só já é ativo. São milhares de ETFs em todo mundo à sua disposição. Escolher aquele ou aqueles que irão compor sua carteira não é tão simples assim.

Você irá dividir entre ETF de Estados Unidos e ETF Internacional? Vai dividir entre mercados desenvolvidos e emergentes? Vai comprar large, mid ou small caps? Vai optar por ETFs Smart Beta ou irá comprar aqueles balanceados pela capitalização de mercado? Se for Smart Beta, qual dos fatores irá preferir? Vai ser ETF de gestão ativa ou algum que siga índice de mercado?

O índice Dow Jones seleciona apenas 30 empresas grandes nos Estados Unidos. Já o S&P 500 pega a gama das 500 maiores empresas. O índice Russell 3000 seleciona as 3 mil maiores empresas do país, que é praticamente todo o mercado. Já o Russell 2000 pega as 2 mil empresas menores das 3 mil maiores do país.

Tem também os índices MSCI que cobrem uma infinidade de fatores. Existem ETFs de administradores diferentes que seguem o mesmo índice. Qual escolher? Enfim, muitas perguntas precisam ser respondidas antes de compar o primeiro ETF.

Então, antes de tudo, é preciso definir objetivos, estabelecer critérios e só depois selecionar os ETFs.

A vantagem dos ETFs é que justamente depois de escolhidos, eles fazem a maior parte do trabalho para você e o custo chega a ser irrisório. Alguns cobram até 0,08% ao ano, pra não dizer nos últimos lançamentos que não estão cobrando nada!

Aí entra em cena a diversificação a custos menores, já que com apenas uma operação, você pode adquirir cotas de ETF representativas de um grupo de centenas ou milhares de ações. Algo impossível para o investidor comum.

Mas ETFs não são apenas pura diversificação. Você pode escolher ETFs de setores específicos que estejam em ascensão. Há muitos casos, como o ETF de empresas de maconha, ETF de empresas de computação em nuvem, ETF de ações de semicondutores, etc. São ETFs com menor número de empresas, mas que podem dar muitas alegrias se aquele setor ou segmento crescer.

É possível fazer uma gestão ativa de ETFs de forma a captar oportunidades no mercado, sem a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre cada ação individual. Para um investidor comum pode não ser fácil escolher uma ação específica que atua no mercado de análise genética, mas ao identificar essa tendência, ele pode adquirir um ETF que englobe diversas empresas deste segmento e lucrar com a valorização do grupo.

Principalmente nesses segmentos novos, o ETF pode sim ser um diluidor de risco, já que muitas empresas novas podem não vingar no longo prazo.



Diferenças e semelhanças

Agora vamos colocar frente a frente ETFs e Ações levando em conta alguns critérios:

Liquidez: São bem semelhantes, existem muitas ações e ETFs com bastante liquidez. Talvez uma leve vantagem para ações.

Custos: Vantagem dos ETFs. Os custos para negociar são os mesmos, mas para alcançar maior grau de diversificação, o número de compras com ações é maior.

Riscos: Não há vencedor claro. Depende muito do que foi escolhido. Há ações e ETFs com diversos perfis de risco. Se for risco de falência, claro que ter menos empresas é mais arriscado.

Tributação: As ações vencem. Ao vender ações abaixo do valor de 35 mil reais por mês como pessoa física, você não paga imposto sobre o lucro. Com ETFs, pagaria.

Qual a melhor solução? Ações ou ETFs?

É uma decisão individual. Depende muito do conhecimento e da disposição em acompanhar e selecionar os investimentos.

Uma coisa curiosa é que já vi gestor americano confessar que não é bom em analisar empresas, então ele opta por ETFs com metodologia que seleciona um conjunto de ações baseadas em critérios quantitativos.

Já aqueles que gostam de garimpar valor em empresas do mercado e sabem estudar balanços e demonstrações financeiras, a escolha individual pode proporcionar resultados espetaculares. Claro que uma escolha errada pode ter o efeito inverso.

Outro dia escutei uma história de gestor de sucesso que carregava ganhos incríveis na carteira, com ações que se multiplicaram de preço várias vezes, mas tinha outras com desvalorizações de 80% a 90%. É matemático. Uma ação nunca irá desvalorizar mais do que 100%, mas pra subir, ela pode ir a 200%, 300%, 400% e além.

Nada impede ainda que você invista nos dois tipos. Há grandes gestores que fazem isso. Eu já mostrei no artigo sobre Alocação Core & Satellite, como você pode misturar ETFs de mercado amplo, com ações específicas com grande potencial. Se, por exemplo, você tiver 90% em ETFs de mercado amplo e 10% em ações especulativas ou de alto crescimento e essas ações derem prejuízo, você comprometeu apenas uma parte pequena da carteira. Por outro lado, se elas valorizarem muito, você conseguirá bater o mercado. Claro que neste caso, você irá ficar pensando “devia ter comprado mais ações dessa!”.

Enfim, decidir entre ações, ETFs ou uma mistura dos dois é algo individual que depende de uma série de fatores. O importante é estar bem ciente sobre as qualidades e defeitos de cada investimento e escolher aqueles mais adequados ao seu perfil como investidor.

Fique à vontade para comentar abaixo e dizer que tipo de investimento você prefere e o porquê.


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Este post tem 24 comentários

  1. Rafael,

    Criar uma LLC para administrar uma carteira de ações ou ETFs seria uma boa ideia?

    Assim, toda a receita poderia ficar na empresa, evitando-se a tributação brasileira.

      1. Rafael, poderia falar mais sobre LLC? Quando seria vantajoso criar uma e qual seria o processo e custos envolvidos?

  2. Acredito ser interessante investir tanto em ETFs quanto em ação invididual com preferência para a última e aproveitar o melhor dos dois, com foco no longo prazo. Eu tinha um certo preconceito contra ETFs mas hoje percebo que são instrumentos úteis pois permitem ao investidor alcançar mercados ou ativos que, se realizados por stock picking, demandariam muito tempo de análise, acompanhamento e custo excessivo. Por exemplo, meu foco é no mercado de empresas americanas por stock picking porém através de ETFs consigo me expor a renda fixa, REITs, mercado acionário europeu, ações de tecnologia da China, ouro, etc

    1. Investidor Internacional

      Olá Rodrigo,

      Exatamente. Você pode usar os ETFs para investir em setores ou lugares onde você não queira partir para um estudo mais aprofundado.

      Abçs!

  3. II,

    Atualmente minha carteira de ações tá 3 vezes o rendimento dos ETF. Claro que depende muito da escolha dos ETF mas de qualquer maneira o momento bom pra ações americanas levou a este panorama no médio prazo.

    1. Investidor Internacional

      Olá BPM,

      Uma escolha certa em ações de crescimento consegue ser capaz de te colocar acima do índice por um bom tempo.

      Só é preciso saber monitorá-la.

      Abçs!

  4. Investidor Internacional,

    Eu não sabia que há ETFs tão específicos como você citou. Interessante.

    “O índice Dow Jones seleciona apenas 30 empresas grandes nos Estados Unidos. Já o S&P 500 pega a gama das 500 maiores empresas.”
    Pena que no Brasil há disponível somente o IVVB11, que espelha o S&P500. Seria bom se houvesse também um ETF relacionado ao Dow Jones e a índices de outros países também.

    Boa semana,

    1. Investidor Internacional

      Olá Rosana,

      Pra efeito de comparação, na última vez que contei, no Canadá havia mais de 400 ETFs e no Brasil apenas 11.

      Abçs!

  5. Investidor Internacional,

    Ótimo artigo como sempre, minha dúvida é a seguinte o que acontece com os dividendos e JCP dos ETF?
    Funciona como ações? São reinvestidos automaticamente nas mesmas ações?

    Abraço

    1. Investidor Internacional

      Olá Vitor,

      Não existe JCP, só dividendos.

      Existem ETFs que distribuem e ETFs que acumulam e reinvestem os dividendos.

      Abçs!

  6. A isencao do imposto de renda para vendas abaixo de 35000 nao acontece tbem para etfs no exterior?

    1. Investidor Internacional

      Olá Dennis,

      Não existe nada explícito na legislação, mas no meu entendimento atual não.

      Antigamente acreditava que sim, mas em vista dos ETFs do Brasil não possuírem essa isenção, entendo que o ETF internacional deva seguir a mesma regra.

      Abçs!

  7. Bom dia,

    Qual a data provável de lançamento do novo projeto?

    Imagino que ele deverá otimizar o caminho para investir lá fora, colocando todos os tópicos mostrados até agora agrupados de forma homogênea em especial a tributação e formas eficientes/simples de aplicação.

    Abraço,

  8. Bom artigo. Como sempre.Quando abrir minha conta no exterior, vou seguir uma regra muito interessante que vi no site do UBS. 60% em bonus da Suíça, 30% Ações, e 10% Reits. Como gosto muito de Reits, aumentaria o percentual.

  9. Meu caro, o maior problema continua sendo aqui! No Brasil e com o “cipoal” de impostos e taxas, sinto muito medo de entrar no mercado internacional. Já abri conta, ja estou pronto. Só não o fiz por medo do Imposto de Renda e sua voracidade.

  10. I.I,

    Em breve teremos o primeiro ETF de renda fixa. Até que enfim não?

    Penso em algumas possibilidade na carteira. Talvez usar como reserva de oportunidade…

    Agora é torcer para lançar um do Ifix rs

    Abraço!

    1. Investidor Internacional

      Olá II,

      Verdade. Comentei no Twitter.

      Agora não estamos mais 7.000 anos-luz defasados em relação aos mercados desenvolvidos. Estamos apenas 6.999.

      Abçs!

  11. Os ETFs são bem interessantes porque facilitam a mitigação do risco pois dá pra diversificar muito, eu já vi até ETFs que pegam ações do mundo inteiro.

    Eu gosto muito do ETF dos Dividend Kings dos EUA (lista de empresas que aumentam a distribuição de dividendos por mais de 50 anos consecutivos).

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