Não existe resultado sem processo

Resultado e Processo

Não adianta mirar a linha de chegada sem se preparar para o caminho

Entre os grupos de pessoas que eu mais admiro no mundo estão os astronautas e os grandes navegadores. Muitos deles escreveram seus nomes nos livros e são lembrados até hoje. Cristóvão Colombo, Neil Armstrong, Vasco da Gama, Buzz Aldrin, entre tantos outros. Eles enfrentaram grandes perigos e realizaram feitos extraordinários, que pouquíssimas pessoas puderam repetir.

Quem nunca sonhou em ter um grande momento na vida como o deles?

Neste artigo, eu irei mostrar a diferença entre quem chega lá e quem apenas sonha e como podemos aplicá-la em nossas vidas hoje.



Neil Armstrong

O documentário “Na sombra da Lua” foi que me deu o click para escrever este artigo e me trouxe algumas informações novas sobre o programa Apollo e seus astronautas.

Neil Armstrong foi um dos pilotos da Força Aérea americana que se candidatou para este programa, que tinha como objetivo levar o homem a lua (e trazê-lo de volta em segurança, como disse o então presidente Kennedy). O funil foi apertado e somente os 32 melhores foram escolhidos.

Antes do programa Apollo, os EUA haviam lançado dois projetos com o objetivo de colocar astronautas em órbita da Terra, chamados Mercury e Gemini. Neste último, três astronautas foram mortos em explosões durante o treinamento, tendo uma equipe reserva assumido a missão.

Para as missões Apollo, a cápsula espacial que continha os astronautas era colocada no topo de um foguete que seria seria lançado ao espaço. E o que você acha que aconteceu durante os diversos testes com esses foguetes? Explosões e mais explosões.

Quando tudo parecia estar funcionando, três pilotos foram escolhidos para fazer parte da Apollo 1. Inesperadamente, num dos testes de solo, uma explosão dentro da cápsula espacial matou todos eles.

Imagine você num programa com um histórico como esse? Como você se sentiria? Pediria pra sair, Zero Dois?

Bom, tudo andou melhor até a Apollo 10. Ninguém perdeu a vida. Entretanto, num dos testes do módulo lunar da própria Apollo 11, aconteceu isso com Neil Armstrong:

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Se ele demorasse 0,2 segundos a mais para se ejetar, teria morrido.

Como sobreviveu, a missão pôde partir para o objetivo final, o pouso na lua. Tanto o lançamento, quanto à viagem até a lua não apresentaram grandes obstáculos. Quando chegaram à órbita da lua, o módulo lunar, com Armstrong e Aldrin, foi desprendido da cápsula rumo à superfície da lua. Sabe o que aconteceu no meio do caminho? O sistema apresentou o erro 1202. Eu já fico nervoso quando estou fazendo alguma coisa importante no computador e o Windows trava, agora pense em um erro no sistema enquanto você está tentando pousar na lua.

Enquanto a equipe da NASA procurava nas dezenas de manuais o que era o erro 1202 (pra não se esquecer, isso foi antes da era digital e muita coisa era resolvida na base do papel e caneta), Armstrong manteve o sangue frio aguardando novas instruções. O erro era sobrecarga de dados no sistema. Mesmo assim, mandaram que ele continuasse. Só que ele não encontrava um local adequado para pousar. A cápsula estava sobrevoando horizontalmente o solo lunar em altíssima velocidade. Se não encontrasse uma área de pouso rapidamente, teria que abortar a missão. Como num filme, foi nos minutos finais que ele finalmente conseguiu manejar o módulo para aterrissar em segurança no solo lunar.

Um dos astronautas da Apollo 12 disse que se o primeiro passo na lua fosse dele, ele sairia pulando e gritando na lua, mas Armstrong teve tranquilidade para soltar a frase histórica:

“Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”

Você acha que terminou? Não! Kennedy, que não pôde presenciar essa cena, havia dito no início do programa que o objetivo era ir e voltar. Só havia um motor no módulo lunar capaz de fazê-lo levantar voo de volta a cápsula espacial. Ele não poderia falhar. Se falhasse, eles estariam condenados. Já havia até um discurso pronto se isso acontecesse.

Felizmente, o trabalho das milhares (alguns dizem milhões) de pessoas envolvidas direta e indiretamente com a missão teve sucesso. O números de pontos passíveis de falha eram enormes, só que os únicos que perderiam a vida em caso de erro eram os astronautas.



Vasco da Gama

Os grandes navegadores dos séculos XV e XVI foram os “astronautas” e as Índias e a América foram as luas dessa época. Também podemos dizer que os portugueses eram a NASA dos mares, já que detinham a melhor tecnologia e as maiores conquistas navais.

Foi após o sucesso das empreitadas de Bartolomeu Dias, contornando o Cabo da Boa Esperança e de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, que chegaram ao Oriente Médio pelo Mediterrâneo, que o rei D. João II escalou Estevão da Gama para a missão de chegar às Índias por via 100% marítima.

Algum tempo depois, tanto o rei, quanto o próprio Estevão viriam a falecer. Foi então que o novo rei D. Manoel I concedeu ao filho dele, Vasco da Gama, a missão. Não se conhece muito da vida pregressa dele, mas o que se tem é que ele era um grande defensor do reino, tinha grande conhecimento sobre astronomia e era um chefe firme e até autoritário.

As quatro naus levando cerca de 170 tripulantes partiram no dia 8 de julho de 1497. A frota seguia a rota habitual dos navios mercantes portugueses, passando pela costa marroquinha, Ilhas Canárias e Ilha de Cabo Verde, onde fizeram escala. Entretanto, não seguiram caminho pela costa africana. Como grande conhecedor das correntes marítimas, Vasco optou por levar a frota para o meio do oceano Atlântico, passando relativamente perto do nosso então desconhecido Brasil.

Esse enorme arco no meio do caminho fez com que os tripulantes ficassem 3 meses sem ver qualquer vestígio de terra. Quando enfim chegaram a costa africana, já próximos ao Cabo da Boa Esperança, resolveram atracar para conhecer e negociar com os nativos. Por mais que se tentasse agradar e criar um bom relacionamento com os africanos, desentendimentos eram comuns e por diversas vezes os portugueses foram atacados com lanças, sendo que o próprio Vasco da Gama foi ferido.

Vasco da Gama Resultado e Processo
Rota para as Índias usada pela frota de Vasco da Gama. Clique para ampliar.

Ao contornar a costa leste da África, a escassez de água apertou. Cada tripulante passou a ter direito a menos de meio litro de água por dia e começaram até a cozinhar os alimentos com água salgada. Não bastasse isso, o escorbuto, doença desencadeada pela falta de vitamina C, já afetava boa parte dos marinheiros. Os sintomas iniciavam-se com fadiga, seguida por edema dos membros e da gengiva, hemorragias, dores ósseas e articulares e diminuição da resistência a infecções. Era a principal causa de morte nas navegações de longa distância.

Quando chegaram à Moçambique, após enfrentarem fortes tempestades e haver um motim entre marinheiros, novos conflitos emergiram com os africanos muçulmanos locais. Conflitos que se intensificaram, pois o mar não estava propício para viagens ao norte e os portugueses não conseguiram zarpar. Tiveram que se defender dos africanos por mais dias do que imaginavam.

Algum tempo depois, ao chegar ao Quênia, Vasco da Gama percebeu que seria perigoso atracar no porto e optou por ancorar em outra região. Ele estava certo, por duas vezes hordas de africanos atacaram os navios portugueses que por não estarem no porto, tiveram maior margem para se defender.

As habilidades de Vasco da Gama de não só organizar as defesas portuguesas, mas de também  conseguir navegadores locais para guiar os portugueses até a Índia foram essenciais.

Finalmente, no dia 18 de maio de 1498, a frota portuguesa chegava à Índia, quase 10 meses depois da partida. Até 29 de agosto do mesmo ano, os portugueses estreitaram o relacionamento com as autoridades e os comerciantes locais, partindo neste dia de volta a Portugal.

Se ir já foi difícil, para voltar foi pior. Só durante o trajeto para chegar à África novamente, metade dos tripulantes, até então sobreviventes, faleceu e muitos outros ficaram gravemente doentes. Nesta altura, a tripulação já havia se reduzido à metade. Foi quando Vasco da Gama decidiu colocar fogo em uma das naus, por falta de tripulação para tocar três navios. A primeira, que carregava suprimentos, havia sido naufragada propositalmente após cruzarem o Cabo da Boa Esperança na viagem de ida.

Quando chegaram à Ilha de Cabo Verde, foi a vez do irmão de Vasco, Paulo da Gama, adoecer e falecer dias depois. Foi justamente por precisar sepultar o irmão que Vaco da Gama só chegou a Lisboa um mês após as duas naus restantes, tendo sido recebido com festas e homenagens.

Não é por menos que toda essa epopeia foi retratada na obra-prima de Camões, os Lusíadas.



Resultados e processos

Aonde eu quero chegar contando essas duas longas histórias de sucesso?

No fato de que a maioria das pessoas foca apenas naquele momento de glória, na linha de chegada, numa conquista extraordinária, mas se esquece de que para aquele momento ocorrer, é preciso muita dedicação, esforço e trabalho árduo.

Pro sujeito poder dizer que foi o primeiro homem a pisar na lua, ou o primeiro a desbravar três oceanos precisou estudar e se dedicar muito. Precisou ainda passar por momentos de provação e ter a própria vida colocada em risco.

No mundo dos investimentos não é diferente. Muita gente deseja enriquecer com uma grande tacada ou acertando os números da loteria. Querem contar com a sorte e não com o esforço próprio.

Warren Buffett não imaginava que conseguiria alcançar uma fortuna de 85 bilhões de dólares. Ele apenas focou em estudar muito sobre ações de forma a encontrar os melhores investimentos. Passou por todas as crises dos últimos 50 anos e teve sua capacidade colocada em dúvida por diversas vezes. Atravessou a maior crise financeira da história, sendo fiel aos seus princípios, comprando ações americanas, o que contribui para construir a riqueza que tem hoje.

No mundo empresarial também não é diferente. Jeff Bezos não imaginava que chegaria a ultrapassar a barreira de 150 bilhões de dólares de fortuna pessoal. Ele apenas trabalhou incessantemente para que a Amazon fornecesse o melhor serviço de comércio online do planeta. O mesmo se aplica tanto aos fundadores do Paypal, que já comentei em outro artigo, quanto aos mergulhadores que participaram do resgate das crianças e seu treinador na Tailândia:

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Todas essas pessoas focaram no processo (estudo, treino e trabalho) e o resultado foi uma consequência. Não adianta mentalizar um resultado extraordinário, se não colocar a mão na massa para executar algo que seja de fato extraordinário. A probabilidade de alguém lhe oferecer para ser o primeiro humano a pisar em Marte, enquanto fica de pijama no sofá assistindo Netflix é zero.

Portanto, independente do que estiver planejando, tanto na vida profissional, quanto nos investimentos, foque no processo. Os resultados virão naturalmente.

Para finalizar, caso queira conhecer uma forma eficiente de organizar suas finanças e seus investimentos, eu escrevi dois e-books, que podem ser baixados gratuitamente nas páginas abaixo:

A pirâmide das finanças pessoais

A pirâmide dos investimentos


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Este post tem 6 comentários

  1. Bom dia. Aprendi muito mais sobre os detalhes desses eventos com esse texto do que sobre tudo o que eu já tinha lido sobre eles na escola ou em qualquer outro lugar. É que tudo que dá certo demais a mídia e os livros de história nos relatam como se tivesse sido fácil realizá-lo (vapt-vupt). Dependendo de sua condição de saúde até ir na padaria da esquina já é um desafio e a vida plenamente vivida não é feita para a maioria dos amadores de plantão. Parabéns pelo post (mais uma vez).

    1. Investidor Internacional

      Olá Marcos,

      Você tem razão. Pelos livros mais comuns, parece que o sujeito ligou o piloto automático, dormiu e chegou ao destino, quanto na verdade tiveram que enfrentar muitos desafios.

      A maioria das histórias de sucesso está repleta de desafios superados.

      Abçs!

  2. Investidor Internacional,

    Excelentes exemplos. Mostram bem que entre erros e acertos, com dedicação, foco e persistência é possível alcançarmos níveis melhores na vida.

    “No fato de que a maioria das pessoas foca apenas naquele momento de glória, na linha de chegada, numa conquista extraordinária, mas se esquece de que para aquele momento ocorrer, é preciso muita dedicação, esforço e trabalho árduo.”
    Falando em linha de chegada, lembro-me dos maratonistas.
    As pessoas gealmente veem o momento de glória, mas o quanto de treinamento, dor, resiliência e privações foram necessários para chegar nesse momento único, a maioria não vê – mas é somente a soma de todos eles que foram capazes de proporcionar a glória alcançada.

    Boa semana!

    1. Investidor Internacional

      Olá Rosana,

      Exatamente.

      Eu até tentei procurar, mas não encontrei, o vídeo de uma propaganda com o Guga, onde dois rapazes comentam que a vida dele era fácil, só festas, praia, mulheres. Enquanto eles falavam, alternava-se imagens do Guga acordando cedo, treinando, correndo e se preparando.

      Exprime bem isso que você falou.

      Abçs!

  3. O texto é ótimo, melhor ainda a reflexão que proporciona, dedicação, esforço e trabalho duro, sigamos então!

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