De boas intenções o inferno está cheio

O que se esconde por trás da ideia de planejar um mundo melhor para todos

Se durante a Copa do Mundo, todos sabem a melhor escalação para a seleção brasileira, em épocas de eleição o que mais aparece são pessoas que dizem saber o que é melhor para os outros.

Dá até agonia ouvir pessoas (candidatas ou não) dizendo como melhorar o sistema educacional, o sistema de saúde, os transportes, gerar empregos, aumentar o crescimento econômico, resolver o problema da miséria, como se fossem seres divinos com super poderes e capazes de realizar todos os sonhos, como num conto de fadas.

Como eu já mostrei em artigo anterior sobre as eleições, todas essas promessas já foram feitas por todos os presidentes anteriores eleitos e o resultado foi desastroso.

O problema é que muita gente acredita (e eu já acreditei) que basta elegermos os candidatos corretos, com a maior capacidade administrativa, que a estrutura estatal começará a funcionar bem e o povo estará muito bem servido. Não importa que nos últimos 100 anos esses candidatos corretos nunca apareceram, vamos esperar mais 100 que “com certeza” eles aparecerão.



Seria um ótimo exercício ler este artigo Como resolver os problemas do Brasil. Talvez você, como eu, já tenha pensado dessa forma. É uma compilação de boas intenções (valorização dos professores, criação de unidades de atendimento médico, etc). Ao contrário da maioria dos políticos, acredito que os autores realmente desejam que esses serviços se tornem melhores e atendam bem a população.

Só que a realidade é muito mais dura. Não basta apenas a intenção para se conseguir um excelente resultado. É preciso muito mais. Fornecer serviços complexos e de qualidade para um grande número de pessoas é algo que o sistema estatal é incapaz de fazer. A coleção histórica de fracassos supera em ampla margem a de sucessos, se é que haja algum. Quantos projetos estatais inúteis para saúde e educação, para acabar com a miséria e a fome e para gerar empregos já presenciamos?

“O grande problema das políticas públicas é que são julgadas por suas intenções e não pelos seus resultados” -Thomas Sowell

Como se isso não fosse o suficiente, toda essa tragédia é financiada com dinheiro tomado coercitivamente dos cidadãos sob a forma de impostos. E esse dinheiro tomado não volta para quem pagou. Essa injustiça fica clara quando percebemos que quem nunca frequentou uma faculdade banca as universidades públicas. Pessoas que pagam plano de saúde bancam o SUS. Quem tem os filhos em escola particular e quem não tem filhos pagam pelas escolas públicas.

“Ah, mas como os mais pobres irão pagar por esses serviços?”

Vou usar uma outra citação do Sowell:

“É incrível como algumas pessoas acham que nós não podemos pagar médicos, hospitais e medicamentos, mas pensam que nós podemos pagar por médicos, hospitais, medicamento e toda a burocracia governamental para administrar isso.”

Então, não tenha dúvida, todos nós, ricos, pobres e classe média, pagamos para manter um sistema ineficiente e caro. Pagamos quando recebemos salários e quando compramos bens e serviços. Neste artigo, você pode ver o absurdo que é tomado do seu bolso cada vez que você compra alguma coisa.

Em um outro ranking que incluiu o Brasil nos 30 países com a maior carga tributária do mundo, ficamos em último lugar no que se refere a qualidade dos serviços oferecidos em proporção ao que pagamos de impostos.

“Investimento estatal é o mesmo que você tirar sangue de um braço e colocar no outro, derrubando metade pelo caminho.” -Irwin Schiff

Com esse histórico impressionante, você ainda continuará pedindo que o estado roube tanto de todos nós e forneça esses serviços precários para a população? Quer mesmo que o pobre continue recebendo atendimento de péssima qualidade?



O círculo virtuoso da privatização e desregulamentação

Não tenho a ilusão de achar que seria possível um mundo sem estado. Acho que ainda haja uma função para ele no que se à manutenção da ordem. Nisso eu incluiria a polícia, bombeiros, judiciário, forças armadas. A existência da polícia não interferiria no direito de cada cidadão poder se armar e se defender, nem no de haver empresas de segurança privadas. O judiciário atuaria como garantidor do cumprimento de contratos em casos civis, além da atuação na esfera penal. Justiça do trabalho, por exemplo, seria extinta. No meu ponto de vista, um contrato entre patrão e empregado onde tudo fosse definido (salários, benefícios, horas de trabalho, férias), seria mais justo e eficiente do que essa quantidade enorme de leis, burocracias e encargos.

Tudo que for um serviço específico é passível de ser privatizado. Até cidades poderiam ser privatizadas. O que são os condomínios fechados, se não pequenos bairros privados?

O enxugamento brutal do estado permitiria uma grande redução de impostos. O fim da burocracia e redução dos custos para abrir e administrar negócios, aliado a eles, permitiria uma ampla liberdade econômica. Já falei sobre ela em artigos anteriores, pois é uma das características principais dos países mais prósperos do mundo. Tudo isso ajuda a responder uma outra pergunta:

“O que causa a pobreza?”

As respostas progressistas seriam obviamente os ricos, o capitalismo ou o imperialismo americano.

Para o economista sueco Per Bylund:

“O que causa a pobreza? Nada. É o estado original, o padrão e ponto de partida. A questão real é: O que causa prosperidade?”

A prosperidade acontece por meio da criação de riqueza, que é tão maior quanto mais livres forem as pessoas; livres para abrir e gerenciar empresas; livres para negociar, comprar  e vender; livres para trabalhar, contratar e demitir. A prosperidade acontece em países onde a justiça impera, as leis são cumpridas e os contratos respeitados; em países onde o estado não esfola seus cidadãos com burocracia e impostos desnecessários.

Esse arranjo leva a dois efeitos principais:

  1. Geração de emprego
  2. Redução dos custos

Temos então pessoas empregadas, com mais dinheiro e esse dinheiro rende mais quando elas consomem.

Agora ficou bem mais fácil responder a famosa indagação: “Ah, mas como os mais pobres irão pagar por esses serviços?”

Também fica fácil entender porque políticas como Bolsa Família, Prouni, FIES, cotas, etc são apenas paliativos com claro intuito eleitoreiro de curto prazo. A raiz do problema jamais será resolvida com essas maquiagens.



Serviços privados para todos

Nem eu, nem qualquer burocrata em Brasília, seria capaz de bolar o melhor jeito para resolver os problemas de educação, saúde, segurança, transporte, saneamento básico e os demais serviços essenciais. Se voltarmos 2 décadas e você me perguntasse “qual o melhor jeito de se comunicar fora de casa?”, eu não saberia responder, mas a Motorola e a Nokia sabiam e vendiam seus celulares. Aí dezenas de empresas começaram a mostrar suas soluções até que veio a Apple com o iPhone em 2007 e daí pra frente a evolução em comunicação móvel deu um salto incrível.

Por isso é preciso contar com a especialização e a diversidade que só a iniciativa privada é capaz de oferecer. Assim cada um escolhe o que é melhor e mais acessível para si. Ninguém seria obrigado a aceitar goela abaixo o que o estado lhe impõe, como “você mora no bairro tal, então você só pode matricular seus filhos nessa escola, não importa que seja ponto para o tráfico de drogas e que não tenha professores o suficiente.” Cada empresa oferecerá uma solução e trabalhará duro para melhorá-la e ganhar mais clientes. Afinal de contas, sem satisfazer os clientes, nenhuma empresa sobrevive.

Um leitor fez uma excelente colocação quando escrevi o artigo Para que serve a educação?, dizendo que toda a educação básica do Brasil poderia ser substituída pelo sistema Kumon. Neste sistema, o aluno aprende sozinho com o material didático e o professor só orienta. É algo bastante individual e o aluno segue no seu ritmo. Só passa para a próxima etapa se cumprir a anterior. As três principais matérias são as mais essenciais para qualquer pessoa: português, inglês e matemática. Levando-se em conta que 7 de cada 10 alunos do ensino médio têm nível insuficiente em matemática e português, qualquer aluno que terminasse o sistema Kumon já se encontraria com uma formação superior ao de 70% dos alunos que finalizam o ensino médio da rede pública brasileira.

E quanto custa a mensalidade do Kumon? Em São Paulo capital custa em torno de 250 reais por matéria por mês, mas é mais barato em cidades menores. Tire os impostos e a burocracia, que fatalmente o custo se reduziria à metade. Os alunos conseguiriam aprender de verdade as três matérias por algo perto de 375 reais por mês, ou 4.500 reais por ano. Sabe quanto o governo gasta hoje por aluno do ensino fundamental? De acordo com este artigo, o Fundeb calculou o gasto entre R$ 3.300,00 a R$ 4.000,00 por aluno por ano. Agora saiba que no método Kumon, o tempo de duração total depende de cada aluno. Alguns terminam em poucos anos e outros demoram mais, mas é menos que os obrigatórios 9 anos do ensino fundamental.  Agora tente repetir sem soar ridículo: Falta investimento para a educação.

Feche o Ministério da Educação, privatize todas as escolas públicas, retire os impostos e abra para o capital estrangeiro, que surgiriam centenas de métodos como esse, com o objetivo de capturar esse enorme público ao oferecer ensino para as crianças de todas as famílias. Muitos inclusive poderiam, como o Kumon, ser realizados dentro da própria casa, como Homeschooling. Ninguém mais seria obrigado a seguir um currículo ou um planejamento central burocrático, que está longe das necessidades da população e que não possui a menor qualidade. A propósito, falando em qualidade, já assistiu a um duelo de matemática entre chineses e japoneses? Olha, eu já disputei Olimpíada de matemática, mas nunca tinha visto nada parecido com o que está no vídeo abaixo:

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No ensino superior a mesma coisa. Ensino privado com a possibilidade dos candidatos aprovados que não têm condição de pagar a mensalidade pleitearem uma bolsa, que pode vir de algum indivíduo, de alguma empresa, de um fundo de incentivo, ou da própria faculdade. A americana Raytheon, que você já conhece do artigo sobre empresas que fornecem equipamentos e serviços para os militares, tem diversos tipos de bolsa de estudos para filhos de funcionários e veteranos de guerra.

O mesmo vale para a saúde. Privatize e desburocratize tudo, confira isenção de impostos, que surgirão centenas de clínicas e hospitais para atender a todo o tipo de cliente. Desregulamente os planos e seguros de saúde da mesma forma e todas as pessoas poderão pagar. Algo próximo a isso já acontece hoje com as chamadas clínicas populares que entraram no mercado buscando aquele consumidor que se cansou da ineficiência do SUS, mas não consegue pagar um plano de saúde. Ele paga algo em torno de 60 a 120 reais por uma consulta, marcada em mais curto espaço de tempo, sem precisar chegar de madrugada ou enfrentar longas filas.

Nada impede também que haja entidades beneficentes, que atendam os mais miseráveis e que realmente não tenham condições de pagar por nada. É inclusive este o motivo da origem das Santas Casas de Misercórdia. A primeira foi criada em 1498 em Lisboa com o objetivo de atender os mais necessitados. As Santas Casas precedem em séculos a ideia de estado assistencialista, com a diferença de serem serviços filantrópicos mantidos com recursos e doações locais. Aí veio o estado, com o INPS, INAMPS e SUS e fez aquele estrago. A história toda está nesta página. Você não se sentiria melhor se, ao invés de pagar essa quantidade absurda de impostos, fizesse doações periódicas e dentro da sua capacidade, diretamente para a Santa Casa da sua cidade?

Conclusão

Ao invés de ficarmos dentro da bolha da alienação debatendo como o governo pode ajudar em determinada área, precisamos discutir como tirar o governo de determinada área. A melhor contribuição que o estado pode dar aos seus cidadãos é não atrapalhar. É criar condições legais para que cada um possa trabalhar e produzir sem interferências. É permitir que diferentes empresas sejam criadas, serviços sejam oferecidos e tudo mais que é responsável pela criação de riqueza em um país.

A ideia de que é possível planejar e organizar toda a sociedade de forma centralizada sempre levou a regimes tirânicos, onde o povo foi jogado na miséria. As sociedades que colocaram a liberdade em primeiro lugar não se tornaram perfeitas, mas são as mais ricas de todo o planeta.

“Todos os homens têm o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade.” – Thomas Jefferson

O diabo se esconde nos detalhes e insistir na solução errada jamais trará um bom resultado.


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Este post tem 18 comentários

  1. Gostaria de saber em qual corretora americana posso abrir uma conta para investir na bolsa de Hong Kong.

      1. A IB oferece acesso à bolsa de Hong Kong. A corretora associada ao Euro Pacific Bank (Global Trade Station), no Caribe, também. Porém esta é bem mais cara, 15 Euros + outras taxas.
        Tenho conta nas duas, caso queiram mais detalhes.

        1. Antonio, vc que tem conta na IB saberia me responder se é possível comprar STRIPs de juros e de principal dos Treasuries bonds dos EUA? Eu elenco diversos STRIPs, pela conta de simulação (paper wallet) mas não consigo ter executada nenhuma ordem de compra dos STRIPs.

          Abc

  2. Todas essas ideias são ótimas, mas ai não ia sobrar nada para nossos politicos roubarem… Ou seja, no congresso de ladroes nunca será aprovado nada que lhes tire recursos… Infelizmente.

  3. Um dos melhores artigos seus, sem dúvida é pra ler e refletir com calma!

  4. Wow !!!!
    Sempre leio a todos os seus posts com admiração, mas especialmente este, me deixou sem fôlego.
    Como é duro confrontar essas verdades, mas como é lindo ver soluções lúcidas e factíveis (principalmente, se tivéssemos um mundo onde a vontade política não imperasse…).
    Obrigada por compartilhar suas idéias !
    Abraços,

  5. Olá II,

    Parabéns pelo post.

    Sou a favor de privatizar quase tudo. Quando eu morava na zona rural e não existia bolsa família, as pessoas davam um jeito para sobreviver. Depois que eles começaram a receber ficaram preguiçosos, mesmo sabendo que é uma merreca de dinheiro. Hoje o que mais vejo são pessoas reclamando e não tem coragem de fazer nada. Conheço muita gente que tem terras, mas não tem coragem de plantar e nem criar nada. Ficam sempre esperando do governo. O socialismo está impregnado no brasileiro. Essa é a verdade.

    Abraços.

    1. Investidor Internacional

      Olá Cowboy,

      Décadas enfiando na cabeça das pessoas que elas têm direito a tudo sem precisar trabalhar ou merecer e o resultado não podia ser outro.

      Abçs!

  6. Investidor Internacional,

    Seu post é muito apropriado para a época de eleição/caos político na qual vivemos.

    ““É incrível como algumas pessoas acham que nós não podemos pagar médicos, hospitais e medicamentos, mas pensam que nós podemos pagar por médicos, hospitais, medicamento e toda a burocracia governamental para administrar isso.”
    Gostei dessa frase do Thomas Sowell.

    Acrescento também a previdência pública: uma população com educação e salários adequados não seria capaz de criar sua própria previdência privada através de produtos financeiros e até da poupança?

    É assustador e desanimador o quanto a mentalidade de dependência do governo é forte no Brasil. Muitos parecem até que não sabem andar sozinhos. “Para que eu vou comprar um medicamento se posso pegar “de graça” nas farmácias?” Mas…
    1) Não existe nada gratuito, pois o mesmo medicamento é pago pelos impostos de todos nós, inclusive dos que acham que não estão pagando nada por ele. Não existe almoço grátis.
    2) Não seria muito melhor essa mesma pessoa ter um salário adequado para poder pagar um plano de saúde decente, comprar os medicamentos necessários, pagar uma escola melhor os filhos e ainda gerenciar sua própria aposentadoria em vez de pagar impostos tão altos e ter todo mês descontado 11% do seu salário (se não me engano é isso) para custear a aposentadoria dos outros?

    “A melhor contribuição que o estado pode dar aos seus cidadãos é não atrapalhar. É criar condições legais para que cada um possa trabalhar e produzir sem interferências.”
    Simplesmente perfeito. Esse seria o mundo ideal.

    Boa semana,

    1. Investidor Internacional

      Olá Rosana,

      O funcionamento do estado se baseia em tomar o dinheiro que as pessoas precisam para fornecer (ou não) serviços que elas não precisam ou que poderiam escolher por si próprias.

      Abçs!

  7. Olá, I.I.!

    Excelentes ideias! Penso da mesma forma: a solução para o Brasil passa sempre por menos Estado. O problema é que nossa sociedade, como o Cowboy comentou, está impregnada com a ideia oposta.

    Isso ocorreu devido todo o processo de revolução cultural gramsciana, que você deve conhecer bem. Precisamos, aos poucos, realizar a contrarrevolução rsrs. Vai demorar, mas vamos conseguir. Minha única dúvida é se até lá vai sobrar alguma coisa…

    Lendo o texto, achei que no final viria algum posicionamento político seu para essa eleição, uma vez que as pessoas que pensam como nós estão meio divididas. Pretende disponibilizá-lo aos leitores?

    Abraços!

  8. II,

    Estamos vivendo um momento de virada. Se não houver uma virada em tudo o que está por aí, teremos uma aceleração na degradação do Estado em progressão geométrica.

    O problema além dos políticos é cultural também. A base da população ainda não conhece nada disso nem sabe quem é o que e assiste globo. Alguém vai lá e fala que determinado político é ruim porque faz qualquer coisa e a base que é o povão, repete isso sem ao menos saber quem é o político e no fim, vota nele de novo.

    Mas como você mesmo disse, essas questões sempre falamos mais lá no Twitter.

    Abraço!

    1. Investidor Internacional

      Olá BPM,

      A degradação moral e cultural está atingindo todo o ocidente.

      O Brasil sofre duas vezes, por causa também da fuga de capital humano.

      Tudo se agrava ainda mais, pois a imprensa está toda infiltrada por gente que deseja manter o povo como massa de manobra.

      Abçs!

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