Será que vale a pena investir na maior empresa médico-farmacêutica do mundo?

A Johnson & Johnson (NYSE:JNJ) é uma holding norte-americana envolvida na pesquisa, desenvolvimento, fabricação e venda de produtos para a saúde. Uma das maiores empresas do mundo, com mais de 250 subsidiárias e fábricas em 60 países, ela opera em três segmentos principais: Consumidor, Farmacêutico e Equipamentos médicos.

Consumidor inclui cuidados para bebês, cuidados orais, saúde da mulher e ferimentos. O segmento farmacêutico inclui tratamentos para as áreas de imunologia, doenças infecciosas, vacinas, neuro-ciência, oncologia, cadiovascular e hipertensão pulmonar. Equipamentos médicos estão nos campos da ortopedia, cirurgia, cardiovascular, diabetes e oftalmológico.

História

A Johnson & Johnson foi fundada em 1886 em Nova Jersey pelos irmãos Robert Wood Johnson, James Wood Johnson e Edward Mead Johnson. Foram inspirados pelo surgimento das ideias de antissepsia do cirurgião britânico Joseph Lister. Na época, não era comum lavar os instrumentos usados nas cirurgias. Com o conhecimento adquirido por Louis Pasteur na área da microbiologia, Lister começou a usar ácido na limpeza dos materiais cirúrgicos. O objetivo era o de matar bactérias e com isso ele obteve bastante sucesso ao reduzir as infecções pós-cirúrgicas.

A primeira criação dos Johnson foi o aventual cirúrgico. Depois foram adicionados fios cirúrgicos, gases e algodão. Todos estéries e voltados para cirurgias e cuidados com ferimentos. Daí para o talco dos bebês, o band-aid, o primeiro absorvente feminino e demais produtos foi um pulo. Toda a história está no vídeo abaixo:

A Johnson & Johnson hoje

Como falado no início, a empresa se divide em três segmentos, cada representando uma fatia da receita:

Consumidor (17%)

Farmacêutico (49%)

Equipamentos médicos (34%)

No segmento de Consumidor, as principais marcas são Johnson’s, com lenços, shampoos, sabonetes e talcos para bebês, Neutrogena, Clean&Clear, Aveeno, Carefree, Listerine, Band-aid, Benadryl e Tylenol.

Em Farmacêutico, oferece medicamentos para todas as áreas: Remicade, Stelara, Tremfya e Simponi na imunologia, Prezcobix, Odefsey e Symtuza nas doenças infecciosas, Invega e Risperdal na neurociência, Darzalex e Imbruvica na Oncologia, Xarelto na cardiologia, entre outros.

Em Equipamentos médicos, fabrica aparelhos para fibrilação cardíaca, próteses de quadril, joelhos e coluna, bisturis, fios cirúrgicos e lentes de contato.

A companhia divulgou os resultados do segundo trimestre de 2018 em 17 de julho. As vendas mundiais foram de 20,8 bilhões de dólares, alta de 10,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Excluindo aquisições e desinvestimentos, a alta foi de 6,3%. O lucro por ação foi de 1,45 dólares e o lucro por ação ajustado foi de 2,10 dólares, alta de 14,8%.

O aumento nas vendas de produtos para consumidor foi de 0,7%, o de produtos farmacêuticos foi de 19,9% e o de equipamentos médicos de 3,7%.

A empresa, mesmo já tendo 132 anos de história, tem batido as estimativas dos analistas pelos últimos vinte trimestres e já há três tem aumentado as vendas em mais de 10%. O crescimento do setor Farmacêutico pode ser creditado parcialmente à aquisição da Actelion (por 30 bilhões de dólares em dinheiro) e seus medicamentos para doenças raras no ano de 2017.

Retorno para o investidor

A Johnson & Johnson tem aumentado o pagamento de dividendos para os seus acionistas anualmente nos últimos 56 anos. Isso a torna membro do seleto grupo de Reis do Dividendo (Dividend Kings). Nos últimos 10 anos o crescimento médio dos dividendos tem sido de 7,3% ao ano. O dividend yield atual é em torno de 2,6%. Já o payout yield (dividendo por ação/lucro por ação) ao final de 2017 foi de 45%, o que torna o pagamento dos dividendos bastante seguro.

Veja a evolução da receita por ação, fluxo de caixa livre por ação e dividendo por ação nos últimos 30 anos.

JNJ data by GuruFocus.com

Por estar diversificada internacionalmente e fabricar produtos para uso no dia a dia, a empresa possui poucas flutuações em seus números, seja vendas, lucro ou dividendos. É um negócio com bastante previsibilidade e que não está muito suscetível a crises locais, exceto pelos EUA, que concentram cerca de 45% das vendas.

Mesmo com produtos antigos e bem estabelecidos, a empresa investe pesado em pesquisa e desenvolvimento e os novos produtos participam cada vez mais dos resultados.

A larga escala da companhia permite não só ter custos reduzidos na fabricação dos seus best-sellers (margem operacional de 23%), como também investir pesado no desenvolvimento de novas drogas. Seu pipeline de desenvolvimento possui dezenas de medicações em diferentes estágios para a aprovação. As drogas que a companhia já comercializa são aplicadas em diversas áreas da medicina. É um diferencial em relação às empresas de biotecnologia menores, que possuem poucos ou até mesmo um único medicamento.

Os riscos da empresa são o alto gasto com desenvolvimento de novos produtos, que podem não ser aprovados e a expiração de patentes de medicamentos importantes do seu portfólio. Muitas outras empresas já trabalham na oferta de medicamentos similares próximo ao vencimento dessas patentes e em geral a um custo menor que o original. A manipulação de preço dos medicamentos pelo governo e as mudanças regulatórias são outros riscos, mas que envolvem o mercado farmacêutico como um todo.

Conclusão

A Johnson & Johnson (NYSE:JNJ) é uma daquelas empresas antigas e dominantes incluídas popularmente no grupo de Forever Stocks, ou ações que você pode segurar para sempre. Sua história de crescimento de lucros, estabilidade financeira e histórico de belíssima distribuição de dividendos torna uma opção atraente para investidores que gostam de dormir bem à noite.

Pra finalizar e particularmente porque uma das empresas listadas na B3 acabou de dar uma bela rasteira nos acionistas minoritários, veja o que o então presidente da empresa, Robert Wood Johnson, gravou em pedra num monumento onde estão escritores os valores e crenças da empresa. Isso foi em 1943, logo antes de listar ações em Bolsa:

“Nossa responsabilidade final é com nossos acionistas. As empresas devem ter um lucro sólido. Temos que experimentar novas ideias. A pesquisa deve ser realizada, programas inovadores desenvolvidos e devemos pagar por nossos erros. Novos equipamentos devem ser adquiridos, novas instalações fornecidas e novos produtos lançados. As reservas devem ser criadas para proteger de tempos adversos. Quando operamos de acordo com esses princípios, os acionistas devem obter um retorno justo.”

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Este post tem 17 comentários

  1. Avatar

    Investidor Internacional,

    Gostei do seu post.
    Os valores e crenças da Johnson & Johnson parecem muito sólidos e coerentes até hoje. Além disso, os mercados nos quais a empresa atua são estratégicos e exceto um ou outro produto, a demanda é praticamente inelástica para muitos dos seus produtos.

    Boa semana!

  2. Avatar

    Vlw II.
    Excelente post.

      1. Avatar

        Olá II,

        Estava lendo outros posts muito legais como da Ilumina, Home Depot e etc….

        Tem alguma aba onde posso ir direto nas empresas gringas? É na aba investimentos?

        Vc poderia criar uma aba só de stocks e uma só de REIT;

        De qq forma, já deixo os parabéns pelos posts

  3. Avatar

    porque uma das empresas listadas na B3 acabou de dar uma bela rasteira nos acionistas minoritários; qual empresa?

    1. Investidor Internacional

      Olá Adolfo,

      A Multiplus fechou o capital com a ação em patamares historicamente baixos e além disso numa conferência com analistas, haviam informado que o contrato com a TAM não seria rescindido, como acabou acontecendo.

      Abçs!

  4. Avatar

    Olá II,

    Muito bom o post. Essa é uma empresa que colocaria na minha carteira se investisse no exterior.
    Aqui eu tenho a Hypermarcas que é um pouco parecida. De uns tempos para cá ela está muito boa.

    Abraços.

  5. Avatar

    A Eletropaulo aparentemente vai no mesmo caminho; compraram 93% do capital social a 42, mercado negociando em torno de 25, e permanece aviltando o valor de mercado numa estratégia duvidosa.

  6. Avatar

    De fato. A Multiplus era nível máximo de governança. Nesse país de bananas o órgão regulador que é a CVM absolutamente nada. Aqui não tem futuro mesmo. Pobre país. Daqui há puco só vamos plantar bananas. Gente cabeça indo embora e o dinheiro também. Enquanto tiver esse tipo de atitude como a Multiplus e pior, atitude dos órgãos reguladores que nada regulam seremos colônia.

  7. Avatar

    Legal, das Dividend Kings é a que eu mais gosto, muito embora eu ache que pelo seu tamanho o crescimento é bastante limitado. Foi legal também ressaltar que existem riscos envolvidos, especialmente para aqueles mais desligados.

    O negócio é ir sempre acompanhando os resultados da empresa, enquanto ela estiver com lucros consistentes, payout controlado e governança tranquila não há muito que se preocupar.

Deixe uma resposta

Posts com maior repercussão

Fechar Menu