Qual a minha maior posição em ações no Brasil e por quê

ações banco do brasil

Minha paciência foi enfim recompensada

Eu não costumo publicar meus investimentos pessoais no site, mas resolvi escrever sobre a ação que eu mais tenho em carteira hoje, porque ela ajuda a rever nossas opiniões e porque outro dia estava rolando uma discussão a respeito de estatais no Twitter. Se você ainda não me segue lá, clique aqui.

Sim, a maior ação da minha carteira é uma estatal. Eu não costumo gostar de estatais. Já escrevi um texto a respeito da Petrobras à época da demissão do Pedro Parente e do uso político da empresa na manipulação do preço dos combustíveis no Brasil. Já escrevi outro texto a respeito dos problemas das empresas estatais.

Mas se eu não gosto de estatais, por que Banco do Brasil acabou se tornando a minha maior posição em bolsa no Brasil?

Quando comecei a investir em ações do Banco do Brasil?

Comecei a comprar as ações do Banco do Brasil em 2009 e 16% da posição foi construída entre entre esse ano e 2012. Em cada um de todos os anos seguintes fui comprando praticamente a mesma quantidade de ações, um pouco a mais em um e um pouco a menos em outro. Foi às véspera das eleições de 2018, que eu fiz uma compra maior, que representa hoje 22% das ações.

Mesmo sendo estatal, Banco do Brasil sempre foi uma empresa bastante lucrativa e tem um lugar de destaque no oligopólio dos bancos brasileiros. Mesmo sabendo que a sua eficiência é menor que a dos concorrentes Itaú-Unibanco e Bradesco, o preço da ação já descontava essa diferença.

Veja o histórico do índice Preço/Lucro comparativo entre as ações ordinárias dos bancos brasileiros:

Banco do Brasil (BBAS3)

Preço/Lucro Banco do Brasil
P/L das ações do Banco do Brasil (Cortesia: oceans14.com.br)

 

Itaú-Unibanco (ITUB3)

Preço/Lucro do Itaú-Unibanco
P/L das ações do Itaú-Unibanco (Cortesia: oceans14.com.br)

Bradesco (BBDC3)

Preço/Lucro do Bradesco
P/L das ações do Bradesco (Cortesia: oceans14.com.br)

 

Enquanto os banco privados negociam geralmente a P/L em torno de 10, Banco do Brasil negocia a P/L médio em torno de 7, tendo chegado abaixo de 3 no fundo de 2016.

Em termos de lucro, a empresa lucrou anualmente entre 8 e 15 bilhões de reais entre 2008 e 2018, tendo o pico em 2013 e o fundo em 2016.

Na comparação de ROEs, é visível que o Itaú é o banco mais eficiente entre os três:

ROE %2009201020112012201320142015201620172018
BBAS328232119231520101214
ITUB320222018192122191919
BBDC319212016171919151316

Por ser uma estatal, a evolução dos lucros do Banco do Brasil foi a pior dos três bancos. De 2009 a 2018, o lucro pulou de 10 bilhões para 12 bilhões. Itaú saiu de 10 bilhões para 24 bilhões e Bradesco de 8 bilhões para 19 bilhões no mesmo período.

Por ter os 3 bancos na carteira, Banco do Brasil sempre foi o patinho feio, mas a presença dele na carteira estava ancorada em algumas expectativas. Melhora na administração, correção das ineficiências e redução da corrupção. Essas mudanças se tornaram muito mais próximas de se realizarem com as eleições de 2018.

Como as chances de um governo de direita vencer eram grandes optei por um investimento pontual maior antes das eleições. No meu ponto de vista, era uma ação que se beneficiaria enormemente e mesmo que o fato não acontecesse, a empresa era a que tinha resultados mais consistentes comparativamente a Eletrobras e Petrobras, as outras maiores estatais da Bolsa, cujas expectativas se assemelhavam.

Veja a variação das ações ordinárias dos bancos desde outubro de 2018:

Ações Banco do Brasil Itaú-Unibanco Bradesco
BBAS3 (em azul) BBDC3 (em vermelho) ITUB3 (em laranja)

 

Nessa ideia, eu não estava errado, das minhas ações, a única estatal era Banco do Brasil e acabei por fazer o investimento pré-eleitoral todo nesta ação.

Comparado com as outras estatais, Banco do Brasil (em azul) ficou atrás de Cemig ON (em amarelo) e Eletrobras ON (em vermelho), mas à frente de Petrobras ON (em laranja).

Estatais ON
BBAS3 (em azul) CMIG3 (em amarelo), ELET3 (em vermelho) e PETR3 (em laranja)

 

Qual o aprendizado de tudo isso?

O primeiro aprendizado é que estatal nem sempre é um investimento ruim. O segundo aprendizado é que market timing nem sempre é uma ilusão. No caso das eleições, uma mudança de expectativa repentina nos resultados futuros das estatais fortaleceu o preço das ações. A atitude do governo eleito em conter a corrupção, aliado a mudança dos executivos e privatização de alguns segmentos delas, fez o mercado enxergar valor onde havia um certo desprezo.

Eu já escrevi dois artigos mostrando seis formas incomuns de selecionar ações e uma delas era essa mudança de expectativa, mas avaliando-se as indicações dos analistas. Neste caso do Brasil, a mudança de expectativa se deu de outra forma, com a mudança no rumo político do país.

Uma ação de empresa ruim com expectativa de melhora pode subir muito mais que a de uma empresa boa, cujos resultados não possuem expectativa de subir. Tudo é uma questão de quanto está o preço agora e de quanto será a geração de lucro no futuro.

E você, tem enxergado mais valor a ser destravado com a mudança política do país?

 

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Este post tem 10 comentários

  1. Avatar

    A participação de bancos na minha carteira de ações é superior a 60%… 😡

    Pra mim é o melhor setor disparado (lucra na crise e na bonança)…

  2. Avatar

    Foi a primeira ação que comprei na vida.
    Não vou voltar com ela, vou investir só em itausa 3.

    Abraço amigo!

    1. Investidor Internacional

      Olá Frugal,

      Minha primeira ação acho que foi Unibanco, UBBR11.

      Impressionante como há várias ações que eu já tive nem existem mais, como VVAX11.

      Abçs!

  3. Avatar

    Olá Raphael! Desculpe pela pergunta se parece ingênua, mas essas ações do banco do Brasil que você investe são daqui ou de alguma bolsa no exterior? Grato!

  4. Avatar

    Oi, Raphael! Tudo bem? Ainda aporta no Brasil ou somente no exterior?

  5. Avatar

    Gostei demais do artigo. Não só pela dica prática, mas também por detalhar a metodologia de análise. Claro que um único artigo não abrange todos os fundamentos, mas aqui me pareceu que avaliar investimentos com essa abordagem, já é um ótimo começo. E depois, ir acompanhando seus outros artigos.

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