Como investir na infraestrutura do século 21

investir em infraestrutura

Os tempos mudaram e investir em infraestrutura não é mais como era antigamente

Quando você procura um negócio para investir, quer que ele seja algo perene e com perspectivas de longevidade. Não quer que não seja algo que esteja caindo em desuso ou ficando ultrapassado.

Durante muito tempo, quem queria algo certo e duradouro, procurava investir no setor de infraestrutura. Por serem serviços úteis a todos faça chuva ou faça sol, sempre foram vistos como um porto seguro.

Agora, se você procurar no dicionário da internet (vulgo Wikipédia) o significado de infraestrutura encontrará a seguinte definição:

Infraestrutura, para a economia, é todo aparato de condições que permite que haja a produção de bens e serviços, bem como o seu fluxo entre vendedor e comprador, tais como as comunicações, os transportes (vias, veículos, tráfego etc.), a eletricidade e combustíveis (produção, distribuição, manutenção de rede etc.), o saneamento básico (fornecimento de água potável, rede de esgotos etc.), entre outros.

Logo abaixo, na mesma página, a explicação segue:

Dentre as suas principais características, a infraestrutura apresenta: pouca mobilidade de capital fixo; seus custos são altos e irreversíveis; possui uma grande relação capital-produto; e um consumo bastante disperso. Via de regra, são oferecidos por entes estatais ou concessionárias privadas.

Quando trazemos essa definição para o investidor de ações, encontramos muitas ações que se encaixam aí:

  • CCR, Rumo, Ecorodovias, Azul e JSL nos transportes
  • Engie, Taesa, CPFL, Cemig e Petrobras em energia
  • Vivo, Oi e Tim em telecomunicações
  • Sabesp e Sanepar em saneamento básico

Entretanto, existe uma outra infra-estrutura que cresce muito mais rápido e são mais lucrativas que essas empresas tradicionais. São empresas que não ficam presas às regulamentações que limitam sua atividade e controlam o preço dos seus produtos. Não são estatais e a grande maioria não é concessionária.

Além disso, os produtos fornecidos por elas possuem cada vez maior demanda em qualquer parte do mundo. São produtos relacionados ao segmento das comunicações, mas que por serem tão amplos, estão distribuídos por diversas áreas.

Estou me referindo à infraestrutura da internet e todos os serviços a ela associados.

Quais os segmentos que compõem a infraestrutura do século 21?

A porta de entrada para esse segmento são as empresas de telecomunicações, assim como temos no Brasil. Elas vendem o acesso à internet fixa e móvel para clientes residenciais e comerciais. AT&T, Verizon e China Mobile são algumas das empresas em que você pode investir.

Infelizmente, no Brasil, o investidor apenas consegue enxergar essa porta de entrada, mas não consegue participar dos lucros extraordinários que estão no caminho entre as informações trocadas pelo seu celular e a imensa quantidade de computadores espalhados pelo mundo.

Um exemplo é o segmento de fibra ótica. Com certeza estas palavras que escrevo caminharam milhares de quilômetros em cabos de fibra ótica até chegar a você. Na NASDAQ é possível encontrar uma série de ações ligadas a ele. A IPG Photonics fabrica fibras de laser, a Infinera é especialista em redes, a II-VI fabrica componentes óticos e optoeletrônicos e a Corning Incorporated, que fabrica o Gorilla Glass do seu smartphone, também produz cabos de fibra ótica.

Ligado à transmissão de dados, temos também diversos REITs que possuem imóveis especiais alugados com essa finalidade. Existem REITs como a American Tower Corporation e a Crown Castle  International Corporation que possuem milhares torres onde estão instaladas as antenas que captam e emitem sinal para os aparelhos com internet móvel. Outros REITs, como a Uniti, possuem torres e redes de fibras óticas locadas para as diversas operadoras do setor de comunicações.

Para que tudo isso se conecte em rede, é preciso uma série de equipamentos como switches e hubs, que são produzidos pela gigante Cisco e pela sua maior concorrente, a Arista Networks.

Um lugar repleto de aparelhos da Cisco e da Arista são os grandes Data Centers. Aqui, mais uma vez, você encontrará REITs que alugam seus imóveis para as grandes empresas de tecnologia instalarem seus servidores. São imóveis especiais que necessitam de um aparato específico para controle de temperatura, manutenção da energia elétrica, etc. Existem diversos REITs especializados em Data Centers, como Equinix, Digital Realty Trust e Keppel DC REIT.

E quem você acha que aluga esses imóveis para instalar uma boa parte do conteúdo da internet mundial? Temos os pesos pesados como Apple, Google, Amazon, Microsoft, Facebook e IBM. Para fazer todos esses servidores funcionarem, é preciso instalar chips, placas e equipamentos da Intel ou da Nvidia.

Ainda temos outras empresas relacionadas com a conectividade como a Netflix e a Salesforce, que servem seus produtos pela rede. A gigante de software Adobe é outra que também migrou para a nuvem e agora serve seus produtos por assinatura. Para você ter uma ideia, a ação da fabricante do Photoshop multiplicou por 5 desde 2014.

Para proteger todos esses dados das ações de hackers temos uma série de empresas de segurança como a FireEye, a Palo Alto Networks, a Fortinet e a CyberArk Software.

Enfim, é um extenso universo com empresas especializadas que se conectam umas às outras para que você consiga mandar um e-mail, assistir um vídeo ou mesmo compartilhar fotos nas redes sociais.

Conclusão

Investir no exterior lhe proporciona uma gama quase infinita de possibilidades e a infraestrutura do século 21 é apenas uma delas. Os segmentos ligados à tecnologia e internet têm crescido muito nos últimos 20 anos e a todo momento somos surpreendidos com novas soluções e novas empresas (usando o termo da moda) disruptivas.

Só o mercado de computação em nuvem cresceu 32% em 2018 e ultrapassou a marca de 250 bilhões de dólares. Esse crescimento acaba refletindo em todos os demais que dão suporte e estão intimamente ligados. E se formos ver que a nuvem se tornou o novo padrão da indústria apenas em 2017, estamos vivemos apenas a primeira infância, com um longo e brilhante futuro pela frente.

E para entrar nesses segmentos mais lucrativos, de maior crescimento  e com margens muito maiores que as da infraestrutura tradicional, não resta opção a não ser investir fora do Brasil.

 

E caso você ainda não saiba como abrir uma conta no exterior e encontrar as melhores oportunidades de investimento, clique aqui que eu irei lhe ajudar.

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Este post tem 14 comentários

  1. Avatar

    Como sempre, ótimos artigos. Parabéns.
    Gostaria de dar uma sugestão, vc poderia escrever um artigo sobre Reits de hipoteca, ouço falar sobre os altos riscos, mas todo investimento em renda variável possuí seus riscos, abraço.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Celso,

      Obrigado por comentar e pela sugestão.

      Desde 2008, muita gente tem pânico de hipotecas, mas é algo que precisa ser desmistificado.

      Abçs!

  2. Avatar

    Parabéns pelo artigo! Tal qual o Supermam com a visão de raio x… Você conseguiu mostrar um universo inicialmente invisível para a maior parte das pessoas. Sugestão: Senti falta da cereja do bolo.. algo do tipo: Uma análise (mesmo que curta).. de um ou outro ativo dentre os muitos exemplos que você citou em cada área de negócio… da performance e da perspectiva de crescimento ou simplesmente o nome do ativo principal ou ETF onde aparecem nas bolsas americanas…. De qualquer forma o que vc já fez já é uma aula pra gente! Muito bom mesmo! Obrigado.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Jaeder,

      Algumas dessas empresas citadas estão selecionadas para os assinantes do Passaporte Internacional, com todo o racional envolvido e o acompanhamento mês a mês.

      Inclusive hoje, saiu o relatório de abril com muito mais cerejas. 🙂

      Abçs!

  3. Avatar

    Raphael,
    seus artigos são sempre excelentes!
    Vc conhece o banco digital N26?
    Sabe se é bom?
    https://n26.com/en-eu/

    Abçs

    1. Raphael Monteiro

      Olá Bruno,

      Conheço sim.

      A questão é saber qual a utilidade de uma conta nesse banco.

      Eu não guardaria as economias de uma vida em um banco digital.

      Agora, para quem quer ter um pouco de Euro para gastar na Europa, pode fazer sentido.

      Abçs!

  4. Avatar

    Parabéns pelo artigo.
    Seria também interessante um artigo falando dos custos de investir fora, qual valor mínimo para isso, se vale a pena investir no mercado “fracionário”… por ai vai..

  5. Avatar

    Valeu cara, acertei no na mosca e no alvo a 100km de distância.
    Seu artigo corrobora as minhas decisões, valeu mesmo.

  6. Avatar

    Excelente artigo. Seria interessante que houvesse um ETF dessas empresas de infraestrutura se é que já não existem. Grande abraço II.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Marcos,

      Existem alguns que cobrem certos segmentos específicos, mas não todos.

      Abçs!

  7. Avatar

    Bom dia , e mais uma vez, obrigado Raphael.
    Continuamos acompanhando e aprendendo!
    Um grande abraco
    Sucesso a você e Parabéns pelo excelente trabalho.
    Noracir

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