Patinetes elétricos, liberdade individual e prioridades do estado

Patinetes elétricos

“Oi, eu sou o estado, como posso te atrapalhar hoje?”

Não sei se na sua cidade já existe esse tipo de serviço, mas na cidade de São Paulo e em algumas capitais o uso de patinetes elétricos compartilhados tem auxiliados milhares de pessoas a se deslocar diariamente.

Essa febre começou nos Estados Unidos, onde várias startups começaram a disponibilizar patinetes  em diversos pontos das cidades para que as pessoas pudessem alugá-los e usá-los. Há alguns meses, esse modelo de negócio chegou em diversas cidades brasileiras como nova alternativa de mobilidade urbana.

Funciona da seguinte forma: As empresas distribuem os patinetes em diversos pontos da cidade. Você baixa o aplicativo para celular. Com ele, você escaneia um QR code contido no patinete, faz o desbloqueio e aí ele fica pronto para uso. Você pode ir para onde quiser dentro da área de atuação. Depois de usar, você devolve o patinete em alguma das estações e finaliza o uso no aplicativo. O preço do serviço é pelo tempo de uso.

Particularmente onde eu moro não existe disponibilidade de patinetes, mas conversei com diversas pessoas que têm usado esse serviço para chegar na academia ou ir a algum compromisso e elas têm achado um serviço bom e bastante útil. Você não precisa pegar o carro, chamar um táxi ou UBER, não precisa usar o metrô. É bastante prático para pequenas e médias distâncias, ajudando muito para a mobilidade urbana com o bônus de não poluir.

Tudo estava funcionando muito bem até que…

Eis que um belo dia, o prefeito Bruno Covas (forte candidato a ser o pior prefeito da história da cidade), não suportando algo funcionar sem o seu aval e as suas regras, enviou os funcionários da prefeitura para recolher mais de 550 patinetes. O motivo alegado foi as empresas não terem se cadastrado na prefeitura.

Foram 38 funcionários deslocados para fazer o serviço com aquele cuidado tradicional que só um funcionário público de baixo escalão é capaz de fazer.

Poucas coisas me deixam mais indignados do que alguém estar trabalhando, oferecendo honestamente um serviço e vir algum burocrata inútil para impor regras, tributar e querer inviabilizá-lo.

Precisa ficar claro para você uma coisa. Os agentes do estados não estão preocupados com a qualidade de vida das pessoas, não estão preocupados que você tenha as melhores condições para desempenhar a sua profissão ou que você possa fazer as suas atividades como quiser. Eles acordam todos os dias e pensam “como eu posso controlar mais, taxar mais, multar mais, controlar mais a vida dos outros”. É uma vontade insaciável de se meterem onde não devem.

Os patinetes devem ser regulamentados?

Eu sinto até vergonha de responder essa pergunta. O que esperar de um país em que se perde tempo e energia discutindo regras para uso de patinetes? É ridículo. Se para cada atividade banal que fizermos, precisarmos de regras específicas feitas por burocratas, definitivamente este país é inviável.

Essa entrevista do prefeito mostra claramente o que ele quer, que as empresas se cadastrem! Daí para cobrar uma taxa por viagem, como é feito hoje nos aplicativos como Uber, basta uma canetada. Ele não está preocupado com a qualidade do serviço, mas sim com o poder de mandar nos outros.

“A cidade de São Paulo não vai abrir mão do seu poder de regulamentar” -Bruno Covas

Você sabe a minha definição de regulamentação?

“Regulamentação são burocratas inúteis que não produzem nada determinando como aqueles que trabalham e produzem devem fazer” -Raphael Monteiro

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, veja a lista básica de regras que a prefeitura quer impor:

  • Trânsito de patinetes é permitido apenas nas ciclovias ou ciclorrotas e em ruas cuja velocidade máxima de veículos seja de 40 km por hora. O seu uso em calçados é proibido
  • A velocidade patinete deverá ser de 20 km por hora
  • O uso de capacete é obrigatório e caberá as empresas que alugam os patinetes fornecerem os equipamentos de segurança
  • Empresas do ramo deverão ter campanhas educativas, manuais de condução defensiva, ter seguro e informar mensalmente o número de acidentes registrados no sistema
  • As empresas devem ainda recolher equipamentos estacionados irregularmente e evitar a concentração dos equipamentos estacionados em locais públicos
  • Uso dos patinetes é individual
  • Multas de 500 a 20 mil reais podem ser dirigidas às empresas do ramo, que decidem se repassam ou não o valor aos clientes

Pra mim, é o mesmo que ajudar um oftalmologista oferecendo uma picareta.

Por outro lado, muitos podem estar pensando: “Ah, mas os patinetes têm causado acidentes, são perigosos, podem machucar. Precisam de regras.”

Aí entra outra questão: liberdade requer responsabilidade individual. Você deve usar o patinete como bem entender, mas deve arcar com a responsabilidade se causar qualquer acidente que machuce outras pessoas. Deve ter o bom senso de fazer uso do serviço de forma de forma civilizada.

Acho que a interferência do estado é tão grande e tão maciça que muitas pessoas perderam a noção do que é ter responsabilidade sobre si próprio e sobre o que você pode causar aos outros. Você não deve dirigir a 100 km/h numa avenida por medo de multa. Deve dirigir na velocidade mais adequada para não causar acidente que vitimize você e os outros. Você deve usar capacete ao andar de moto para não ter o seu crânio rachado se acontecer um acidente e não porque tem fiscalização. Da mesma forma, você deve usar o patinete de forma a não cair e não atropelar ninguém. E se causar um acidente, que seja responsabilizado.

Se ainda restou a você um algum mínimo pensamento de que realmente os burocratas estatais estão preocupados com a sua segurança, lembre-se dos viadutos que caíram na cidade e das enchentes que matam dezenas de pessoas.

Uma questão de prioridades

É indiscutível que o tempo e os recursos são escassos. Não há mais de 24 horas no dia, nem mais que 365 dias no ano. O estado não tem orçamento infinito (por mais que desejem) e nem um número de funcionários ilimitado. Portanto, se ele está fazendo uma coisa,  está deixando de fazer outra. Se você mobiliza caminhão e funcionários para recolher patinetes, você não pode ter esses mesmos recursos fazendo uma outra atividade ao mesmo tempo. Será, então, que não haveria nada mais importante para eles fazerem?

Pois bem, outro dia o Waze me deu um caminho alternativo e me fez conhecer o centro antigo de São Paulo. Passei pelo Largo de São Bento, pela rua Líbero Badaró, pela PREFEITURA DE SÃO PAULO, pelo Viaduto do Chá, avenida Rio Branco e por baixo do Elevado Costa e Silva.

Quer uma foto que representa bem esse trajeto?

Ruas de São Paulo
Rua Helvétia, 251 (imagem do Google Street View)

Você não imagina a quantidade de lixo espalhado por ruas e calçadas e o grande número de mendigos e moradores de rua que se encontra no centro de São Paulo. Sem contar a degradação de prédios e imóveis de toda essa região que cerca a Prefeitura de São Paulo.

Existe um grande problema escancarado bem na cara do prefeito, mas ele prefere recolher patinetes na Av. Faria Lima. Como diria George Carlin, “Faria Lima is fine, o centro is f*cked!”

E se formos extrapolar para toda a cidade, encontraremos  problemas ainda mais sérios e urgentes do que recolher patinetes elétricos em pontos nobres da cidade.

Conclusão

A gente precisa parar com essa mentalidade ginasial de que o estado e seus agentes querem o bem de todos. Os objetivos dessas pessoas são bastante diferentes dos nossos, que acordamos, trabalhamos e geramos valor para os outros dia após dia.

Prefeito, os usuários e as empresas de patinetes elétricos se viram sozinhas e não precisam de você. Cuide para que os viadutos não caiam na cabeça das pessoas, para que a cidade não inunde na próxima chuva, cuide da limpeza e da situação dos moradores de rua. É o mínimo que você precisa fazer antes de ser jogado na lata de lixo da história na próxima eleição.


Como leitura adicional, eu sugiro o artigo: A solução do livre mercado é sempre melhor

 

 

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Este post tem 40 comentários

  1. Avatar

    Infelizmente Rafael , esse país só tem burocratas , corruptos e um povo idiota , burro demais, pensam com a cabeça da Globo , não tem um. Mínimo de racional no cérebro, não enxergam o óbvio,infelizmente essas empresas vão fazer o óbvio que sera fechar as portas, excelente artigo , pode me incomodar a vontade com o seu racional, voçe. E. Brilhante e enxerga longe, já o PREFEITO e um. Burocratazinho de. Merda igual aos outros, coitado do. Meu. BRAZIL, MEU PAIS NAO MERECE TANTA GENTE IMCOMPETENTE E SEM VISAO DE FUTURO.

    1. Avatar

      Olá Raphael. Parabéns mais uma vez, sempre fazendo um extraordinário e notável trabalho. (O Estado diz, quero a minha fatia, se você não entrega, ele arranca de você).

  2. Avatar

    Cara, espero que os eleitores releguem esse merda ao esgoto da história.
    Essas coisas me fazem lembrar do porque sai do país.

  3. Avatar

    Raphael, o Estado é incapaz de produzir todo este bem estar prometido na constituição de 1988 e a sociedade precisa caminhar com as próprias pernas.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Marcelo,

      Nunca podemos contar com o estado. Por isso liberdade individual é tão importante.

      Abçs!

  4. Avatar

    Bom dia Raphael,

    Aqui no Rio querem regulamentar tbm.
    O título de seu texto deveria ser:
    “Oi, eu sou o estado, como posso te ASSALTAR hoje?”

    É difícil acreditar que o Brasil vai melhorar….

  5. Avatar

    Eu fico enojado, enjoado, depressivo, vendo essas merda toda que o estado faz. Está cada vez mais difícil habitar no Brasil.
    Obrigado por expor sua opinião. Ela ajuda cada vez mais as pessoas enxergarem a inutilidade do estado.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Diego,

      Sem uma constituição que o limite e sem a vigilância do povo, o estado é um câncer maligno que se espalha miséria e destrói tudo ao seu redor.

      Abçs!

  6. Avatar

    Por isso não apóio Bolsonaro!

    1. Avatar

      Isso não tem nada a ver com Bolsonaro. É com o Bruno Covas.

  7. Avatar

    Ótimo texto. Lamentavelmente, tens razão quando diz que as pessoas perderam a noção dos conceitos de responsabilidade e liberdade.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Gilga,

      Bem isso. Não somos crianças para precisarmos de regras estatais para toda e qualquer atividade.

      Abçs!

  8. Avatar

    O país tem uma burocracia e uma política que não ajuda em nada, isso todos nós sabemos. No entanto, a maior causa desses problemas sempre foi a nossa sociedade, a nossa maneira de conduzir as nossas vidas enquanto sociedade, afinal, os políticos não saem de outros países para comandar o Brasil, saem das nossas próprias casas, dos seios das nossas famílias. Precisamos sim fazer várias reformas, mas acredito que a principal reforma que tem que ser feita é na nossa sociedade, eu costumo dizer que o tal “jeitinho brasileiro” se virou contra nós e enquanto não nos conscientizarmos que estamos falindo enquanto sociedade, não haverá mudança no país.

    1. Raphael Monteiro

      Olá André,

      Eu vejo o jeitinho brasileiro muitas vezes como uma forma de conseguir pular um obstáculo desnecessário imposto pelo governo.

      Você consegue seguir fielmente 100% das leis impostas no Brasil? Nunca passou a 55 km/h numa via de 50 km/h?

      Dá uma lida no artigo sobre leis impostos para ver uma das raízes do problema.

      Abçs!

  9. Avatar

    Bem, uma prefeitura como a de São Paulo tem uma assessoria jurídica forte. Talvez no caso haja algum outro argumento… A conferir, mas salta aos olhos a violência do articulista.

    Só para contrabalançar, quando as empresas se apertam, correm para o Estado salvá-las. Até nos EUA. Mas sempre tende a ser um liberalismo elitista. Só vale a favor das grandes empresas.

    1. Raphael Monteiro

      Olá José,

      Mesmo que você concorde com a regulamentação, não acha que existam problemas mais urgentes a serem resolvidos na cidade?

      Já passou pela marginal Pinheiros? Tem ideia do mal cheio que é estar perto do rio? Sabia que apenas 55% do esgoto da capital é tratado? Sabia que há milhares de ocupações na cidade expelindo esgoto de forma inadequada?

      Não concordo de forma nenhuma com resgate de empresas pelo estado. Se acontece isso é porque existe conchavo entre empresários e políticos que usam o dinheiro do pagador de impostos em benefício próprio.

      Abçs!

  10. Avatar

    Boa tarde II. Meu comentário é: SEM COMENTÁRIOS!!!!!!!!!!!!!

  11. Avatar

    Nossos Políticos é a vergonha do Brasil.

  12. Avatar

    Infelizmente nosso problema é EDUCAÇÃO.

    Sem educação não há programa que se sustente.
    Ocorre que, nos só reclamamos, mas não agimos.
    A diferença de um país desenvolvido para o nosso é que em algum momento eles reagiram e mudaram tudo.
    Ficar aqui reclamando, não muda nada.
    Se quisermos um país diferente para nossos netos, temos que arregaçar as mangas.
    Gostamos ou não, a culpa é nossa……

  13. Avatar

    “As empresas distribuem os patinetes em diversos pontos da cidade.”
    Só por esse motivo o empreendimento deveria pagar algo ao Estado.
    Ou você acha que pode lucrar usando espaço público sem pagar nada?

    “…não suportando algo funcionar sem o seu aval e as suas regras”.
    Em que mundo algo funciona sem regras e dá certo?

    “Os agentes do estados não estão preocupados com a qualidade de vida das pessoas, não estão preocupados que você tenha as melhores condições para desempenhar a sua profissão ou que você possa fazer as suas atividades como quiser”
    Agentes privados também não. Só queremos lucros… foda-se a qualidade de vida das pessoas. Tanto é assim que há pessoas preocupadas em salvar o mundo da poluição que vivemos. Será que não faz sentido entender que o normal seria reconhecermos em não poluir o mundo do que poluir e ter que salvar o mundo disso? Contraditório e estúpido.

    “Eles acordam todos os dias e pensam “como eu posso controlar mais, taxar mais, multar mais, controlar mais a vida dos outros”. É uma vontade insaciável de se meterem onde não devem.”
    Sim, meu amigo. Porque tem pessoas infratoras de leis, tem quem não pague seus funcionários, tem quem cobra água super faturada em uma crise ambiental, tem empresa que pratica dumping, etc etc etc.
    Num mundo perfeito não teríamos que ter Estado fazendo nada disso. Você não vive nesse mundo.

    “O que esperar de um país em que se perde tempo e energia discutindo regras para uso de patinetes?”
    Para quem tem um blog chamado investidor INTERNACIONAL, você está bem por fora dos países que estão discutindo esse assunto. Dê uma procurada sobre o assunto na Europa e nos Eua.

    “Se para cada atividade banal que fizermos, precisarmos de regras específicas feitas por burocratas, definitivamente este país é inviável.”
    Porque os EUA é inviável? Ah. Desculpe… em New York PROIBIRAM os patinetes. Por isso não existem regras para patinetes.

    Gostaria de um post falando sobre como o Estado interfere nos EUA e na Europa, a exemplo dos dois links abaixo:

    UE multa google em mais de 6 BILHOES DE REAIS
    https://www.google.com/url?q=https://m.oglobo.globo.com/economia/tecnologia/uniao-europeia-multa-google-em-64-bi-por-impedir-competicao-em-publicidade-23536004&sa=U&ved=2ahUKEwi8qMfrp83iAhX0JLkGHSZcD8sQFjAAegQIBhAB&usg=AOvVaw1kYw-sZNDvIkGzF4Vi5pD3

    6 BI!! 6 BI, MEU AMIGO!!! E com um acidente das barragens da VALE a nossa multa aplicada à empresa é bem leve!

    BAYER é multada em mais de USD 80 milhões: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiLvuiP0s_iAhXnqFkKHbdoCJUQFjADegQIAxAB&url=http%3A%2F%2Fwww.xinhuanet.com%2Fenglish%2F2019-03%2F28%2Fc_137930643.htm&usg=AOvVaw0Szf-ufeed3HK9_L-C2xA5

    Aí ficam dizendo que o Estado brasileiro é que inviabiliza um negócio quando ele multa um Banco em 100 mil reais, quando ele quer colocar regras na circulação patinetes….
    Certamente você vive em outro mundo e isso foi constatado quando você disse que na sua cidade não tem patinete. Você está fora da realidade.

    “Deve ter o bom senso de fazer uso do serviço de forma de forma civilizada.”
    Liberdade individual faz com que pessoas não tenham bom senso.

    “Você deve usar capacete ao andar de moto para não ter o seu crânio rachado se acontecer um acidente e não porque tem fiscalização.”
    E o Estado não pode exigir que você use capacete? Aí você vai falar que responsabilidade sobre si próprio.
    Então as razões de leis imperativas como “obrigatório uso de cintode segurança” simplesmente não existem mais.
    Que dislate, com todo respeito.

    “Você não imagina a quantidade de lixo espalhado por ruas e calçadas”.
    Vou usar o mesmo argumento: cada pessoa tem que ter bom senso e responsabilidade de jogar o lixo ali. Ta aí a liberdade individual mostrada de forma nua e crua. Onde o Estado não interferiu ou suas regras imperativas não foram suficientes. Você sabe se o lixo foi recolhido pelo Estado 1 dia antes e quando você passou as pessoas já tinham enchido de lixo novamente?

    “Moradores de rua”. Liberdade individual, meu amigo. É o que você quer. Durma na rua e o Estado não irá impedir sua ótima noite de sono.

    Brasileiro tá mal acostumado!! Tem liberdade demais. Aí qualquer situação a ser regulamentada acha um absurdo, mas vive pedindo o “liberalismo” da Europa ou dos EUA, que não tem nada de liberal.

    Você conhece o Japão? Ouse jogar um cigarro em via pública para você ver o que acontece: o Estado logo irá intervir e multá-lo? Acha exagero?? Faça uma viagem ao Japão e tire uma foto de uma pessoa simplesmente fumando na rua. Não, você não encontrará.

    É absurdo? Ande pelas ruas dos EUA às 11pm com uma garrafa de cerveja na mão e passe em frente a alguns policiais. Você verá o que é interferência do Estado.

    Ainda é pouco? Tente apenas comprar cerveja em alguns países da Europa após às 10pm (aliás, para alguns países do norte da Europa você nem irá encontrar estabelecimento aberto após às 10pm).

    Sem falar na siesta na Espanha e na chiusura pomeridiana na Italiá (mas aí eu já estou mudando de assunto…).

    Brasil é um paraíso! E é uma zona ao mesmo tempo!
    Simplesmente porque as pessoas não tem bom senso e quando necessitam cumprir regras simplesmente não a fazem.

    Bom, é isso ai…
    acho que pegou a ideia…
    abraços e sucesso.

    Abraços!

    1. Raphael Monteiro

      Olá Marcelo,

      Obrigado pelo comentário bem desenvolvido.

      Os meus pontos no artigo são:

      1-prioridades
      2-excesso de regras.

      O estado, como tudo, tem recursos escassos e pior ainda os recursos dele são tomados de nós à força. Portanto, ele deveria priorizar o básico. As ruas estão todas em ordem? Saneamento básico está adequado? Limpeza da cidade está ok? Estamos preparados para a próxima grande chuva? Segurança está adequada? Existem coisas mais primordiais do que regulamentar patinete. É até motivo para um próximo texto, mas precisa-se definir os limites do estado. Até onde ele deve se meter na nossa vida. A Constituição Americana pode ser um bom ponto de partida.

      O segundo ponto é o excesso de regras. Você saberia dizer todas as regras às quais você está submetido a nível municipal, estadual e federal? Você acha que cada mini-atividade realizada pelas pessoas devem ter regras impostas pelo estado? Crianças se machucam em parquinho, bicicleta, skate, jogando bola. Vamos regulamentar tudo isso também? Não é só o excesso. São regras em excesso, que mudam a todo momento. O que vale hoje pode mudar amanhã e mudar daqui 1 ano, etc. Da última vez que pesquisei, descobri que todo mês criam-se 5 novas regras tributárias. É possível permanecer dentro da lei em um país assim?

      Não sou contra regras e leis, mas contra o excesso e quando elas ferem as liberdades individuais.

      Regulamentação destrói empregos e atrasa as inovações e o desenvolvimento. Um dos períodos de ouro da economia americana foi no século XIX quando empreendedores expandiram o país com ferrovias e indústrias. Não havia estado para regular e atrapalhar. Eu vejo o caso da Uber mais recentemente. Eles já chegaram colocando o aplicativo para funcionar sem perguntar para ninguém. Já imaginou se esperassem regulamentação e que os políticos (muitos detentores de licenças de táxi) dessem o aval para só depois colocar o serviço em funcionamento? Talvez hoje não teríamos aplicativos de transporte. Um vez colocado em prática e com a adesão de milhões de pessoas, os reguladores não tiveram outra escolha a não ser deixar funcionar, mesmo com a tentativa de impor regras abusivas contra a empresa e os motoristas.

      Sou totalmente contra as regulamentações e leis absurdas e que ferem a liberdade nos Estados Unidos e Europa também. Não só aqui. A Europa está sendo comprada pelos chineses justamente porque se tornou um dinossauro burocrático e caro com extensas regulamentações sobre a atividade econômica. A inovação por lá está condenada. Veja o artigo sobre unicórnios para perceber como China e Estados Unidos estão muito à frente dos europeus.

      A presença de moradores de rua é justamente resultado de todas as políticas adotadas no Brasil nas últimas décadas. Achar que é por excesso de liberdade é analisar de maneira muito rasa o problema. É reflexo do absurdo de leis para empregar pessoas, incluindo a fascista CLT e o salário mínimo. Acabemos com as regulamentações e burocracias que impedem a criação de riqueza e geração de emprego. Ao mesmo tempo excluímos essas leis trabalhistas abusivas, permitindo, por exemplo, que a pessoa trabalhe por comida e moradia. Certamente veríamos muito menos pessoas morando nas ruas.

      No Brasil é evidente que muito precisa ser feito e muita gente se beneficiaria disso. Só não é feito por excesso de burocracia e falta de segurança jurídica, coisas intimamente relacionadas ao estado.

      Abçs!

  14. Avatar

    Em vez de burocratizar ainda mais, por que a prefeitura não se ocupa em proporcionar melhores condições de mobilidade urbana para que utiliza bicicleta e patinete? E também para quem utiliza os outros modais de transporte, que são tão ruins nas grandes e médias cidades brasileiras?

    Uma pena que a mentalidade da primeira frase do seu post ainda é tão forte no Brasil. Talvez por isso, desde o século passado, o país continue em eterno desenvolvimento…

    1. Raphael Monteiro

      Olá Rosana,

      É o empreendedor e não os agentes do estado que estão em busca de satisfazer as outras pessoas. Pense nisso.

      Abçs!

  15. Avatar

    Olá! Se você fosse investir num ETF nos EUA, seria melhor adquirir IVVB11 no Brasil ou IVV por um corretora americana e por quê? Obrigado!

      1. Avatar

        Mas o ponto principal do meu comentário nem é a qualidade dos ativos que citei, mas o que é melhor para o investidor do ponto de vista de custos e tributação: investir em IVVB11 em reais aqui ou abrir conta em banco e corretora americanas para investir diretamente nos ETFs em dólar lá?

        1) IVVB11: investe em reais aqui, mas se for viajar, precisa comprar dólar e pagar taxas.
        2) ETFs americanos: precisa mandar o dinheiro pra fora pra investir, se vender, precisa repatriar pra gastar aqui; se viajar, só vender e gastar dólares por lá mesmo.

        Qual opção você escolheria?

        1. Raphael Monteiro

          Olá André,

          Tanto faz. As vantagens do ETF externo é que você pode optar por um que não pague dividendos, seu dinheiro já fica em dólar e não sofre alteração caso a legislação brasileira mude.

          Abçs!

          1. Avatar

            Obrigado pela atenção!

  16. Avatar

    Ola Raphael! Eu entendo o seu ponto sobre a influencia do estado, mas temos que considerar tb que o estado e o responsavel final pelo bem-estar da populacao, entao ele tem que regular atividades que acontecem no sistema como um todo. O grande problema dos patinetes e o povo e como os patinetes sao utilizados, largados em meio a vias comuns, ou a grandes velocidades (30km/h numa calcada e grande velocidade) podendo machucar outras pessoas. Normalmente quando eu falo isso, alguem me diz “ah, o Brasil nao tem educacao, por isso”, ou “nos EUA sim que existe inovacao”.
    Com relacao aos EUA – nao existe uma cultura de caminhar ou de transporte publico nos EUA, com excessao das grandes cidades. Mesmo nelas, saindo do centro, vc ja nao encontra mais calcadas. Se voce quiser caminhar 1km numa via dessas, provavelmente a policia vai te parar pq vc esta sendo um perigo para o transito, vc mesmo ou vai desconfiar do pq vc nao ter um carro (varios relatos sobre isso).
    Com relacao a educacao – na Europa, o centro inovador que introduziu os patinetes foi a Suecia. No comeco, ate o primeiro ministro estava fomentando os patinetes. Ha 2 semanas ocorreu um acidente em uma cidade Sueca onde o rapaz que estava no patinete cruzou o sinal vermelho, bateu num carro e morreu. Ainda, os orgaos de deficientes fisicos estao processando o estado e as cias de patinetes por estarem obstruindo as vias e impedindo o direito maximo dos demais – ir e vir.
    Eu moro em Oslo, Noruega, e aqui tb sao febre os patinetes. E nao, o povo nao tem educacao para deixar os patinetes num local onde nao atrapalhe. Ja perdi as contas de quantos eu retirei do meio do caminho onde moro (ha um asilo proximo, entao ha muitas cadeiras de rodas e pessoas com andadores, etc). Tb ja perdi as contas de quantas vezes algum patinete ja quase me bateu ou vi quase bater em alguem na rua. Entao, a resposta da Noruega e Suecia? Regulamentacao. O foco financeiro e menor, mas a regulamentacao e necessaria sim e e dever do estado. O dever do cidadao e acompanhar e garantir que essa regulamentacao seja em proprio beneficio do povo ao inves de puramente financeiro.
    E por ultimo – a mobilidade sem poluir. A producao e descarte das baterias sao mais poluentes que a industria de petroleo, pois nao existe nenhuma regulamentacao nessa industria com relacao as fontes nem ao descarte. Ainda, elas sao eletricas, e a maior parte das fontes de energia no mundo hoje nao sao limpas. A Alemanha por exemplo, vive basicamente de gas e carvao (acredite se quiser), entao, adivinha de onde vem a luz pra recarregar as baterias?
    A unica forma de mobilidade em distancias curtas e medias realmente seguras a todos e nao poluentes e aquela que (quase) todos tem decorrente da evolucao – caminhar.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Karen,

      Obrigado por comentar e mostrar a sua experiência na Europa.

      O estado não tem limites quando o assunto é regulamentar. Daqui a pouco as empresas de patinetes terão que colocar placas, pagar IPVA, ser obrigadas a fornecer capacetes, dar curso de direção defensiva e tantas outras coisas que inviabilizariam o negócio.

      Acho que pode haver uma única legislação para quem causa acidentes, seja de carro, moto, patinete ou bicicleta. As leis precisam ser mais gerais e não tão específicas criando enormes dificuldades. Sabia que o Brasil até 2015 estava entre os pouquíssimos países do mundo que obrigavam a ter extintor no carro. Era algo que só servia para multar, pois não fazia o menor sentido.

      Sabe uma das indústrias que mais cresce no mundo? A dos jogos eletrônicos! Sabe por quê? Por que não tem regulamentação para atrapalhar! Tem sempre alguém querendo boicotar ou coibir jogos violentos, mas o máximo que temos hoje é uma especificação do jogo para determinada faixa etária, que nem é obrigatória. Com liberdade, o próprio mercado se regula. No caso dos patinetes, se acontecer muitos acidentes, as pessoas se machucarem, tiverem que pagar indenização por terem ferido alguém, o próprio público vai deixar de usar.

      A última da prefeitura de São Paulo é regulamentar o modo como os entregadores de Rappi e Uber Eats são pagos. Não tem o menor cabimento o estado interferir em como a empresa paga os prestadores de serviço. O estado sempre passa dos limites. E como eu falei, há outras prioridades.

      Abçs!

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