A importância do fluxo de caixa livre

Fluxo de caixa livre

Porque se deve prestar muita atenção ao fluxo de caixa livre

Em geral, a maioria dos investidores, quando desejam avaliar uma empresa ou mesmo calcular se uma ação está cara ou barata, costuma usar o lucro líquido como a principal métrica. Entretanto, dentro da análise fundamentalista, também é muito importante focar no fluxo de caixa livre.

O fluxo de caixa pode revelar se uma empresa está gerando ou consumindo caixa em suas operações, se está investindo no futuro e se está recompensando os investidores com dividendos ou buscando capital adicional via emissão de ações ou dívida. A análise do fluxo de caixa geralmente fornece um aviso prévio de que uma empresa pode estar enfrentando problemas financeiros, embora os lucros e receitas ainda pareçam saudáveis.

Os valores da demonstração de resultados e do balanço baseiam-se nos princípios da contabilidade do exercício fiscal. A contabilidade tenta igualar as despesas às receitas quando se espera que as receitas sejam reconhecidas. Por exemplo, o dinheiro usado para aumentar o estoque não será declarado como despesa na demonstração do resultado até que o estoque seja vendido. A demonstração de resultado distribui o custo de compra de uma máquina ao longo de sua vida útil, não quando o dinheiro foi usado para adquiri-la.

A demonstração de resultados inclui uma série de despesas não monetárias que reduzem os ganhos, ao mesmo tempo que ignoram o impacto imediato das despesas de capital e aquisições no caixa. Os exemplos mais comuns de despesas não monetárias são depreciação, amortização, reduções de ativos e imparidades de goodwill (patrimônio de marca).

Por exemplo, em 30 de outubro de 2018, a General Electric Co. (GE) anunciou em seus resultados de lucros do terceiro trimestre que sofreu uma redução no valor de bilhões de dólares da cobrança de ágio relacionada à sua divisão GE Power. Anos antes, a General Electric havia adquirido o negócio de energia da Alstom SA por 9,5 bilhões de dólares. A ideia era combinar com seu negócio de energia e água já existentes para formar a GE Power.

O valor de aquisição acima do valor contábil do negócio de energia da Alstom foi registrado como goodwill no balanço da General Electric e sujeito a avaliações regulares de impairment (redução ao valor). A gigante industrial avaliou mal a lucratividade da aquisição e, com efeito, desperdiçou dinheiro no ano da aquisição, em 2015, não em 2018, quando ocorreu o impairment.

A contabilidade requer muitas interpretações e estimativas por parte da administração. As decisões sobre a capitalização de despesas, o reconhecimento da receita e a criação de reservas contra perdas são exemplos de apenas alguns dos fatores que podem variar de empresa para empresa. Muitas dessas questões são fatores relacionados à “qualidade” dos ganhos de uma empresa.

A declaração de fluxo de caixa

As empresas são obrigadas a fornecer uma demonstração dos fluxos de caixa que divulgue os usos diretos e as fontes de caixa durante o período contábil. A declaração divide os usos e fontes de caixa da empresa em três segmentos principais de fluxo de caixa: atividades operacionais, de investimento e de financiamento.

O segmento de fluxo de caixa operacional é projetado para medir a capacidade de uma empresa de gerar e consumir dinheiro em operações normais à medida que fornece bens e serviços a seus clientes. Considera fatores como caixa proveniente da cobrança de contas a receber, caixa incorrido para produzir quaisquer bens ou serviços, pagamentos feitos a fornecedores, custos trabalhistas, impostos e pagamentos de juros. Um fluxo de caixa positivo das operações implica que a empresa foi capaz de gerar caixa com as operações contínuas.

Já o fluxo de caixa de investimento tenta capturar o investimento da empresa no capital de longo prazo. Os itens registrados neste segmento podem incluir compra de imobilizado, investimento ou venda de títulos negociáveis, além da aquisição de empresas.

O fluxo de caixa financeiro mostra como a empresa financia suas atividades e como recompensa seus acionistas por meio do pagamento de dividendos. Os fatores resumidos por este segmento são o dinheiro recebido pela emissão de ações ou dívida, o pagamento de dividendos e o dinheiro usado para recomprar ações.

A importância do Fluxo de Caixa Livre

O ideal é que uma empresa não só cubra os custos de produção de seus bens e serviços, mas também produza fluxo de caixa excedente para seus acionistas. O fluxo de caixa operacional representa um bom ponto de partida para esse tipo de análise. Além da produção atual, uma empresa em crescimento deve reinvestir seu caixa para manter suas operações e se expandir. Embora a administração possa negligenciar as despesas de capital no curto prazo, há implicações de crescimento de longo prazo fundamentais para tal negligência. O fluxo de caixa livre refina a medida do fluxo de caixa das operações, considerando as despesas de capital. Portanto, o fluxo de caixa livre é igual ao caixa das operações menos as despesas de capital (também chamado de capex).

As empresas com déficit de fluxo de caixa devem consumir o caixa disponível ou obter financiamento adicional. A capacidade de levantar caixa e refinanciar dívidas existentes depende do risco e das perspectivas de retorno da empresa, bem como do ambiente geral do mercado. As empresas costumam ter grandes dificuldade em pedir dinheiro emprestado durante crises financeiras, como a que aconteceu em 2008 e agora em razão da pandemia.

Com um forte fluxo de caixa livre, a dívida pode ser paga, novos produtos desenvolvidos, ações recompradas e dividendos podem ser distribuídos.

O fluxo de caixa livre calcula o uso ou geração de caixa durante um período de tempo. Podem ser usados ​​números trimestrais ou anuais. O fluxo de caixa livre nos últimos quatro trimestres (12 meses) ajuda a capturar as necessidades e a geração de caixa ao longo de um ano completo, incluindo os efeitos de sazonalidade.

A análise do fluxo de caixa de uma empresa é um estudo muito revelador. Mostra se a gestão tem sido eficaz nas operações habituais da empresa, incluindo fatores como vendas, controle de estoque, produção e custos de funcionários, gestão de contas a receber, níveis de pagamento de juros, desenvolvimento de produtos e despesas de capital.

Conclusão

Sei que falar de fluxo de caixa acaba trazendo muito “economês” para o investidor comum. Entretanto, é importante saber estes dados antes de comprar a ação de uma empresa. Afinal de contas, devemos investir nas empresas que cada vez mais são capazes de gerar dinheiro e não naquelas que apenas queimam caixa e emitem dívida.

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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Este post tem 6 comentários

  1. Bilionário

    Olá, realmente são muitos termos técnicos, eu sou o investidor comum :D, só estou olhando o lucro das investidas hehe. Abraços

  2. Graciano

    Bom dia Raphael, para mim é um assunto muito complexo, parece grego, para os mais jovens e que estão iniciando é um assunto para ir fundo.

  3. Steeven

    Excelente artigo, como investidor comum, é sempre bom ampliar nossa perspectiva e novos conhecimentos, mesmo que superficiais, tendem a melhorar nossas escolhas. Atualmente estou estudando a questão tributária, pois foi a grande vantagem que me levou pra bolsa, visto que quanto maior a minha renda proveniente do trabalho, mais dinheiro fica na mesa (as vezes não compensando o esforço).

    1. Olá Steeven,

      É verdade. O trabalho é a renda mais tributada. Desta forma, encontrar outras formas complementares é fundamental.

      Abçs!

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