Ações da Visa: como investir

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Veja os detalhes da empresa que é um colosso dos meios de pagamento

A Visa Inc. (NYSE:V) é hoje uma das maiores empresas do mundo. Os cartões com a sua marca são usados mais de 350 milhões de vezes por dia. Todo esse crescimento lhe rendeu um lugar no índice Dow Jones Industrial Average, o grupo das 30 maiores empresas americanas.

Só que por mais que ela seja uma empresa de longa história, foi apenas em 2008 que as ações da Visa foram lançadas a mercado, no maior IPO da história até então, quando levantou 17,9 bilhões de dólares.

Antes de falar da empresa como ela é hoje, é importante entender como ela começou. No caso da Visa e de muitas outras empresas de sucesso, você perceberá que ela praticamente criou um novo mercado e se estabeleceu como líder. Consegue perceber como isso é bem diferente de uma empresa que entra em um mercado já saturado e com produtos parecidos com os já existentes.

A história da Visa

No século XX, com a avanço da industrialização e a produção em massa de bens de consumo, como carros, eletrônicos e eletrodomésticos, surgiu um novo problema: como as pessoas comuns poderiam pagar por eles.

Foi daí que surgiu o crédito, ou como ficou conhecido, a compra parcelada. Por melhor que tenha sido essa solução, ela também possuía riscos, como atrasos no pagamento ou mesmo calote. Imagine você nas décadas de 30 e 40 tendo que lidar com a avaliação de crédito e depois administrar milhares de cadastros e pagamentos, enviando cartas para todo o estado cobrando pequenas quantias como 3 ou 5 dólares. Era muito trabalhoso e caro.

Apenas um banco encarou o desafio de fornecer crédito para a classe média. Foi o Bank of America, que acabou se tornando o maior banco dos Estados Unidos.

Em 1950, uma outra empresa, a Diner’s Club, criou uma solução para esse problema, o cartão de crédito. Era um cartão que poderia ser usado em qualquer loja. A Diner’s seria então responsável por todo o gerenciamento do crédito e o lojista receberia o pagamento das compras, mesmo se o comprador não pagasse o cartão.

O Bank of America percebeu a novidade e criou o seu próprio cartão, mas com um pequeno detalhe. Ele incluía a possibilidade de um pagamento mínimo, ou seja, não seria mais necessário pagar o valor total da conta e a diferença seria refinanciada com juros para o mês seguinte.

Estava criado o BankAmericard e ele foi um fracasso! Bom, foi assim por 3 anos. Um em cada cinco usuários não pagava as faturas e o banco tomou um prejuízo de milhões. Após uma reformulação dos procedimentos, o negócio passou a ser lucrativo e o cartão conquistou a Califórnia, antes de se expandir para o resto do país.

Com o passar do tempo, os processos que envolvem o funcionamento dos cartões de crédito, como a autorização (que identifica se o cartão é válido e não está ultrapassando o limite) e a intercomunicação bancária (que conecta os bancos do comprador e do vendedor) passaram a ser feitos por meio de computadores. Isso permitiu que a expansão fosse maior e o uso dos cartões no dia-a-dia ocorresse de forma mais ágil.

Para lidar com toda essa estrutura a nível nacional, foi criada a National BankAmericard Inc., mais tarde renomeada Visa.

Como a Visa faz dinheiro?

A Visa é uma central que controla praticamente metade das transações de crédito no mundo. Ela conecta compradores e suas contas bancárias a vendedores e suas contas bancárias. São milhares de bancos, milhões de vendedores e bilhões de compradores. É um nível de complexidade inimaginável e que só foi possível lidar após décadas de desenvolvimento tecnológico.

O cartão de um turista neozelandês precisa funcionar de maneira adequada e segura no interior do Egito. Isso precisa acontecer 24 horas por dia, 7 dias por semana e sem falhas. Ao mesmo tempo, é preciso lidar com estornos, reclamações de cobrança indevida, fraudes, etc.

Portanto, fica clara a proposta da Visa:

Aceite Visa que você poderá vender para qualquer pessoa que tenha um dos nossos 3 bilhões de cartões.

E agora respondendo a pergunta. A Visa cobra uma pequena fração de cada transação feita com seus cartões. Como mostrei acima, alguns centavos em cada uma das mais de 350 milhões de transações diárias se tornam bilhões no final do ano.

Quanto mais caros forem os produtos e maior o volume total de vendas que passe pelo sistema da Visa, mais dinheiro ela ganha. Isso sim é um modelo de negócio à prova de inflação!

Outra fonte de receita é tarifa de processamento, que a empresa cobra por transferir fundos entre bancos. É uma tarifa fixa por transação, mas os custos para a empresa processar um milhão ou cem milhões de transações é praticamente o mesmo.

Uma terceira fonte de receita é a tarifa para realizar transferências internacionais. É a tarifa mais cara, pois envolve conversão de câmbio e é tende a haver mais tentativas de fraude.

Diferenciais competitivos

Como visto, uma empresa de pagamento como a Visa é bem diferente de um banco ou instituição financeira. Ela é uma empresa de tecnologia que conecta consumidores, vendedores e bancos por meio de uma rede segura de pagamentos eletrônicos de alcance mundial.

Baseado nisso, fica evidente que toda a infraestrutura para manter esse sistema sai muito caro. Ela  precisa de muito tempo para ser desenvolvida e conectada em milhares de bancos mundo afora. Isso significa que a barreira de entrada para novos concorrentes é enorme.

Por isso, existem tão poucas empresas neste mercado de 2 trilhões de dólares. Ao final de 2017, o market share das processadoras de cartão era esse:

  • Visa: 50%
  • MasterCard: 25%
  • UnionPay: 20%
  • AmericanExpress: 2,5%
  • JCB: 1%
  • Outros: 1,5%

Além disso, as companhias oferecem diversos benefícios para os detentores de cartão permanecerem fiéis e logicamente gastarem mais. A Visa e a Mastercard juntas gastam mais de 8 bilhões de dólares por ano com isso, mostrando que a competição para atrair e manter clientes é acirrada.

O futuro da Visa

A Visa tem procurado encontrar diversas maneiras que capturar os fluxos de pagamento a nível mundial, seja nas relações Business-to-Business, Business-to-customer, Peer-to-Peer ou Government-to-Customer. Onde quer que haja dinheiro mudando de mãos a Visa quer intermediar.

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Oportunidades de crescimento para a Visa

 

Umas das soluções mais simples e revolucionárias é o pagamento dos passes de transporte público sem a necessidade de comprar ticket, bastando apenas passar o cartão direto na catraca.

Fica fácil perceber a eficiência desse modelo em relação a lidar com dinheiro físico, enfrentar fila, comprar tickets, receber troco, passar o ticket na catraca, etc.

Outra inovação esperada é o WhatsApp Pay, fruto da parceria entre o Facebook e a Visa. Ele permitirá realizar transferências e pagamento pelo programa de mensagem.

Evolução dos números

Segue abaixo a evolução da cotação das ações da Visa (em azul), da receita por ação (vermelho) e do lucro por ação (verde):

Não é miragem não. A companhia entregou tudo isso de retorno aos acionistas!

Conclusão

A indústria de pagamentos por meio de cartão de crédito é altamente lucrativa, com fortes barreiras de entrada e grande potencial futuro. O pequeno número de empresas neste cenário contribui para que elas tenham muito poder de preço.

Mesmo fintechs modernas, como Square, Stripe e Paypal, não representam uma ameaça, pois elas usam o sistema Visa (ou Mastercard) para processar os pagamentos. Para essas fintechs criarem algo semelhante necessitariam de bilhões de dólares em infraestrutura e desenvolvimento de software, além de estabelecer relacionamento com milhares de bancos no mundo todo e atender a regulamentações financeiras de mais de 200 países. Nessa circunstância, é mais fácil e barato se associar a Visa.

O Bitcoin talvez seja uma nova tecnologia que pode ser disruptiva para a indústria, mas ainda está longe de ser algo usado como meio de pagamento no dia-a-dia.

Enfim, as ações da Visa continuam se valorizando junto com o crescimento do volume de transações financeiras no mundo todo, seja usando os cartões de forma física, ou no comércio eletrônico.

A empresa possui as qualidades e o diferencial competitivo que poderão se beneficiar das novas soluções de pagamento que não param de serem inventadas e evoluídas ano após ano. É uma opção de investimento que você também pode considerar.

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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