As fortalezas que resistem a Amazon

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Veja quais varejistas estão resistindo à ameaça da Amazon

No último dia 10 de setembro,  a companhia americana fundada por Jeff Bezos lançou o serviço Amazon Prime no Brasil. Por uma mensalidade de R$ 9,90 (ou anuidade de R$ 85,00) o assinante recebe frete grátis para todos os produtos vendidos e entregues pela Amazon, além de ter acesso ao conteúdo do Prime Video, Prime Music, Prime Reading e Twitch Prime.

É uma oferta agressiva e visa fidelizar clientes, já que eles receberão muito conteúdo e quando quiserem fazer uma compra online se lembrarão de que a Amazon oferece frete grátis e tenderão a comprar dela.

A reação do mercado às ações das demais varejistas foi de um pequeno pânico. Na véspera, dia 9, as ações da B2W (B3:BTOW3) caíram 5,6% e as da Via Varejo (B3:VVAR3) e Magazine Luiza (MGLU3) caíram 5% (será que alguém já sabia?). No dia seguinte, dia 10, novas quedas na casa dos 5% com a confirmação da nova oferta da Amazon.

Em 2017, quando a Amazon ampliou sua oferta de produtos no Brasil para além dos livros, a resposta do mercado financeiro foi parecida, mas em menor proporção.

Quem tem medo da Amazon?

Essa reação do mercado vem na esteira do que aconteceu nos Estados Unidos. Varejistas tradicionais como JC Penney, Radioshack, Toys R Us, Gymboree, Sears, preencheram o capítulo 11 (lei das falências) e fecharam as portas ou mantiveram um número reduzido de lojas abertas. Esse movimento, conhecido pelo nome de Apocalipse do Varejo, teve como uma das causas principais a mudança de comportamento dos consumidores, que passaram a comprar online e reduziram a frequência nas lojas físicas. Obviamente, a Amazon, maior e mais eficiente varejista online do país, teve papel fundamental neste processo.

Desta forma, nos últimos anos, sempre que a Amazon cogita entrar em algum mercado, as ações daquele setor despencam. O motivo é simples, a Amazon não se preocupa em dar lucro, ela pensa em oferecer o melhor serviço ao consumidor e ganhar mercado. O seu arsenal para guerrear preços é amplo.

“Sua margem é o meu negócio.” – Jeff Bezos

Entretanto, existe uma série de negócios que possuem características próprias, que os tornam relativamente imunes às investidas da Amazon.

O caso clássico foi o segmento de supermercado/mercearia. A Amazon não entrou na competição franca com a Walmart e similares e optou por adquirir a Whole Foods por U$ 13,7 bilhões em 2017.

Eu preparei uma lista das empresas que resistiram ou que estão resistindo à ameaça da Amazon e o porque delas serem resilientes a novos entrantes.

As empresas que resistem a Amazon

Lojas de reformas e artigos para o lar

Eu já escrevi um artigo mostrando porque a Home Depot (NYSE:HD) e Lowe’s (NYSE:LOW) estão relativamente imunes à Amazon. Basicamente, artigos usados em reformas precisam estar disponíveis de imediato. Além disso, os clientes gostam de ver e sentir produtos como pisos, luminárias, azulejos, metais, etc.

Também pelo fato dos americanos serem muito adeptos do “faça você mesmo”, o atendimento e orientação dos funcionários quanto aos procedimentos de uso e instalação de alguns produtos é fundamental.

Peças e acessórios automotivos

As 3 maiores empresas de peças automotivas dos EUA são Autozone (NYSE:AZO), O’Reilly Automotive (NASDAQ:ORLY) e Advanced Auto Parts (NYSE:AAP). A Amazon ameaçou entrar nesse mercado em 2017 e as ações do segmento caíram. Entretanto, os planos da Amazon não evoluíram e as companhias tradicionais mantiveram seu espaço.

Aqui vale o mesmo princípio do anterior. Quando você quer trocar um filtro de ar, um limpador de para-brisa, uma bateria, você acaba indo com o carro direto na loja, compra a peça e solicita o serviço de instalação. Essa combinação de praticidade e mão de obra especializada para ajudar os clientes contribui como uma barreira ao serviço “frio” da venda online.

Lojas de super-desconto

Aqui entram Walmart (NYSE:WMT), Costco (NASDAQ:COST), Ross Stores (NASDAQ:ROST) e TJX Companies (NYSE:TJX). Essas empresas possuem como diferenciais uma cadeia integrada verticalmente, inclusive sendo donas de plantas industriais como é o caso da Costco, que tem até criação de frango. A Costco, inclusive, é um atacarejo que usa o modelo de assinatura e vende produtos com grandes descontos.

No vídeo abaixo, você pode ver que mesmo na venda online, a Costco é capaz de bater o preço da Amazon em muitos itens:

Inclusive, em minha pesquisa, eu descobri que muita gente compra na Costco e depois revende com lucro no marketplace da Amazon.

Ross Stores e TJX são modelos de outlets. Compram “de baciada” e a preços irrisórios o que sobrou da fabricação de roupas e demais itens, seja por excesso de estoque ou cancelamento de ordens. Por terem preços bem menores, turistas e locais piram nessas lojas.

Lojas de 1 dólar

Aqui duas características fazem a diferença: preço e localização. Essas lojas vendem todos os tipos de badulaques por 1 dólar cada, particularmente alimentos empacotados, papelaria e artigos de beleza. Você acharia viável a Amazon entregar um pacote de pipoca de 1 dólar no interior de Montana? Não teria muito cabimento.

Essas lojas ficam geralmente em áreas residenciais e comerciais próximas dos clientes, que acabam comprando durante deslocamentos ou idas a supermercados. É muito comum haver essas lojas nos malls americanos (shoppings a céu aberto) e centros comerciais.

As grandes varejistas de 1 dólar são a Dollar Tree (NASDAQ:DLTR), Dollar General (NYSE:DG) e Dollarama (OTC:DLMAF).

Lojas de luxo

Quando você pensa em uma bolsa da Louis Vuitton (PAR:MC) qual o primeiro lugar que lhe passa pela cabeça para fazer a compra? A loja da própria marca, certo? O mesmo acontece para os produtos da joalheria Tiffany (NYSE:TIF).

Ninguém compra artigos de luxo por marketplaces ou em locais que não geram confiança devido ao grande número de falsificações que esses produtos sofrem. Inclusive, as marcas mais exclusivas controlam rigorosamente suas lojas, pois até a dificuldade para se comprar um artigo o valoriza ainda mais.

Além disso, é o tipo de produto que você quer ver, sentir e experimentar antes da compra. Inclusive, a experiência de compra faz parte do produto.

Entretenimento

Aqui o exemplo é indireto. Como vimos, o e-commerce acabou com diversas lojas que antigamente eram âncoras de diversos malls americanos. Como o fechamento dessas lojas e posteriormente o colapso de centenas de malls, muitos REITs que detinham essas propriedades foram afetados.

Uma forma de contornar isso é optar por REITs que não possuem um equivalente online e cujos inquilinos possuem negócios que necessitam dos clientes irem até lá. É o caso de EPR Properties, um REIT especializado em imóveis voltados para Entretenimento (cinemas megaplex), recreação (pistas de ski, mini campos de golfe e parques aquáticos) e educação (escolas públicas e privadas e centros de educação infantil). Definitivamente não tem como a Amazon vender esse tipo de coisa.

Conclusão

Existem segmentos específicos dentro do varejo que possuem características que formam um fosso competitivo frente à competição online. Entre elas se destacam o tipo de produto, a velocidade para receber o produto, a experiência de compra e a necessidade de estar presente para aproveitar o produto.

Não vejo entre os nomes brasileiros de varejo essas vantagens que as separariam da Amazon. A competição aqui se dará realmente nos modelos de negócio e fidelização, no atendimento ao consumidor, na execução das vendas e entrega rápida.

Só o tempo dirá quem irá se sair vencedor. Se é que haverá um.

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Este post tem 8 comentários

  1. Avatar

    Quando a Amazon perceber (como várias empresas americanas já perceberam no Brasil) que aqui o contrato não tem validade jurídica, apenas a opinião do juiz que geralmente trabalha no estilo Robin Hood, que o funcionário pode fazer o que quiser e nunca pode ser demitido por justa causa e que o brasileiro é um dos clientes mais difíceis que tem, pois ele não reclama, apenas para de ir no seu estabelecimento, toda essa agressividade vai deixar de existir. O lucros das empresas brasileiras são em virtude da insegurança jurídica, politica e econômica e não ganância. Todas as empresas americanas que vieram para o Brasil foram descaracterizadas de seu modelo de negócio tradicional: McDonalds, Walmart, AOL, etc.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Douglas,

      Bem lembrado. Tem muitas complicações aqui que não existem nos EUA.

      Abçs!

  2. Avatar

    II, tudo bem?

    Muito se está escutando sobre a possível recessão que está próxima.

    O que você acha de bilionários como Ray Dalio que estão orientando cautela na posição em ações e recomendando uma pequena porcentagem (7 a 10%) de exposição a ouro e etc. ?

    Será que ainda vale comprar ações (que estçao próximas da máxima) ou vale esperar a tal recessão para comprar mais barato?

    Eu sei que nimguém sabe ao certo quando virá. Mas se continuarmos comprando agora, pode ser que quando os preços caiam, teria sido melhor esperar.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Alexandre,

      Tudo depende da sua estratégia e seus objetivos.

      É possível encontrar valor sim, mas ter caixa e posição em ouro também julgo importantes.

      Abçs!

  3. Avatar

    Só uma correção TF não é Tiffany & co e Sim Timbercreek Financial Corp. Tiffany & co é TIF. De qualquer maneira leio todos os artigos que recebo por email. Todos são de alto valor educacional. Parabéns!

  4. Avatar

    Até mesmo o mais lucrativo dos setores, o bancário, teve um participante debandando, justamente por causa da CLT e de sua Justiça Socialista Trabalhista. O HSBC emitiu um comunicado, informando que desistiu do Brasil, pela dificuldade de demitir, das exigências absurdas de sindicatos e de ter 98% de condenações em seus processos (trabalhistas), mesmo estando 100% correta. O socialismo/comunismo está completamente entranhado em nossas instituições e isso afugenta as empresas. Boa sorte à Amazon, mas não creio que consiga se estabelecer por aqui, para a desgraça dos brasileiros. O Brasil é uma fazenda de gado humano. Brasileiros servem somente para sustentar o estabilishment ou serem abatidos.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Thiago,

      Não faz sentido haver justiça trabalhista como temos hoje no Brasil.

      Abçs!

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