Atualização da Carteira Internacional – Agosto de 2015

Crash nas Bolsas

Agosto foi um mês de estresse nos mercados globais. Entretanto, continua sendo melhor estar posicionado em moeda forte

O mês de agosto no mercado financeiro foi marcado pelo mini-crash do dia 24. Neste dia, tudo começou com o índice Shanghai Composite caindo 8,5%, zerando os ganhos do ano, ou seja, ainda melhor que o índice Bovespa que continua no campo negativo em 2015. Se calcular em Dólar Americanos então a diferença fica mais evidente em favor da bolsa chinesa.

No mesmo dia, as bolsas européias fecharam em baixa de 5%, as americanas tiveram forte queda na abertura, fechando com 3,5% de queda, a bolsa de Tóquio fechou em baixa de 4,6% e as moedas dos países emergentes caíram fortemente frente ao dólar.

Três fatores principais podem estar relacionados com essa movimentação mais aguda dos mercados. A preocupação com a desaceleração da economia chinesa (Bom, pelo menos eles estão crescendo), a incerteza com a elevação das taxas de juros pelo FED e o baixo preço do petróleo, que afeta os países e empresas produtores, mas por outro lado favorece os consumidores, principalmente nos EUA, que já pagam a gasolina mais barata desde 2004.

Veja o movimento extremamente volátil na abertura de duas ações da bolsa de Nova Iorque neste dia. O primeiro é o gráfico de GE e o segundo é o gráfico das ações de JP Morgan. Foram publicados no Twitter da Nanex:

investir nos EUA
Volatilidade das ações da GE no período de 1 minuto na manhã de 24 de agosto.

 

Investir nos EUA
Volatilidade das ações do JP Morgan no período de 2 minutos na manhã de 24 de agosto.

Esses momentos da alta volatilidade forneceram o movimento ideal para algumas empresas de trades de alta velocidade (High Frequency Trading) bateram recordes históricos de lucro, conforme matéria do Wall Street Journal.

No Brasil, durante o mês de agosto, o Real perdeu 6,3% de valor frente ao Dólar Americano e o ouro valorizou 8,9%, mostrando que estas classes de ativos, geralmente esquecidas pelos investidores, são as que melhor performam em períodos de crise. O dólar já valoriza 36,4% este ano e o ouro 28,3% em Real.

Posições da carteira

Ouro e Dólar
Ouro e Dólar. É o que tem salvado o investidor brasileiro do desastre econômico.

Em nossa carteira, a maioria das posições apresentaram queda. As exceções foram os REITs Extra-Space Storage e Smart REIT que fecharam o mês praticamente estáveis e os britânicos British Land e Derwent London, com uma pequena desvalorização. O portfólio de renda fixa também fechou com leve queda e ouro apresentou uma leve alta. É em momentos como esse, que uma carteira conservadora em ativos de renda fixa, ouro e moedas consegue reduzir a volatilidade e minimizar perdas.

O ganho de 3,6% no mês para a carteira foi muito devido a desvalorização do Real. No ano, a valorização da carteira calculada em moeda brasileira está em 31,5%.

Os dividendos recebidos estão abaixo, com destaque para Suntec REIT, cujos dividendos por ação referentes ao 2º trimestre de 2015 foram 10% maiores que aqueles distribuídos um ano antes.

BOND: U$ 0,37 por ação – Total: U$ 25,90 (-30%) = U$ 18,12

IEMB: U$ 0,5077 por ação – Total U$ 17,26

T82U: SGD 0,025 por ação – Total SGD 50,00

AJBU: SGD 0,0356 por ação – Total SGD 142,40

O: U$ 0,19 por ação – Total: U$ 7,22 (-30%) = U$ 5,05

NNN: U$ 0,4350 por ação – Total U$ 20,01 (-30%) = U$ 14,00

OHI: U$ 0,55 por ação – Total U$ 26,40 (-30%) = U$ 18,48

HR_UN CAD 0,1125 por ação – Total CAD 11,02 (-25%) = CAD 8,26

SRU_UN CAD 0,1334 por ação – Total CAD 10,40 (-25%) = CAD 7,80

BLND: 6,92 pence (cents) por ação – Total: £ 10,65 (-10%) = £ 7,45

Visão geral da carteira de investimentos:

carteira internacional 2015
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Este post tem 17 comentários

  1. Avatar

    Prezado Investidor Internacional,

    Apesar da volatilidade global, considero que o cenário se apresenta muito melhor do que no Brasil.

    Um abraço

    1. Investidor Internacional

      Olá Ricardo,

      Enquanto houver governo socialista no Brasil, ficaremos alternando entre colapsos econômicos e voos de galinha.

      Abçs!

  2. Avatar

    II, bom dia.

    Gostaria de aproveitar e te perguntar o seguinte:

    Quando vc investe em empresas de diferentes bolsas do mundo (portanto, empresas que estão sediadas em países diferentes, ao contrário de se investir apenas na NYSE) e quando vc investe também em REITs espalhados em diversos lugares diferentes (EUA, Europa, Asia) como vc faz para lidar com a tributação?

    Imagino que para cada ativo existam regras de recolhimento diferente para impostos (Ex: uma ação na NYSE, uma ação na Alemanha, uma ação no Japão). No caso de receber dividendos de cada um desses lugares mencionados, ao investir teria que manter um controle p/ atender as regras de diferentes locais, correto? Isso pode exigir um certo trabalho e bastante organização para evitar problemas.

    Obrigado.

    abraços

  3. Avatar

    É uma carteira real?

  4. Avatar

    Investidor,

    Pelo que entendi no anuncio do Levy, ministro da fazenda, hoje: 30% dos recursos brasileiros em contas no exterior serão repatriados, confere?

    Sabe se isso é p qq conta com origem no Brasil, em Reais em qualquer banco internacional?

    1. Avatar

      José,
      Se não estou enganado, o projeto prevê a cobrança de 35% do valor pra quem quiser repatriar o dinheiro não declarado. A estimativa do governo é que a medida incentive a repatriação e, consequentemente, a arrecadação. Não ouvi falar nos 30%, mas se você considerar que o governo dará oportunidade de legalizar um capital que provavelmente você não conseguiria trazer ao Brasil por outro meio legal, vai vir muito dinheiro de volta.

    2. Avatar

      José

      Acredito que a ideia proposta pelo governo seja referente a recursos não declarados.

      A proposta é cobrar os 30% em trocar de um “perdão” pela ilegalidade cometida.

  5. Avatar

    Caro II,

    Mesmo com o mercado volátil, e em short a performance da carteira surpreende, muito interessante o modelo de alocação.

    Uma dúvida. Qual corretora permitiria fazer essa carteira inteira? Pois a grande maioria não tem contas multi-moedas e algumas não acessam mercados internacionais de Bonds e REITs. Ou a ideia é utilizar mais de uma corretora?

    Abraço

    1. Investidor Internacional

      Olá Mário,

      Tudo na mesma corretora. Quase todas as corretoras mostradas possuem contas multi-moedas permitem operar em diversos mercados.

      Abçs!

  6. Avatar

    Caro II,

    Em relação à carteira apresentada, acha que esse percentual de alocação em moeda deveria ser menor no caso do investidor residente no brasil? Pergunto porque alguem residente e domiciliado aqui, ao investir, por exemplo, em ETFs da bolsa americana ou REITs europeus, já não estaria automaticamente comprado em USD e EUR e exposto às respectivas variações cambiais?

    Grato.

    1. Investidor Internacional

      Olá,

      A exposição em moeda é devido ao ‘valuation’ de REITs e ações estarem bastante esticados e os juros no primeiro mundo estarem em patamares historicamente baixos.

      Não é pecado ter alocação em ‘cash’ em países de baixa inflação, principalmente para pessoas que já não tem a renda do trabalho e tendem a ser mais conservadoras. Obviamente isso não se aplica ao Brasil.

      Abçs!

  7. Avatar

    Entendo. Para o investidor residente no exterior, assim como para o residente aqui, em menor escala talvez, a alocação em moeda serviria como reserva de liquidez em função da recente alta histórica do Dow Jones, estimulada pelos juros muito baixos, confere?

  8. Avatar

    Não haverá mais atualizações sobre a carteira?

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