Como abrir uma conta bancária no exterior – Parte 13

Banco suíça

Chegou a vez de saber como abrir conta nos dois maiores bancos da Suíça

Acredito que seja chover no molhado dizer que a Suíça é uma dos países mais ricos e prósperos do mundo. Possui uma estrutura político-econômica estável, caracterizada por ampla liberdade econômica, um sistema tributário simples e de baixas taxas. Sua democracia é direta e existe um federalismo real, com 26 cantões praticamente autônomos.

A Suíça é conhecida também por ser o berço dos melhores relógios do planeta, por produzir um chocolate admirado em todo mundo e pelos trens eficientes, limpos e pontuais. Abriga ainda conhecidas entidades internacionais, como a Cruz Vermelha, Organização Mundial da Saúde, Organização Mundial do Comércio, entre outros.

Entretanto, o motivo de falar da Suíça são os seus bancos. O país possui talvez o sistema bancário mais completo do mundo. Os suíços são referência em diversos aspectos, como solidez bancária, qualidade de atendimento, diversidade em soluções de investimento, etc.

Os bancos do país podem ser divididos em 5 categorias: grandes bancos (UBS e Credit Suisse), bancos cantonais (são 24 bancos estatais administrados pelos cantões), bancos private (voltados a clientes de alto patrimônio), bancos estrangeiros (braço suíço de grandes bancos internacionais) e as corretoras (voltadas para trading).

No artigo de hoje, eu irei falar justamente do Credit Suisse e do UBS, que são os dois maiores e mais conhecidos bancos suíços.

Credit Suisse

credit suisseFundado em 1856, o Credit Suisse possuía, ao final de 2018, mais de 45 mil funcionários, quase 3500 gerentes globais de relacionamento e  1,3 trilhão de francos suíços em ativos sob administração. No Brasil, o Credit Suisse ficou mais conhecido por comprar o Banco Garantia em 1998 e a corretora e administradora de recursos Hedging-Griffo no ano de 2006.

O Credit Suisse é tão completo, que consegue atender todo e qualquer serviço bancário disponível seja para o mais simples cliente de varejo, seja para clientes private, pequenas empresas, grandes corporações e todo o resto que você possa imaginar.

Entretanto, o foco aqui será mostrar o que o banco oferece para o cliente individual que não mora na Suíça.

O que me chamou a atenção quando falei com eles é o compliance bastante sério. Antes de qualquer coisa, tive que mandar o passaporte para um background check.

Passada essa etapa, você poderá escolher entre dois tipos de mandato.

O primeiro é o Discretionary Mandate, onde o cliente escolhe cinco perfis com alocação e risco diferentes. São eles preservação, renda, balanceado, crescimento, crescimento de longo prazo. Uma vez definido seu perfil, o trabalho é todo do banco em ajustar as alocações, rebalancear e controlar o risco e liquidez. É voltado para quem não quer ou não deseja interferir na administração dos investimentos e confia nos serviços do banco.

O segundo é o CS Invest Partner, onde o cliente participa mais da alocação e recebe suporte com informações e análises sobre o mercado. É possível investir em uma plataforma aberta de fundos, além de ter acesso a investimentos alternativos, como Private Equity e CLOs. O Credit Suisse ainda monitora o seu portfólio regularmente, alertando quanto a riscos e oportunidades.

A estrutura de custos é aquela tradicional dos bancos private. Os custos sobem quanto maior o envolvimento do banco e mais complexos os ativos-alvo da carteira e quanto menor o volume de recursos do cliente. Os custos caem quanto maior for o envolvimento do cliente nas decisões e quanto mais simples forem os ativos-alvo da carteira. Uma carteira de ETFs e fundos indexados é mais barata que uma carteira com fundos ativos e investimentos alternativos. O mandato com foco em crescimento, onde se investe mais em ações, é mais caro que o mandato voltado a proteção do capital.

Além dos serviços bancários e de investimento, o banco também oferece as principais bandeiras de cartão de crédito e débito, como Visa, Mastercard e American Express.

Para finalizar, é importante saber que o mínimo para abrir uma conta é de U$ 3 milhões. É um valor que obviamente pode mudar sem aviso prévio.

UBS

UBSAs raízes do UBS remontam a bancos existentes desde 1747, mas sua fundação mesmo se deu no ano de 1862, como Bank in Winterthur. A última grande fusão foi em 1998 entre o Union Bank of Switzerland e o Swiss Bank Corporation, dando origem ao banco como o conhecemos hoje.

O UBS também ficou conhecido no Brasil no mesmo ano de 2006, quando comprou o banco Pactual. Só que nesse caso, apenas 3 anos depois, em 2009, o UBS vendeu o Pactual de volta para a BTG, empresa dos antigos sócios do Pactual.

Da mesma forma que o Credit Suisse, o UBS também cobre todo o espectro de clientes. Do estudante até o bilionário e as grandes multinacionais, o banco apresenta soluções de conta, investimento e financiamento para todos.

A receita para a administração de recursos dos clientes também é parecida. Com o UBS Manage®, você escolhe um perfil e um objetivo e o banco implementa a solução. O Banco fica então responsável pelo acompanhamento e otimização do portfólio conforme análise de sua equipe. São mais de 900 especialistas responsáveis por cobrir todo o mercado global.

Na solução UBS Advice®, o banco após avaliar seu perfil, tolerância a risco, objetivos, etc monta uma alocação personalizada e você decide o que implementar. Você dá a última palavra, mas o banco estará sempre monitorando e alertando possíveis desvios de estratégia ou oportunidades de investimento.

Existe uma infinidade de fundos, produtos estruturados, investimentos alternativos, metais preciosos, filantropia e investimentos de impacto social, etc.

Diferentemente do Credit Suisse, o UBS aceita contas a partir de U$ 500 mil.

Conclusão

Quando se conhece o Credit Suisse e o UBS é que você passa a ter noção do que é um banco completo e global. Você tem acesso a praticamente qualquer investimento disponível no mundo, incluindo serviços sob medida dependendo da sua necessidade e recursos.

Outro ponto que chama a atenção é a quantidade de material de análise disponibilizado aos clientes. É uma quantidade enorme de estudos, gráficos e projeções. Cada banco possui diversos times que analisam investimentos nos quatro cantos do mundo. Para você ter uma ideia, o Credit Suisse possui mais de 30 analistas apenas para cobrir ações da América do Sul.

Do que tenho pesquisado e conversado vejo que o UBS costuma ser o preferido entre os dois. Entretanto, na crise financeira de 2008, o UBS estava muito exposto ao subprime e sofreu uma perda de CHF 50 bilhões em ativos. Depois foi investigado por esconder contas de 50 mil clientes americanos suspeitos de evasão fiscal. O Credit Suisse foi afetado por 2008, mas numa proporção bem menor.

Hoje a situação já é outra. A famosa privacidade bancária não existe mais e os bancos estão mais sólidos em termos financeiros.  Perdeu-se de um lado e ganhou-se de outro. Na lista dos 50 bancos mais seguros do mundo, o UBS já aparece na 40ª posição e o Credit Suisse não está presente. Já no último ranking mundial de Private Banking e Wealth Management da publicação EuroMoney,  o UBS aparece em primeiro lugar e o Credit Suisse em segundo.

Claro que um atendimento neste nível tem seu preço e ele varia aproximadamente entre 0,3 e 1,7% do valor investido, com valores mínimos por ano.  Não custa lembrar que, em se tratanto de private bank suíço, as faixas para o valor mínimo de custos se aplicam a clientes com dezenas ou centenas de milhões de dólares.

Enfim, acredito serem os bancos de investimento mais completos do mundo situados no país com séculos de tradição no mercado financeiro. Preenchidos os critérios para ter conta, é muito provável que você será bem atendido em qualquer um deles.

Mas caso nenhum deles se encaixe no seu perfil, não fique triste. Confira a página de bancos internacionais, onde há uma lista com outras diversas instituições financeiras voltadas aos mais diferentes perfis. Alguma delas deve se encaixar no que você procura.

 

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Este post tem 10 comentários

  1. Avatar

    Excelente post. A verdade é que depois de interagir com um banqueiro suíço, da vontade de bater no gerente do banco Itaú.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Tarik,

      O Itaú também tem um modelo para o “high net worth”. Falarei em breve.

      Abçs!

  2. Avatar

    Olá Raphael, Parabéns por mais um belo artigo. Falando em relógios suíço a Panerai e Patek Philippe são o suprasumo, ter um é ter reconhecimento. Credit Suisse e Ubs são highlander, mas não highlander escocês e sim suíço.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Eduardo,

      No YouTube tem muito vídeos da fabricação de relógios suíços. É impressionante.

      Abçs!

  3. Avatar

    Olá II!

    Excelente post informativo, como sempre!

    Você já comentou sobre como aloca seus investimentos? Qual o percentual que deixa no Brasil e no exterior e em quais ativos?

    Abraço!

    1. Raphael Monteiro

      Olá André,

      Obrigado por comentar.

      Não comentei. Isso é algo bem pessoal. Mas só me arrependo de não ter mandado tudo para fora.

      Abçs!

  4. Avatar

    Cade o link pra os artigos anteriores?

  5. Avatar

    Pra facilitar, seria interessante colocar entre parenteses a traducao de expressoes financeiras mais tecnicas.

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