Como investir em bancos

como investir em bancos

Será que ainda vale a pena investir em bancos?

Tanto no Brasil, quanto no exterior as ações dos bancos já viveram seus momentos de glória. Entretanto, outros setores da economia, como o de tecnologia, acabaram tomando este protagonismo. A pandemia e o fechamento das economias atuaram como aceleradores deste movimento.

O surgimento das fintechs também possui papel importante neste processo. Possuem estruturas mais enxutas e modelo de negócio focado no crescimento do número de clientes e na oferta de serviços mais variados. Os bancos tradicionais possuem uma estrutura grande e cara de se gerir e a sua oferta oferta de produtos não é muito diferente de 20 anos atrás.

Por outro lado, os bancos ainda possuem grande importância naquele que é o negócio principal do setor financeiro, a concessão de empréstimo. Por mais que pareça um negócio simples e fácil de entender, nos bastidores o funcionamento dos bancos é bastante delicado. Conceder empréstimo em um país como o Brasil, com uma economia engessada e sujeita a crises, leis complexas e alta inedimplência, é algo desafiador. As diversas quebras bancárias que vimos no passado recente são um retrato disso. Já os Estados Unidos sofrem com o alto endividamento das pessoas e com as baixas taxas de juros. Sem falar que eles estiveram no epicento da crise financeira de 2008, gerada por juros baixados artificialmente, bolha imobiliária e o abuso da venda de instrumentos financeiros alavancados e complexos.

Como os bancos funcionam?

O banco recebe depósitos de clientes que estabelecem contas correntes, contas de poupança, certificados de depósito e outros produtos. A instituição então empresta esses fundos a consumidores que buscam por hipotecas, empréstimos comerciais, empréstimos para construção e outros objetivos. A diferença entre os juros que o banco paga para seus depositantes e os juros recebidos nos empréstimos que faz é uma das principais fontes de lucro e é chamado de receita líquida de juros (net interest income).

Existem ainda outras fontes de receita provenientes dos demais serviços bancários, como estes abaixo:

  • Tarifas de manutenção de conta
  • Processamento de cartões de crédito
  • Sistemas de pagamento
  • Administração de fundos
  • Seguros

Quais os tipos de bancos?

Antes de falar sobre como investir em bancos, é preciso entender as diversas especialidades bancárias.

Bancos comerciais

Os bancos comerciais são aqueles que a maioria das pessoas e empresas usa. São responsáveis por receber depósitos dos clientes, são usados para fazer e receber pagamentos e atuam na oferta de crédito para pessoas e empresas.

Destaques nos Estados Unidos: Wells Fargo (NYSE:WFC), U.S. Bancorp (NYSE:USB), Capital One Financial (NYSE:COF) e SVB Financial Group (NASDAQ:SIVB).

Bancos de investimento

Os bancos de investimento oferecem serviços financeiros para empresas e governos, incluindo uma gama variada de operações e instrumentos complexos, bem como assessoria financeira e gestão de ativos.

Eu já escrevi um artigo completo sobre bancos de investimento.

Destaques nos Estados Unidos: Goldman Sachs (NYSE:GS) e Morgan Stanley (NYSE:MS).

Bancos múltiplos

Os bancos múltiplos são os mais completos. Englobam tanto as funções de banco comercial como de banco de investimento. Desta forma, possuem receitas mais diversificadas, mas uma estrutura mais complexa.

Destaques nos Estados Unidos: Citigroup (NYSE:C), Bank of America (NYSE:BAC) e JPMorgan Chase (NYSE:JPM).

As principais métricas para se avaliar bancos

Existe uma gama variada de dados para avaliar a qualidade dos bancos, algumas relacionadas às atividades de empréstimo:

Return on Equity (ROE)

O ROE é o retorno sobre o patrimônio líquido. Mostra quanto de lucro é gerado em relação ao patrimônio do banco. Quanto maior, melhor.

ROE = Lucro Líquido / Patrimônio líquido x 100.

No caso dos bancos, um ROE ideal é acima de 10%.

Return on Assets (ROA)

O ROA é o retorno sobre os ativos. Mostra o quanto de lucro é gerado em relação ao total de ativos bancários. Quanto maior, melhor.

ROA = Lucro Líquido / Ativos x 100.

No caso dos bancos, um ROA ideal é acima de 1%.

Net Interrest Margin (NIM)

NIM significa margem líquida de juros. Basicamente é a diferença entre os juros que o banco recebe nos empréstimos que faz e os juros que o banco paga sobre aplicações e depósitos de clientes.

NIM = Juros Líquidos / Total de ativos geradores de juros x 100.

No caso dos bancos, um NII ideal é acima de 3%.

Efficiency ratio (ER)

ER em  português é a o Índice de Eficiência. Este índice mede o quanto das receitas do banco é usado para pagar os custos da operação não relacionados a juros. Quanto menor, melhor.

ER = Despesas não relacionadas a juros / Receita Líquida x 100.

Avaliação do risco

Não se pode falar em bancos sem uma avaliação adequada do risco, já que bancos são naturalmente alavancados e expostos a crises econômicas.

Desta forma, é importante saber como andam as perdas e possíveis perdas por empréstimos não pagos.

Nonperforming Loan Ratio (NPL)

NPL em português significa Créditos Não Performados e medem a quantidade de empréstimos em inadimplência e com atraso de pagamento acima de 90 dias. Obviamente, quanto menor este percentual melhor. O ideal é que esteja abaixo de 2%.

Net Charge-Offs

Charge-offs são os créditos tidos como perdidos. Em geral, o recebedor do crédito emite algum aviso de que não irá pagar ou o atraso para pagamento supera 6 meses. Quanto mais próximo de zero, melhor.

Valuation

Existem alguns múltiplos que são muito usados para se avaliar bancos.

Preço/Lucro

O índice Preço/Lucro é um dos mais utilizados para avaliar bancos. Quanto menor, melhor.

Preço/Patrimônio Líquido Tangível

O índice Preço/Patrimônio Líquido Tangível é outro bastante utilizado para avaliar bancos. Quanto menor, melhor.

Em inglês é chamado de Tangible Book Value. É o Patrimônio Líquido sem contabilizar os ativos intangíveis.

Crescimento

Além da qualidade e do preço, é importante avaliar se o banco tem crescido nos últimos anos. O banco está se expandindo para outros estados ou países? Há aumento no número de clientes? Há aumento da receita ano após ano? Há aumento do lucro ano após ano?

Comparativo dos bancos americanos

TickerP/LP/PLTROEROANIMERNPLNCO
BAC21,11,906,6%0,6%1,8%61%0,7%0,3%
C15,41,005,6%0,5%
2,2%
62%1,0%0,7%
COF25,01,314,6%
0,6%
5,0%
61%
0,9%
1,3%
GS13,21,399,9%
0,9%
1,1%
44%
2,6%
0,6%
JPM17,32,1010,7%
0,9%
1,7%
57%
1,2%
0,4%
MS12,11,4912,0%
1,1%
1,5%
70%
0,6%
0,1%
SIVB21,13,2717,2%
1,4%
2,3%
64%
0,2%
0,1%
USB18,22,099,4%
0,9%
2,4%
59%
0,5%
0,5%
WFC96,61,181,9%
0,2%
2,1%
80%
1,0%
0,2%

Conclusão

Por mais que os bancos estejam em um momento difícil pela crise e sofrem a ameaça das fintechs, não dá para negar que a importância deles para a economia deve continuar. Muitas das provisões feitas em 2020 devem voltar para o balanço. Muito do dinheiro jogado no sistema pelo FED está sendo gerido pelos bancos, com cobrança de taxa de administração.

Assim, nos Estados Unidos, as ações do segmento bancário já vem se recuperando com a evolução da vacinação e os dados de recuperação econômica. Já no Brasil, as ações de bancos continuam pressionadas e “esquecidas” por boa parte dos investidores.

No momento, quem deseja investir em bancos deve fazer a seguinte análise: será que esse desfavorecimento do setor bancário perante o mercado pode ser uma oportunidade para pagar mais barato em um setor perene, estabelecido e lucrativo ou as perspectivas continuam ruins e mesmo nesses preços não faz sentido investir?

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Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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