Construa seu próprio império

império

Já passou da hora de você ir para o lado lucrativo da força

O post anterior deu o que falar, não é mesmo? Se você não participou do bate-boca, digo do debate, pode conferir o artigo e os comentário no link abaixo:

Um interminável filme de terror

Por mais que alguns tenham achado que o assunto não era muito apropriado, o artigo era apenas o primeiro de uma trilogia de posts. Essa trilogia tem por objetivo ampliar o seu horizonte de consciência para enxergar o dinheiro não como meros cifrões a serem trocados por consumo futuro, mas sim como algo que lhe proporcione liberdade.

A questão é você só conseguirá a liberdade por meio do dinheiro se você tiver uma boa organização e fizer bom uso dele. Dinheiro na poupança ou usado para trocar de casa ou de carro com frequência não lhe trarão liberdade. Ele deve ser usado justamente para a construção do seu império.

Os dois conceitos principais que você deve conhecer para entender o porque dessa jornada, são o risco político e o “home bias”.

Risco Político

Eu já abordei este assunto no artigo anterior e no vídeo abaixo publicado há 3 anos, onde conto muito da história política e principalmente econômica do Brasil. Assista e reflita sobre o nosso currículo republicano:

O que é “home bias”?

Em português, “viés da casa” é a tendência dos investidores investirem totalmente ou majoritariamente em seu próprio país, ignorando os benefícios de investir em empresas internacionais.

Isso acontece por dois motivos principais. A dificuldade de se investir em ações e títulos de outros países. Na B3 é até possível investir em ações americanas por meio de BDRs, mas está restrito a investidores qualificados e a liquidez é pífia. O segundo motivo é a preferência por aquilo que lhe é familiar. No caso, é mais familiar investir na Ambev do que na Boston Beer, mesmo eu já tendo falado que as empresas internacionais estão mais próximas de você do que parece.

É bastante arriscado deixar tudo no mesmo país. Você e seu patrimônio devem ficar em países diferentes. Como é mais difícil para muitas pessoas saírem do Brasil por questões familiares e profissionais, enviar parte do patrimônio para fora do país é o caminho natural.

Fala logo do império, Raphael!

Um império é basicamente você, ao invés de acumular dívidas ou bens de consumo, acumular ativos. Ativos nada mais são que bens capazes de crescer em valor ou de gerar renda para você. Em termos de investimento são basicamente ações, REITs, imóveis e títulos de dívida.

Diante de tudo o que falei anteriormente, fica evidente que se você quer ter um império duradouro e que não abale com crises, esse império precisa ser composto de ações de multinacionais ou de uma série de empresas que em conjunto possuam negócios em diversos países pelo mundo.

No Brasil, são poucas as ações negociadas em bolsa que possuem receita vinda do exterior. A maioria das ações é negócios locais e que estão sujeitos à força da economia brasileira. Perceba a diferença que isso faz neste momento com o dólar nas alturas. As empresas exportadoras ou que possuem negócios no exterior acabam recebendo um “extra” que as empresas locais não recebem.

Vou mostrar agora de onde vêm as vendas de algumas das principais empresas do mundo.

A PepsiCo (NASDAQ:PEP), fabricante de alimentos e bebidas, divulgou os resultados recentemente a divisão da receita líquida se deu da seguinte forma nos 9 primeiros meses de 2019:

  • América do Norte: 62,5%
  • Europa e África subsaariana: 17,5%
  • América Latina: 10,8%
  • Ásia, Oriente Médio e Norte da África: 9,2%

Mesmo diversificada, apresenta uma certa concentração na América do Norte. Vamos ver uma outra empresa, então. Que tal a Nestlé (SWX:NESN) ? Já convertidos em Francos Suíços, temos a seguinte divisão para a origem de receita da gigante suíça:

  • Américas: 35,1%
  • Ásia, Oceania e África subsaariana: 23,3%
  • Europa, Oriente Médio e Norte da África: 19,9%
  • Nestlé Águas: 8,9% (engloba todo os países)
  • Outros negócios: 12,7% (engloba todo os países)

Já é uma diversificação maior. Veja o caso da francesa Danone (PAR:BN)  em 2018:

  • Europa e América do Norte: 55%
  • Resto do mundo: 45%

A companhia ainda divulga que os três países que mais contribuíram foram na ordem Estados Unidos, China e França.

A gigante farmacêutica Johnson & Johnson (NYSE:JNJ) divulga da seguinte forma a divisão de vendas por região:

  • Estados Unidos: 52%
  • União Europeia: 23%
  • Ásia-Pacífico e África: 18%
  • Hemisfério Ocidental (exceto EUA): 7%

Nos REITs encontramos alguns nomes com boa diversificação internacional. WP Carey (NYSE:WPC) possui 1204 propriedades, sendo 65% nos Estados Unidos, 33% na Europa e 2% em outros países (Canadá, México e Japão). Medical Properties Trust (NYSE:MPW) possui atualmente 341 hospitais distribuídos em diversos países. A receita vem 83% dos Estados Unidos, 11% da Alemanha, 3% da Austrália e menos de 1% cada do Reino Unido, Itália e Espanha.

Acho que deu para captar a mensagem, não? Mesmo que aconteça alguma crise específica que prejudique as vendas em um determinado país, os outros países acabam compensando isso. Claro que nem todos na mesma proporção.

Uma distribuição interessante de receita seria 50/50 entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Se nos desenvolvidos a vantagem é a moeda forte, nos em desenvolvimento é o crescimento populacional e aumento do consumo. Isso traria um certo equilíbrio para a geração de receita no longo prazo. Claro que para alcançar uma exposição geográfica mais igualitária a associação com ações de outros países faz-se necessária. Isso tudo sem esquecer do mais importante, a qualidade e o futuro de cada empresa.

Estabelecendo a sede do seu império

Se você quiser ter um império mais sério, faz-se necessário desvinculá-lo de você e do seu país em algum grau. E isso é alcançado por meio de uma estrutura offshore. Com seus bens e investimentos internacionais em nome de uma empresa você tem muito mais liberdade, ganha em termos de planejamento e simplificação tributária e sucessória e fica sujeito a uma jurisdição que respeita as leis.

Todos os detalhes para isso, você encontra no seguinte artigo:

Como abrir sua empresa offshore

E se a previdência lhe preocupa, sugiro complementar com essa leitura:

Reforma da Previdência Offshore

Não se trata apenas de investimentos

Estabelecendo seu império em uma jurisdição com tributação favorecida, você além de colocar seus investimentos internacionais sob o mesmo “guarda-chuva”, você poderá incluir também imóveis físicos ou mesmo negócios próprios. As possibilidades são diversas e só depende de você encontrar aquilo que mais se adeque aos seus objetivos, situação financeira e metas empreendedoras.

Conclusão

Uma vez reconhecidos os problemas que tornam a internacionalização algo extremamente necessário, tanto do ponto de vista defensivo (proteger-se dos problemas do país em que você mora), mas também ofensivo (investir nas maiores e melhores empresas do mundo).

A construção de um império de empresas e investimentos internacionais irá lhe proporcionar a diversificação necessária para minimizar riscos e ampliar sua probabilidade de ganhar dinheiro no mercado.

Na última parte dessa trilogia, eu irei abordar a estratégia que pode ser usada para alcançar a liberdade suprema. Não esqueça de assinar a newsletter para ser avisado da publicação do artigo.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Este post tem 21 comentários

  1. Avatar

    Você é o cara e as suas orientações são e serão para min sempre de suma importância.
    pra você eu so desejo sucesso e vida longa meu nobre mentor..

    sinceramente;

  2. Avatar

    Olá Investidor Internacional, muito boa suas dicas, eu estou guardando seus links para o futuro, ainda estou apenas começando a criar meu império, mas espero chegar no exterior dentro de alguns anos.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Bilionário,

      Todo império começa com um mero “tijolo”.

      Sucesso na empreitada!

      Abçs!

  3. Avatar

    Puxa fui um dos primeiros a ler seu post anterior e não vi que causou tanta celeuma. Não vou querer ser redundante pois já comentaram isso antes mas penso que os pedestalistas (como eu chamo os que se consideram acima da discussão de questões políticas)devem ser seres alienígenas. É utopia pura desvincular elas do maior ou menor risco financeiro e mesmo físico e pessoal que sofremos dependendo de quem se torna governo. Agora que o capitalismo tem suas facetas hipócritas e falácias não tenho dúvida mas é o que se tem pra hoje. Como estou apenas iniciando minha jornada com investimentos no exterior aguardo ansiosamente seu próximo post. Grande abraço!

  4. Avatar

    Eu fico esperando o dólar cair para poder tirar o dinheiro do Brasil, o que você acha disso? Já escreveu algum artigo sobre esse assunto?

    Abraços e continue com seu ótimo trabalho de nos informar.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Tofu,

      Eu acho meio difícil quer acertar o ponto exato no dólar.

      Pela teoria dos ciclos econômicos, o dólar está “caro”, mas o Brasil ainda não está atraindo fluxo suficiente para reduzir a cotação.

      Abçs!

  5. Avatar

    Qual o custo de se abrir/manter uma offshore?

    Quais as jurisdições mais recomendadas?

    Qual o capital mínimo que vc considera ideal para começar?

    Conhece alguém que preste esse serviço de abertura da offshore?

    Grato

      1. Avatar

        Qual o custo dessa consultoria?

        Tem um link descritivo do tema abordado?

  6. Avatar

    Olá Raphael,

    Gosto demais do seu site e o acompanho já há alguns anos. Já comecei a investir no exterior, mas minha maior objeção é que os rendimentos lá são muito menores. Eu sei que o risco aqui também é maior. Mas daí a colocar tudo ou a maior parte nos EUA é receber muito menos. Hoje no Brasil se consegue uma rentabilidade fácil de 6% ao ano em FII e ações e são isentos de IR. Então se eu tiver R$ 1 milhão aplicado eu receberia R$ 60 mil /ano ou R$ 5 mil/mês.

    Nos EUA pra eu achar algo bom e seguro que me pague 4% tenho que procurar muito. E ainda assim, me cobram 30% de IR. Os mesmos R$ 1 milhão, se enviar pra lá, se transformariam em US$ 233.650 (fiz a simulação agora pelo Remessa On Line). US$ 233.650 x 4% ao ano daria US$ 9.346 / ano, menos 30% de IR seria US$ 6542,20 / ano ou US$ 545,18 / mês, que convertendo para reais daria R$ 2290,00.

    Menos que a metade do recebido no Brasil. Como você vê isso?

    1. Raphael Monteiro

      Olá Francisco,

      É uma análise muito simplista querem colocar o retorno simplesmente pelas taxas de juro atuais.

      Sugiro que leia o artigo Por que investir no exterior?

      Tem muito mais coisa envolvida.

      E antes que eu me esqueça, existem ativos que pagam bem mais de 10% em dólar ao ano.

      Abçs!

      1. Avatar

        Gostaria realmente de conhecer esses ativos que pagam bem mais que 10% em dólar ao ano.

  7. Avatar

    Por favor, continue com suas postagens. Adoro seu conteúdo!

  8. Avatar

    Olá Raphael!

    A diversificação é importantíssima, e investimentos no exterior têm o seu lugar em qualquer carteira. acho que talvez, atualmente, temos mais a “tirar” dos ativos brasileiros do que do exterior. O crescimento aqui está atrasado e as perspectivas, ao menos até a eleição são melhores.

    Mas comecei a investir através de fundos. A escolha por eles é que estou aos poucos me retirando da gestão muito ativa de investimentos. E não teria tempo (e nem vontade) de começar a estudar as empresas lá fora.

    Curiosidade: vc faz apenas stockpicking ou também possui fundos na carteira? Vc divulga a rentabilidade dela? Tenho curiosidade para saber como ela performa frente ao que consegui no Brasil em todos esses anos.

    Abraço!

    1. Raphael Monteiro

      Olá André,

      É possível investir no Brasil estando fora daqui. Não é uma limitação à abertura de conta fora.

      Minha carteira com investimentos no exterior só está disponível para os assinantes do Passaporte Internacional.

      Abçs!

Deixe uma resposta

Posts com maior repercussão

Fechar Menu