Coronavírus: crise ou oportunidade?

Coronavírus

Como a atual epidemia impacta seus investimentos e o que você deve fazer

Se existe um assunto que dominou os noticiários em todo mundo na última semana foi a reação dos mercados financeiros à epidemia de Coronavírus.

Após ela ter se originado na cidade chinesa de Wuhan, pólo com mais de 11 milhões de habitantes, o coronavírus começou a se espalhar pela China, Ásia e agora já se encontra em escala mundial (inclusive no Brasil).

Mesmo após todas as medidas de contenção, como isolamento de cidades, fechamento de fábricas, paralisação de meios de transporte, nada parece parar a disseminação do vírus que já matou milhares de pessoas.

E foram justamente essas medidas que estão provocando o efeito econômico da epidemia. Isso acendeu o alerta no mercado de ações global e provocou o “sell-off” rápido que vimos nos últimos dias.

Nesses momentos de maior estresse, a aversão à risco fala mais alto, a volatilidade se intensifica e ninguém sabe com certeza que direção o mercado irá tomar no curto prazo.

China desligada e o efeito dominó

A China é hoje um dos maiores consumidores de matérias-prima do mundo e grande produtor de peças e insumos para diversos tipos de indústria.

Para você ter uma ideia, o iPhone é desenvolvido e vendido pela Apple, mas seus componentes são produzidos por fabricantes especializados em cada função. O acelerômetro vem da Alemanha, a bateria é feita na China, o giroscópio é suíço, a câmera, a bússola e a tela de LCD são japonesas e o vidro, chip de wi-fi e peças de áudio vêm dos Estados Unidos. Cada fornecedor possui plantas industriais em diversos países e a Foxconn, responsável pela montagem final das peças termina a maior parte do serviço em sua fábrica na China.

Como a Apple, muitas empresas possuem fornecedores de várias partes do mundo. Quando começa a haver o fechamento de plantas industriais em diversos países (e principalmente na China), você tem a paralisação da cadeia produtiva em escala mundial.

Queda da produção leva a queda dos lucros que leva a queda das ações. Quando isso acontece no ápice do mercado, a queda é mais forte do que costumamos ver.

coronavirus
Loja chinesa da Apple esvaziada pela epidemia

O que fazer?

Para o investidor de longo prazo que visa acumular patrimônio em ações no decorrer de uma vida, não há motivo para ficar em pânico. Assim que a situação se normalizar e a economia retomar, as empresas voltarão a produzir e a vender, por mais que os próximos resultados venham ruins.

Para o trader que procura seguir os gráficos e abrir posições para ganhar no curto prazo, o momento é de ser diligente e respeitar os stops. Uma recuperação em “V” pode pegar muito vendido no contrapé.

Mesmo o investidor de longo prazo pode aprender análise técnica para usar em parte da carteira, seja para aproveitar investimentos mais especulativos (como o visto nesta queda) ou para saber o momento certo de usar hedge. No Brasil pode ser feito por venda de contrato futuro de Ibovespa ou compra de contrato futuro de dólar. Nos Estados Unidos existem opções mais diversas e simples para ganhar com a queda da Bolsa.

As lições do coronavírus para você investir melhor

Crise como a que estamos enfrentando agora é o momento para rever alguns conceitos sobre investimentos. Afinal de contas, durante a vida passaremos por mais situações como esta.

É contra-intuitivo, mas quando o mercado começa a subir demais e a se afastar muito das médias, é hora de estar preparado para uma queda. Da mesma forma quando cai demais e dura muito, é hora de se preparar para um alta. Claro, desde que o país não se torne uma Venezuela ou Argentina.

De forma geral, existem algumas formas de estar sempre preparado para minimizar danos durante algum evento inesperado:

  1. Ter caixa, seja em dinheiro mesmo, ou ativos de renda fixa de baixíssimo risco, curto prazo e muita liquidez. No Brasil, é o Tesouro Selic. Nos EUA é o Money Market, os Treasuries e as T-Bills.
  2. Diversificar em outros ativos, como títulos de renda fixa, ouro, dólar, fundos imobiliários.
  3. Diversificar a carteira de ações em diferentes setores, pois cada um reage de forma diferente aos diversos momentos da economia. Uma divisão básica é entre empresas cíclicas e anti-cíclicas. Empresas cíclicas tendem a performar melhor com a economia aquecida. Um exemplo é a Essilor-Luxxotica.  Empresas anti-cíclicas tendem a cair menos quando a economia está ruim. Um exemplo é a Johnson&Johnson.
  4. Ter ativos internacionais. Em todos os crashes passados, a moeda brasileira se desvalorizou frente ao dólar. Em relação ao dólar, os ativos que mais se valorizam nas crises são o iene, os treasuries (“flight to quality”) e o ouro.
  5. Focar sempre no longo prazo. Quedas como essa do coronavírus são comuns e ocorrerão mais vezes. Quem for paciente, verá que ela irá ser resolvida, como as anteriores foram.

Conclusão

A epidemia do coronavírus está causando e causará danos na economia e isso reflete no preço das ações. É um situação temporária e que em breve será resolvida. Se você tiver tranquilidade e não fizer nenhuma maluquice com as suas ações, passará bem por ela.

As políticas estatais, associadas a corrupção desenfreada, geraram na última década muito mais prejuízos para nós e para o país do que qualquer vírus que possa aparecer.

Continue investindo, porque se o mundo continuar se desenvolvendo (com vírus, bactérias, comunistas e todo tipo de desgraça) como vem acontecendo desde o Big Bang, você ainda sairá no lucro.

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Este post tem 16 comentários

  1. Avatar
    Douglas

    Aproveitei essa queda para comprar um pouco mais de bolsa (na parte de renda variável estou investindo somente na bolsa americana).

    Já estou me acostumando com quedas bruscas (kkkk), quando eu tinha investimentos na Bovespa eu cheguei a presenciar o “Joesley Day”.

    Parabéns por mais um artigo de qualidade.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Douglas,

      Obrigado por comentar.

      Tanto no Brasil quanto nos EUA, muitas oportunidades estão aparecendo.

      Abçs!

      1. Avatar
        Eder

        É uma pena ver o mundo naufragado nessa política global nazista, onde os principais lideres do mundo tem uma conduta infantil achando que o mundo é seu parque de diversões e o povo é seu brinquedo. Onde está a honra nisso? Em ficar todos os anos fazendo terrorismo com o povo usando o vírus da gripe, Facismo talvez, não tenho palavras para descrever tamanha barbárie. A mídia global fazendo o papel de Joseph Goebbels. “Uma mentira repetida mil vezes torna se verdade”. Então senhores lideres mundiais, não seria mais humano e mais honroso que vocês apertassem os botões nucleares, do que aterrorizar o povo dessa maneiro horrível, não é essa a teoria? Assim separamos homens dos meninos.

  2. Avatar
    Antonio

    “Invista quando há sangue nas ruas.”

    forte abraço. meu nobre.

  3. Avatar
    Antonio

    Mais uma vez, as opiniões sobre a eficácia do governo Trump, seja para o Covid-19 ou outros assuntos, precisam ser rebaixadas. Mais uma vez, é plausível acreditar que os EUA estão cortejando um desastre. e há uma chance de o Covid-19 ser uma espécie de Waterloo para o governo Trump

    forte abraço, meu nobre.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Antônio,

      Não vejo como isso pode prejudicar o Trump. Os pontos positivos do governo dele excedem em muito os negativos.

      Abçs!

  4. Avatar
    Diego Emmanuel F. Pinheiro

    Assim como o outro amigo, presenciei o “cisne negro” do Temer/Joesley e não só não entrei em pânico (perdi 6 mil reais naquele dia, mesmo ante os “stop markets”), como recuperei em cerca de 3 meses o que havia perdido e aproveitei para aumentar posições. Crise é oportunidade para os diligentes. Crise só é crise para quem segue movimentos de manada ou não sabe o básico para se assegurar de perder o mínimo possível e ganhar o máximo que a situação permitir. Também estou me expondo bastante ao dólar. Tenho investido nos EUA com foco em dividendos e, graças a DEUS, é só felicidade. Parabéns mais uma vez, Raphael, aos domingos eu já espero seus artigos próximo da meia noite (risos). Abraço e sucesso!

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    Alexandre Abdoun

    II, muito bom.

    Porém, o Fed pode estar prestes a intervir novamente (como ja faz ha anos) para tentar segurar o sangue.
    Cortar novamente juros (nao que isso vá realmente ajudar), mas principalmente fazer novamente o QE de forma mais intensa.
    Será que eles conseguem segurar e criar novas altas?

    1. Raphael Monteiro

      Olá Alexandre,

      Quando mais baixos os juros, menos munição para o FED. Entretanto, isso só muda a taxa de desconto e não corrige uma série de outros problemas.

      Abçs!

  6. Avatar
    Robinson Segall

    A União Soviética desapareceu em poucos dias. Ninguem teria imaginado que isso poderia acontecer.
    O Capitalismo poderá desaparecer por causa da crise atual?

    1. Raphael Monteiro

      Olá Robinson,

      O problema não é do capitalismo. O problema é o nível de interferência governamental e dos bancos centrais.

      Abçs!

  7. Avatar
    Douglas

    Amigos,

    Estou me sentindo a Sônia Abraão (coveira) das ações, ao comprar ações em meio a essa situação. Aproveitei as “benesses” do Governo, como prorrogação dos contratos de financiamentos, empréstimos e demais, por 60-90 dias e apliquei esse dinheiro. Vamos ver se daqui 30 anos também vira uma fortuna.

    Abraços!

    1. Raphael Monteiro

      Olá Douglas,

      Tendo visão de longo prazo e suportando a volatilidade, boas chances de dar certo.

      Abçs!

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