Energia limpa não é tão limpa assim

energia limpa

O que ninguém fala sobre a famosa energia limpa 

Quando eu comecei este site em 2014 o objetivo era falar sobre algo que ninguém falava, que era o investimento no exterior. Na época, muita gente era realmente contra tirar o dinheiro do Brasil, porque aqui estavam as “melhores oportunidades”. O tempo passou e ficou claro para todo mundo que essa crítica era infundada. Está claro para todo mundo que investir fora do Brasil não só é bom, como fundamental para a segurança financeira.

Chegamos em 2021 e recentemente escrevi dois artigos com um ponto de vista que não costuma aparecer em outros veículos de comunicação. O primeiro sobre identificar a raiz do problema brasileiro e o segundo sobre modinha do ESG.

Atacando a raiz do problema

ESG: O que é? Vale a pena investir?

Muito se fala sobre pensar fora da caixa, mas o que tenho percebido é que o pensamento das pessoas é cada vez mais homogêneo. Se você resolve esmiuçar mais a fundo e descobre que a coisa não é bem como dizem, acaba sendo atacado e rotulado de radical.

Como eu não ligo para essas coisas, chegou a hora de mexer no vespeiro da energia limpa, outra modinha que tentam vender como o supra-sumo do desenvolvimento da civilização.

Não é bem assim.

O que é energia limpa?

Primeiramente, é bom deixar alguns conceitos claros.

Energia limpa é a energia obtida de fontes que não liberam poluentes atmosféricos, enquanto a energia verde é a energia derivada de fontes naturais (luz do sol, vento ou água). Há uma diferença sutil entre esses dois tipos de energia, embora muitas vezes se diga que são iguais.

Energia renovável é a energia gerada a partir de fontes que são constantemente reabastecidas. Esses recursos de energia renovável não se esgotam, ao contrário dos combustíveis fósseis e do gás. Nela estão incluídas as energias eólica e solar.

Uma maneira fácil de lembrar as diferenças entre esses diferentes tipos de energia é:

Energia limpa = ar limpo
Energia verde = fontes naturais
Energia renovável = fontes recicláveis

Forçando a barra da energia limpa

Assim como já abordado no artigo sobre ESG, a energia limpa que deveria ser algo natural, com a pesquisa e o desenvolvimento de novas fontes de energia, acaba se tornando algo político e usado com outras finalidades. Tenta-se vender a energia limpa como algo mais nobre que os combustíveis fósseis, que estariam “destruindo o planeta”.

A humanidade passou milênios fazendo uso da energia dos animais, tanto para o transporte, quanto para atividades que requeriam força. Apenas no final do século XVII e início do XVIII que o motor a vapor foi desenvolvido e começou a ser utilizado para diversas tarefas, aumentando a produtividade. No século XIX, o uso das locomotivas a vapor deu início à revolução no setor de transportes.

No final deste mesmo século, o trabalho de diversos cientistas culminou com o advento da eletricidade. Esta nova forma de energia gerou um novo boom de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, os estudos em cima do petróleo e de seus derivados contribuiram amplamente para um segunda revolução nos transportes.

Se o século XX foi o século com o maior produção de riqueza da história, isso se deveu ao desenvolvimento das diversas formas de produção, transmissão e armazenamento de energia. Difícil encontrar alguma tecnologia desenvolvida nos últimos 100 anos que não tenha sido dependende disso.

E tudo foi feito na base do desenvolvimento natural. Muita gente pesquisando, fazendo descobertas e aplicando na prática.  Isso é facilmente notado nos motores e combustíveis. Há combustíveis específicos para aviação (gasolina de aviação e querosene), para automóveis (diesel e gasolina) e para navios (diesel). Cada um sendo usado com uma finalidade própria.

Em geral, a evolução tecnológica se dá pela adoção de algo melhor, mais barato e mais eficiente e não por motivos secundários, como tem acontecido agora. Tenta-se empurrar goela abaixo de todos a tal questão de  “carbono neutro até 2 mil e qualquer coisa” ou “não usar combustível fóssil até 2 mil e tanto”.

Ou seja, não se espera o desenvolvimento natural de tecnologias energéticas melhores que as atuais, mas sim força-se uma mudança com base única e exclusivamente na emissão de carbono na atmosfera.

O outro lado da moeda

Os defensores da energia limpa estão 100% focados na emissão de CO2 gerado no momento do consumo da energia, mas se esquecem do que acontece em toda a cadeia envolvida na produção delas.

A primeira coisa é que não existe energia renovável. Todo o maquinário usado na produção de energia precisa ser construído extraindo-se minerais do solo. Milhões de toneladas de materiais primários são extraídos continuamente de minas ao redor do planeta anualmente.

O minério usado para construir máquinas e materiais relacionados à produção de energia limpa requer 10 vezes mais material extraído pela mineração em relação àqueles usados na extração de petróleo para produzir a mesma quantidade de energia. Isso significa que o dano ambiental causado por uma troca completa de fontes de energia (sai=derivados do petróleo, entra=energia limpa) seria monstruoso.

O impacto indireto da energia limpa em alguns números:

  • Um carro elétrico contém mais cobalto que 1.000 bateriais de smartphone
  • Um hélice de usina eólica possui mais plástico que 5 milhões de smartphones
  • Uma planta de energia solar usa mais vidro que 10 milhões de smartphones
  • A produção de uma bateria de carro elétrico requer a extração e processamento de 226 toneladas de minério
  • É necessário petróleo, gás natural e carvão na produção do concreto, aço, plástico e minerais usados na produção de energia limpa
  • A serem atingidos os objetivos atuais, em 2050, a quantidade de painéis solares gastos e inutilizados será o dobro do lixo plástico produzido atualmente

Fica claro que estão vendendo a energia limpa apenas com base no momento do consumo. Não há poluição ou fumaça numa “fazenda” solar ou em um parque eólico. Só esquecem que para chegar ali, houve muita poluição “terceirizada” na cadeia de suprimentos. Não há plástico sem petróleo. Não há ferro sem mineração.

Sem contar o fato de que o número de elementos químicos diferentes usados na fabricação de toda essa estrutura ligada à energia limpa é muito maior e e as minas estão localizadas em diversos pontos do planeta. Existe uma maior complexidade e um alto custo logístico ter acesso a eles.

Materiais magnéticos, por exemplo, são essenciais para a produção de veículos elétricos. Os magnetos usados para rodar os motores elétricos são feitos com materiais raros como neodimium e disprosium. Estes materiais estão geralmente depositados junto com materiais radioativos como o tório. Separar esses materiais requer uma grande quantidade de componentes carcinogênicos como sulfato, amônia e ácido clorídrico. Processar uma tonelada de material raro pode produzir até 2 mil toneladas de rejeito tóxico.

Depender desses materiais também gera um outro tipo de dependência, que é justamente dos países produtores e detentores de reservas. Hoje, a China é responsável por 90% da produção de materiais raros no mundo, além de deter as maiores reservas. Ela pode assim controlar a distribuição e o preço de diversos metais, como já aconteceu antes. Depender da China é algo que nenhum país quer.

Conclusão

Painéis solares e parques eólicos podem parecem muito sustentáveis quando analisados de maneira superficial. Na verdade, existe uma grande produtiva bastante complexa e que gera danos ambientais que muitos preferem esconder.

Nada contra obviamente estes novos tipos de produção de energia. O que não é correto é colocá-las em um pedestral e manchar a imagem dos combustíveis fósseis como sendo os grandes vilões do planeta.

Não deveria ser surpresa para ninguém que quando políticos resolvem inventar um problema e tentam criar uma solução para ele, há uma série de efeitos colaterais que podem ser maiores que o “problema” inicial.

A evolução tecnológica deve seguir o seu caminho natural. Toda nova tecnologia que se mostra melhor acaba sendo adotada, independente da vontade política ou de modinhas de ocasião. Querer inverter essa lógica é que não é de forma alguma sustentável.

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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Este post tem 27 comentários

  1. Graciano

    Boa noite Raphael, para mim tudo isto não passa de invencionices da internacional socialista, exercida pelos “progressistas”. e globalistas.

    1. Olá Graciano,

      Não sei exatamente quem é o responsável, mas é muita forçação de barra.

      Abçs!

  2. Mário

    O problema não está, se é limpa ou não, mais a tecnologia para reciclar todo esse rejeito tecnológico!

    1. Olá Mário,

      Justamente. Pessoal preocupado com fumaça e o CO2, enquanto o problema neste caso é outro.

      Abçs!

  3. Fábio

    Bom dia Rafael,
    Um colega meu que trabalha na petrobras já havia me dito isso. Disse tbm que é impossível produzir apenas energia limpa para abastecer todo o planeta.
    Bela análise a sua. 👏🏻👏🏻👏🏻

    PS.: vc poderia escrever um artigo sobre a crise financeira mundial, a pandemia e essas vacinas duvidosas. Grato.

    1. Olá Fábio,

      Exatamente. Pessoal acha que é simples trocar a matriz energética do mundo, sem saber todos os detalhes e consequências disso.

      De crise financeira eu posso falar, mas pandemia já encheu a paciência.

      Abçs!

  4. marcelo

    Excelente… A massa bovino gadosa não suportaria ler teu artigo… abs

  5. fernando

    Parabéns, excelente artigo!

  6. Mauro

    Parabéns pelo artigo! Realmente, a propaganda em torno da energia limpa muitas vezes não é muito limpa… Você me permite republicar o artigo em meu site https://jornalaw.com.br? Obrigado de qualquer forma!

    1. Olá Mauro,

      Obrigado por comentar.

      Pode sim, mas deixe, por gentileza, um link para o artigo original.

      Abçs!

  7. João Marcos Atique

    Excelente, Raphael! Uma visão mais profunda revela o que faz muita gente torcer o nariz. Sempre a boa e velha política suja. Vejo muita pompa em quem defende energia sustentável, alimentos orgânicos (como se os que sempre consumimos fossem “inorgânicos”), essa tal de onda vegana… parece que a intenção real do coração da pessoa é poder se colocar numa posição de superioridade por não fazer mal pro planeta como todos os outros seres inferiores, sem ele saber que é tão pecador quanto. E é sempre bom lembrar que por trás de um “idiota útil” tem sempre um oportunista lucrando muito. Parabéns pela análise e obrigado por compartilhar.

    1. Olá João Marcos,

      Exato. É muita gente querendo pregar superioridade como “defensor do planeta”, quando na verdade não sabem do que estão falando.

      Abçs!

  8. Anderson Ricardo

    Interessante o enfoque sobre o tema por outro ponto de vista.
    De fato, tem-se que imaginar toda a cadeia produtiva e não apenas a geração de energia versus CO2, isoladamente.
    Por outro lado, não entendi a comparação de hélices e paineis com smartphones. Qual a relação? Para mim, é como comparar um forno de usina termelétrica com um notebook ou uma turbina de hidrelétrica com iPad… São dados que parecem mais confundir do que informar, a meu ver.
    Outro adendo: os paineis solares são passíveis de reciclagem, sim. E o índice de aproveitamento dos materiais de um painel fotovoltaico é superior ao de muitos eletrodomésticos comuns dos que temos em nossas casas hoje em dia.
    Abraço!

    1. Olá Anderson,

      A comparação serve para dar uma dimensão da quantida de materiais usados para a fabricação desses produtos. Smartphone é algo de vida útil curta e que gera muito resíduo, como plástico, metais e vidro.

      Abçs!

  9. Projeto de inovação

    a escrita é morta quando você a credita no que diz falando no telefone, assim pode convencer ou não

  10. Marcus

    Raphael, boa tarde. Interessante o ponto de vista. Mas me permita adicionar mais alguns fatores na equação. Ao meu ver, o que se deveria comparar na questão de “melhor alternativa de geração de energia com relação ao meio ambiente” é o quanto, no tempo de vida útil cada fonte emite de CO2eq. Obviamente que todos estes meios de geração de energia (eólica, fotovoltaica, etc) emitem gases de efeito estufa (GEE), seja na fabricação dos componentes, seja em sua utilização. Mas quanto emitem no total de sua vida útil? Por exemplo, em um processo industrial tem-se uma caldeira com vida útil de 20 anos. Qual fonte emite menos CO2eq para manter a caldeira funcionando por 20 anos: queima de diesel contínua por estes 20 anos ou painéis fotovoltaicos (por exemplo) e todos seus componentes (que emitem grande quantidade de CO2eq em sua fabricação, mas muito pouca ou quase nada em sua utilização durante estes 20 anos)? Ao meu ver, esta é a comparação a ser feita para ver se uma fonte é mais “ambientalmente amigável” em relação a outra.

    1. Olá Marcus,

      Se quiser ir no link que coloquei no início, ele mostra todos os detalhes.

      São 2 trabalhos que mostra, entre outras coisas, o impacto ambiental por quantidade de energia gerada.

      Abçs!

  11. Heron

    Parabéns Raphael, achei o artigo bem interessante, realmente me alertou para coisas que nem imaginava. Entretanto, talvez por ser da área de exatas, senti falta de números comparativos. Com o artigo, não podemos simplesmente concluir que não vale a pena, é preciso analisar com cautela. Pra mim ficou a lição de que a energia limpa não é tão limpa, mas quanto ela ¨suja¨ em relação a matriz atual?

    1. Olá Heron,

      Para ter acesso a informações mais detalhadas e muitos números veja o link no artigo. É um artigo grande e com mais informações.

      Abçs!

  12. Raphael,

    Excelente artigo e comentários.

    A energia limpa acaba não sendo tão limpa ao analisarmos os fatores citados.

    E assim como ocorre com todos os outros produtos, raramente os pontos negativos são mostrados. Mas as consequências existem. E não são poucas.

    Abraços,

  13. Enoch Root

    Falta dizer a fonte. Tenho certeza que os dados estao corretos, ou bem proximos. Mas citar fontes confiaveis melhora o argumento.

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