Ferrari

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Se você não pode ter uma Ferrari, pode ser um dos acionistas

Paixão, arte, desempenho e prazer de dirigir. Você pode escolher os seus próprios adjetivos, mas estes que abrem a apresentação da empresa refletem bem o que ela representa.

A Ferrari N.V. (NYSE:RACE e MIL:RACE) foi criada a partir do “spin off” que a FIAT-Chrysler fez em 2015. E, sim, esse N.V. indica que a companhia foi incorporada na Holanda e não na Itália. Isso tem implicações tributárias que você pode aprender no artigo sobre empresa offshore.

É preciso entender inicialmente que pelo fato da ação ser negociada em Nova Iorque, ela é cotada em Dólar, mas seus resultados são divulgados em Euro.No dia 21 de outubro de 2015 (há praticamente 4 anos) 17.175.000 foram lançadas a 52 dólares cada. De lá para cá, a ação deu essa acelerada do gráfico abaixo:

Ferrari
A ação da Ferrari praticamente triplicou em 4 anos

Existe ainda uma ação cotada em Euro, que foi lançada em 2016 e está listada na Bolsa de Milão.

A história da Ferrari

A Ferrari como empresa independente e de capital aberto é nova, mas sua história completa é bem mais antiga. Fundada na cidade italiana de Maranello, ela produziu seu primeiro veículo em 1947. Era o modelo 125 S, fruto do trabalho incessante do fundador, Enzo Ferrari. Ferrari, que já trabalhava na Alfa Romeo em 1924, fundou a Scuderia Ferrari em 1929 para permitir que seus membros competissem. Depois de trabalhar em diversos modelos de corrida e após o final da Segunda Guerra, ele se mudou de Modena para Maranello, onde começaria a fabricar carros dos sonhos de muitas gerações, seja nas ruas ou nas pistas.

Nas pistas, o sucesso foi imediato, com vitórias na Mille Miglia de 1948 e nas 24 horas de LeMans em 1949. O primeiro título mundial de Fórmula 1 veio em 1951. Nas ruas, os modelos 308 GTB, 308 GT4 e GTS com motores V8 traseiros foram grandes sucessos na década de 70. Na década de 80, ícones como a Ferrari GTO e o último carro criado antes da morte de Enzo em 1988, a inigualável Ferrari F40.

História da Ferrari

História da Ferrari

Todo esse histórico de sucesso torna a Ferrari uma das marcas mais valiosas do mundo. E ter uma marca de luxo admirada em todo o mundo significa vender produtos caros que possuem fila de espera e se esgotam rapidamente. É tudo que o acionista deseja.

A aura da empresa permanece mais forte do que nunca, mesmo sem muito sucesso na Fórmula 1 nos últimos anos. Modelos históricos são vendidos a preços recordes nos leilões, como uma Ferrari 250 GTO de 1962, que foi o carro mais carro já leiloado na história. Quer saber do preço? 1, 2 ou 3 milhões? Mais um pouco. 10, 20 ou 30 milhões? Nada disso, o carro foi arrematado por 48,5 milhões de dólares em 2018!

Aliás, carros antigos também são investimento.

As linhas de negócio

A produção de carros esportivos é a mais importante da empresa e suas vendas correspondem a 74% da receita. Sua linha de produtos é dividida entre Sport, Gran Turismo, Special Series e a mais recente e incrível Icona. Já irei explicar do que se trata.

Os modelos atuais da série Sport são a F8 Tributo, 488 Spider e 812 Superfast (que estampa o artigo). A linha Gran Turismo é composta pela Portofino, GTC4Lusso T e GTC4Lusso. A Special Series possui 2 modelos, a 488 Pista e a 488 Pista Spider. A Icona possui os modelos Monza SP1 e Monza SP2. Existem ainda modelos fora de série e os carros voltados para autódromos.

Para manter a aura de exclusividade, a empresa pretende até 2022 reduzir a participação dos modelos Sport, que hoje são 64% das entregas, para 50% e aumentar a participação dos modelos mais caros e exclusivos, que possuem margens maiores.

Entre 2019 e 2022, ela projeta o lançamento de 15 novos carros de diferentes segmentos, com um mix de produtos com maior preço médio. Além disso, ela pretende ter 60% de carros híbridos plug-in ao final do período. O primeiro modelo, inclusive, chamado SF90 Stradale, que acabou de ser anunciado, combina um V8 com 3 motores elétricos. É a Ferrari mais poderosa construída até hoje (1.000cv) e será entregue a partir de 2020.

Mesmo com aumento das vendas de 7.255 carros por ano em 2014 para 9.251 carros por ano em 2018, a empresa ainda possui uma penetração no mercado de indivíduos chamados Ultra High Net Worth de 0,05%. Isso significa que ainda existem muitos multimilionários que ainda não tem a sua Ferrari.

Agora falando do modelos Monza SP1 e SP2, trata-se de modelos exclusivos com série limitada anunciados em 2018. Foram selecionados 499 clientes entre os mais fiéis da empresa. Se você estivesse na lista, poderia escolher um dos dois modelos, mas não poderia comprar ambos. A diferença é que o SP1 possui 1 lugar e o SP2 possui 2. Os novos Monzas carregam um motor V12 de 810 cavalos de potência e atingem 100 km/h em menos de 3 segundos. O preço? 1,75 milhão de dólares!

O outro segmento da empresa é a tão conhecida Scuderia Ferrari de Fórmula 1. Em 2018, a receita relacionada a patrocínios, comerciais e à marca Ferrari, incluindo merchandising e licenciamentos, atingiu € 506 milhões. O foco principal da Scuderia é mais agregar valor a marca do que efetivamente gerar lucro.

A partir de 2021, haverá limite de orçamento para as equipes de Fórmula 1, que sofrerá ainda uma nova redução em 2023. Por mais que aumentará a competitividade entre as equipes, isso aumentará ainda mais as já excelentes margens da companhia.

Os últimos resultados 

A Ferrari divulgou os resultados do segundo trimestre de 2019 no dia 2 de agosto. Houve melhora em todos os principais números em comparação com o mesmo período de 2018. Mais carros entregues, maior receita, maiores margens, maior lucro por ação, maior fluxo de caixa livre.

Resultado

O mais importante é que a companhia reafirmou o guidance para 2019 no topo da janela. Espera-se que neste ano alcance receita de € 3,5 bilhões, com EBITDA ajustado de € 1,25 bilhão e lucro por ação ajustado entre €3,50 e €3,70.

Além disso, como forma de remunerar o acionista, ela tem distribuído 30% do lucro sob a forma de dividendos e planeja uma recompra de 1,5 bilhão nos próximos 4 anos.

Os objetivos da empresa até 2022 é aumentar a receita para perto de 5 bilhões (3,4 bi em 2018), levar o EBITDA ajustado para 1,2 bilhão (0,825 bi em 2018) e o lucro por ação para 4,70 (3,40 em 2018).

Para atingir esses números, será necessário vender além do que a empresa vende hoje, ou entre 11 e 12 mil carros por ano. Será um desafio e tanto, já que precisará investir muito no desenvolvimento dos híbridos. O capex de 2018 foi de 750 milhões, muito acima dos 350 milhões gastos nos anos anteriores. Além disso, terá que encontrar novos clientes dispostos a gastar 7 dígitos para colocar uma vermelhinha na garagem.

Conclusão

A Ferrari é uma empresa que desde o IPO tem mostrado um crescimento constante, com margens excelentes, sem similares no mercado. As margens bruta e EBITDA são pelo menos o dobro da segunda companhia automobilística mais eficiente, a BMW.

Só que todo esse sucesso fez o preço da ação disparar em bolsa. Hoje ela é negociada a P/L de 29, EV/EBITDA de 24 e P/Vendas de 6,8. Valores correspondentes aos últimos 12 meses.

É uma ação a ser considerada, mas nos preços atuais parece cara demais. É uma marca que deve prevalecer no mercado, mesmo com as mudanças tecnológicas que virão. Ela tem capacidade e tecnologia para desenvolver os sistemas híbrido e elétrico e passar esses custos aos seus fiéis clientes.

Para fazer valer o atual valuation, a companhia terá que entregar resultados perfeitos, que é justamente o que ela vem fazendo há 4 anos. Só que é preciso lembrar que deve-se ter cuidado para aumentar as vendas, sem perder a tão necessária exclusividade. É um desafio que a Ferrari precisará levar na ponta dos dedos.

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Este post tem 2 comentários

  1. Avatar

    excelente artigo.

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