Investimento em ações: o método das caixas

investimento em ações

Veja como organizar o seu investimento de ações para aproveitar oportunidades e não ser pego de surpresa

Para a maioria dos investidores que focam no longo prazo faz mais sentido investir em um portfólio diversificado de ações do que comprar uma única ação, esperando que ela seja a vencedora. Afinal de contas, um portfólio mais amplo distribui seu dinheiro (e seu risco) entre as ações dos diversos setores da economia. O método das caixas nada mais é do que adotar esse modelo em segmentos menores do seu portfólio geral.

Caixas de ações são pequenos portfólios especializados dentro de uma carteira de investimentos, que podem se aproveitar de situações em um setor, segmento ou grupo específico de empresas. Ela reduz o impacto negativo que uma única escolha errada pode causar em sua rentabilidade. Em outras palavras, é uma proteção contra a incerteza.

Uma “caixa” de ações distribui o seu risco em várias ações de um setor, reduzindo assim o impacto que uma única escolha errada terá em sua carteira. É uma opção para investir em indústrias novas, mais arriscadas, desfavorecidas ou que podem se beneficiar com o surgimento de novas tendências.

Este tipo de abordagem é particularmente interessante em indústrias de maior risco, onde as ações possuem maior volatilidade e a incerteza é maior. Vou citar dois exemplos.

O setor de mineração de ouro é bastante volátil e sujeito a múltiplas variáveis. Existe uma série de dificuldades quando se deseja prospectar, extrair e transportar ouro. Tudo depende do sucesso em realizar novas descobertas, da capacidade e facilidade de extração do metal nas minas, da capacidade de evitar problemas estruturais como acidentes, inundações, desmoronamentos e finalmente do preço do metal no mercado.

Outro setor é o de biotecnologia. O desenvolvimento de novos produtos, incluindo medicamentos e vacinas é muito custoso e trabalhoso e o funil para a aprovação e sucesso mercadológico é bastante estreito. A maioria das empresas opera no vermelho e a bifurcação que leva ou a falência ou ao sucesso pode estar mais próxima do que se imagina.

Nestes setores faz mas sentido ter um grupo de ações do que uma ação individual. Uma única escolha errada pode ter um impacto bastante negativo em sua carteira de investimentos. Se a escolha do grupo, setor ou segmento for adequada, uma ou outra ação que não obteve sucesso pode ser facilmente compensada pelo sucesso das outras.

Este tipo de abordagem também é interessante em indústrias que estejam depreciadas e que você imagina que irão se recuperar, como é o caso das empresas aéreas. A não ser que você seja um expert na área e saiba identificar qual empresa é capaz de sair bem da crise, a compra de diversas ações do setor pode fazer mais sentido do que escolher apenas uma.

O uso de ETFs

Uma das maneiras mais simples de usar o método das caixas é comprar ETFs, que nada mais são que um grupo de ações organizadas seguindo determinadas regras.

Os ETFs mais comuns são aqueles amplos que incluem empresas de diversos tamanhos e de diversos setores. Por outro lado, existem ETFs setoriais mais específicos que investem em um número limitado de empresas visando se aproveitar de alguma tendência ou movimento específico do mercado.

No caso das mineradoras de ouro, temos 2 ETFs bastante conhecidos. O VanEck Vectors Gold Miners (NYSE:GDX) investe nas 50 principais mineradoras do mundo, sendo metade delas no Canadá. O VanEck Vectors Junior Gold Miners (NYSE:GDXJ) investe em 79 mineradoras small-caps.

Olha a diferença que o a valorização do ouro fez com o GDX nos últimos 12 meses:

investimento em ações
Performance de GDX (em azul) vs a performance do índice S&P 500 (em vermelho) nos últimos 12 meses.

 

No caso de biotecnologia, existe uma gama de ETFs especializados. O maior deles é o iShares NASDAQ Biotechnology ETF (NASDAQ:IBB), com mais de 8 bilhões de dólares em ativos e que investe em mais de 200 empresas.

Sugiro que leia o artigo Os 7 melhores ETFs de tecnologia e 1 com potencial astronômico para saber mais sobre os ETFs deste setor.

No caso das empresas aéreas, existe o U. S. Global Jets ETF (NYSE:JETS) que investe em mais de 30 empresas do setor, incluindo as brasileiras Azul e Gol.

Investimento em ações: Bottom-Up e Top-Down

A maioria dos investidores de longo prazo prefere adotar uma abordagem que é conhecida como “Bottom-Up” quando o assunto é investimento em ações. Eles compram ações que julgam ser de alta qualidade e esperam que o crescimento delas, mais cedo ou mais tarde, aumente o valor das mesmas. E mesmo que isso aconteça gradualmente, a qualidade da empresa traz uma certa tranquilidade nos momentos mais difíceis.

Por outro lado, traders e especuladores costumam recorrer a uma abordagem “Top-Down” para investir. Eles tentam antecipar uma tendência específica da economia ou de um determinado setor e compram as ações que julgam ser as mais beneficiadas por essa tendência. Mesmo que a acertem, pode ser que não comprem as melhores ações para surfá-la. O método das caixas é particularmente útil neste caso, pois é preciso apenas ter uma visão macro do mercado e não necessariamente entrar a fundo em cada empresa do setor.

Conclusão

O método das caixas ajuda você a investir em grupos de específicos de ações mais arriscadas com diluição do risco e sem a necessidade de se aprofundar no estudo de cada empresa. É particularmente útil para aproveitar novas tendências do mercado ou investir em setores depreciados que devem se recuperar no futuro. O uso de ETFs reduz os custos, a mão de obra e aumenta a diversificação quando se deseja adotar este modelo.

Você já tinha ouvido falar desta técnica? Adota em seus investimentos? Não esqueça de deixar sua opinião nos comentários.

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no google
Google+
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

Posts com maior repercussão