Investindo em Robótica

Robotica

Tire seus investimentos da era dos Flintstones e os traga para a era dos Jetsons

Dando continuidade aos investimentos no setor de tecnologia, hoje falarei sobre robótica.

Tenho percebido muitas pessoas receosas com as empresas de tecnologia. Difícil entender exatamente o por quê. Acredito que seja um pouco por desconhecimento e muito por apego aos setores tradicionais da economia, particularmente aqueles disponíveis para investir na Bovespa.

Vejamos, das 10 maiores empresas da Bolsa brasileira, temos: 4 bancos, 1 petrolífera, 1 mineradora, 1 do setor de bebidas, 1 de telecomunicações, 1 holding ligada a banco e uma operadora de cartões. Ou seja, 60% é do setor financeiro e as demais são da velha economia.

Enquanto isso nos Estados Unidos temos: 3 empresas de internet, 2 de software/hardware, 1 holding diversificada, 1 petrolífera, 1 banco e 1 do setor de consumo. Ou seja, metade do Top 10 está no setor de tecnologia. São os pesos pesados: Apple, Alphabet (Google), Microsoft, Amazon e Facebook. Pra efeito de comparação, hoje o Facebook vale 4,6 Ambevs, a maior empresa brasileira.

Para tirar um pouco desse medo, resolvi ilustrar bastante este artigo com vídeos que mostram o funcionamento das máquinas produzidas por muitas empresas em que você pode investir no exterior.

E os robôs?

A palavra robô foi primeiramente usada pelo escritor tcheco Karel Capek em sua peça de 1921 chamada R.U.R. (Rossum’s Universal Robots). Ela é derivada da palavra de origem eslava “robota”, que significa trabalho.

Além de grandes empresas já estabelecidas neste meio, existem inúmeras startups de robótica espalhadas pelo mundo. E elas receberam investimentos recordes no ano de 2016. Foram 174 negócios fechados no ano.  Desde 2012, os investimentos nestas startups ultrapassaram a marca de U$ 3 bilhões.

É provável que as melhores delas abram capital ou sejam adquiridas por empresas maiores. Em caso de abertura de capital, é muito provável que ela ocorra na Nasdaq, a maior bolsa de tecnologia do mundo.

Você deve saber que muitos robôs já substituem o ser humano em atividades perigosas. Estamos falando das linhas de produção na indústria automobilística, da exploração espacial, de atividades militares e submarinas.

Na nova era dos robôs, eles farão cada vez mais atividades comuns, como por exemplo atender os clientes em quiosques de redes como McDonald’s, KFC e Pizza Hut. Um modelo bastante avançado já está em funcionamento em Shanghai, China. Trata-se do KFC Original+, inaugurado em 2016. O sistema usa a tecnologia da Baidu, empresa que você já conheceu aqui antes:

Como as aplicações da robótica são diversas, também podemos dividir as empresas em alguns segmentos específicos:

No ramo empresarial, estes segmentos são:

Drones (exceto entregas): São empresas que desenvolvem drones para inspeção ou mapeamento de áreas. Podem ser utilizados em indústrias tão diversas como as de petróleo, mineração ou florestal. Veja com seus próprios olhos o que os drones da israelense Airobotics são capaz de fazer, sem nenhuma intervenção humana:

Entregas: Envolve serviços de entrega tanto por via aérea quanto terrestre. São responsáveis pela última fase do processo logístico, que envolve o produto chegando ao destinatário. Agora dê uma olhada em como os drones da Zipline, empresa com sede no Vale do Silício, salvam vidas em Ruanda:

Varejo e armazenamento: São empresas que desenvolvem robôs que ajudam em tarefas profissionais, tanto em galpões de estoque, como em tarefas domésticas e auxílio individual. A indiana GreyOrange tem um robô-garçon que auxilia os funcionários a encontrar aquele produto que você comprou online de forma bem mais rápida:

Indústria Pesada: Aqui estão robôs que atuam na indústria de manufatura. A suíça ABB, as alemãs Kuka e Dürr, além da japonesa Fanuc são companhias que se destacam. Todas têm ações listadas nas bolsas de seus países. Os braços robóticos destas empresas estão presentes nas principais linhas de produção do mundo, montando desde carros, até smartphones, ou mesmo separando maçãs e empilhando queijos. Veja os robôs da Kuka e da Fanuc participando da montagem dos carros da Tesla:

Segurança: Já existem robôs atuando como vigias e fazendo patrulhamento em lojas, shoppings e estacionamentos nos EUA. Não chega a ser o Robocop, mas um dia chega lá. A pioneira neste segmento é a startup americana Knightscope:

Já no ramo de consumidor temos os seguintes segmentos:

Drones de uso pessoal: São aqueles que você pode comprar e usar da maneira como quiser.

Educacional: Em geral são pequenos robôs usados para ensinar crianças a programar ou construir pequenos aparelhos.

Social: São robôs usados para companhias ou auxílio doméstico.  É aqui que você poderá se sentir um Jetson. Já pensou em um robô lhe avisar quando seu filho estiver chegando muito perto da janela? Ou detectar um fogão esquecido ligado? O vídeo abaixo mostra 5 robôs já disponíveis hoje:

No ramo médico temos duas áreas principais:

Cirúrgico: Onde os robôs auxiliam em cirurgias ou mesmo possibilitam que elas sejam feitas à distância. A Intuitive Surgical, cujas ações negociadas na Nasdaq já sobrem 49% este ano, é o principal nome e seu robô, chamado Da Vinci, já realizou mais de 3 milhões de cirurgias:

Biônica: São robôs que podem atuar como exoesqueletos, próteses inteligentes ou em terapias de reabilitação. A Ekso Bionics, tem ações negociadas na Nasdaq e é responsável por exoesqueletos que auxiliam pacientes com dificuldade de locomoção.

Conclusão

O segmento de robótica é um dos mais desenvolvidos do mundo. Já são realidade hoje e as linhas de produção da indústria automobilística não me deixam mentir. No entanto, ainda existe muito no que evoluir, principalmente em relação ao uso doméstico.

Empresas da China, Japão, Estados Unidos e Europa estão na vanguarda dessas tecnologias que irão revolucionar diversas atividades que fazemos hoje.

“Ah, mas eu não sei avaliar quais as melhores empresas desse ramo!”

Seus problemas acabaram! Já existe um ETF que atualmente é composto por 93 empresas do setor. O código do ETF é bem criativo, ROBO. Negociado na Nasdaq, este ETF já sobe 36% nos últimos 12 meses.

Agora que ficou fácil investir neste segmento, basta você dar o primeiro passo e abrir uma conta em uma corretora no exterior agora.

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Este post tem 11 comentários

  1. Avatar

    Tem um livro de Buffet que ele explica porque não investe em empresas de tecnologia. Basicamente pelos altos custos de pesquisa e inovação. Tecnologia é uma corrida sem chegada.

    1. Investidor Internacional

      Olá Beto,

      Exato, Buffet falou isso mesmo, mas eu acho que foi em relação às empresas farmacêuticas. De qualquer forma, vale para os 2 setores.

      Entretanto, ele se arrepende de não ter comprado Amazon e Google.

      “9. Opting Not to Buy Amazon Stock

      In a February 2017 interview with “Squawk Box,” Buffett was asked why he’d never bought stock in Amazon. He regretfully responded that he didn’t have a good answer.

      “Obviously, I should have bought it long ago, because I admired it long ago,” he said. “But I didn’t understand the power of the model as I went along. And the price always seemed to more than reflect the power of the model at that time. So, it’s one I missed big time.”

      Buffett famously shies away from investments he doesn’t understand, which is both good and bad. It’s never wise to back companies blindly, but shying away from the unknown doesn’t make for a savvy investor, either. Instead, it’s best to partner with someone whose strengths differ from yours, so you can complement one other.

      The magnitude of Buffett’s decision not to invest in Amazon will never be known, but consider the potential: Amazon issued an IPO at $18 per share in May 1997. As of April 25, the stock was valued at $907.62 per share — about 50 times its initial purchase price.”

      Abçs!

  2. Avatar

    Caro Investidor Internacional,

    apenas aleguns complementos:

    1) A Kuka foi comprada recentemente pela Midea, empresa chinesa. Houve alguma resistência do governo alemão, mas eles acabaram permitindo a compra.
    2) É interessante que os leitores vejam o conceito de Indústria 4.0. Foi desenvolvimento na Alemanha e integra várias tecnologias na produção industrial, como internet das coisas, robótica, etc. Por isto houve resistência do governo alemão em permitir a compra da Kuka pela Midea.
    3) Tenho o ETF, mas o domiciliado na Irlanda. O ticker é RBOT.L na Interactive Brokers.

    Valeu!

    1. Investidor Internacional

      Olá Afonso,

      Obrigado pelas informações.

      As ações da Kuka continuam sendo negociadas, mas pelo que informa o site de relações com investidores, a Midea já é dona de 94,6% delas.

      Abçs!

  3. Avatar

    Investidor Internacional,

    E o ramo da impressão 3D? E o mega projeto da China chamado a nova rota da seda “new silk road”? Os carros voadores? Não são interessantes?

    Eu tenho ações na Nano Dimensions, empresa também de Israel. Aliás, apesar de ser ateu, eu admiro muito os judeus. Você sabia que apenas o Vale do Sílicio dos EUA é maior do que o parque de startups de Israel?

    Em impressão 3D, eu tenho Nano Dimensions e Graphene 3D Lab (do Canadá). Eu não simpatizo muito com as empresas mais tradicionais do setor, elas não estão inovando muito em um setor em que inovar é fundamental. Da rota da seda, eu tenho COSCO (Chinese Ocean Shipping Company) e a China Railway Group.

    Eu procurei empresas de carros voadores como a AutoMobil e a Terrafugia (existem 10 empresas fabricando carros voadores), mas não encontrei nenhuma listada na bolsa de valores.

    Foi possível investir na Terrafugia através do FundMe em 2014, mas não é mais possível.

    Sobre os drones, você saberia dizer se existe algum drone que seja possível emprestar para alguém que vai viajar para outro país e você mesmo controla-lo atráves do computador em casa?

    1. Investidor Internacional

      Olá Jorge,

      Obrigado pela riqueza de informações.

      Tem tanto ramo interessante que fica difícil falar sobre todos.

      Do que eu pesquisei não encontrei drone que transporta pessoas.

      Abçs!

  4. Avatar

    Caro Rafael, boa tarde!

    Em que pese sua intenção de divulgar as empresas de tecnologia e robótica para nós investidores, seria interessante também a divulgação dos resultados dessas empresas de tecnologia.
    Sobre o receio de se investir em empresas desse setor, já foi falado acima: essas empresas necessitam de muito Capex, e muitos investimentos em P&D, o que prejudica o Fluxo de Caixa Livre da empresa, que é o dinheiro que remunera o acionista. Além disso, há o grande perigo da obsolescência da tecnologia, o que pode fazer com que a empresa perca totalmente seu mercado em caso de não adequação. A P&G, por exemplo, dificilmente perderá seu mercado ou ficará obsoleta, tendo em vista que seus produtos de uso pessoal e básico sempre serão usados pelos consumidores.
    Por fim, ainda não consigo entender sua obsessão por ETF. Acredito que perca totalmente a mágica dos investimentos e da sensação do investidor em se sentir sócio de determinada empresa, e não apenas de um Fundo que reflita um índice.

    Grande abraço.

    1. Investidor Internacional

      Olá OdranoelGeyer,

      Ótimas colocações. Minha intenção de divulgar esse tipo de empresa é justamente para mostrar um setor que está em franco desenvolvimento e que não tem representação alguma no Brasil.

      O investidor brasileiro perdeu o “boom” dos computadores pessoais, do software, dos smartphones, dos tablets, etc. Já está perdendo o do carro elétrico, da automação veicular, da TV online. E vai perder muito mais se investir apenas aqui.

      Hoje, todo mundo tem um smartphone. Apple e Samsung faturaram bilhões para seus acionistas. E o investidor da Bovespa ficou chupando dedo.

      A Netflix vale hoje 68 bilhões de dólares! Sabe por quê? Porque ela foi a responsável e aproveitou o salto da mudança de comportamento do consumidor, que trocou o DVD pelo streaming. São eventos raros, mas sempre que acontecem, os ganhos são fabulosos. O próprio Reed Hastings (fundador da Netflix) participou do podcast do Reid Hoffman (fundador do Linkedin) e eles comentam o seguinte: O homem passou 5 mil usando o cavalo como meio de locomoção. Em apenas 20 anos, no início do século XX, houve a migração para carros. A indústria automobilística faturou horrores!

      Qual a probabilidade desse salto acontecer comprando ações da P&G, da AT&T, da Nestlé ou de alguma empresa brasileira? Nenhuma.

      É até bizarro comparar. O drive de ações de tecnologia é a inovação e geração de valor. O drive das ações brasileiras é a prisão de algum político ou quem tem mais chances de vencer a próxima eleição.

      Quanto aos ETFs, é questão de perfil. Se eu não quero ler balanço de empresa, mas acredito no setor, compro o setor. É bem comum na Europa e Estados Unidos. Leia a página de ETFs que eu fiz, que há bastante coisa a respeito deles.

      Abçs!

  5. Avatar

    A industria robótica é ampla em inúmeros sentidos . Na questão de obsolência em algum momento da utilização das tecnologias robóticas digo que uma das saídas é a industria da readaptação do uso desta tecnologia em diferentes setores de consumo . Exemplo : um braço robótico industrial quando não for mais útil em uma fábrica , ele poderá ser adaptado para um outro uso produtivo – colaborativo em uma outra situação de manipulação . Uma industria para ter alto grau de rentabilidade ela tem que ter alta rotatividade de produção e alto consumo de seus produtos ( demanda ) e grande margem de lucro sobre seu faturamento . Nesta linha de operação as indústrias de tecnologias de consumo direto ( como os apps ) , industrias de alimentos e bebidas são as que ainda puxam a economia da alta produção ( ” Bolsas de Valores ” ) .Claro que o setor bancário aqui no Brasil é um dos que mais lucram por conta de seus juros absurdos e insanos , protegidos por lei do Bacen . Agora fica meu ponto de vista : adiante irá surgir a Industria PNP ( Produção Na Produção ) uma industria adiante da novata Industria 4.0. Nós teremos necessidade dessa industria no futuro .

    Abraços !

  6. Avatar

    Boa noite tenho ene coisa para se fazer como controle de gravidade campo de força mas com sucata construi um robo tem dois metro e trinta de altura so o visual ja causa curiosidade.

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