Investindo na indústria de pagamentos

indústria de pagamentos

Como investir em um dos segmentos mais lucrativos do mercado

Se por um lado os bancos passam por um dos períodos mais desafiadores de todos os tempos, a indústria de pagamentos tem sido um dos segmentos mais dinâmicos em termos de crescimento e inovação.

Ela surgiu da necessidade e conveniência de não ficar carregando muito dinheiro físico para realizar compras. Os cartões de débito e crédito, pioneiros desse mercado, são mais convenientes, seguros, podem ser protegidos contra roubo e os usuários ainda ganham recompensas pelo seu uso.

Além disso, os cartões são muito lucrativos para os bancos por meio da cobrança de taxas e juros de financiamento. Eles facilitam a administração das vendas pelos lojistas e ainda reduzem o risco de calote. É uma alternativa que gera benefícios para todos os lados.

Para entender como a indústria de pagamentos é lucrativa e possui diferenciais competitivos, basta saber que a Berkshire Hathaway de Warren Buffett possui ações das principais empresas do setor, a Visa (V), a Mastercard (MA) e a American Express (AXP), além da processadora de pagamentos brasileira Stone (STNE).

berkshire hathaway

Neste artigo, você irá entender o que o bom velhinho enxergou nesse segmento da economia.

A indústria de pagamentos

Essa indústria é composta por todas as formas de pagamentos existentes no mundo, seja a nível individual ou corporativo. Nela estão incluídos:

  • Dinheiro
  • Cheque
  • Depósito
  • Cartão de crédito
  • Cartão de débito
  • Cartão pré-pago
  • ACH
  • Transferências

O foco aqui será falar das empresas que participam das etapas dos pagamentos realizados sem o uso do dinheiro físico, particularmente daquelas envolvidas nos pagamentos eletrônicos.

A adoção dessas formas de pagamento tem sido enorme. Em 2019, elas movimentaram 4,1 trilhões de dólares no mundo e para 2023 existe a estimativa de que este número alcance 6,7 trilhões. A evolução dos smartphones e do comércio eletrônico tem sido os principais catalizadores.

E por mais que hoje em dia os pagamentos por meio eletrônico possam parecer simples, eles envolvem uma série de empresas, etapas complexas e muita tecnologia.

Cartões de débito e crédito

Mesmo com a infinidade de tecnologias adotadas pelos meios de pagamento atualmente, uma coisa permanece intacta, o uso dos cartões de débito e crédito.

Para entender essa importância, primeiro é preciso aprender como funciona o processo de pagamento por meio de cartão.

Tudo começa quando uma pessoa abre uma conta no banco, deposita dinheiro e o banco emite um cartão para ela. De posse do cartão, o feliz comprador vai até sua loja favorita, escolhe os produtos e passa o cartão na maquininha. O chip e a tarjeta magnética contém todas as informações do dono do cartão. A maquininha da loja coleta essas informações, encripta e envia eletronicamente pela rede. A rede verifica se há fraude e, em seguida, avalia com o emissor do cartão se o comprador tem os recursos necessários. Se tudo estiver ok, a rede avisa ao adquirente que a transação está autorizada. A rede transfere os fundos para a conta da loja e desconta da conta do comprador, ou no caso do crédito, adiciona este pagamento na fatura, que será enviada ao comprador pelo emissor.

Quando o pagamento é feito de forma presencial, com o cartão físico, todo esse processo costuma durar menos de 1 segundo (exceto quando fica processando de forma infinita e o frentista fica fazendo malabarismo para encontrar sinal). No caso de pagamentos eletrônicos via internet, o procedimento é mais demorado, pois envolve uma série de verificações anti-fraude.

O papel de cada empresa

Neste trecho de uma apresentação da Visa, é possível ver que existem empresas responsáveis por cada parte do processo. Elas trabalham em conjunto para que a experiência do comprador e do vendedor sejam a melhor possível.

indústria de pagamentos
Uma visão completa do ecossistema de cartões de débito e crédito
 
À esquerda na imagem temos um comprador (account holder) e à direita temos uma loja (merchant). A indústria de pagamentos é quem conecta esses dois indivíduos.
 
Os emissores (issuers) são as instituições financeiras ou companhias que emitem os cartões. São eles que assumem o risco de crédito do comprador. Essas empresas lucram tanto com taxas, anuidades, quanto com a cobrança de juros nas faturas pagas com atraso. São eles que determinam os limites do cartão e, no caso dos bancos, que conferem se há saldo suficiente para a compra.
 
Exemplos de emissores:
  • Itaú
  • Bradesco
  • Banco do Brasil
  • Citibank
  • Bank of America
  • Chase
  • American Express
  • Lojas Renner
  • Riachuelo
  • Porto Seguro
Os adquirentes (acquirers) são as empresas que fazem o contato com as lojas para que elas aceitem os cartões. São eles que oferecem as maquininhas onde os cartões são passados. O adquirente é responsável por pegar as informações do cartão e repassá-las para a rede em busca de autorização.
 
Exemplos de adquirentes:
  • FIS
  • Chase
  • First Data
  • Bank of America
  • Global Payments
  • Cielo
  • Rede 
  • Stone
  • GetNet
As redes (card networks) são as empresas que estão no centro de tudo. São elas as responsáveis por conectar todos os elementos de uma transação comercial de forma rápida e segura. São responsáveis pela parte mais complexa, que é justamente a autorização dos pagamentos. Elas precisam estar conectadas com bancos e comerciantes de todo o mundo para validar todas as informações e permitir que as transações aconteçam.
 
Exemplos de rede:
  • Visa
  • Mastercard
  • American Express
  • Discovery
  • UnionPay
  • JCB

Como você pôde ver, a American Express e a discovery são as únicas que atuam tanto como rede, quanto como emissora. Elas emitem seu próprios cartões de forma exclusiva, o que amplia as fontes de receita. 

Gateways de pagamento

Com o advento da internet e a explosão do comércio eletrônico, houve o surgimento dos gateways, ou portais de pagamento.
 
Esses portais procuram agregar os diversos serviços de pagamento sob uma mesma marca. Eles guardam os dados do seu cartão de crédito de forma encriptada. Ao realizar a compra em uma loja online, são eles que passam as informações do cartão para autorização na rede. Isso evita que você exponha os dados do seu cartão para todos os lojistas de quem você compra.
 
Exemplos de gateways:
  • Paypal
  • Stripe
  • Wepay
  • 2CheckOut
  • Authorize.Net
  • Payline

O pedágio da indústria de pagamentos

Agora que você já sabe como a indústria funciona e como ela movimenta trilhões de dólares anualmente, é preciso saber também como essas empresas ganham dinheiro.
 
Além daquilo que já foi falado em relação aos emissores, o que essas empresas fazem é cobrar tarifas em cima do valor transacionado. Conforme o dinheiro flui de uma conta bancária a outra, essas empresas “mordem” um pedacinho.
 
O adquirente cobra do lojista para ter a maquinha e paga o emissor do cartão (taxa de intercâmbio) e a rede para autorizar o pagamento. O emissor paga a rede pela intermediação dos pagamentos.
 
Por outro lado, as redes pagam bônus e incentivos para os emissores e adquirentes.
 
pagamentos e incentivos
Fluxo de taxas na indústria de pagamentos
 

Conclusão

A indústria de pagamentos beneficia tanto as economias locais, quanto globais, pois permitem que haja interação comercial por agentes de qualquer parte do mundo. É uma indústria que movimenta trilhões e que cresce dia após dia.
 
Mesmo assim, o dinheiro ainda é hoje responsável por 80% das transações no mundo, chegando a 90% nos países emergentes. Nos Estados Unidos, este número é de 26%. 
 
O advento de novas tecnologias e a expansão dos meios de comunicação digital têm impulsionado o uso dos pagamentos eletrônicos em todas as partes do planeta.  Estima-se que o mercado total de pagamentos consumidor-negócio (C2B) atinja 35 trilhões de dólares e o negócio-negócio (B2B) atinja 122 trilhões em 2022.
 
Nas próximas semanas, falarei sobre algumas empresas que atuam nesse universo e nas quais você também pode investir. Fique ligado!

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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Este post tem 11 comentários

  1. Avatar
    Claudio Felberg

    Parabens!! excelente matéria. Estou ansioso pelo próximo post.

  2. Avatar
    João

    Excelente texto, Raphael.
    Penso que, com o avanço tecnológico, os cartões terão um papel diminuto. Isso a curto e médio prazos. Os smartphones e os seus sucessores, serão os protagonistas.
    Isso não afastará as empresas da cadeia explanada no texto, mas imporá competitividade ainda maior, já que a tecnologia anda a passos largos.
    Em breve, perder um smartphone, será como perder a carteira (se já não é)!
    Abraço

    1. Raphael Monteiro

      Olá João,

      O valor do “cartão” não está no cartão em si. Ele é facilmente substituído. Está no sistema.

      No próximo domingo você vai descobrir mais.

      Abçs!

  3. Avatar
    João

    Sim, me referi ao meio de pagamento e às mudanças tecnológicas que levarão a sua mudança.
    Aguardo o próximo texto sobre o tema.
    Abs!

  4. Avatar
    Eder

    Tudo isso me lembra muito uma velha e conhecida indústria, a indústria  de pagamentos do governo, aquelas maquininhas, as urnas.
    É de conhecimento popular que o mundo nos últimos tempos vem sendo desadministrado por completos idiotas que querem enfiar suas ideologias mal fundamentadas guela abaixo do povo. estamos vivendo hoje a revolução das maquinas onde a economia está passando por cima de tudo e de todos. e claro junto vem a revolução da corrupcao as maquininhas que colocam dinheiro no bolso de politicos ou melhor na cueca. ninguém em Sã conciencia espalharia um vírus pelo mundo sem antes ter a vacina já pronta. primeiro a vacina depois o vírus. ser tolerante aos dezorientados é um previlegio.

  5. Avatar
    Marcelo

    Fala Raphael! Esse sempre foi o meu setor preferido. Inclusive, PayPal, Visa e MA estão trabalhando para o interoperabilidade de criptomoedas.

    Quanto a AXP vejo muitas críticas a ela em virtude de suas taxas mais altas. Entretanto, a resposta foi dada no artigo. Ela também emite os cartões e embute o risco inerente em suas taxas. Além do mais, pelo fato de MA e Visa serem amplamente aceitos, AXP tem muito potencial para crescimento, em que pese os Fundamentos das anteriores serem, de fato, melhores.

    Gosto de todas elas.

  6. Avatar
    Vladimir

    Excelente post

    Voltarei mais vezes para ler

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