Investir para os filhos vale a pena?

investir filhos

Veja as implicações de abrir uma conta de investimentos em nome dos filhos

É quando temos um filho que passamos verdadeiramente a nos preocupar mais com o outro do que com nós mesmos. É natural que queiramos dar o melhor suporte e apoio para que o filho se desenvolva em todos os aspectos possíveis, seja em questão de saúde, social ou educacional.

Uma das ideias mais comuns na cabeça de muitos pais é essa:

Não quero que o meu filho passe pelas mesmas dificuldades que eu passei

Dentro desse contexto de deixar a vida dos filhos mais confortável, muita gente defende a abertura de uma conta bancária ou em corretora em nome do filho para começar a investir. A ideia nobre é a de acumular dinheiro que ajude os filhos em suas despesas no começo de sua vida adulta.

Baseado nisso, o meu objetivo com este artigo é responder à pergunta abaixo.

Será que esta atitude é adequada e trará apenas benefícios para os filhos ou ela tem algum efeito colateral?

investir para os filhos

Conta para os filhos é possível?

Tanto aqui, quanto no exterior é possível abrir conta para menores de idade. Basta os filhos terem os documentos necessários, que a conta pode ser aberta. Claro que para uma conta no exterior, em geral, é necessário o passaporte e no Brasil será preciso tirar o CPF (alguns bancos não exigem, mas as corretoras sim). Os pais, obviamente, serão os responsáveis pela movimentação da conta junto às instituições financeiras.

No Brasil, alguns bancos oferecem além das contas universitárias, as contas voltadas a jovens. No Bradesco, existe a Click Conta e no Banco do Brasil existe a BB Conta Jovem. São contas isentas de tarifas, abertas com menor burocracia, mas não encontrei nada relacionado a investimentos de longo prazo com algum diferencial.

No exterior, é muito comum os bancos oferecerem contas e investimentos específicos para crianças. O mais comum são as savings accounts próprias para crianças. São contas-poupança que não cobram taxa e que rendem mais que as contas de adultos. O motivo é bem simples. Se você está abrindo uma conta para o filho, a tendência é a de que este dinheiro fique por muitos anos aplicado, então como estímulo à fidelização do cliente, os bancos oferecem taxas um pouco melhores.

A questão é que uma savings account não é o melhor lugar para deixar investimentos de longo prazo. Seria necessário algo mais avançado, que permitisse investir também em renda variável.

Querer o melhor para os filhos

Que todo pai pensa (ou deveria pensar) no melhor para os filhos não é novidade e nem surpresa para ninguém. A questão é saber dosar o quanto ajudar os filhos pode passar dos limites e criar uma situação de conforto artificial e temporário que prejudique o desenvolvimento deles como pessoas.

Claro que cada um tem uma realidade, mas o que se observa é uma melhor significativa na qualidade de vida de uma geração para a outra. Isso tem se traduzido em uma vida mais confortável para os jovens e crianças de hoje.

Qual o problema disso? É transmitir a ideia para os filhos de que a vida não tem dificuldades e nem frustrações. Quer um brinquedo? Ganha. Quer uma bicicleta? Ganha. Quer um videogame? Ganha. Quer ir para a Disney? Vai para a Disney. Quer escolher o canal de TV? Não só escolhe, como muitos têm seus próprios eletrônicos.

E como foi a infância da Geração X, que são os pais das crianças e adolescentes de hoje? Quer um brinquedo? Só no Natal. Quer escolher o canal da TV? Aguarde a sua vez (afinal de contas naquela época era uma TV por família).

Termos tido uma vida com mais restrições, apenas nos fez dar mais valor a cada conquista e a respeitarmos mais os pais responsáveis por sustentar a casa.

Se a criança hoje é criada com mais regalias (e aqui obviamente falo da classe média para cima), ela provavelmente só encontrará frustações quando estiver adulta. A diferença entre uma criança frustrada e um adulto frustrado é que a primeira no máximo faz uma cara feia e chora e a segundo entra em depressão e pode até cometer suicídio.

Adicionar o conforto financeiro quando o jovem tiver seus 18 a 20 anos, a meu ver, pode agravar este problema. Já imaginou o destino de uma bolada de dinheiro na mão de um calouro de faculdade que não teve o menor trabalho para consegui-la?

“Ah, mas o dinheiro seria para custear faculdade, cursos ou dar entrada numa casa!”. Bom, se for para pagar estudos, qual a necessidade de estar no nome do filho? Esse dinheiro não poderia estar junto com o dinheiro da família e os próprios pais pagarem a faculdade, o intercâmbio ou o que quer que seja? Quanto a dar entrada numa casa, nem preciso dizer que essa é uma das piores decisões financeiras que alguém pode ter.

Conclusão

Evitar que seus filhos passem pelas mesmas dificuldades que você passou é uma coisa. Evitar que eles passem por qualquer dificuldade é um erro tremendo. É o começo da criação daqueles casos que vemos aos montes de “pai rico, filho nobre, neto pobre”.

A imagem que ilustra o artigo não está aí por acaso. Devemos apoiar e orientar os filhos a andarem de bicicleta, mas não podemos pedalá-la. Da mesma forma com a educação, incluindo a financeira. Devemos ensinar valores, estimular o aprendizado e a dar a eles noções de responsabilidade. A partir daí quem deve pedalar para acumular patrimônio são eles.


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Este post tem 19 comentários

  1. Avatar

    Sem dúvidas II. Nunca concordei com essa história de abrir conta em nome do filho e comprar ativos e deixar nela. Voce nem sabe ainda a que seu filho veio pra este mundo e já vai confiar que ele fará bom uso desse dinheiro? A aposta é alta e os pais provavelmente irão quebrar a cara.Abs

  2. Avatar

    II, perfeita abordagem!

    Ajo da mesma forma com minha filha. Ensinei e continuo ensinando ela o “como”, para que ela sinta o gostinho de cada conquista efetivada. Comentei agora no blog Viver sem Pressa que não passo “dicas”. Passo o caminho a ser seguido e estudado, e somente depois conversamos sobre suas conclusões.

    Mesmo em relação à sucessão, não penso em deixar herança gorda, mas apenas algo equivalente a um imóvel para fornecer um porto seguro. Se bem que, do jeito que ela evolui, acho que nem será mais necessário rsrs.

    Abraço e boa semana!

    1. Raphael Monteiro

      Olá André,

      Obrigado por opinar.

      Existem coisas mais importantes para deixar do que dinheiro.

      Claro que alguma ajuda pontual é válida.

      Quanto à herança, eu já acho que não haveria problema, já que é perigoso queimar patrimônio numa fase avançada da vida e os filhos nessa época já serão adultos formados.

      Abçs!

  3. Avatar

    Concordo com seu ponto de vista. Se a intenção é ajudar o filho no futuro, os pais podem investir por conta própria e utilizar o dinheiro quando necessário.
    Abraço!

  4. Avatar

    Gosto bastante dos seus textos Raphael, mas neste terei que discordar sutilmente.
    É evidente que entregar um patrimônio alto na mão de um adolescente seria uma imprudência enorme, e não acredito que um leitor seu faria isso. O adolescente e posterior jovem adulto tem que ralar sim, sem sombra de dúvidas, e a medida que ele conquista e prospera vai ganhando maturidade. Talvez isso demore até os 30 anos de idade, talvez nunca aconteça. Quem sabe?
    Mas por que não, quando isso aconteça, o seu filho não partir do zero absoluto. A provocação que faço é “por que não?”

    Abs,

    1. Raphael Monteiro

      Olá Felipe,

      Acho que os pais têm mais controle em ajudar com um dinheiro que esteja em suas próprias contas do que em nome do filho.

      Ter dinheiro em nome do filho já indica supostamente que o filho teria liberdade de usá-lo como desejar. E tudo que vem fácil vai fácil.

      Abçs!

  5. Avatar

    De fato eu conheço amigos cujos pais também haviam deixado dinheiro, porém esses amigos tomaram decisões equivocadas e gastaram tudo. Infelizmente, a falta de educação financeira pode acabar com o patrimônio de alguém.

  6. Avatar

    Sempre fiel aos seus artigos, me permito inserir um adendo. As contas para crianças que vc citou do Bradesco e do BB não são mais disponíveis. Ademais, caso abra (sem qualquer dificuldade) em alguma corretora, existe a necessidade de conta em um banco de onde serão enviados os recursos e está deve estar em nome do menor. Neste caso, a única opção viável que encontrei, sem tarifas, e que aceite o menor como titular foi no Banco Inter. Até a próxima, meu caro Raphael! Forte abraço

    1. Raphael Monteiro

      Olá Marcus,

      Realmente não cheguei a ligar no BB e Bradesco para ver se esses modelos de conta estavam ativos. Irei verificar.

      De qualquer forma, não são muito diferentes de uma conta comum.

      Abçs!

  7. Avatar

    Em nossa família temos uma regrinha básica,filhos e netos menores na escola,Avos/Pais e Mamães, no nosso negocio hoje um supermercado, e nao tem moleza pois as criança precisam saber exatamente quantos pês de alface, custa o seu video game.
    e assim preparamos a nossa futura turma de sucessores.

  8. Avatar

    Indo um pouco mas longe,Click Conta/ BB jovem/ ou mesmos Savings Accounts, são Bancos e partimos da premicia que o nosso negocio é para manter nossa família e os poucos funcionários que estão no front conosco..Educação, produtiva e Financeira pra todos..

  9. Avatar

    Legal o texto Raphael, comentando meio atrasado aqui kk.

    Acho que pode ser interessante ensinar investimentos aos filhos, no caso uma ideia que li é, ao dar uma mesada, mostrar pra ele que ele pode guardar metade por ex por mês pra comprar algo legal no final do ano (ou talvez semanada com valor menor).

    Dá ainda para dar recompensa se ele guardar um X quando for menor (simulando um ganho por ter poupado), ou quando adolescente acho que já dá inclusive para ele comprar os papéis próprios de ações ou outros investimentos.

    Mas fazer um investimento para garantir o futuro no nome dos filhos não faz mesmo muito sentido, a chance da pessoa trabalhar muito para isso e os filhos simplesmente gastarem tudo é muito grande, já vi essa história muitas vezes.

    1. Raphael Monteiro

      Olá José,

      Obrigado por comentar.

      Aqui em casa, meu filho receber em moedinhas para guardar no cofrinho.

      Aí quando ele quer alguma coisa, ele pede para a gente, já que não quer gastar o dele. Rsrsrs

      É um longo aprendizado.

      Abçs!

  10. Avatar

    Olá Raphael, conheci o site recentemente e vou te dizer que achei fantástico. Tudo é muito novo para mim e quero aprender para não tomar decisões burras ou precipitadas. No entanto, surgiu uma dúvida, se eu decidir investir no exterior e com isso acumular um patrimônio lá fora, o que acontece se por acaso eu vir a morrer, falecer, bater as botas, comer grama pela raiz e etc? kk

    Esse patrimônio vai para minha família (no Brasil) mesmo o dinheiro estando no exterior ou tem que tomar alguma medida específica para isso?

    Outra dúvida é, pelo que pesquisei, as Stocks, REITs e etc ficam em nome da corretora e não do investidor, eu sei que países como EUA são muito mais seguros que o Brasil, mas até que ponto é confiável deixar seu investimento no nome da instituição e não no seu? O custo para passar para o meu nome é proibitivo? Vale a pena confiar plenamente na instituição?

    No mais é isso. Parabéns pelo site, o conteúdo é muito bom!

    1. Raphael Monteiro

      Olá Q.A,

      A herança passa para os seus herdeiros da mesma forma que seus bens no Brasil. Entretanto, existem regras tributárias no exterior que exigem um certo cuidado. O ideal é manter a futura herança em um país que não a tribute.

      Quanto à questão da segurança, não vejo nenhum problema relacionado a isso. Os custodiantes são os maiores bancos do mundo. Por outro lado, acho adequado que você mantenha seu patrimônio em bancos e corretoras grandes e de reputação.

      Abçs!

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