Mercado Libre

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Veja os números da melhor empresa da Argentina em Bolsa

A Mercado Libre (Mercado Livre no Brasil) é uma empresa argentina fundada em 1999 e que hoje é a maior plataforma de comércio eletrônico e sistema de pagamentos da América Latina. Está presente em 18 países, incluindo Argentina, Brasil (mais importante), México, Colômbia, Chile, Peru e Venezuela (pois é) e oferece toda uma plataforma de tecnologia que permite aos usuários comprarem e venderem uma infinidade de itens.

O lançamento das ADRs da Mercado Libre foi feito na NASDAQ (ticket MELI) em 2007 ao preço de 18 dólares cada. Hoje a ação negocia na casa de 550 dólares, mas chegou a valer mais de 600 antes do caos instaurado pelas primárias eleitorais argentinas, que derrubou o preço da moeda e das ações do país.

Neste artigo, eu irei apresentar a empresa, incluindo seus negócios e números, bem como entender como uma nova crise Argentina pode afetar os resultados e as ações da empresa.

Os números e negócios da empresa

A Mercado Libre, como já dito, é uma plataforma de comércio online e possui inúmeras soluções para que empresas e pessoas possam comprar e vender, enviar e receber produtos e pagamentos.

A empresa vale hoje cerca de 27 bilhões de dólares e suas ADRs possuem um free-float de 91,66%, ou seja, possui uma base acionária bem fragmentada. Com dados atualizados até o segundo trimestre de 2019, apresentou receita de 1,8 bilhões de dólares nos 12 meses anteriores, com EBITDA de 42 milhões no período. No segundo trimestre, a receita foi de 545 milhões de dólares (dividido em Brasil:62%, Argentina:21% e México:12%) e o volume total de pagamentos atingiu 6,5 bilhões de dólares.

mercado libre receita

A companhia divide suas linhas de negócio em: Pagamentos (Mercado Pago), Crédito (Mercado Credito), Marketplace (MercadoLibre) e Logística (Mercado Envios).

O Mercado Pago tem sido o destaque nos últimos trimestres. No 2T19 apresentou um volume total de pagamentos 47% maior em dólar em relação ao 2T18. No mês de junho, inclusive, foi a primeira vez que o volume transacionado fora da plataforma de e-commerce (maquininha de cartão) foi maior do que nela, mostrando que ela pode funcionar e competir numa fatia maior do mercado.

O Mercado Credito também tem crescido fortemente, com alta de 44% em dólar frente ao 2T18.

No site Mercado Libre, o crescimento tem se dado tanto pelo volume total de transações (+33% em moeda local ano a ano), quanto pelo número de produtos listados (+50% ano a ano).

A Mercado Envios também tem apresentado forte crescimento. No México, ganhou 10 pontos percentuais de market share, atingindo 26%. Na Argentina, a participação no mercado atingiu o topo histórico de 62%.

Múltiplos e margens

Mercado Libre é uma empresa de múltiplos altos. Seu indicador Preço/Lucro está projetado em 845 e o Enterprise Value/EBITDA está em 502 para os próximos 12 meses. As margens em geral são baixas. A margem bruta até que é boa, 56%, mas sua margem EBITDA é de 2,3% e a margem  líquida é de 0,87%.

No fechamento de 2018, por exemplo, a companhia apresentou prejuízo de 36 milhões de dólares. Lembrando que as moedas da América Latina têm se desvalorizado frente ao dólar americano.

Competição

A Mercado Libre compete diretamente com outras plataformas de comércio eletrônico, como eBay, Alibaba e Amazon. Dada a grande participação do Brasil em sua receita, também devemos considerar a competição vinda das varejistas brasileiras como Magazine Luiza, B2W e Via Varejo.

O Paypal também deve ser visto como um concorrente de peso no campo de pagamentos online. Já no acirrado mercado de maquininhas, o Mercado Pago compete com Cielo, Rede, Stone, PagSeguro, Safra, etc.

A crise argentina

A Mercado Libre fez algo que todos devemos fazer, diversificar geograficamente. Tudo bem que eles acabaram ficando restritos a América Latina, mas se tivessem ficado apenas na Argentina, o resultado seria catastrófico.

Mesmo com o forte impacto nas receitas vindas da Argentina nos próximos trimestres quando medidas em dólar, é importante notar que uma boa parte das despesas operacionais são feitas localmente em peso argentino.

Outra questão é que a empresa passou 90% de sua história vivendo sob um regime populista de esquerda altamente instável, com períodos de recessão, inflação descontrolada e fortes desvalorizações cambiais.

Neste ponto, temos que tirar o chapéu para a empresa. Atravessou fortes crises no Brasil e na Argentina, além de algumas no México e tem conseguido crescer de forma exponencial por pelo menos 10 anos. Dá até para discutirmos se é uma empresa anti-frágil, que prospera no caos.

Conclusão

A Mercado Libre é o maior site de comércio eletrônico da América Latina. Segundo a E-marketer, em maio de 2018, ela conseguiu o mesmo número de visitantes em seu site que Amazon, B2W, Alibaba e E-bay somados.

É uma posição de liderença, que pode ser ameaçada pela Amazon, que tem feito ofertas agressivas no Brasil. Entretanto, o fator “tempo no mercado” pode ser determinante para a Mercado Libre segurar seu grande número de usuários, que usam a plataforma há anos, ou décadas.

O crescimento excepcional do Mercado Pago também é algo que a Amazon não possui similar. O efeito de rede de possuir usuários em seus diversos serviços é um diferencial importante, que a coloca à frente da concorrência.

Por outro lado, vemos que os múltiplos em que a ADR da empresa é negociada é alto, com uma forte expectativa de crescimento à frente. Visto que o comércio eletrônico é pouco representativo em seus mercados (3% do total) e que se espera que chegue a 10% num futuro próximo, o bolo onde a Mercado Libre detém a maior fatia deve crescer muito. Soma-se ao fato das estratégias atuais da companhias estarem dando certo, existe sim uma boa possibilidade do ritmo de crescimento se manter nos próximos trimestres.

Para finalizar, responda sinceramente na área de comentários: Você achava que havia ação de uma empresa argentina tão interessante antes de conhecer a Mercado Libre?

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Este post tem 10 comentários

  1. Avatar

    Como podemos analisar as empresas digitais em todo mundo tem um crescimento espantoso comparado às lojas físicas.
    Vou apresentar uma grande empresa para ser vista com todo carinho aos investidores

    1. Raphael Monteiro

      Olá Carl,

      Sim, as empresas digitais tem maior capacidade de crescimento que as empresas tradicionais.

      Abçs!

  2. Avatar

    Vc investe na MELI? Em qual plataforma? Achei interessante

    1. Raphael Monteiro

      Olá Vander,

      No momento não, mas é uma empresa a se considerar.

      As ações são negociadas na NASDAQ. Então qualquer corretora que opere Estados Unidos consegue comprar e vender.

      Abçs!

  3. Avatar

    Muito boa a matéria! Realmente não sabia que a ação de uma empresa argentina estivesse nesse patamar. Dificilmente acompanhamos aqui no Brasil o desempenho de empresas argentinas. Claro que a diferença dessa empresa para outras que são argentinas está no mercado em que ela atua, a atuação em vários países o que provavelmente converge seu faturamento para uma moeda forte, e logicamente um papel cotado em bolsa nos EUA.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Campos,

      Apesar dela ser negociada em dólar, ela não tem receita em dólar. O principal mercado é o Brasil. Se você colocar os números da empresa em moeda local (eles divulgam, mas é distorcido pela inflação e desvalorização cambial argentinas) o crescimento é ainda maior.

      Isso mostra muita resiliência por parte da empresa.

      Abçs!

  4. Avatar

    Há no Brasil um crescimento astronômico no comércio digital…..
    Em relação a esse mercado…..ainda.estamos no início do alavanque?? ou já estamos próximo ao pico da estabilidade das transações on line???

    1. Raphael Monteiro

      Olá Luiz,

      O mercado online no Brasil ainda é muito pequeno se comparado com o varejo tradicional.

      Existe muito para crescer.

      Abçs!

  5. Avatar

    O mercado digital só possibilita pagamentos e transferências. A grande desvantagem está na recepção física dos produtos. Por outra, como confiar a 100% sabendo que as técnicas de burla estão cada vez mais afinadas.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Miguel,

      Acho que o principal problema dessas plataformas de vendas é a confiança em quem vende.

      Há muito vendedor picareta e também muito comprador malandro.

      A segurança nas transações é fundamental.

      Abçs!

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