O que move a economia?

O que move a economia

Descubra o segredo por trás do desenvolvimento econômico de uma sociedade

Novamente eu trago para você um artigo escrito pelo professor Per Bylund da universidade de Oklahoma State.

O professor é um dos expoentes atuais da Escola Austríaca de Economia, que foi por onde justamente eu comecei a gostar do assunto. Caso você deseje conhecer também, eu sugiro começar pelo livro “As Seis Lições” de Ludwig Von Mises.

Acredito que a Escola Austríaca consegue explicar fenômenos econômicos complexos de uma maneira que todos entendem. No artigo anterior que publiquei chamado “O que é crescimento econômico?” o professor Bylund deixa isso bem claro.

O que move a economia?

Temos as ideias erradas sobre a economia: tendemos a supor que se trata de engenharia ao invés de empreendedorismo. Isso é fundamentalmente errado. Os economistas geralmente cometem o mesmo erro e, portanto, concentram sua modelagem na coisa errada. Se é sobre engenharia, é sobre eficiência, tecnologia e recursos. Mas não é. É sobre valor.

A eficiência da produção, a tecnologia e os recursos são a primeira preocupação apenas quando as empresas estão competindo de frente, onde todas as empresas produzem bens que são, do ponto de vista dos consumidores, indistinguíveis (pense na gasolina). Mas isso quase nunca ocorre no processo dinâmico de mercado; aplica-se praticamente apenas aos estágios finais do ciclo de vida de uma indústria: maturidade e declínio.

Para esse tipo de competição frontal, na qual as mudanças quase cessaram, o que importa é o custo, para que se possa competir por preços mais baixos. Mas as etapas importantes (e interessantes) do ciclo de vida são o que precede esse tipo de economia de manutenção: a inovação, o empreendedorismo e a novidade que facilitam o novo valor para os consumidores.

Ao focar apenas na manutenção, tendemos a concluir que as pequenas empresas não podem competir com as grandes. Muitas vezes, essa é uma conclusão sustentada por referência a economias de escala ou inovação. Mas ambos são bastante irrelevantes porque se concentram na tecnologia de produção para um bem existente, não no bem que deve ser produzido e no valor que ela oferece aos consumidores.

Economias de escala mantêm o custo médio de produção baixo, mas não nos diz nada sobre o valor da produção. Francamente, quase nunca importa se as grandes empresas existentes podem manter o custo de produção baixo se os empreendedores puderem introduzir novos bens de maior valor.

Os consumidores tomam suas decisões de compra com base no que consideram valioso. Um bem “perde” seu valor anterior, aos olhos dos consumidores, quando novos produtos são introduzidos: carruagens a cavalo após o automóvel, telefones com flip após o iPhone, etc. Qual a utilidade da alta eficiência na produção de carruagens a cavalo ou telefones com flip quando os consumidores escolhem produtos diferentes?

O valor supera o custo, e o novo (e maior) valor substitui o antigo. Se alguém ignora o aspecto do valor e, portanto, o que torna um bem um bem aos olhos dos consumidores, ignora a função e o processo principais da economia de mercado. Afinal, a tecnologia de produção só importa se alguém tiver descoberto como produzir um bem que os consumidores valorizam.

E é uma preocupação secundária: após o valor, o custo deve ser menor que o preço cobrado para obter lucro. Mas um baixo custo não significa nada, a menos que o bem produzido seja de valor (suficiente) para o consumidor.

Ao nos concentrarmos na engenharia de produção, entendemos fundamentalmente mal o mercado. Como resultado, pensamos na capacidade de produção como uma força. Mas uma alta capacidade é mais frequentemente indicativa de uma indústria que pode logo sofrer “disrupção” do que de um “músculo” real.

De fato, as empresas com alta capacidade de produção estão entre as mais vulneráveis: elas investiram quantias enormes em capital específico que exige a continuidade do consumo daquele produto para serem pagas.

Tudo o que é necessário para derrubar uma corporação tão grande é uma inovação com maior valor para atrair clientes, que depois perdem o interesse no bem “mais antigo”.

Também, como resultado, concluímos erroneamente que o processo geral pode ser planejado e até melhorado se centralizado e de cima para baixo. Mas isso se baseia no pressuposto de que o empreendedorismo pode ser excluído e, portanto, assume – e até exige – uma economia estática e estagnada. Caso contrário, não faz sentido se concentrar principalmente no custo de produção por item.

Praticamente tudo o que é importante para entender a economia de mercado é o que precede a concorrência de commodities nos postos de gasolina que encontramos nas indústrias em modo de manutenção ou declínio. É a imaginação dos empreendedores e o desejo de disseminar valor que criar nossos amanhãs; o que ocorre depois da grande eliminação de idéias e tentativas, determinadas pelos consumidores que exercem suas escolhas soberanas de comprar/não comprar, é a ‘economia do modo de manutenção’ que podemos observar e medir – e que podemos modelar. Mas é o resultado do processo real, não o processo em si.

Conclusão

Não adianta sua empresa possuir os melhores engenheiros, o melhor processo, os custos mais baixos e a melhor qualidade se as pessoas não quiserem o produto que ela fabrica. Ao contrário, produtos caros e desejados, mesmo que não perfeitos, tendem a fazer mais sucesso.

No mercado de ações é possível reconhecer isso. A Tesla é hoje a segunda fabricante de automóveis mais valiosa do mundo. Vale quase tanto quanto a Toyota, que vende 24 vezes mais carros e mais que a soma de Ford, General Motors, Honda e Fiat/Chrysler. O que o mercado enxerga é um futuro no qual a Tesla, por ter qualidade e uma tecnologia elétrica superiores, tome o lugar das outras que dependem do veículo com motor a combustão, pois esse será o desejo dos consumidores daqui para frente.

Quando o Facebook começou a receber investimentos de investidores-anjo no início de sua trajetória, a métrica mais importante era o número de usuários da rede social. Como o número crescia assustadoramente, perceberam que as pessoas desejavam participar daquele site, que ele gerava algum tipo de satisfação para elas. Por isso, abriram a carteira para comprar uma fatia da empresa.

Portanto, a geração de valor pelos empreendedores percebida pelos consumidores é o que move a economia.

E pra finalizar a pergunta: As empresas em que você investe geram valor para os consumidores? Os produtos que elas oferecem estão sendo cada vez mais requeridos ou estão sendo deixados de lado em razão de novas preferências? Responda nos comentários.


Leitura complementar: “Economia não é um processo mecânico”

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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Este post tem 6 comentários

  1. Avatar
    A

    Muito legal II, eu gosto muito da Escola Austríaca.

    1. Raphael Monteiro

      Olá A,

      É um conhecimento complexo explicado de uma forma que todo mundo consegue entender.

      Abçs!

  2. Avatar
    Manoel Graciano

    É por isso que você é um economista diferenciado, o seu site é formidável, fiquei surpreso em saber que você é adepto da Escola Austríaca de Economia. Menos Marx e mais Mises.

  3. Avatar
    Cauê

    Realmente a percepção de valor nos ativos é o que garante uma análise mais profunda, fundamentalista, como dizem. Na minha visão, enxergar os fundamentos vai além de olhar fluxo de caixa, balanço de ativos/passivos, ou quantidade em caixa, realmente como diz o texto, conseguir vizualizar bem o valor agregado por estas empresas ao mundo é a verdade análise fundamentalista. Ótimo texto!

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