Os 3 segredos do investimento em dividendos

investimento em dividendos

Conheça os 3 aspectos fundamentais para aumentar o fluxo de dividendos em sua conta

Quem não gosta de receber dividendos? O pinga pinga de dinheiro na conta é uma das coisas mais satisfatórias na vida de um investidor. Com tempo e paciência, o acúmulo e o reinvestimento dos dividendos se tornam uma verdadeira bola de neve com a capacidade de aumentar exponencialmente o seu patrimônio e a sua renda passiva. Por isso, no universo da bolsa de valores, o investimento em dividendos é tão atraente.

Entretanto, é preciso ter uma estratégia adequada que lhe permita investir nas ações onde o fluxo de dividendos irá aumentar. É justamente o que irei mostrar neste artigo. Como descobrir quais empresas estão melhor posicionadas para crescer e distribuir mais dinheiro para você.

“Você sabe qual é a única coisa que me dá prazer? É ver meus dividendos caindo na conta.” – John D. Rockefeller, homem mais rico do mundo à época

Por que o investimento em dividendos é importante?

Nos Estados Unidos, nos últimos 100 anos, os dividendos foram responsáveis por 40% do retorno das ações das grandes companhias americanas. Desta forma, é importante conhecer a dinâmica dos dividendos.

Quando você procura investir para aumentar a sua renda, você deve escolher ações com potencial para se valorizarem e distribuírem mais dividendos no futuro. Portanto, você não deve apenas focar nos dividendos em si, mas optar por uma estratégia de retorno total.

Existem 3 fatores principais a serem analisados ao se escolher essas ações:

  1. Tendência de crescimento
  2. Qualidade financeira
  3. Valuation

As ações devem possuir algumas das características das companhias maravilhosas de Warren Buffett. Entre outros, elas devem possuir bons modelos de negócio, balanços fortes, vendas e lucros crescentes, fluxo de caixa livre positivo e crescente, valuation atraente e histórico de aumento na distribuição de dividendos.

Quando você consegue reunir empresas que preenchem esses critérios, é muito provável que terá ótimos retornos futuros, tanto na valorização das ações, quanto no recebimento de dividendos.

Você quer escolher algo como a Johnson&Johnson (NYSE:JNJ), cuja ação valoriza e os dividendos sempre aumentam …

Johnson & Johnson
Em azul, a evolução do preço da ação da Johnson&Johnson. Em vermelho, a evolução dos dividendos trimestrais.

… e evitar uma GE (NYSE:GE), cuja ação desvaloriza e os dividendos são cortados:

GE
Em azul, a evolução do preço da ação da GE. Em vermelho, a evolução dos dividendos trimestrais.

Pois bem, vamos ver agora em detalhes como avaliar esses 3 critérios fundamentais.

Tendência de crescimento

A tendência de crescimento está relacionada tanto à parte interna da empresa, quanto à parte externa relacionada ao mercado.

Em termos internos, usamos a análise fundamentalista para verificar a evolução de alguns dados do demonstrativo de resultados e balanço.

  • Receita total
  • Lucro líquido
  • Fluxo de caixa
  • Margens
  • Distribuição dos dividendos

Empresas com aumento das vendas, do lucro e do fluxo de caixa, com margens saudáveis e que estão aumentando a distribuição dos dividendos tendem a ver suas ações valorizarem. Não adianta a empresa aumentar as vendas (Top line) se o lucro (Bottom line) ou o fluxo de caixa não aumentarem. Por isso é importante conhecer a lucratividade da empresa, analisando-se as margens operacional, bruta e líquida.

Não custa lembrar que as margens mudam muito de indústria para indústria. Não é possível esperar que uma varejista como Wal-Mart ou Costco tenha as mesmas margens de uma empresa de tecnologia como a Microsoft. A comparação para saber se aquela margem é boa ou ruim deve ser feita com empresas equivalentes. De qualquer forma, a evolução das margens serve para avaliar não só a empresa, como o ambiente competitivo do setor. Um exemplo clássico citado no artigo “O investidor de retrovisor” é o caso da Cielo. Antes da competição ela tinha margens muito robustas e lucrava bastante, depois que a concorrência aumentou, as margens despencaram e levaram o lucro junto.

Além disso, outros dados relacionados à análise de empresas são importantes serem avaliados. Destaco dois: as estimativas de lucro futuro e as surpresas positivas nos resultados passados. Eu falo sobre eles no vídeo sobre os 12 critérios da NASDAQ para analisar uma ação.

Em termos externos, devemos avaliar em qual mercado a empresa está inserida e qual o futuro deste mercado. Sabemos que algumas áreas estão em franco crescimento, como a internet, o comércio eletrônico, smartphones e aplicativos móveis, comunicação sem fio, computação em nuvem, tecnologias em saúde, etc.

Enquanto isso, outras áreas da economia já não são tão boas quanto antigamente, é o caso do setor financeiro, petrolífero e da indústria de tabaco. Altria Group (NYSE:MO), uma gigante do tabaco, com margens robustas e um altíssimo dividend yield, vê a receita crescendo muito pouco nos últimos 10 anos. O resultado no preço da ação é o abaixo:

investimento em dividendos
Evolução do preço da ação da Altria Group

 

Ou seja, não adianta receber os dividendos e ver o preço da ação diminuir, que o resultado total não será bom. Pode ser até que a empresa melhore no futuro, mas o quadro para o setor dela não é muito favorável. Inclusive, em 2019, a proibição dos cigarros a vapor em estados americanos fez a empresa sofrer uma baixa contábil de 4,5 bilhões de dólares.

Qualidade Financeira

Aqui novamente recorremos à análise fundamentalista para entender qual a situação financeira da empresa. Algumas informações relevantes a serem retiradas do demonstrativo de resultados e do balanço:

  • Fluxo de caixa
  • Capacidade de pagamento das dívidas
  • Índice de alavancagem
  • Capacidade de distribuir e aumentar os dividendos
  • Capacidade de recompra de ações

O fluxo de caixa livre é particularmente importante, porque ele reflete o quanto a empresa está retendo do dinheiro gerado pelas vendas. Ele é calculado subtraindo-se da receita o dinheiro gasto para gerá-la (capex). Uma empresa que gasta pouco e gera muita receita possui excelente fluxo de caixa livre.

O fluxo de caixa precisa ser suficiente para manter as operações, distribuir dividendos, recomprar ações e fazer novos investimentos. É, digamos, o coração de uma empresa.

Você não só deve calcular o payout ratio, que é a relação entre o dividendo e o lucro, mas também o FCF payout ratio, que é a relação entre o dividendo e o fluxo de caixa livre. Ou seja, quanto do fluxo de caixa foi distribuído como dividendo. Mantidas as demais condições, uma empresa que possui um FCF payout ratio de 30% tem mais “fôlego” para aumentar os dividendos no futuro do que uma que distribua 90% do fluxo de caixa livre.

Outra questão importante é que uma empresa com situação financeira saudável consegue enfrentar uma crise, onde há queda de receita, fluxo de caixa e lucro, sem reduzir ou cortar os dividendos. 2020 é um show de horrores em se tratando de corte de dividendos, entretanto as empresas mais sólidas não só têm mantido a distribuição, como elevado o dividendo por ação.

No futuro você poderá avaliar se a ação que você deseja investir manteve os dividendos em duas situações catastróficas, a crise financeira de 2008 e a quarentena de 2020.

Valuation

O valuation nada mais é do que entender o preço que você está pagando pelo futuro de uma empresa, incluindo o fluxo de caixa, os lucros e dividendos. Duas métricas são particularmente importantes para otimizar o investimento em dividendos:

  • Índice Preço/Lucro
  • Dividend yield

O índice Preço/Lucro, já bastante conhecido, é a relação entre o preço da ação e o lucro por ação. O dividend yield é a relação entre o dividendo por ação e o preço da ação. O primeiro indica quanto você está pagando pelo lucro atual e o segundo quanto você receberá de dividendos nos próximos 12 meses (ou quanto foi pago nos últimos 12 meses) em relação ao preço atual da ação.

Não se pode avaliar o índice Preço/Lucro como algo isolado. Importante avaliá-lo em relação à média histórica da empresa. Empresas mais longevas principalmente negociam numa faixa de índice P/L máximo e mínimo.

O mesmo acontece com o dividend yield. Não é sempre que uma empresa com alto dividend yield está barata e não é sempre que uma empresa com baixo dividend yield está cara. Geralmente as empresas mais tradicionais e bem estabelecidas negociam numa faixa de yield máximo e mínimo.

Veja o caso da Lockheed Martin (NYSE:LMT):

investimento em dividendos
Gráfico histórico da faixa de yield em que a ação da Lockheed Martin é negociada

 

Veja que historicamente a ação da empresa de aviação americana, que eu mencionei no artigo “10 ações que lucram com guerras”, costuma ser negociada numa faixa de yield que vai de 1,5% a 3,0%. Quando o yield está acima de 3%, a ação é tida como subavaliada.

Importante lembrar que esse tipo de avaliação é mais precisa quando feita em empresas mais consolidadas, como as Aristocratas de dividendos.

Outra comparação que ajuda nesses casos é com os números das demais empresas semelhantes e a média do setor.

Conclusão

O investimento em dividendos atrai a atenção de muitos investidores e o motivo é óbvio: dinheiro caindo na sua conta pelo tempo em que você mantiver a ação. Só que saber identificar quais ações realmente lhe trarão um retorno total maior (ganho de capital e renda) requer avaliar uma série de fatores, que incluem as tendências de crescimento da empresa e do mercado, a qualidade financeira da empresa e a análise de valuation.

Se tiver curiosidade, veja quanto está hoje o preço da ação da Lockheed Martin, que custava em torno de 270 dólares no início de 2019 e, como mostrado no gráfico, estava subavaliada pelo critério do dividend yield.

Não esqueça de comentar se você consegue identificar hoje empresas que preencham todos esses critérios. Elas podem ser a chave para a criação de um fluxo de renda passiva que lhe permita alcançar a tão sonhada liberdade financeira.

Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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Este post tem 12 comentários

  1. Avatar
    paulo almeida silva

    quero investi com ações na bolça americana como faço

  2. Avatar
    A

    Oi II, tudo bem?

    Excelente artigo, como sempre.

    Uma dúvida…eu analiso empresas baseado no método Buffet/Munger. Também pego insights do Peter Lynch, Greenblatt, e do Bill Ackman. Ou seja, olho o modelo de negócio, vantagem competitiva, governança corporativa, skin in the game, margens, lucros, crescimento, receitas, indicadores de rentabilidade, indicadores operacionais, indicadores de endividamento, dividendos e por último o valuation.

    Tenho dúvida sobre um ponto de endividamento e outro de valuation:
    Eu costumo olhar indicadores como Debt/Equity, Debt/EBITDA.
    No caso do Debt/Equity, também depende de setor para setor? Ou podemos determinar um limite aceitáveil tipo “até tal número, está OK”.?

    No que diz respeito ao valuation, eu não sei fazer o DCF. Então eu uso o PL, igual você menciona.
    Eu nunca me baseio apenas em 1 indicador para tomar decisões, sempre olho para o conjunto da obra.
    Levando isso em conta eu queria saber: o fato de eu usar PL em vez de Discounted Cash Flow é muito grave?

    Afinal, nos relatórios das Researchs, sempre acabam falando de valuation por meio de PL (pois deve ser mais simples dos assinantes não-analistas entenderem).

    Abs
    Alexandre.

    1. Raphael Monteiro

      Olá A,

      Obrigado por comentar.

      Não existe uma regra específica sobre o valor ideal para a relação Debt/Equity. Quanto maior ela for, indica uma alta alavancagem. Se a companhia estiver usando essa alavancagem para melhorar os resultados, não há muito problema. É preciso avaliar cada caso individualmente.

      O Fluxo de caixa descontado ofecere uma visão mais completa da empresa em relação ao P/L. É possível usar ambos.

      Abçs!

  3. Avatar
    MAURICIO HIRSZBERG

    Minha corretora, XP Private nos USA, só está interessada em contas acima de US 500.000 e cobra caro a manutenção de contas com saldo menor. Qual corretora Americana confiável e que atende bem clientes brasileiros, pessoa física, voce indicaria?
    Mauricio Hirszberg

    1. Raphael Monteiro

      Olá Maurício,

      Obrigado por comentar.

      Veja a lista de bancos do site. Há várias corretoras para você escolher.

      Só conhecendo bem o seu perfil para poder dizer qual a melhor para você.

      Abçs!

      1. Avatar
        YNVEST

        Avenue (totalmente em português), TD Ameritrade, Schwab( tem atendimento em português via fone)

  4. Avatar
    YNVEST

    NOBL é um bom ETF com as aristocratas e diferente do Brasil, paga dividendos pro cotista. Tá com bom preço depois da pancada de março. Quem pegou tá com uns 30% do low.

    1. Avatar

      Interessante, acho que esse ETF atende a maioria dos requisitos do post, comprando na baixa então 🙂

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