Pai Rico Pai Pobre: 20 anos depois

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Seria o livro de Robert Kiyosaki o mais importante da história das finanças pessoais?

Faz tempo que eu queria falar sobre este livro que foi um divisor de águas para mim e para muitas pessoas que nunca tinham lido nada a respeito de finanças pessoais. “Pai Rico Pai Pobre”, escrito por Robert Kiyosaki, enfatiza justamente isso, a importância da educação financeira na vida das pessoas. O livro é um best-seller consagrado que vendeu dezenas de milhões de cópias em todo o mundo.

O livro conta a história de Kiyosaki e seus “dois pais”. O pai pobre era seu pai biológico e o pai rico era o pai de seu melhor amigo de infância, que lhe passou lições de educação financeira para enriquecer na vida.

A corrida dos ratos

Você está trabalhando para você ou para outros? Muitas pessoas em nossa sociedade estão presas em uma corrida contra si mesmas. Uma corrida na qual eles precisam trabalhar duro constantemente para conseguir pagar as contas e os impostos. Você faz todo o trabalho e seu empregador, o governo e suas contas recebem as recompensas, deixando você com pouco ou nada para desfrutar.

O conselho convencional que todos nós ouvimos é este: “Vá para a escola, estude muito, consiga um bom emprego e tudo ficará bem.” A verdade é que esse conselho é uma indicação clara de como os pobres e a classe média veem a segurança financeira. Os ricos não veem as coisas dessa maneira. Esta não é mais a receita para uma vida livre de dificuldades financeiras. Ter uma boa educação e tirar boas notas não são mais garantia de sucesso.

O dinheiro é uma forma de poder, mas a educação financeira é mais poderosa. Você pode ir para a faculdade, conseguir um bom emprego e nunca ter crescimento financeiro. Uma vez que você está preso na corrida dos ratos, seu chefe, e não você, ficará rico com seu trabalho.

Existe ainda um número grande de pessoas segue o conselho “vá para a escola” tão ao pé da letra que emendam graduações com pós-graduação e um eterno desejo de se agarrar ao meio universitário, que nunca mais saem de lá. Elas podem até não ficar pobres, mas nunca enriquecerão.

Uma prisão invisível

Muitos indivíduos vivem com medo de sua condição financeira. Medo de não pagar suas contas. Medo de ser despedido. O medo de não ter dinheiro suficiente. O medo de recomeçar. Medo de não fazer o que a família e a sociedade esperam deles.

Aí vem a ganância. A maioria das pessoas tem um preço e uma vez que lhes é oferecido um pagamento alto o suficiente, a maioria não consegue resistir à ideia de receber aquele cheque “seguro” no final do mês.

O medo e a ganância fazem com que essas pessoas fiquem presas. Presas no padrão de acordar cedo, correr para o trabalho, estressar-se diariamente e trabalhar duro em algo de que muitas vezes não gosta. Então, depois de um longo mês, elas finalmente recebem seu salário e as contas. Cada segundo, dia, mês, ano, de suas vidas, são executados por um ciclo sem fim de medo e ganância. O medo de perder o emprego e a ganância de receber aquele contracheque, economizando apenas o suficiente para sair de férias de vez em quando e esquecer dessa triste
luta sem fim.

Ofereça a elas mais dinheiro e elas continuarão o ciclo aumentando seus gastos. Esta é a corrida dos ratos. A maioria das pessoas está tão acostumada com a corrida dos ratos que nem pensam mais nisso. Elas nunca questionam e apenas cedem a esse ciclo como algo normal.

Os ratos estão presos na rotina de fazer o que foram condicionados a fazer. Depois de terem ido para a faculdade, estudado e tirado boas notas, agora eles têm um emprego que paga bem. Mas, apesar de terem seguido todos os conselhos convencionais dos professores, da família e da sociedade, eles não experimentam crescimento financeiro.

A ganância domina as emoções e faz com que as pessoas queiram elevar o padrão de vida, por exemplo, comprando uma casa maior ou um carro novo.

Pessoas financeiramente ignorantes permitem que as emoções controlem sua tomada de decisão. O medo de perder dinheiro os impede de investir em ativos ou ações devido ao risco envolvido. A ganância incentiva o gasto de dinheiro para melhorar o estilo de vida. O medo e a ganância impedem as pessoas de se tornarem ricas a longo prazo.

Para sair dessa corrida, você precisa obter conhecimento financeiro. Você tem que entender a diferença entre um ativo e um passivo e comprar ativos em vez de passivos.

Educação financeira é responsabilidade cada um

Você não pode construir riqueza dependendo apenas do talento e de um diploma universitário. O mundo está cheio de pessoas talentosas e pobres. A educação financeira – investimento, títulos, risco, contabilidade, juros compostos, ações e muito mais – é o principal fator que cria o enorme fosso entre ricos e pobres.

Infelizmente, nosso sistema educacional não é configurado para a educação financeira. A falta dela é um problema tanto para os jovens, quanto para os mais velhos. Cabe a você educar-se.

Você pode começar a trabalhar em sua educação financeira a qualquer momento, mas quanto mais cedo, melhor. Invista em você mesmo. É a coisa mais importante. Matricule-se em cursos e leia quantos livros você puder.

Como humanos, geralmente aprendemos melhor pelo exemplo, por isso é crucial que você consiga um mentor. Encontre alguém que já alcançou o que você deseja e peça que lhe ensine.

Você não precisa se demitir enquanto trabalha em sua educação financeira, você pode tirar proveito de seu trabalho e reunir as habilidades essenciais lá, que o servirão em seu próprio negócio quando chegar a hora.

Construção de riqueza requer tomada de riscos

Você precisa começar a fazer as coisas de maneira diferente para mudar sua situação financeira. E saber como lidar com os riscos é a maior mudança que você precisará fazer. Pessoas financeiramente bem-sucedidas assumem riscos. Eles não temem os riscos, ao contrário, desenvolveram uma habilidade fantástica de gerenciar riscos e obter o melhor deles.

Arriscar não é o mesmo que manter o dinheiro no banco, é investir em ações e outros mercados. Isso é mais arriscado do que deixar na poupança ou em um CDB bancário tradicional.

A verdade é que a predisposição para correr riscos é o que distingue os ricos. Enquanto os ricos estão predispostos a correr riscos, os pobres e a classe média tendem a “jogar na segurança”. Eles se agarram a seus empregos com unhas e dentes, porque temem o que pode acontecer com eles se perderem seus salários.

Quando o medo de perder ofusca a emoção de vencer, as pessoas tendem a jogar na segurança ao invés vez de investir em algo com grande potencial. Eles dizem coisas como “eu não quero perder”, mas na realidade perder faz parte do jogo.

O rico foca em suas colunas de ativos, enquanto os outros se concentram em seus salários.

Você nunca pode ganhar sem ter perdido algumas vezes. O fato de você ter perdido não significa que você seja um fracasso. Significa que você encontrou uma situação com a qual pode aprender e crescer.

Se você deseja construir riqueza, precisa estar mais do que disposto a correr riscos.

A jornada para a riqueza é longa e desafiadora

O caminho para construir riqueza é longo e difícil; é fácil se tornar desmotivado quando você encontra um obstáculo. Por exemplo, o preço das ações que você investiu pode colapsar. Você precisa permanecer decidido e motivado mesmo durante os períodos de baixa.

Uma maneira de manter sua motivação é criar uma lista de “querer” e “não querer” para referência. Sua lista pode conter coisas como “eu quero me livrar de minhas dívidas dentro de três anos ” ou “eu não quero acabar na míngua como meus pais.” Essa lista o manterá motivado em face das adversidades.

Gastar dinheiro consigo mesmo antes de pagar suas contas também é outra maneira de
permanece motivado. Isso pode parecer contraintuitivo, mas você descobrirá de quanto dinheiro precisa por mês para atingir seus objetivos. Pagar-se primeiro também cria uma pressão extra que o levará pensar maneiras criativas de ganhar mais dinheiro.

Você também pode ficar motivado lendo sobre a vida de pessoas ricas como Warren Buffett e Elon Musk. O caminho deles até a glória está repleto de desafios.

As diferenças entre ativos e passivos

Um ativo é algo que gera mais dinheiro para você. Embora seja uma responsabilidade, por outro lado, custa dinheiro. Sua casa não é um ativo; ela tem custos como impostos e seguro e não lhe gera renda.

Ativos e passivos

  • O conhecimento que fundamentalmente diferencia os ricos dos pobres e da classe média é que eles compram ativos.
  • Um ativo é algo que gera mais dinheiro para você. Enquanto um passivo custa dinheiro.
  • Ativos podem ser qualquer coisa, desde títulos, fundos, empresas, ações, e qualquer outra coisa que gere renda, valorize tempo e pode ser vendida.
  • Investir em ativos faz seu dinheiro trabalhar para você de forma a gerar renda.
  • Ativos geram mais dinheiro para você, e quando você tem o suficiente ativos para cobrir suas despesas, você pode reinvestir esse dinheiro em ativos adicionais, gerando um efeito de juros compostos.

Infelizmente, a maioria das pessoas categoriza passivos como ativos.  Casas, por exemplo, são considerados ativos para algumas pessoas, quando na realidade são um dos maiores passivos que você pode ter.

Investir em ativos lucrativos é o que vai torná-lo rico e tirá-lo da corrida dos ratos no longo prazo.

Seus negócios são mais importantes que a sua profissão

Uma profissão não é a mesma coisa que um negócio. Sua profissão é o que você faz como seu trabalho diário, que paga suas contas do dia-dia. Uma empresa, por outro lado, é onde você investe dinheiro e tempo para aumentar seus ativos.

É quase impossível construir riqueza apenas com a sua profissão, visto que ela apenas cobre as despesas necessárias, na maioria dos casos. Para criar riqueza, você deve construir um negócio enquanto trabalha em seu emprego.

A profissão de chef é cozinhar. Paga as contas, mas provavelmente não o tornará rico no longo prazo. Agora, se ele investe todo o dinheiro extra que recebe a cada mês na aquisição de imóveis e ativos geradores de renda, está fazendo com que seus negócios cresçam e aumentem sua riqueza.

A sua profissão irá financiar o seu negócio no início. Não abandone seu emprego até que o seu negócio mostre um crescimento sustentável. Nesse ponto, seu ativo, não sua profissão, torna-se sua principal fonte de renda. E isso significa independência financeira.

Conhecimento sobre impostos

Os ricos têm uma compreensão profunda dos impostos e administram-nos de maneira essencialmente diferente da dos pobres e da classe média. Pessoas ricas criam uma empresa (ou pessoa jurídica) em torno de seus ativos. Com isso, eles podem contratar contadores e advogados profissionais, que os ajuda a reduzir impostos e protegê-los de ações judiciais.

Os funcionários ganham, são tributados e tentam viver do que sobrou. Com a orientação adequada, uma empresa ganha, gasta tudo o que pode e é tributada sobre tudo o que sobra.

Você também pode aprender a reduzir seus impostos. É apenas uma questão de se informar sobre as lacunas do sistema. Ao aprender como funciona o sistema tributário, você pode minimizar o quanto é tirado de você.

O principal obstáculo

Depois que as pessoas estudam e se alfabetizam financeiramente, ainda podem enfrentar obstáculos para se tornarem financeiramente independentes. Existem algumas razões pelas quais pessoas financeiramente alfabetizadas ainda não podem desenvolver colunas de ativos abundantes.

A principal diferença entre uma pessoa rica e uma pessoa pobre é como eles administram o medo. Kiyosaki conta que jamais encontrou uma pessoa rica que nunca havia perdido dinheiro, mas encontrou muitas pessoas pobres que nunca perderam um centavo. A lição que fica aqui é clara: enriquecer é sinônimo de aprender a administrar o medo dos riscos.

Todo mundo tem medo de perder dinheiro, mas o medo não é o problema, é como você lida com esse medo que faz a diferença.

Os vencedores são inspirados pelo fracasso, enquanto os perdedores são derrotados por ele. Os vencedores não têm medo de perder. Os vencedores sabem que perder apenas os motivará e inspirará a trabalhar ainda mais arduamente. Os perdedores, por outro lado, nem mesmo tentarão porque não conseguem lidar com o fracasso.

O fracasso inspira vencedores. O fracasso derrota os perdedores.

Conclusão

Respondendo à pergunta do início do artigo, acredito que o livro “Pai Rico Pai Pobre” seja sim o mais importante das finanças pessoais, porque ele toca nos pontos que realmente importa no que tange à diferença entre os ricos e os pobres e a classe média.

Não é questão de nascença ou outra qualidade extraordinária. É apenas saber a diferença entre ativos e passivos e não ter medo de encarar os desafios que a construção de uma coluna de ativos traz. É por isso que existem pessoas de baixa escolaridade que ficaram muito ricas e pessoas cheias de diplomas que sofrem para fechar as contas no final do mês.

Espero que essa diferença tenha ficado clara no artigo e que você possa construir sua coluna de ativos sem medo de fracassar.

PS: Você pode comprar o livro clicando na imagem abaixo:

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Aviso: Declaro que não sou analista de valores mobiliários. As informações discutidas no artigo possuem propósito educacional e refletem única e exclusivamente meus estudos, pesquisas e opiniões. Não devem ser consideradas como recomendação de investimento.

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Este post tem 14 comentários

  1. marcelo

    Oi, boa parte do livro é baseado no Homem Mais Rico da Babilonia… abs

  2. Fábio

    Bom dia Raphael,
    Seus artigos sempre me animam. Ando meio sem esperanças quanto ao futuro (economia). Começo a pensar como o Pai Pobre.
    Grato!

    1. Olá Fábio,

      Pense como o Pai Rico e procure por ideias de negócios. A internet é uma ótima ferramenta para isso.

      Abçs!

  3. Graciano

    Bom dia Raphael, na época do seu lançamento no Brasil, como você disse a uns vinte anos atrás, eu trabalhava em uma Universidade, li este livro e fiquei encantado e apesar de mesmo na época ver que era uma outra realidade entre USA e Brasil, mas economia é economia em qualquer lugar. É um excelente livro, como o outro citado acima O homem mais rico da Babilônia.
    Obrigado, bom dia e boa semana.

  4. Olá, Raphael.

    Esse livro mudou minha vida. Eu tinha um pensamento de pobre. Ainda estou na corrida dos ratos, mas estou investindo o que faturo para obter minha independência financeira.

    Abraços!

  5. antonio

    Este, não é um livro, e sim um pergaminho, da queles bem raros, mas, como diz Robert, disponíveis na boa literatura Econômica,..e não basta só ler ler, entender, e praticar, é o minimo.

  6. antonio

    E. quando li e re li, o cara que se julgava chefe.. ficou. pasmos, e ##¨*))_#@., ao receber minha singela carta de chefe vai a merda, eu to fora. aqui esta minha cartinha de demissão, .. mas vc vai perder seu FGTS, resposta, eu nunca tive, e si quer usei, seu bosta..e hoje ele é supervisor de vendas em uma de minhas lojas…e sabe que vai ter que remar muito para ser chefe..

  7. Raphael,

    Excelente post!

    Sem dúvida, um dos melhores livros que já li.

    Um divisor de águas, pois nos mostra de forma objetiva como as coisas realmente funcionam.

    Apesar do abismo que existe em relação aos negócios nos EUA e no Brasil, é quase impossível não nos identificarmos logo no início, pois sua narrativa mostra muitos exemplos com os quais estamos expostos no cotidiano.

    Boa semana!

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