Portfólio Permanente

Portfolio Permanente

A maneira mais simples e eficiente de montar uma carteira de investimentos à prova de crises

Uma das coisas mais importantes que todo investidor deve saber é como está a diversificação de seus investimentos entre as várias classes de ativos. Muitos investidores simplesmente vão aplicando o dinheiro novo que vai surgindo, sem se atentar para a visão geral da carteira. Há diversos efeitos colaterais que podem surgir disso, seja um excesso de exposição ao risco, seja a concentração em investimentos de baixa rentabilidade, entre outros.

Há décadas, gestores vêm tentando montar portfolios baseados em alocação de ativos que busquem a melhor relação risco-retorno possível. O Portfólio Permanente é um deles.

Harry Bowne, que você já conhece de um artigo anterior sobre segurança nos investimentos, e Terry Coxon introduziram o conceito de Portfolio Permanente em 1981. Esse conceito visa criar uma carteira de investimentos acessível e prática que qualquer investidor comum consiga montar, independentemente do momento do mercado.

Essa estratégia aparentemente simples é baseada em um conceito avançado sobre os ciclos econômicos. Basicamente, ela tenta se aproveitar destas fases e de suas mudanças, que acontecem frequentemente. Isso torna a estratégia uma das poucas preparadas para enfrentar qualquer cenário e sem a necessidade do investidor tentar prever o futuro.

Os autores definiram assim as 4 fases da economia:

  1. Prosperidade
  2. Inflação
  3. Deflação
  4. Recessão

Em qualquer momento a economia estará em uma dessas fases ou transicionando de uma para outra e são nesses momentos que a estratégia entra em ação.

  • Ações tem excelente performance nos períodos de prosperidade. É quando os lucros aumentam e as ações valorizam.
  • Ouro responde bem à inflação e protege da desvalorização da moeda.
  • Títulos do governo (Bonds) se valorizam bem em períodos deflacionários. É geralmente quando o banco central abaixa as taxas de juros e há valorização dos títulos.
  • Dinheiro é adequado para períodos de recessão.

Ciclos EconomicosEm qualquer período da vida, essa estratégia possuirá ativos nas quatro classes acima e não há melhor forma de se conseguir essa alocação na prática que através de ETFs.

Tomando o mercado americano como base, pode-se usar os seguintes ETFs para completar a carteira:

Vanguard Total Stock Market ETF ou o SPDR S&P 500 ETF podem ser usados para a carteira de ações. São fundos bem diversificados, o primeiro buscando alocação em todo o espectro do mercado americano e o segundo orientado para empresas maiores.

Vanguard Extended Duration Treasury ETF pode ser usado para a alocação em títulos de renda fixa. É um fundo que investe somente em títulos do governo americano (treasuries) de longo prazo.

SPDR Gold Shares é quem ocuparia a alocação em ouro. É o ETF com a maior liquidez para se negociar o metal. Apesar do ouro físico ou em cofre serem as formas mais seguras para o investidor de longo prazo, a facilidade de compra e venda dos ETFs torna a gestão da carteira mais simples.

A alocação em dinheiro pode ser mantida em cash na conta da corretora mesmo, ou através de um ETF que invista em títulos do governo americano de curta duração, para tentar ganhar remuneração e não ser muito afetado pelas variações nas taxas de juros. Um exemplo é o iShares 1-3 Year Treasury Bond ETF.

Vamos assumir assim a alocação do Portfólio Permanente:

  • 25% Vanguard Total Stock Market ETF
  • 25% Vanguard Extended Duration Treasury ETF
  • 25% SPDR Gold Shares
  • 25% iShares 1-3 Year Treasury Bond ETF

Outro fator interessante que deve ser observado na relação entre essas classes de ativos é o chamado Beta Negativo. Isso significa que geralmente quando um dos ativos valoriza, outro desvaloriza. Na época de prosperidade e crescimento, as ações valorizam, mas o dinheiro permanece estático ou valoriza pouco (no caso de usar os títulos de curto prazo). Na recessão, acontece o inverso. Já em períodos de alta inflação, acontece a valorização dos metais preciosos. Em consequência disso, o governo aumenta os juros, o que prejudica os títulos de longo prazo, que desvalorizam. No período deflacionário, acontece o oposto, com valorização dos títulos e perda de valor do ouro.

Portfolio PermanenteDesta forma, o segredo da estratégia é pegar o ativo que valorizou mais durante o período (seja ele qual for) e passar para o ativo que mais desvalorizou. Assim, o investor faz aquilo que na teoria é simples, mas que na prática não, que é comprar na baixa e vender na alta.

Essa troca se faz quando a alocação de algum ativo alcança 15 ou 35% da carteira. Quando isso acontece, faz-se o rebalanceamento e todos os ativos voltam a ter 25%.

Na atual conjuntura do mercado americano, vê-se claramente uma alta valorização tanto dos treasuries de longo prazo, quanto das ações. Ao mesmo tempo, os treasuries de curto prazo permanecem estáveis e o ouro está desvalorizado. Então o rebalanceamento natural em um Portfólio Permanente vigente (caso algum dos ativos atinja os limites estabelecidos) seria sair dos treasuries de longo prazo e ações e reequilibrar a alocação em ouro.

Essa forma de associar classes de ativos diferentes e com Beta Negativo faz com que a volatilidade da carteira diminua de maneira importante. Veja no gráfico abaixo o comportamento do Portfólio Permanente em relação às outras classes de ativos de 1972 a 2011:

Portfolio Permanente

Percebeu como a volatilidade de uma carteira bem balanceada é menor do que a dos ativos que a compõem? A curva é mais linear, sem muitos altos e baixos. Esse é o princípio básico da alocação de ativos. Além disso, houve apenas dois anos em que a carteira fechou negativa, em 1981 (-5%) e 2008 (-2%). Uma queda de apenas 2% em um ano como o de 2008 é bastante louvável.

Esse é o tipo de portfólio que funciona por si só. Quando montado não precisa de dinheiro novo. Tudo funciona nos rebalanceamentos e de maneira automática. Não envolve sentimentos ou palpites, nem otimismo ou pessimismo. É pra quem deseja algo com o qual não precisa se preocupar muito e que, como demonstrado, não apresenta perdas significativas em momentos de estresse do mercado. Resumindo, é uma carteira bastante defensiva. Pode não ser a mais rentável, mas está entre as que mais protegerão seus investimentos nos piores momentos.

Caso o investidor prefira ainda mais tranquilidade no manejo deste portfolio, pode chegar nele através de outros produtos que já fazem os rebalanceamentos automaticamente. Um deles é o Global X Permanent ETF (PERM), negociado na NYSE Arca. O outro é este fundo que também tenta seguir os mesmos princípios.

Portfolio Permanente

É possível ainda associar este portfolio com outro. Devido às características de proteção, usa-se o Portfólio Permanente para aquela parte do patrimônio que você não pode perder e a outra parte você pode colocar em investimentos específicos que julgue interessante, sejam eles títulos, ações ou ETFs.

Caso queria saber mais a fundo sobre essa estratégia, sugiro a leitura do livro The Permanent Portfolio – Harry Browne’s Long-Term Investmente Strategy.

Você deve ter notado alguma semelhante deste portfolio com a carteira de estudos do site. Sim, a base de nossa carterira é a alocação de ativos em partes iguais, mas não usamos a mesma estratégia dos ciclos econômicos e o nosso rebalanceamento é anual.

Em breve, entraremos em mais detalhes sobre nossa estratégia de alocação e falaremos mais detalhadamente sobre cada ativo.

 

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Este post tem 12 comentários

    1. Investidor Internacional

      Olá,

      O número de opções e formas de se montar uma carteira de investimentos no exterior é imenso.

      Impossível de replicar no Brasil.

      No futuro, abordaremos diversos outros modelos de portfolios.

      Abçs!

  1. Avatar

    Muito bom post, IInter.

    Achei interessante o portfolio.

    Mas não seria possível substituir metade dos títulos por REIT´s?

    Se considerarmos a idade do investidor, um aumento no percentual de ações não seria bem vindo para os mais jovens?

    Abs,

    Ex Socialista

    1. Investidor Internacional

      Olá,

      Esse portfolio foi baseado em minimizar riscos e aproveitar os momentos de mudança do mercado para rebalancear a carteira.

      Como falei, é possível você montar um segundo portfolio com REITs, ações ou outros ativos à sua escolha em complemento a esse.

      No futuro também serão abordados outros tipos de portfolio, alguns com REITs e outros com mais ações.

      Abçs!

  2. Avatar

    Olá Investidor,

    Valeria a pena fazer esta estratégia operando no Brasil ou as taxas para investidores internacionais a tornariam inviável?

    É possivel aplicar diretamente no Treasury ?

    1. Investidor Internacional

      Olá Juca,

      Acho difícil aplicar esse modelo no Brasil da mesma forma como é nos EUA.

      Aqui em momentos de crise os juros sobem e nos EUA caem.

      Entretanto é possível sim fazer uma divisão de 25% entre cada classe de ativo, só que não valeria a pena ter a alocação em cash devido à inflação. Você pode trocar por FII, por exemplo, mas perde bastante do raciocínio dos rebalanceamentos.

      Abçs!

      1. Avatar

        Sem falar na liquidez!

        A minha pergunta foi se dá pra aplicar nestes mesmos produtos daqui?
        No Treasury, e não no Tesouro Direto, por exemplo..!

        Abraço!

        1. Investidor Internacional

          Olá,

          É possível investir em treasuries com conta em corretora americana sim.

          Em alguns bancos estrangeiros também, mas não sei te dizer a aplicação mínima e nem os custos, pois estes variam de banco para banco.

          Abçs!

  3. Avatar

    Oi, II,

    Ótimo post! Um dos melhores no meu caso!

    FIquei com uma dúvida quanto ao rebalanceamento da carteira: existe algum método de precificação do preço de compra no momento do rebalanceamento? Se sim, qual seria o comparativo para ver se está caro ou barato? Se não, essa ausência de precificação poderia ser uma preocupação?

    Abraços!

    1. Investidor Internacional

      Olá Tha,

      Não. O próprio rebalanceamento faz isso automático. Compra o que estiver “barato” e vende o que estiver valorizado.

      Por serem ativos com beta negativo, ele procura aproveitar os ciclos de cada um comprando aquele que estiver mais em baixa.

      Abçs!

  4. Avatar

    Ola, excelente blog, Estou montando uma carteira internacional e estou inclinado para ETF`s baseado na Irlanda e que sejam acumuladores. Seria 55% IWDA / 25% EIMI / 10% Bond ETF / 10% Reit ETF. Para a parte de Bond voce conhece algum com a funcao do nosso Tesouro SELIC ou seja pos fixado e outro equivalente ao nosso tesouro IPCA +? E uma ETF de Reit que nao distribua dividendos para evitar a tributacao ou algum que a tributacao seja menor. Acredio que o LQDA possa desempenhar a funcao do IPCA + sendo quase que um ETF de debentures.. Nao achei um equivalente ao Tesouro SELIC para fazer o rebalanceamento em periodos de bear.
    Abracos

    1. Investidor Internacional

      Olá Ricardo,

      É muito difícil encontrar títulos pós-fixados no exterior. A maioria é pré. O que dá pra fazer é comprar um ETF com Hedge nas taxas de juros, assim se os juros subirem, ele protege.

      Existem alguns ETFs de renda fixa com títulos indexados à inflação. Nos EUA se chamam TIPS.

      ETF de REIT sem distribuição de dividendo eu não conheço.

      Abçs!

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