Quem tem conta no exterior não perde nenhum bull market

bull market

Por que investir no exterior se a Bolsa brasileira é bastante promissora?

Vez ou outra eu me deparo com essa pergunta. Muita gente animada com o Bull Market recente da bolsa brasileira, desdenhando da necessidade de se manter conta e investimentos em moeda forte em outros países.

Antes de responder, precisamos colocar as coisas na perspectiva correta. O mercado norte-americano está em seu período de alta mais longo, que já chega a 10 anos e os últimos dados mostram que é provável que está longevidade permaneça por mais algum tempo. O mercado brasileiro se recuperou da crise de 2008, mas logo depois foi ladeira abaixo. O fundo do poço foi atingido no início de 2016 e nestes últimos 3 anos, só fez subir.

Vamos comparar o mercado americano com o mercado de ações brasileiro apenas em 2019:

bull market
MSCI Brasil (em azul) vs S&P 500 (em laranja)

O EWZ segue o índice MSCI Brazil, que é relativamente parecido com o Ibovespa. Em 2019, mesmo com toda a empolgação por aqui, o Brasil ficou bem atrás dos americanos.

Por outro lado, dá a impressão que muitas ações relativamente desconhecidas negociadas na B3 apresentaram uma forte valorização no ano. Estamos falando das Small-caps. Vamos ver qual foi a performance do MSCI Brazil Small-caps, o EWZS:

bull market
MSCI Brasil Small-cap (em azul) vs S&P 500 (em laranja)

Mesmo com muitas Small-caps subindo mais de 100% até aqui, o índice de Small-caps apresentou um desempenho apenas 1% maior que o S&P 500, que é composto apenas por grandes empresas. E veja que a volatilidade das Small-caps brasileiras foi muito maior. Lembrando que aqui estamos medindo o desempenho em dólar.

Não dá para negar que todos tiveram excelente desempenho, mas não chegam perto do mercado número 1 do mundo em 2019. Sabe qual é? É o da Rússia, que subiu mais de 33% no ano até aqui:

bull market russia
MSCI Rússia (em azul) vs S&P 500 (em laranja)

“Ah, mas como investir na Rússia?” Da mesma forma que você investiria no Brasil. Com uma conta em corretora que negocie nas bolsas dos Estados Unidos, você pode comprar ETFs de cada país.

O EWZ é o ETF de ações brasileiras negociadas na Bolsa de Nova Iorque. O EWZS é o ETF de Small-caps brasileiras negociado na NASDAQ. ERUS é o ETF que segue o índice MSCI Rússia e é negociado na Bolsa de Nova Iorque.

A iShares, que é um das maiores administradoras de ETFs do mundo possui 20 ETFs que englobam ações de países desenvolvidos fora dos Estados Unidos e 21 ETFs de mercados emergentes. Todos esses ETFs são negociados nas bolsas americanas. Você pode aproveitar o Bull Market em qualquer desses países.

O mais interessante é que você consegue simplesmente “entrar” em um país e “sair” dele de forma quase imediata. Imagine que você tenha investimentos no Brasil e detecte que aqui a situação está começando a piorar. Você precisaria vender suas ações, esperar dois dias, depois trazer o dinheiro para a conta bancária e só depois solicitar uma operação de câmbio para remessa internacional. Se você estivesse investindo por meio dos Estados Unidos, uma simples ordem de venda converteria seus papéis brasileiros em dólar na mesma hora.

Não é só isso. Você também ao vislumbrar uma queda do mercado de ações brasileiro pode comprar um ETF que opere vendido em bolsa brasileira. O BZQ, ou ProShares UltraShort MSCI Brazil Capped não só ganha com a queda das ações do Brasil, como também alavanca esta variação em 2x. Você pode lucrar também em um Bear Market.

Não gosta de ETFs?

Caso você não goste de ETFs, você também pode negociar as ações estrangeiras negociadas nos Estados Unidos sob a forma de ADRs ou American Depositary Receipts.

Quer saber quais ações brasileiras são negociadas sob a forma de ADRs nos Estados Unidos?

EmpresaTickerBolsa
AMBEVABEVNYSE
AzulAZULNYSE
Banco BradescoBBDNYSE
Banco BradescoBBDONYSE
Banco Santander BrasilBSBRNYSE
BrasilAgroLNDNYSE
BraskemBAKNYSE
BRFBRFSNYSE
Centrais Eletricas BrasileirasEBRNYSE
Companhia Paranaense de Energia - COPELELPNYSE
Companhia Brasileira de Distribuição - Pão de AçúcarCBDNYSE
Companhia Energetica de Minas Gerais - CEMIGCIGNYSE
Companhia Siderurgica Nacional - CSNSIDNYSE
CPFL EnergiaCPLNYSE
EmbraerERJNYSE
Fibria CeluloseFBRNYSE
GafisaGFANYSE
GerdauGGBNYSE
Gol LinhasGOLNYSE
Itau UnibancoITUBNYSE
OiOIBRNYSE
Petroleo Brasileiro - PetrobrasPBRNYSE
SABESPSBSNYSE
Suzano Papel e CeluloseSUZNYSE
Telefonica BrasilVIVNYSE
TIM ParticipaçõesTSUNYSE
UltraparUGPNYSE
ValeVALENYSE

Ainda existem muitas outras que são negociadas no mercado OTC. O mercado OTC ou Over-the-conter é aquele que feito diretamente entre duas partes sem a intermediação de uma bolsa. É um mercado com menos transparência que o mercado de bolsa, mas que possui bastante volume de negociação. Muitas outras ações de empresas brasileiras, como Usiminas, Via Varejo e RaiaDrogasil negociam no mercado OTC americano.

Não são apenas ações brasileiras que são negociadas como ADRs nos Estados Unidos. Ações de muitos outros países também são negociadas lá. Existem 14 ações japonesas negociando na NYSE e NASDAQ e outras 330 no mercado OTC. 9 empresas alemãs negociam nas bolsas americanas e outras 110 no mercado OTC. E ações chinesas então? São 125 ações em bolsas e outras 190 no mercado OTC.

No site Top Foreign Stocks você encontra muitas outras ADRs dos mais diversos países.

Corretoras com acesso a múltiplos mercados

Isso que foi falado é o que você consegue apenas com acesso ao mercado dos Estados Unidos. Caso você opte por corretoras que dão acesso a múltiplos mercados, como Saxo Bank, Interactive Brokers e Euro Pacific Bank, você poderá investir diretamente nas bolsas de diversos países e em moeda local. Você pode comprar ações da Nestlé em Franco Suíço, da Toyota em Iene, da BASF em Euro e assim por diante. As alternativas de investimento se multiplicam em diversas vezes.

Conclusão

Ter conta em corretoras internacionais não significa que você não pode ou não deve investir no Brasil, mas sim que você pode investir inclusive no Brasil. Não custa lembrar que quem era acionista da Petrobras via ADR nos Estados Unidos foi indenizado pelos prejuízos causados pela corrupção da empresa. Já quem investia em Petrobras aqui no Brasil teve que engolir o prejuízo.

Não custa lembrar que empresas brasileiras, como PagSeguro, Stone e agora a XP Investimentos estão fazendo IPOs nos Estados Unidos. Quem quiser investir nessas empresas precisa ter acesso ao mercado americano e não ao brasileiro. A Alibaba foi outra empresa que preferiu listar ações na Bolsa de Nova Iorque e não na China. Somente duas semanas atrás que a gigante do e-commerce lançou ações na Bolsa de Hong Kong.

Portanto, o número de oportunidades que você terá com uma conta internacional será muito maior do que você tem hoje com uma conta no Brasil, mesmo que isso signifique investir aqui mesmo.

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Este post tem 18 comentários

  1. Avatar

    Excelente artigo, Raphael.
    Mas em relação aos impostos ? Tem alguns juros sobre capitais próprios e dividendos de ações brasileiros que são pagos aos acionistas no Brasil sem incidência de imposto de renda, enquanto que aos acionistas via bolsa americana incide os 30% de imposto. É isso mesmo ?
    Agradeço se puder me esclarecer…
    Abraço.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Luis Gustavo,

      Da página da Ambev:
      Taxation
      Any cash dividends paid to ADR holders on behalf of Ambev will be paid in U.S. dollars and are generally taxable, just like dividends on U.S. shares. Further, cash dividends paid by Ambev are exempt from withholding tax and interest on own capital paid by Ambev are subject to 15% withholding tax under Brazilian law.

      São taxados da mesma forma que no Brasil. Zero nos dividendos e 15% nos juros sobre capital próprio.

      Abçs!

      1. Avatar

        II, o que seriam esses 15% de juros sobre capital próprio?

        Isso existe para ações dos EUA tipo APPL, MSFT, etc?
        Eu pensei que se o brasileiro tem ações no exterior, ele precisa declarar no carnê leão os dividendos mas não há imposto a pagar visto que nos EUA Já tem imposto de 30%.
        O que seriam esses 15% de capital proprio?

        1. Raphael Monteiro

          Olá Alexandre,

          São os mesmos 15% do juros sobre capital próprio que pagamos no Brasil. Não tem diferença com relação ao Brasil.

          Abçs!

          1. Avatar

            Ótimo post, Raphael!

            Seria possível, num próximo, esclarecer sobre a forma de declaração ao IRS para tais investimentos? Também seria interessante abordar sobre o preenchimento de formulários próprios para ingressar na bolsa americana. Sei que a Avenue já faz isso ao cliente, mas não sei a Ameritrade oi a Charles Schwab o fazem.

            Obrigado!

            1. Raphael Monteiro

              Olá Ariel,

              Você não precisa declarar nada para a IRS. Só preencher o formulário W-8 BEN e mostrar que não é residente de lá.

              O processo de abertura de conta é muito parecido em todas as corretoras.

              Abçs!

  2. Avatar

    Olá!

    É muito interessante o que essas corretoras fazem com esses ETFs, gostaria que tivesse uma corretora “internacional” aqui no Brasil.

    Abraços

    1. Raphael Monteiro

      Olá Bilionário do Zero,

      Não haver corretoras assim no Brasil não é para ser um obstáculo. Abrir conta no exterior é fácil.

      Abçs!

  3. Avatar

    Olá II,

    Esse artigo chegou na hora certa pois eu estou com uma dúvida. Eu tenho algumas ações nos EUA que eu já estou com um lucro bem bom.

    Estava na dúvida se fazia sentido aproveitar o dólar alto para vender um pouco (Não tudo, obviamente) para realocar em algumas empresas boas aqui no Brasil que estão com ótimas perspectivas para os próximos anos.

    Outra dúvida. Eu tenho dinheiro em caixa na minha corretora dos EUA. O que seria um equivalente de Tesouro Selic, nos EUA, que valeria a pena eu colocar? Para pelo menos não ficar parado. Algo com liquidez alta e resgate fácil.

    Att,
    Alexandre.

    1. Raphael Monteiro

      Olá Alexandre,

      Caso queira vender as ações americanas e comprar as brasileiras, não precisa nem mandar para o Brasil, compre lá mesmo. A não ser que seja alguma que não é negociada lá.

      O mais próximo que se aproxima do investimento em Tesouro Selic é o Money Market.

      Abçs!

  4. Avatar

    Olá Rafael,
    Não se pode esquecer que quando você investe no exterior existe a dupla tributação em caso de herança
    Fui alertado por um contador nos seguintes termos: As a non-citizen or resident of the US, upon your death your Estate would pay Estate tax in the US on the value at time of death of any property situated in the US. In the case of a non-citizen or resident the $5.45m exclusion does not apply, your exclusion is only $60,000. Property situated in the US does not include cash in banks, but it does included money market funds and investments in stocks and bonds, as well as real estate.
    Quando se investe todos os riscos devem ser considerados, inclusive a morte.
    Abçs!

    1. Raphael Monteiro

      Olá Roberto,

      Isso acontece se você tiver investido como pessoa física nos EUA.

      Com um bom planejamento você contorna isso facilmente.

      Abçs!

  5. Avatar

    Esta questão de herança levantada pelo Raphael Monteiro também me impede de aportar recursos familiares no exterior. Complicado para familiares e encarece bastante um inventário nos EUA.
    O QUE seria este Bom Planejamento na prática que poderia contornar os problemas???

    1. Avatar

      Nei,

      isso se contorna investindo em etf’s situados na irlanda, através da interactive por exemplo.

  6. Avatar

    Poderia dizer um pouco mais sobre estes ETF situadas na Irlanda e abertura de conta na Interative?

  7. Avatar

    Agora nego mandar dinheiro para fora e investir em ETFs e empress brasileiras é o cúmulo da tupiquiniquisse né !!

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