A teoria das bandeiras

teoria das bandeiras

Veja a estratégia mais completa para alcançar a liberdade suprema

Este artigo é uma continuação da trilogia.

O primeiro artigo é este: Um interminável filme de terror

O segundo artigo é este: Construa seu próprio império

“Se você quiser um retrato do futuro, imagine uma bota pisando numa cabeça humana – para sempre.” – George Orwell, 1984

Introdução

Por milhares de anos, as pessoas no poder conseguiram convencer o povo a dar seu dinheiro e até suas vidas por valores supostamente mais altos. Aqueles que tomam consciência do golpe são rotulados como causadores de problemas e, dependendo do tempo e das circunstâncias, serão marginalizados, presos, torturados ou mortos.

O homem e a mulher sábios sempre olham atentamente quando solicitados a dedicar seu tempo, dinheiro ou mesmo reconhecimento e apoio a qualquer causa, país, governante, imperador, guru religioso ou carismático, nação, grupo, fé, sociedade, clube e especialmente à sociedade.

A ameaça de pessoas agindo de acordo com seus próprios interesses iluminados e racionais confronta burocratas, políticos, assistentes sociais e muitos membros religiosos oficiais e são por eles consideradas perigosas. Geralmente, com grande sucesso, tentam convencer todos a acreditar que sacrifício pessoal, altruísmo, serviço e subordinação ao grupo são as únicas maneiras virtuosas e respeitáveis ​​de viver.

Individualidade e a possibilidade das pessoas nem sempre aceitarem as pronúncias de autoridade são rotuladas de anarquia e são fortemente desencorajadas. A rejeição dos valores do grupo é causa para as punições mais severas.

Essa condição fez com que, através dos tempos, todo grupo ou sociedade organizada tenha
metodicamente suprimido e destruído seus pensadores mais originais e talentosos, apenas porque eles eram diferentes. Os valentões, lunáticos e fanáticos que frequentemente alcançam posições de poder e liderança não encontram escassez de subordinados dispostos a travar guerras, perseguir aqueles com pontos de vista impopulares e geralmente fazem deste mundo um lugar perigoso e sem liberdade para viver.

Onde você gostaria de viver? Com quem você quer morar? Você prefere estar entre pessoas que respeitam sua individualidade? Pessoas que não tentam mudar você? Pessoas que não tentam forçá-lo a ter uma moralidade ou estilo de vida desconfortáveis? Pessoas que não esperam uma conduta de você que vá contra seus próprios interesses?

A grande maioria das pessoas no mundo são seguidores, meras ovelhas sem particular desejo pela liberdade, nem qualquer desejo de pensar por si ou de prover a si mesmos. Elas querem ter líderes, gurus e saber exatamente o que fazer e como pensar. A maioria quer que alguém cuide dela, tome decisões por ela e ter a segurança de pertencer a um grupo, país, igreja, clube que a protegerá. A maioria das pessoas têm baixos níveis de autoconfiança e um grande respeito pela autoridade. Elas foram enganadas.

Se eu acabei de descrever você, você não tem potencial para “PT”. Você acredita que se sacrificar
é a única maneira de viver. Você não tem muito senso de identidade pessoal, nem nenhuma
confiança em sua própria capacidade de assumir o controle da sua vida e conquistar algo importante. Você não quer a liberdade de tomar suas próprias decisões, de ir e vir como desejar. Você provavelmente se sente incomodado e ameaçado de que alguém possa pensar diferente de você, porque como parte de sua filosofia você não respeita o direito de outras pessoas marcharem em outro ritmo. Você tem certeza de que sua religião é a única crença verdadeira. No fundo, você sabe que apenas a sua pele é da cor certa. Você tem certeza de que a sua moralidade está onde está e apenas pelo seu país é que vale a pena lutar. Além disso, você acha que todos deveriam pagar sua parte justa de impostos, mesmo que doa. Afinal, estamos na Terra para ajudar nosso próximo e temos que fazê-lo como um grupo.

Se os sentimentos acima se encaixam no seu sistema de crenças, não se preocupe com a filosofia “PT”. Este relatório não é para você! Se, no entanto, você duvida da sua capacidade de seguir cegamente … continue a ler!

O que é PT?

Esse trecho acima é a introdução do livro “PT” que eu li em 2013 e me abriu os olhos para uma gama muito maior de possiblidades que existem para se levar uma vida e que pouquíssimas pessoas no mundo têm conhecimento.

PT pode adquirir qualquer significado como Perpetual Traveler (Viajante Permanente), Permanente Tourist (Turista Permanente), People of Talent (Pessoas de Talento) e Previous Taxpayer (Ex-pagador de impostos). Talvez você possa ter cruzado com o termo “nômade digital” em algum lugar, mas não necessariamente esses nômades possam estar aplicando todas as bandeiras que buscam alcançar a liberdade suprema.

A ideia por traz dessa estratégia é basicamente você não se apegar a apenas um país. Acredito que neste momento a imensa maioria dos leitores deste artigo moram, vivem, trabalham, possuem cidadania e mantêm o patrimônio todo dentro do mesmo país. Estou errado?

Pode soar natural, mas na verdade não precisa ser assim para todo mundo. Como eu já falei em alguns artigos, a maioria das pessoas apenas repetem o que os pais fizeram ou o que os colegas têm feito. Quando surge alguma coisa diferente, as pessoas têm medo. Não tenho dúvida de que tenha gente lendo este site desde quando o dólar valia R$ 2,25 e mesmo assim não abriu uma conta no exterior, ou porque tem medo ou porque não vê os mais próximos fazendo.

PT é uma estratégia voltada para indivíduos que buscam a soberania individual. O indivíduo PT não precisa ficar pulando de país em país. Ele apenas precisa organizar sua papelada de modo que todos os governos o considerem um turista. Um turista que visita o Brasil precisa se alistar no serviço militar daqui? Não. Um turista que visita os Estados Unidos precisa pagar imposto de renda lá? Não. O indivíduo PT atua legalmente, mas fora das regras usuais. Quanto mais repressor for o país em que você mora, maior será a liberdade alcançada pela estratégia PT.

Praticamente qualquer lugar do mundo pode ser um bom destino para um PT, desde que NÃO seja seu local de partida.

A teoria das bandeiras

A teoria original das bandeiras, criada na década de 50 envolvia 3 bandeiras. Nas décadas de 80 e 90, expandiu-se para 5 bandeiras. Com o advento da internet nos anos 2000, a sexta bandeira foi criada. E nos últimos anos, graças a tecnologia blockchain, a sétima bandeira ganhou vida. Cada bandeira representa uma parte da sua vida e você deve escolher o país mais adequado para fincar cada uma.

A primeira bandeira: Cidadania

Além do passaporte original do país onde nasceu, você deve ter um segundo passaporte. Mas você não deve escolher qualquer segundo passaporte. Deve ser de um país respeitável e preferencialmente neutro em situações e conflitos internacionais. O ideal é que seja de um país que permita acessar o maior número de países sem a necessidade de visto.

Os melhores passaportes são os da União Europeia. Você pode conseguir um por ascendência ou por meio de investimentos.

A segunda bandeira: Residência

Este país será a sua residência oficial. A característica principal deste país é que ele não deve tributar a sua renda conseguida fora dele. O objetivo é você não precisar declarar imposto de renda em nenhum país do mundo, já que você organizará seus negócios e investimentos para lhe trazer renda vinda de fora.

Quais países possuem essas características? Turks and Caicos, Panamá, Andorra, Bermuda, Liechtenstein, Suíça, Mônaco, Reino Unido, Irlanda, Paraguai e Emirados Árabes Unidos.

A terceira bandeira: Base de negócios

A base de negócios é o país onde você estabelecerá legalmente sua empresa. A escolha obviamente se dá entre os diversos paraísos fiscais espalhados pelo mundo. Não só esses países lhe proporcionarão uma vida livre de impostos pelo resto da vida, como a estrutura offshore que você escolher deve proteger a sua pessoa física dos negócios da pessoa jurídica.

Em uma economia global, você pode estabelecer sua empresa em qualquer lugar do mundo. E não são apenas negócios, a sua companhia poderá adquirir imóveis, fazer dívida, abrir contas, proteger e expandir seu patrimônio (inclusive para suas próximas gerações).

E saiba que em sua base de negócios estarão apenas os registros de sua empresa. Não precisa necessariamente que você ou algum funcionário esteja lá.

Em termos de negócio, Estônia e Panamá são países que valem consideração. Já em se tratando de proteção e privacidade Nevis e Ilhas Cook são centros importantes.

A quarta bandeira: Contas bancárias

É o país onde você guardará seu dinheiro e seus investimentos. O país deve ser altamente qualificado no que se refere a privacidade, comunicações, estabilidade e profissionalismo. Deve ficar longe de onde você primeiramente ganha o dinheiro, de onde você tem residência ou passa a maior parte do tempo.

Os países que preenchem esses requisitos são o “crème de la crème” dos centros financeiros mundiais, como Suíça, Liechtenstein, Áustria e Cingapura.

A quinta bandeira: Playgrounds

É o país onde você vai estar fisicamente. Justamente pelas questões legais você só poderá ficar o suficiente para que não seja considerado um residente fiscal. Existem arranjos legais complexos que podem lhe permitir morar em um só país indefinidamente sem se tornar residente fiscal, entretanto o mais comum é que o PT tenha de 2 a 4 países para morar. Daí vem o apelido de nômade digital.

A escolha do país dependerá do seu gosto pessoal quanto a clima, vida social e noturna, gostos culinários, custo de vida, etc.

A sexta bandeira: Presença e segurança na internet

Esta bandeira indica a parte do seu negócio que ficará na internet e inclui a localização dos seus servidores e a segurança dos seus dados que ficarão armazenados. A sua presença eletrônica poderá ser em qualquer lugar do mundo onde você não esteja. De preferência, seus dados e os de seus negócios online devem estar encriptados. O provedor também deve lhe fornecer Firewall, backups e demais sistemas de proteção.

É uma bandeira fundamental para tocar um negócio online. Isso, aliado a um sistema de pagamento capaz de receber dinheiro de qualquer lugar do mundo, tornou-se a base de negócios multimilionários e bilionários mundo afora. É o ponto de partida das pequenas multinacionais.

A sétima bandeira: Criptomoedas

É a última bandeira criada e a única que não envolve um país. Graças a tecnologia blockchain e ao surgimento do Bitcoin e demais criptomoedas, a transferência monetária entre contas e países ganhou uma velocidade, um baixo custo e uma privacidade jamais vistas. É a solução que realmente lhe permite controlar suas finanças de uma forma totalmente autônoma e fora do sistema bancário, que possui suas regras e restrições.

Conclusão

Toda a estratégia envolvida na teoria das bandeiras é voltada para ampliar sua liberdade, permitindo que você maximize o lucro de seus negócios e investimentos com o mínimo de custos e burocracia.

O mundo de hoje mudou bastante desde que a versão original do plano foi criado há mais de 60 anos. O ataque a privacidade bancária e o excesso de regulamentações têm colocado obstáculos em quem deseja alcançar a soberania individual. Hoje, é preciso mais cautela e orientação adequada para que você faça as melhores escolhas de maneira legal, caso queira seguir neste caminho. Por outro lado, a era digital trouxe novas ferramentas que possibilitaram que pessoas comuns também pudessem seguir as mesmas estratégias daqueles de maior patrimônio.

Nem todo mundo precisa necessariamente usar todas as bandeiras. Existem circunstâncias individuais que podem dificultar uma ou outra, mas quanto mais delas você conseguir implementar, maior será a sua liberdade.

As regras deste jogo vivem mudando e um PT deve estar informado e saber se adequar a elas. Lembre-se de que um PT sempre segue as leis locais. 

E você? Vai ficar com suas bandeiras fincadas para sempre no país onde nasceu, ou vai procurar o melhor lugar para elas e extrair tudo que a internacionalização tem de melhor?

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Este post tem 27 comentários

  1. Avatar

    Rafael Monteiro. Bom Dia. De todos os posts que li até o presente momento, este foi o melhor, mais abrangente. PARABÉNS.

  2. Avatar

    Mais um post digno de ser lido. Parabens ao I.I

  3. Avatar

    muito top…só nao sei como fazer isso… tomara que detalhe cada um… haja post…

      1. Avatar

        Salve, Raphael!
        Sempre objetivo e provocador. Excelente!
        Você pode indicar-nos alguns livros/artigos que detalhem mais a “fincagem das bandeiras”?
        Sucesso, sempre!

        1. Raphael Monteiro

          Olá Júlio,

          O livro de referência é o PT, mas existem outros como o Invisible Investor.

          São livros bem complexos e é preciso tomar cuidado que foram escritos pré-FATCA e voltados mais para os americanos.

          Abçs!

  4. Avatar

    Olá II!

    É um longo caminho a percorrer, primeiro precisamos mudar nossa mentalidade, para então começar a considerar essas possibilidades, e sair da nossa zona de conforto é um passo bem grande a ser dado, acho que eu ainda tenho muitos pensamentos e costumes antigos enraizados, que aos poucos tenho lutado para me libertar, ano que vem quero dar meus primeiros passos com investimentos no exterior.

    Abraços

    1. Raphael Monteiro

      Olá Bilionário,

      O primeiro passo é justamente quebrar a redoma que restringe o conhecimento. É o que tento passar aqui.

      Daí em diante, é você avaliar o que disso tudo você pode aplicar na sua própria vida.

      A resposta não é a mesma para todos.

      Abçs!

  5. Avatar

    grande artigo!

      1. Avatar

        Raphael, parabéns pelo post!
        Eu tinha lido há alguns anos sobre essa teoria das bandeiras e um site que me ajudou muito a abrir meus olhos para essa realidade foi o Nomad Capitalist (https://nomadcapitalist.com/) que, junto com seu site, são leituras obrigatórias, pois se complementam perfeitamente. O seu com o ponto de vista de um brasileiro, que é o meu caso, e o outro com o ponto de vista de um estrangeiro que já aplica a teoria há algum tempo.

  6. Avatar

    Excelente informação!! Muito valiosa mesmo, para abrir a mente, parabéns!!

  7. Avatar

    Bom dia! Excelente artigo, bem esclarecedor! Uma dúvida: a primeira (cidadania) e a segunda bandeira (residencia oficial) podem ser no mesmo local, desde que os negócios estejam em outro? Exemplo: cidadania italiana, residencia oficial na Itália, negócios em outro local. Ou por ser cidadão italiano a Itália vai cobrar os impostos independentemente da renda ser de fora?

    1. Raphael Monteiro

      Olá Fábio,

      O ideal é que sejam diferentes, mas é preciso conhecer as regras de cada país para entender as implicações tributárias de cada arranjo.

      Em relação a Itália, olha só: “If you’re a foreign resident working in Italy, you’re only taxed on the income earned in Italy.”

      À princípio, a Itália poderia lhe dar a cidadania e o playground. A renda e a residência idealmente deveriam ser de fora.

      Abçs!

  8. Avatar

    Nunca tinha lido nada parecido. Esse livro deve ter te inspirado muito. Parabens!!

  9. Avatar

    Raphael “Monstro”, é vc meu filho?

  10. Avatar

    Olá, ótimo artigo! Tenho cidadania europeia e estou indo estudar na Europa, talvez em Malta, com isso, gostaria de saber como legalizar meu negócio online no exterior, sem pagar muito imposto. Sou leigo no assunto ainda, estou começando no Marketing Digital.

    1. Raphael Monteiro

      Olá E-Business,

      É uma ótima ideia.

      Por uma questão de disponibilidade de tempo e complexidade do assunto, eu só consigo dar esse tipo de orientação aos membros do Passaporte Internacional.

      Caso queira se tornar um, sugiro que assista a este vídeo.

      ABçs!

  11. Avatar

    Olá, excelente texto, como sempre!
    Fiquei com uma dúvida, no artigo vocês citam a Itália como um país que não tributa a renda gerada em outro país, porém a lei da Itália (até onde conheço) preve sim o pagamento de imposto sobre toda a renda gerada, em qualquer país.
    Existe alguma forma legal de impedir isso?
    Obrigada

    1. Raphael Monteiro

      Olá Patrícia,

      Você tem razão. Acabei colocando a Itália na segunda bandeira, mas não é o correto. Já retirei.

      Como eu respondi em outro comentário, a Itália é Playground e Cidadania, mas não residência.

      Para não ficar sujeito ao imposto de renda italiano, você não pode passar mais de 183 dias por ano no país.

      Abçs!

  12. Avatar

    Olá Raphael, excelente artigo. Porém você poderia diferenciar melhor as bandeiras 2: residência e a 5, Playgorunds, pois na última você fala ” É o país onde você vai estar fisicamente”. Este lugar não seria a sua residência? Achei um pouco confuso. E será que você poderia dar um exemplo prático, tipo ” obter cidadania no país x, residência no país y, a base de negócios em z, e aí por diante?! Acredito que o entendimento ficaria bem melhor. Obrigado!

    1. Raphael Monteiro

      Olá Daniel,

      A ideia é você viver em lugar, mas ter a residência em outro.

      As características desses países são diferentes. No primeiro você procura qualidade de vida e baixos custos de consumo e no segundo vantagens tributárias.

      Um exemplo: Cidadania portuguesa, residência em Mônaco, base de negócios no Panamá, conta bancária em Cingapura, playground no México.

      Abçs!

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